Spurgeon plantador de Igrejas

Muitas pessoas não estão cientes da paixão extraordinária de C. H. Spurgeon por plantação de igrejas. Neste breve artigo, Peter Morden lança luz sobre como esse ministério impactou Londres.

O cenário Batista em Londres seria muito diferente hoje não fosse o ministério de plantação de igrejas de Charles Haddon Spurgeon. Algumas estatísticas nos ajudam a começar a compreender a extensão de sua influência. De forma impressionante, 53 das 62 novas igrejas Batistas de Londres fundadas entre 1865 e 1876 foram criadas graças ao seu trabalho; e no tempo da sua morte, em 1892, ele estava envolvido na plantação de quase 100 igrejas na cidade e nas áreas circunzinhas. A maioria dessas igrejas permanecem até hoje, muitos delas fortes e vigorosas, incluindo aquelas em Balham, Enfield, Greenwich, Norwood (Chatsworth), Teddington e Wimbledon (Estrada da Rainha).

Como Spurgeon conseguiu esse feito extraordinário? Seus métodos eram flexíveis e variavam dependendo do contexto, mas muitas vezes ele trabalhava da seguinte maneira. Para começar, Spurgeon identificaria uma área que parecia ser uma oportunidade missionária promisssora. Então ele enviaria um ou dois alunos do Colégio de Pastores para realizar cultos de pregação ao ar livre, muitas vezes com o apoio de outras pessoas da sua igreja. Se esses trabalhos “ao ar livre” fossem bem sucedidos, ele alugaria algumas salas para que novas reuniões pudessem ser realizadas. Se o trabalho continuasse a florescer (como normalmente aconteceu), terrenos adequados seriam comprados e instalações construídas. Spurgeon tinha o seu próprio advogado para ajudar as novas igrejas na elaboração das escrituras e com quaisquer outras questões jurídicas que surgissem. A parte financeira era suprida por seus muitos colaboradores – e também pelo próprio Spurgeon.

A Igreja Batista de Enfield, ao norte de Londres, é apenas um exemplo de uma igreja que deve o seu início, humanamente falando, a Spurgeon. Em 1867, após uma reunião que realizou com algumas pessoas interessadas daquele lugar, os cultos foram iniciados em uma sala em cima de um pub, o Rising Sun [Sol Nascente]. Uma “capela de ferro” temporária foi logo construída, e Spurgeon pregou o primeiro sermão no novo edifício. Havia então 30 membros e a igreja continuou a crescer. Em 1872, uma capela mais permanente foi erguida. Hoje, o elo com Spurgeon é tão forte como antes: Amanda James[1], o ministro titular, formou-se no Spurgeon’s College; o ministro em treinamento, Craig Downes, está atualmente estudando lá. Sob a liderança deles, a Igreja Batista de Enfield continua a prosperar e tem uma forte atuação em missões estrangeiras.

Falando de sua paixão por plantação de igrejas, Spurgeon disse certa vez:

“É com alegria … que encorajamos nossos membros a nos deixar para fundar outras igrejas; ou melhor, procuramos convencê-los a fazê-lo. Pedimos a eles que se espalhem por toda a terra, para se tornar a semente piedosa que Deus abençoará. Eu creio que enquanto fizermos isso, prosperaremos.”

Seu grande coração e sua paixão evangelística brilharam grandemente. Por qualquer padrão, o legado de novas igrejas que ele deixou foi um legado notável.

Fonte: The Recorder

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

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Dietrich Bonhoeffer (1906-1945)

 

Pastor luterano e mártir, nasceu em Breslau, Alemanha, em 4 de Fevereiro 1906, filho de um psiquiatra de classe média alta. Quando jovem decidiu-se seguir a carreira pastoral na Igreja Luterana. Doutorou-se em teologia na Universidade de Berlim e fez um ano de estudos no Union Theological Seminary, em Nova York.

Dietrich Bonhoeffer (1906-1945)

Nos anos de 1929 a 1930 trabalhou como assistente pastoral numa congregação evangélica na Espanha. Durante esta época viajou por alguns países de língua latina como México e Cuba. Retornou a Alemanha em 1931 e foi ordenado pastor.

Bonhoeffer foi um dos mentores e signatários da “Declaração de Bremen”, quando em 1934 diversos pastores luteranos e reformados, formaram a “Bekennende Kirche”, Igreja Confessional, rejeitando desafiadoramente o nazismo: “Jesus Cristo, e não homem algum ou o Estado, é o nosso único Salvador”.Sua resistência sistemática ao Nacional Socialismo de Hitler fez de Bonhoeffer um líder e advogado em defesa dos cidadãos judeus. O discurso fez-se ação quando ele ajuda e organiza fuga de judeus para a Suíça.

A partir de 1934, já perseguido, exerce clandestinamente seu ministério na Alemanha, até ser preso em 1943 acusado de envolvimento num plano para assassinar Hitler.

Amou a igreja do seu tempo, sofreu com ela e por ela, mas também participou ativamente do destino da sua pátria. Quando viu que a sua igreja silenciou diante de tanta injustiça; que os cristãos não levantaram suas  vozes em favor “dos irmãos mais fracos e indefesos de Jesus Cristo – os judeus e os 200 mil considerados indignos de viver: os deficientes físicos e mentais, os ciganos, homossexuais e testemunhas de Jeová – levados para os campos de extermínio”, não calou e nem desistiu mesmo sabendo o risco que iria correr se fosse adiante pela causa.

Levado de uma prisão para outra, em 9 de Abril de 1945, três semanas antes que as tropas aliadas libertassem o campo, foi enforcado, junto com seu irmão Klaus, e cunhados Hans von Dohnanyi e Rüdiger Schleicher, no campo de prisioneiros de Flossenburg, Alemanha.

Consciente que o discípulo não está acima do seu mestre e nem o servo acima do seu senhor, não se conformou em ser um cúmplice dos crimes praticados pelo seu próprio povo, pagando assim um alto preço, o martírio aos 39 anos de idade.

Suas cartas da prisão são um exemplo de martírio e também um tesouro para a Teologia Cristã do século XX.

Sua obra mais famosa, escrita no período de ascensão do nazismo foi “Discipulado” (Nachfolge) na qual desenvolve a polêmica acerca da teologia da graça, fundamento da obra de Lutero. O livro opõe-se a ênfase dada à “justificação pela graça sem obras da lei”, afirmando que a graça barata é inimiga mortal de nossa Igreja. A nossa luta trava-se hoje em torno da graça preciosa que é um tesouro oculto no campo, por amor do qual o homem sai e vende tudo que tem (…) o chamado de Jesus Cristo, ao ouvir do qual o discípulo larga suas redes e segue (…) o dom pelo qual se tem que orar, a porta a qual se tem que bater. Destas linhas já se denota o profundo “fazer teológico poético” que tanto caracteriza a obra de Bonhoeffer.

“A Igreja é Cristo existindo em forma de comunidade”. Bonhoeffer

“…a benção inclui a cruz, e a cruz inclui a benção”. Cartas da Prisão

Livros de sua autoria publicados no Brasil

  • Ética, Editora Sinodal, 2005
  • Discipulado, Editora Sinodal, 2004
  • Resistência e Submissão: Cartas e Anotações Escritas na Prisão, Editora Sinodal, 2003
  • Tentação, Editora Sinodal, 2003
  • Vida em comunhão, Editora Sinodal, 1986
  • Orando com Salmos, Editora Encontro, 1995

Filmes

  • Bonhoeffer: O Agente da Graça, Comev, 1999

Livros sobre Bonhoeffer publicados no Brasil

  • Dietrich Bonhoeffer: cristianismo e testemunho, Ir. Miriam Cunha Sobrinha, Editora Edusc, 2006
  • Dietrich Bonhoeffer: Vida e Pensamento, Werner Milstein, Editora Sinodal, 2006
  • Bonhoeffer: o mártir, Craig J. Slane, Editora Vida, 2007.

 

Fonte: Teleiós

 

postado por Tiago H. Souza

John Stott, o expositor – Por John Piper

Por John Piper

Em 1982, John Stott puniu a si mesmo por seu livro de 1966, Homens Feitos Novos. Foi uma exposição de Romanos 5 a 8. Eu o li em 1967 quando estava acordando para a grandeza das exposições. Ele concordou com uma carta crítica: “Seu livro é como uma casa sem janelas”, o que significa que não tinha ilustrações (Between Two Worlds, 240).

Minha resposta a isso foi, e é: Homens Feitos Novos não precisava de janelas. Foi tudo uma janela.

Eu estava me recuperando dos efeitos destrutivos do tipo de pregação que era 1% explicação e 99% ilustração. Eu nunca tinha ouvido o modo como John Stott pregava (e como ele transformou isso em livros). Foi fascinante. Emocionante. De repente, o significado de frases da Bíblia tornou-se um baú do tesouro a ser aberto.

John Stott - (27 de abril de 1921 - 27 de julho de 2011)

Até hoje, não tenho o menor interesse em assistir a um pregador tomar sua posição no topo da arca do tesouro (fechada) de frases da Bíblia e eloquentemente falar sobre sua vida ou sua família ou sobre a notícia, história, cultura ou filmes, ou mesmo sobre princípios teológicos gerais e outros temas, sem abrir o baú e me mostrar as jóias contidas nessas frases.

John Stott transformou as palavras da Bíblia em janelas da gloriosa realidade, explicando-as de forma clara, convincente, completa, coerente, doce, sem tolices, simples frases em inglês.

Para Stott “a verdadeira pregação cristã deve ser expositiva. . . “

“Exposição” refere-se ao conteúdo do sermão (a verdade bíblica) ao invés de seu estilo (um comentário em execução). Expor a Escritura é trazer o que está no texto e expô-la à vista. O expositor abre o que parece estar fechado, deixa claro o que é obscuro, desvenda o que está atado, e desdobra o que é bem embalado. “(Between Two Worlds, 125ff)

Sim! Era disso que eu morria de fome e nem sabia. Incrível! Alguém está me dizendo o que significam essas frases! Alguém está fazendo brilhar a luz sobre estas palavras. Tem um brilho tão forte que nem me deixa dormir! Estou acordando a décadas por lidar com a palavra de Deus. Obrigado. Obrigado.  Eu nem me importaria se me contasse qualquer história. Eu quero saber o que Deus quer dizer com estas palavras!

E é claro que o Deus quer dizer é incrivelmente importante e glorioso, temível, robusto, chocante, arrebatador e relevante. E as implicações estão caindo em cima de mim a cada minuto, e meu coração está agitado com o choque, o espanto, medo, a esperança, a tristeza, a alegria, ele grita e chora por socorro. Isto é o que eu tinha esperado por toda minha vida. Obrigado, John Stott, por me dizer o que essas palavras significam.

Naqueles dias, eu sabia que não podia pregar. Mas eu sabia que era este o tipo de pregação que eu queria ouvir – e se acontecesse um milagre, e eu me tornasse um pregador – era assim que eu queria pregar. Expositivamente. Articuladamente. Coerentemente. Claramente. Colocando as pessoas de cara com o texto. Destruindo a ignorância e a dúvida. Expressando a verdade e a realidade.

Então, John Stott, estou feliz que tenha pregado e escrito Homens Feitos Novos exatamente daquele jeito. Estou contente por ter pregado a maneira que você pregou. E quando você ouviu o seu “Muito Bem”, ontem no céu, eu não acho que Jesus quis dizer: “Exceto pela falta de ilustrações.”

Fonte: Desiring God

Postado por Tiago H. Souza

 

As Mulheres na Reforma Protestante

Sempre que se fala em Reforma Protestante, pensa-se de imediato em homens como Lutero, Calvino, Knox, Wycliffe, Zwínglio e tantos outros. Errado? Não, de maneira nenhuma! Porém, a história também nos fornece que não somente homens contribuíram para o “estouro” da Reforma. A mulheres também tiveram seu importante papel na causa reformista.
Marie Dentière
 Marie Dentière (Tournai, 1495 – Genebra, 1561), também conhecida como Marie d’Ennetieres, foi uma teóloga e reformadora protestante belga. Teve um papel ativo na reforma religiosa e política de Genebra, especialmente no fechamento de conventos e pregando junto a João Calvino e Guilheme Farel. Seu segundo marido, Antônio Froment, também foi um ativo reformador. Além disso, seus trabalhos em favor da Reforma e seus escritos são considerados uma defesa da perspectiva feminina em um mundo que passava por rápidas e drásticas transformações em pouco tempo. É de sua autoria uma das frases mais importantes da época: “Passei muito tempo na escuridão da hipocrisia. Somente Deus foi capaz de fazer-me enxergar minha condição e conduzir-me à luz verdadeira”. Seu segundo marido, Antoine Froment, também foi um ativo reformador.
Em 1539, Dentiére escreveu uma carta aberta a Margarita de Navarra, irmã do Rei da França, Francisco I, intitulada Espistre tres utile (O título completo em português é “Epístola muito útil, escrita y composta por uma mulher cristã de Tournay, enviada ao Reino de Navarra, irmã do Rei da França, contra os turcos, judeus, infiéis, falsos cristãos, anabatistas e luteranos”). Na carta, ela incitava a expulsão do clero católico da França e criticava a estupidez dos protestantes que obrigaram a Calvino e Farel a abandonar Genebra. A carta foi rapidamente proibida por seu teor abertamente subversivo.Apesar da qualidade de seus escritos teológicos, Marie Dentière sofreu perseguição e incompreensão tanto por parte das autoridades católicas como pelos próprios reformadores genebrinos, que impediram a publicação de qualquer texto escrito por uma mulher na cidade durante o resto do século XVI.Em 3 de novembro de 2002 seu nome foi gravado no Monumento Internacional da Reforma, em Genebra, por sua contribuição à história e à teologia da Reforma, tornando-se a primeira mulher a receber tal reconhecimento.

Katharina von Bora
Catarina (Katharina) von Bora (Lippendorf, 29 de janeiro de 1499 – † Torgau, 20 de dezembro de 1552) foi uma freira católica cisterciense alemã. Em 13 de Junho de 1525, casou-se com Martinho Lutero, líder da Reforma Protestante.

Catarina abriu as portas da sua casa pra que monges, freiras, padres que escancaravam seus corações pra verdade de Deus e se tornavam adeptos da Reforma se refugiassem, mesmo sabendo que estavam entrando num tempo de perseguição e isso pudesse resultar numa invasão ao seu lar. Existiram vezes, que 25 pessoas moravam em sua casa, sem contar ela, Lutero, as crianças e os 11 órfão de quem cuidavam!
Lutero nunca se negava a ajudar um necessitado. Sempre oferecia dinheiro a quem precisava e logo logo, acabou com as lindas porcelanas que Catarina ganhou de presente de casamento, vendendo para conseguir dinheiro e abençoar aqueles que lutavam pela causa da graça de Cristo!
Katy cuidou de Hans Lutero, seu primeiro filho, ao mesmo tempo em que seu esposo passava por uma terrível depressão. Ela se sentava ao seu lado e lia a Bíblia pra ele edificando seu coração. Conciliou as tarefas da casa, de hospedagem, mãe, esposa com a árdua tarefa de ajudar Lutero na tradução das escrituras para o alemão. Ouvia os desabafos de Martinho e sabia que cada vez que ele saia para pregar podia não o ver voltar, pois quanto mais pregava, mais inimigos Lutero ganhava. Expandir o Reino e as verdades bíblicas significava para Catarina poder ficar viúva. Mas ela sempre o encorajava: “Deus cuidará de nós. Não tema! Pregue!”.
Ela realmente é admirável. Sua postura permitia Lutero pregar livremente e arriscar sua vida pela Verdade!
“Catarina não escreveu nenhum livro nem pregou nenhum sermão, mas sua inestimável ajuda possibilitou que o marido fizesse isso. Ela foi um grande apoio pra ele.” Como Lutero mesmo disse a um amigo: “Minha querida Katy me mantém jovem e em boa forma também (risos). Sem ela eu ficaria totalmente perdido. Ela aceita bem minhas viagens e, quando volto, está sempre me esperando. Cuida de mim nas depressões. Suporta meus acessos de cólera. Ela me ajuda em meu trabalho e, acima de tudo ama a Jesus. Depois de Jesus, ela é o melhor presente que Deus em deu em toda a vida… Se um dia escreverem a história da Reforma da Igreja espero que o nome dela apareça junto ao meu e oro por isso”.
Tudo que Catarina Lutero falou ao ouvir isso foi: “Tudo que tenho sido é esposa e mãe e acho que uma das mais felizes de toda a Alemanha!”. Lutero chamava sua esposa de “estrela da manhã de Wittinberg”. Katie viveu por mais seis anos após a morte do esposo em 1546.
Extraído do blog Bereianos
Postado por Tiago H. Souza

Sadu Sundar Singh – O Apóstolo dos Pés Sangrentos

Em 03 de setembro de 1889 nascia na Índia Sundar Singh o terceiro e ultimo filho de um influente político e governador de Putiala que pensava em fazer deste filho um político maior que ele próprio. Mas por influencia de sua mãe se tornara desde cedo uma pessoa religiosa dentro dos costumes da religião sik. Mas aos 14 anos com a morte de sua mãe se revoltou contra tudo chegando a duvidar da existência de um Deus. Seu pai o colocou no melhor colégio da cidade que era da Igreja Presbiteriana. E no primeiro dia lhe deram um novo testamento o que lhe causou um ataque de fúria em plena aula e chegando em casa queimou o livro. Mas o livro era obrigatório na escola e tinha que estudá-lo, isto gerou um conflito em sua cabeça, passou a odiar os cristãos.

Sadu Sundar Singh

Em poucos dias tomou uma decisão radical, se trancou em seu quarto e passou a estudar sobre Jesus e se fosse tudo verdade sobre o que falavam, então se suicidaria. Passados três dias Jesus lhe apareceu e então como no episódio de Paulo ouviu a voz que dizia: “Porque me persegues se eu vim para te salvar.” Seu conflito cessou foi tomado de uma grande paz, mais tarde afirmaria. Mas para um indiano mudar de religião é um caos! Reunida a família foi lhe proposto a negar a nova fé e teria as melhores posições, privilégios que ninguém da família tivera ou seria banido para sempre. Fez a opção pela segunda escolha, seu pai foi radical e o mandou embora de casa só com a roupa do corpo. Na mesma noite dormiu embaixo de uma árvore e acordou terrivelmente doente, procurou uma missão americana aonde foi acolhido.

Passou três longos anos no seminário da missão, onde procurou aprender tudo sobre Jesus. E então decidiu que iria voltar ao seu povo e iria evangelizá-los, mas não em trajes ocidentais (casaco e gravata), e sim vestiu o hábito de sadu indiano e com os pés descalços. E assim o fez, atravessou toda a Índia de norte a sul, de leste a oeste pregando nas praças, nas aldeias, vilas, indo até ao Tibet. Tendo a oportunidade de ter pregado para o Lama,foi ridicularizado e acabou ficando preso, mas milagrosamente conseguiu sua liberdade. Ao sair jurou que voltaria ali, pois viu muita incoerência em nome da religiosidade. Sua fama ultrapassou as fronteiras da Índia, foi convidado a pregar em igrejas na Birmânia, China, Japão, e no ocidente esteve na Inglaterra, Holanda, Suécia. Dizem que a sua bondade, suas vestes longas, sua face amorenada, seus olhos brilhantes faziam-no parecer o próprio Jesus.

Quando soube que seu pai se convertera voltou imediatamente à Índia para passar alguns dias com ele. Mas seu coração batia pelo Tibet. Por duas vezes se dirigiu para lá, mas misteriosamente não conseguiu chegar ao seu destino e teve que ser trazido muito enfermo, quase morto. Mesmo aconselhado por amigos e por seu médico quando recuperado se pos a caminho. Sobre o gelo, o sangue; pés feridos em caminhos de brancura, regando o alvor da neve. À noite, o frio, o vento, a solidão, o gelo. Vermelhos de sangue, violentados pelos climas glaciais, sobre as montanhas, os pés de Sudar Singh deixaram um rastro vermelho, um doloroso rastro de sacrifício pelo evangelho, testemunho vivo que conduz a Jesus Cristo. E nunca mais foi visto o seu corpo não foi encontrado em parte alguma. Não houve noticia de que tenha cruzado com algum viajante ou que passasse em algum lugarejo. É provável que no Himalaia esteja hoje sua sepultura.

Postado por Tiago H. Souza