Libertos da Falsa Liberdade – Tiago H. Souza

Por Tiago H. Souza

Libertos da Falsa Liberdade (Gálatas 5)

Liberdade era algo importante para Paulo. Seu interesse em escrever sobre o assunto em pelo menos cinco cartas revela a significância do termo para a igreja e suas verdades aplicáveis na vida do homem. Liberdade, provavelmente é o que todos os homens anseiam. Alguns optam em procurar em uma religião, outros em um emaranhado de sistemas filosóficos a ainda outros, acredito eu, fingem que não a procuram. Paulo entendia a dificuldade que o homem de sua época, seja ele judeu ou gentio, tinha acerca desse termo, e os Gálatas não estavam isentos de pensar como a grande massa.  A carta de Paulo que foi direcionada à igreja da Galácia nos mostra um significado teológico plausível para o termo. O capitulo 5, possivelmente é o ápice do pensamento de Paulo acerca do assunto na carta, demonstrando as aplicações diárias de se viver livre em Cristo. Para entendermos melhor o termo “liberdade” na carta aos Gálatas não podemos deixar de considerar o porquê da explanação de Paulo para os gálatas, que é de suma importância para o entendimento do termo.

Contexto

Alguns “Perturbadores” (Gl 1:7) estavam trabalhando como itinerantes e dissimulando uma forma adulterada do evangelho a tal ponto, que Paulo não usa nem o termo “evangelho” para descrevê-lo (Gl 1:7). Esses “perturbadores” peregrinavam de igreja em igreja ensinando que o cumprimento da lei mosaica, e de modo especial a circuncisão (Gl 5:2-3; 6:12-13) era um quesito fundamental para salvação. Eles não estavam diretamente contra a pessoa de Cristo, mas adicionava o cumprimento da Lei na obra salvífica, distorcendo assim, toda a obra e suficiência de Cristo e indo contra o decreto expresso no Concilio de Jerusalém (Atos 15:23-29).

Paulo escreveu então, a carta de Gálatas para contraporem-se aos falsos mestres judaizantes que estavam abalando as doutrinas centrais da fé cristã, tais como a justificação pela fé. Chocado pela receptividade dos Gálatas com a tamanha heresia, Paulo então os adverte acerca da escravidão que a Lei concede e a liberdade que Cristo propõe aos Gálatas.

O Julgo da Lei e a Liberdade em Cristo (Cap. 5:1-12)

Paulo começa sua argumentação com uma expressão um tanto obvia, mas que estava confusa para os gálatas, “Para liberdade foi que Cristo nos libertou”. A libertação dos gálatas tem uma causa. A causa foi o chamado soberano de Deus libertando os Gálatas da lei que outrora os condenava. Paulo roga, ainda, que os Gálatas fiquem onde estão e permaneçam confiantes na obra redentora de Cristo que foi suficientemente poderosa para libertá-los do “julgo da escravidão” que a lei automaticamente impunha. Logo, era desnecessário o cumprimento da lei mosaica para a salvação. O ponto central do pensamento de Paulo acerca de liberdade, é que ele a usa como resultado do cumprimento total e integral da Lei. Por isso é irracional se pensar que homem é liberto mediante a lei, se esse não a consegue cumprir em sua totalidade. Por isso a liberdade é concebível ao homem que deposita sua fé em Cristo, tendo Cristo cumprido a lei.Assim o evangelho penetrado no coração do homem por meio da dádiva do Espírito faz com que ele cumpra a lei na pratica do amor, que também é um sinal da autenticidade da liberdade em Cristo, assunto esse argumentado por Paulo no decorrer do capítulo 5.

A liberdade que Paulo expressa na carta aos Gálatas é a liberdade do julgo da lei. A liberdade da idéia de uma salvação mediante a lei do qual os gálatas não conseguem cumprir fora da pessoa de Cristo.

A idéia e concepção de liberdade deveriam estar latentes para os Gálatas, pois, ela é radicalmente essencial no tocante a compreensão da justificação mediante a expiação de Cristo. Um pensamento deturpado de liberdade ocasionará um pensamento deturpado de justificação, e um pensamento deturpado de justificação, o mínimo que seja, pode levar a condenação. Por isso, que para Paulo “liberdade” esta em Cristo, pois a expiação, a justificação e a salvação provem Dele.

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Onde o Espírito do Senhor está há liberdade – O que isso significa? – João Calvino

Por João Calvino

João Calvino

 

Onde o Espírito do Senhor está. – Paulo nos informa como Cristo imprime vida à lei, a saber, concedendo-nos o seu Espírito. A palavra ‘espírito’ tem aqui um significado diferente daquele do último versículo. Ali ela significa alma, e se aplica metaforicamente a Cristo, mas aqui ela significa o Espírito Santo que Cristo mesmo nos concede. Cristo, ao regenerar-nos, dá vida à lei e se revela como a fonte da vida, assim como a alma é a fonte da qual emanam todas as funções vitais do homem. Portanto, Cristo é, por assim dizer, a alma universal de todos os homens (universalis omnium anima), não no tocante à sua essência, mas no tocante à sua graça. Ou, pondo de outra forma, Cristo é o Espírito porque ele nos vivifica com o poder gerador de vida do seu Espírito.

            Paulo menciona também o beneficio que deste fato recebemos, ao dizer: há liberdade. Pelo termo ‘liberdade’ não entendo como sendo só o livramento da escravidão do pecado e da carne, mas também a confiança que recebemos de seu testemunho acerca de nossa adoção. Isto concorda com Romanos 8.15: “Porque não recebemos outra vez o espírito à e escravidão para temor etc.” “Nesta passagem Paulo menciona escravidão e temor, e temos os opostos destes, que são liberdade e confiança.
            Assim podemos, com propriedade, seguir Agostinho, ao inferir desta passagem que somos, por natureza, escravos do pecado e libertos através da graça da regeneração. Porque, onde houver a letra nua da lei, aí estará presente o senhorio do pecado. Porém, como já disse, interpreto o “termo ‘liberdade’ num sentido mais amplo. Seria possível restringir a graça do Espírito, especialmente no que toca aos ministros, a fim de que esta declaração corresponda ao início do capítulo, de haver nos ministros uma graça espiritual diferenciada e uma liberdade diferenciada da que há nos demais. Porém, a primeira interpretação me agrada mais, ainda que não tenho qualquer objeção em aplicar isto a todos segundo a medida do seu dom. Mas é bastante importante observarmos que Paulo está realçando a eficácia do Espírito que todos nós, os que fomos regenerados por meio da sua graça, experimentamos para a nossa salvação.
Postado por Tiago H. Souza