Paulo, o maior missionário de todos – Tiago H. Souza

Por Tiago H. Souza

O ponto de partida das missões cristãs é por natureza a igreja do Novo Testamento. Os discípulos assustados e inseguros, que haviam fugido durante as horas de agonia do seu mestre na cruz, foram capacitados com o Espírito Santo no Dia de Pentecostes, nascendo assim o movimento missionário Cristão. O registro mais detalhado e exato desse novo avanço missionário encontra-se no livro de Atos, em que o apostolo Paulo se destaca acima de todos os outros, embora Pedro, Barnabé, Silas, João Marcos, Filipe, Apolo e outros também desempenhem um papel importante. Alem das escrituras, pouco se sabe a respeito desses cristãos da primeira geração.

O apostolo Paulo indiscutivelmente mantém o lugar de maior missionário da historia da igreja primitiva. Na palavras de Kenneth Scott Latourette, “ ele foi ao mesmo tempo, o protótipo, o modelo e a inspiração de milhares de sucessores”. Paulo é visto por muitos como o maior missionário de todos os tempos,alguém que conduziu um ministério extraordinário de estabelecer o cristianismo o cristianismo desde sua base até assegurar seu crescimento e estabilidade nos séculos seguintes. De diversos modos, ele era um homem bastante comum que enfrentava problemas que, desde aquela época, tem atingido os missionários.

Paulo, sem duvida, foi um grande estrategista. Embora priorizasse uma teologia saudável e aplicável na vida dos ouvintes, Paulo não tinha o chamado “numerofobia”, ele estava preocupado em ganhar o maior numero de almas possíveis. Seu trabalho foi um tanto desgastante por isso. Augustos Nicodemos fala sobre Paulo e seu trabalho:

Para que tenhamos uma idéia do labor do apóstolo Paulo como fundador de igrejas, em menos de dez anos, entre os anos 47 e 57, ele plantou igrejas em quatro províncias do Império Romano: Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia proconsular. Depois de dez anos plantando igrejas, ele escreve aos romanos que já não tem campo de atividade naquelas regiões (Rm 15.23). Paulo passa para a história, então, como uma combinação de teólogo profundo e missionário fervoroso.”

Rolland Allen, em seu livro “missionary Methods: St. Paul´or Ours?, favorece esse aspecto, mesmo que seja apenas pelo fato de os métodos paulinos terem dado bons resultados:

Em pouco menos de dez anos, Paulo estabeleceu a igreja, em quatro províncias do império, Galáxia, Macedônia, Acaia e Ásia. Antes de 47 d.C, não havia igrejas nessas províncias. Em 57 d.C., Paulo já podia falar como se sua abra ali estivesse terminado, e este é realmente um fato espantoso. Parece praticamente incrível que igrejas fossem fundadas com tanta rapidez e segurança, diante das dificuldades, incertezas, fracassos e reincidências desastrosas de nossa obra missionária na atualidade. Hoje em dia, se alguém se aventura a dizer que pode haver algo nos métodos pelos quais Paulo obteve resultados tão maravilhosos ele corre o risco de ser acusado de tendências revolucionárias.

            Allen indica que Paulo, ao contrario de muitos missionários depois dele, concentrava seus esforços em centros populacionais estratégicos, centros de comercio e de influencia política, dos quais o evangelho seria rapidamente levado para as regiões circunvizinhas. Além disso, ele aborda pessoas de todas as esferas da sociedade, fornecendo á igreja uma ampla base. E, acima de tudo, ele estabeleceu igrejas independentes e não estabeleceu estações missionárias. Ele não reunia congregações, mas plantava igrejas, por isso ele serve como modelo de coragem e compromisso, para nossos desafios missionários.

O desafio de se contextualizar foi um destaque nas abordagens de Paulo. A exemplo disso podemos observar Atos 14, quando os habitantes de Listra insistiram de lhe oferecer sacrifícios , os confundido com deuses pagãos. Seu desafio nessa passagem foi a contextualização que eles criaram rasgando suas vestes para se identificar com os habitantes de Listra. Nessa mesma passagem podemos ver um terceiro desafio, o desafio de criar uma teologia de abordagem inteligível para aqueles pagãos. O método de evangelização de Paulo foi apelar para a criação, ponto essencial para a compreensão dos moradores daquela região.

Paulo também teve grande oposição por parte de seu próprio povo. Todas as perseguições sejam elas físicas ou por meio de palavras relatadas na sua primeira

viagem missionária, teve como iniciativa dos judeus, que persuadiram e instigavam os ouvintes pagãos para a oposição. Deve ter sido um pouco desanimador ver “ sua família” como o maior rival de sua mensagem.

Suas frentes de trabalho foram inúmeras. Parte delas em prol do avanço evangelístico e parte dela trabalhando para resguardar a sã doutrina dos judaizantes e gnósticos que insistiam em deturpar o evangelho.

Todos esses desafios que Paulo ( como pioneiro) teve em sua primeira viagem foi respaldada pelo Espírito para que hoje pudéssemos ter um modelo didático, dinâmico e inteligente para nosso trabalho. Foi ele que chamou Paulo para sua obra (Atos13), foi ele quem o respaldou e o capacitou. E é esse mesmo Espírito que ainda age na Igreja de Cristo. Por ventura Deus desqualificou os métodos paulinos? Acredito que não. Deus o tornou didático para nós. O manual de missões e plantação de igreja esta nas escrituras!. Observemos ,estudemos e pratiquemos o método de Paulo, o maior missionário de todos.

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Breve Comentário de 1°Corintios 1 – Por Tiago H. Souza

Por Tiago H. Souza

Introdução
igreja de Corinto provavelmente foi umas das mais difíceis entre as igrejas com as quais o apóstolo Paulo manteve um relacionamento. Essa é a impressão que temos da sua correspondência aos crentes dessa cidade e do relato do livro de Atos.

Os problemas da igreja de corinto tinha como causa a característica pagã dos gentios inflamada pelos judaizantes. Eles costumavam entrar nas igrejas plantadas por Paulo entre os gentios e minar a autoridade dele, diminuindo-o por não ser um dos 12 apostolos originais

-Um dos temas centrais de 1° coríntios cap.1-4 esta em torno da criação de alguns partidos dentro da igreja que estava ameaçando um ruptura dentro da congregação. (1.11-13; 3.4; 3.21-23; 4.6).

-Nesta seção Paulo está abordando um problema único, o espirito faccioso e a formação dos diversos grupos dentro da comunidade estavam ligados ao envolvimento dos corintios com alguma forma de “sabedoria”(filosofia) grega e ao antagonismo conta a pessoa e ao ministério de Paulo gerado pelos judaizantes

– Contudo, o apostolo não desistiu da igreja rebelde,carnal e herética. Suas cartas estão cheias de exortação amorosas, orientações e conselhos de um líder espiritual que não se deixou abater e desanimar pela incompreensão e rebelião de seus filhos na fé.

-Nesse capitulo Paulo procura demonstrar aos coríntios que a sabedoria de Deus foi revelado em Cristo crucificado e, anunciada ao mundo por homens frágeis, em contraste com a “sabedoria” deste mundo, que exalta e glorifica o homem e que valoriza palavras eloqüentes.

Cap.1
1- Saudação a Corinto, uma igreja de Deus. (1.1-9)
– Na saudação, Paulo faz questão de lembrá-los de de seu chamado Apostólico e ainda de sua vocação dado pela vontade de Deus. Esse será um tema que Paulo ira sistematizar ao longo da carta. Era importante para Paulo saber que os Coríntios leriam suas cartas sabendo de sua autoridade.

– Paulo se refere a eles como…” igreja de Deus que esta em Cristo, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para serem santos”. Ele foi seu fundador, mas a igreja era de Deus! Paulo também os chama de “ santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos. Ora, humanamente falando os coríntios estavam longe de ser considerados santos, todavia eles haviam sido chamados para serem santos em Cristo e isso significa que eles poderiam expirimentar a santidade na vida pratica por meio de Cristo. Somente em Cristo Paulo poderia se referir aoa coríntios de santos.

– Paulo declara que agredece a Deus pela “… graça, que vos foi dada em Cristo Jesus”. É impressionate como Paulo sempre acha alguma coisa pela qual qual agradecer a Deus mesmo se tratando de uma igreja como a de Corinto. E Sem duvida Paulo se refere a conversão deles ao evangelho e a presença de dons espirituais entre eles.

Um ponto central de 1°corintios
A igreja de corinto era rica em dons espirituais. Não lhes faltava dom algum e eles estavam epenhados em ter mais e mais (14.12). Em seus cultos, havia manifestações de línguas e profecias, interpretações e revelações (14.26). Eles se consideravam uma igreja espiritual exatemente por esse motivo (14.37).
Paulo todavia, não os conhecia como espirituais por conta de suas facções e divisões, ou seja, a presença de dons espirituais entre eles não era prova de que eles eram espirituais! Esse era um dos erros que os crentes de Corinto cometeram, pensar que a espiritualidade estava associada a manifestações sobrenaturais.

A Fidelidade de Deus (1.7-8)
Apesar de todos os problemas da igreja de Corinto, Paulo esta convencido de que Deus, por causa de sua fidelidade, haveria de corrigi-los e guarda-los na verdade até o fim.

– Estamos diante de mais uma passagem biblica que nos fala da Perseverança dos Santos.

– o que Paulo esta afirmando é que apesar dos problemas, pecados falhas e incoerências da :igreja Deus haverá de manter os verdadeiros crentes firmes e constantes na fé em Cristo “ até o fim”.

-“irrepreensíveis” tem a idéia dos justificados diante do trono do supremo juiz, pois aqui neste mundo foram confirmados e justificados em Cristo.

Apelo á unidade (1.10-17)
Parem com as divisões! 10-12
O fato de Paulo entrar tão diratamente nesse assunto dos partidos revela o assunto de mais urgência e a importância dentro da carta.
Paulo pede três coisas nesse rogo solene, todas elas visando manter a unidade da igreja.
1– Que eles falassem “todos a mesma coisa”. Esse pedido entendido a luz das divisões existentes na igreja, significa que eles parassem de contender e discutir entre si quanto ás suas preferências de pregadores e lideres.

2– Que não houvesse entre eles divisões. A palavra usada por Paulo aqui e em 11.18 e 12.25 ( colocar a palavra em grego) significa rotura. Como as rasgaduras de um tecido velho. A existência dos partidos e a incapacidade dos coríntios de conviver com diferencças de opiniões nessas questões secundarias estavam ameaçando rasgar a unidade da igreja, como roturas de um tecido velho. Paulo pede que esses partidos sejam extintos.

3– Que eles fossem “inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no parecer”. Essa terceira petição. No contexto dos partidos e divisões significa que Paulo gostaria que os coríntios estivessem undios de mente e corações, sem que houvesse divergências entre eles.

Se não levarmos em conta essa tríplice petição poderíamos pensar que Paulo apela para a uniformidade da igreja, o que ele não esta pedindo. A uniformidade da igreja é impossível! A unfirmidade não é possível, mas a unidade é.
Paulo deseja que os Crentes de corinto estejam unidos, concordes, em favor do evangelho, apesar das diferentes opiniões sobre os pregadores.

As divisões
A existência de contendas entre os coríntios eram mais que preferências pessoias. Eram verdadeiros partidos envolvendo os nomes de pessoas em torno da igreja ,com slogam e tudo “ eu sou, eu sou e eu sou de.

Paulo se exime da culpa 1.13-17
-Nessa seção Paulo se exime da culpa de tais partidos. A formação dos partidos se deu sem a participação dos “homenageados”. Não devemos colocar a culpa em Paulo, Apolo ou Cefas. Eles não aprovariam esse nível de devoção e consagração entre seus admiradores.

– Ao contrario de muitos pregadores de hoje, Paulo se senti indgnado de a glória de Deus esteja sendo dada a homens como eles. Foi assim que Paulo se sentiu com a formação do “partido de Paulo” em corinto. Longe de se sentir lisonjeado com o fato de que havia um slogam com seu nome, Paulo rejeita a homenagem duvidosa usando vários argumentos que o isentavam de responsabilidade da formação de tais.
Observe seus argumentos:
1-Cristo estava sendo dividido por eles! 1.13
2-Paulo não foi crucificado por eles! 1.3
3- Não batizou os Coríntios ( apesar de algumas exeções) 1.14-16
4- Paulo não pregou como mestre de retórica 1.17

A sabedoria humana e a sabedoria de Deus 18- 31
Introdução:
– As divisões existentes na igreja de Corinto se originaram, com toda probabilidade, de uma combinação de vario fatores:1- A imaturidade da igreja. 2 Eles eram de Corinto, uma das cidades mais decadentes e corruptas da época. 3- Sendo gregos eles estavam acustumados a idolatrar seus mestres de filosofia prediletos, a quem chamavam de Theoi anthropoi( homens divinos), apreciavam discursos de retórica e gladiavam entre si sobre quem era o melhor e mais eloqüente.

Paulo usa vários argumentos como fundamento para sua exortação á unidade na igreja.

Do versículo 18 ao 25 ele faz um contrate entre a sabedoria de Deus, revelada na cruz de Cristo, e a sabedoria humana, isto é, o conteúdo da filosofia de sua época.

A loucura da Cruz
– o contraste entre essa sabedoria mundana e a pregação da cruz é essencial para corrigir o problema das divisões.

-A exposição da palavra da Cruz em contraste com sabedoria de palavras esta nisso, que os discursos com palavras que pretendem mostrar erudição, eloqüência e inteligência dos oradores exalta o homem, enquanto a palavra da cruz, que expõe Cristo crucificado como caminho de Deus para salvação humilha o homem, o faz renunciar e morrer para si mesmo.

– o ponto chave deste pensamento é justamento a salvação dos pecadores que declara que um homem justo e inocente teve que morrer em uma cruz porque homens da grande eloqüência e palavras de persuasão na verdade não tinham mérito algum e estavam sobre a condenação total de Deus.

– a grande ironia no pensamento corinto era esta: a mensagem que salvou os corintos era considereda como loucura pelos filósofos e mestres que eles tanto admiravam pela retórica e habilidade de palavras. Foi jutsmente na cruz que Deus revela sua extraordinária sabedoria. Aquilo que os sábios e entendidos deste mundo consideram como loucura é exatamente o poder de Deus em atuação no seu filho Jesus crucificado, salvando pecadores que outrora não poderiam ser salvos.

– Paulo usa a palavra escândalo para os judeos. No uso neotestamentario da palavra escândalo significa um obstáculo para alguém crer ou uma razão para alguém se desviar da fé. Aqui Paulo mensiona escândalo para dizer que os judeos consideravam a morte de Cristo na cruz um obstáculo para crerem que ele era o messeias de Israel.

– e por sua vez os gregos, viam a crucificação como “loucura”, quer pelo fato de que a idéia de Deus se fazer homem para morrer crucificado pelos pecadores era totalmente contraria a concepção deles de que a matéria era muito inferior. Acreditavam que a salvação era um questão de especulação filosófica e de conhecimento superior chamada gnose. ( jamais um ato curel e sanguinário de um sacrifício humano poderia salvar o homem).

– Paulo concede, ainda que por um momento para continuar a argumentação que a cruz é de fato o resultado de um momento de loucura e de fraquesa de Deus “ porque a locura de Deus é mais sábia do que os homens e a fraquesa de Deus é mais forte do que os homens” (1.25). Toda via, ainda que fosse fraquesa ou loucura, o caminho da cruz é mais sábio e mais forte que os homens e seus planos,idéias e concepções. Um momento de loucura de Deus é infinitamente mais sábia que os homens.

Resumindo o versículo 18-25 – Paulo tem como objetivo comparar a sabedoria de Deus com a sabedoria do homem, é levar os crentes de Corinto a perceber que eles estavam exaltando homens. Não há lugar para a glória humana entre os que foram salvos pelo Crucificado, não há lugar na igreja de Corinto lugar para culto á personalidade e a criação de partidos em torno delas.

Do versículo 26 ao 31 ele apela para a própria vocação dos coríntios, visando provar que Deus escolheu para a salvação os que para o mundo são desprezíveis e detestáveis, desse modo desvalorizando os sábios e entendidos deste mundo.

– Paulo queria que os Coríntios refletissem na vocação ( o termo vem do verbo chamar)

Quem Deus chamou para salvação e qual o propósito?

– três vezes Paulo diz que Deus chamou- sempre apontando para a soberania divina e sua graça como fonte da escolha.

– os chamados para a salvação foram aqueles considerados como loucos, fracos, humildes e desprezados. (uma referencia aos crentes de corinto)

De acordo com Paulo essa surpreendente escolha de Deus teve vários objetivos, todos eles declarados na passagem.
“ envergonhar” e “reduzir a nada” aqueles que para o mundo eram sábios e fortes.

Para que “ninguém se glorie na presença de Deus”, o que certamente aconteceria se o critério da escolha de Deus tivesse sido a nobresa, o poder ou a cultura.

Deus agiu dessa maneira inusitada para que “ aquele que se glorie, glorie-se no Senhor, isto é o Senhor Jesus”

Conclusão
1- É impossível, sem a escolha soberana e o chamado de soberano de Deus que as pessoas deste mundo venham a crer no cristo crucificado( isso não passa de uma loucura para os homens)

3- A solução para isso não é mudar a mensagem do evangelho para torna-lo mais palatável a mente moderna, dando-lhes ares acadêmicos de intelectualidade. (Teologia relacional é um exemplo disso)