Algumas percepções que tive na entrevista que Rob Bell deu a revista VEJA – Tiago Souza

Algumas percepções que tive na entrevista que Rob Bell deu a revista VEJA:

Veja a entrevista no link : http://noticias.gospelmais.com.br/files/2012/11/Rob-Bell_Veja.pdf

Rob Bell -  Revelou sua doutrina universalista ao publicar o livro "Love Wins" em 2011

Rob Bell – Revelou sua doutrina universalista ao publicar o livro “Love Wins” em 2011

Pergunta 2:  Argumentos mais fracos do que as do Inri Christo. Deve-se perguntar ao Bell se ele tem alguma filmagem do Amor, Céu ou do próprio Deus, já que ele diz que nisso ele acredita!

Pergunta 3:  Incoerencia gramatical e hermenêutica. Jesus costumeiramente usava figuras de linguagem e metáforas para dizer algo sobre a REALIDADE da eternidade

Pergunta 4: Inferno não é sinônimo de Mal. Se fosse assim, Jesus não precisaria falar sobre o “inferno” uma vez que as pessoas o viam diariamente.

Pergunta 5: Bell deixa de lado toda a historia ortodoxa clássica do conceito inferno, e prefere acreditar na percepção do seu próprio coração acerca de Céu e Inferno. ( ele esqueceu que se estiver errado ele ta encrencado, enquanto nós os que acreditamos na existência do inferno não, uma vez “ O Amor Vence no Final”).  Não seria o coração humano mais enganoso do que todas as coisas?

Pergunta 6 : A ortodoxia clássica (do qual ele se refere como sub-cultura) não vê o amor de Deus em detrimento a sua Justiça, ou a sua Ira. O ponto de partida não é o amor de Deus por nós, mas o amor de Deus por Ele mesmo!

Pergunta 8: Bell se aproveita da situação drástica que algumas igrejas estão passando pela falta de fieis para respaldar seus ensinamentos. Quer dizer que se eu pregar o universalismo terei uma igreja cheia e vigorosa? A pergunta é: O Evangelho não fere o coração do pecador? O Evangelho não trará inimizade entre pais e filhos, filhos e pais? Meu “sucesso” como um pastor de igrejas é deixar o coração dos ouvintes feliz?

Pergunta 10: Bell se apresenta com os mesmos argumentos de gente famosa como Charles Russel ( testemunhas de Jeová), Smith (Mórmons) e gente “mutcho” loca como Paulo Coelho e outros que já tiveram uma experiência mística  com o divino mas nunca se preocuparam com a doutrina. LAMENTAVEL !!!

Pergunta 11 : Aqui Rob se mostra totalmente alheio as grandes doutrinas bíblicas como a “Justiça Divina” Uma das maiores manifestações de Deus no A.T e N.T é de um Deus ferindo pessoas, não por vingança, mas por que simplesmente Ele não pode ser neutro ao pecado do qual O fere profundamente.

Pergunta 12: (A resposta mais idiota da entrevista) A própria pergunta da Veja juntamente com a resposta do Bell desconstruiu todo o sentido de céu e inferno. Quer dizer que o homem está condenado ao PARAÍSO? Pergunta tola para uma resposta medíocre. Aqui, confesso que a VEJA não está entrevistando um líder evangélico, mas um cara que não lê a bíblia ou se a lê  interpreta ao seu “Bell” prazer. Se estamos condenados ao Céu, como fica Romanos 3?

Pergunta 14: Está na cara de onde vem toda essa doutrina universalista: Liberalismo Teólogico! É claro que um nascimento de uma criança é um milagre, mas não é sobrenatural como a ressurreição de Lazaro o foi. Já presenciei diversos nascimentos, mas estou para ver uma Ressurreição de um cadáver!

Pergunta 16: Para não muita surpresa dos leitores Rob Bell é também a favor do casamento Gay. É claro que fica fácil defender essa posição, uma vez que todos estão condenados ao Céu. Tudo está liberado!

Perguntas 17 e 18: Debate entre Darwinismo e Cristianismo se encerra na coerência dos fatos. A contribuição de Darwin para o cristianismo foi levantar perguntas. Essas perguntas são respondidas na Bíblia, onde há o relato da criação de todas as coisas e não há relato de evolução ( acredito que pode ter existido adaptação de espécies). O “Elo perdido de Darwin” ainda continua perdido! Por isso um debate entre Cristianismo e Darwinismo fica complicado quando este carece de suas principais provas.

Perguntas 20 e 21: Aqui Rob Bell da ás suas “caras” e confessa que dúvidas quanto o prega. Segundo Bell o Ghandi foi para o Céu porque foi um homem bom, já Hitler ele não sabe. Logo, Bell, alem de flertar com o liberalismo também tem suas perninhas no Catolicismo Romano, ou se preferir ou velhos ensinamentos judaizantes que promovem a salvação pelas obras. Aqui, ao que me parece, ele deixa o universalismo de lado e apela para a salvação pelas obras, acreditando que Ghandi estaja no Céu mas duvidando do “pobre coitado do Hitlher” Ora, não estavam todos condenados ao Céu?

Por fim:

Faltou embasamento bíblico e argumentos lógicos para respostas plausíveis!

Obviamente é difícil encontrar respaldo bíblico que defenda tal doutrina. Por isso reconheço o esforço ( mesmo que seja inútil, besta e sem sentido algum) de Rob Bell propagar uma salvação universal, mesmo que seja em seu  mundo “de faz de contas”!

Tiago Souza

 

 

 

Tudo Está Parado, Esperando o Evangelho! Jesus Cristo e o Jota Quest – Tiago Souza

Tudo esta parado  esperando o Evangelho! – Jesus Cristo e o Jota Quest

Ultimamente tenho observado algumas manifestações culturais do meu circulo de vida. É interessante notar as rápidas mudanças cada 10 em 10 anos que a cultura ocidental tem vívido. Costumo dizer que provavelmente minha geração foi a ultima a ter de fato uma infância: jogar pelada, taco, bola de gude, esconde-esconde e outras brincadeiras tão legais que se vier á memória  não cabem nesse texto.

Era super divertido compartilhar figurinhas, colecionar e presentear amigos com revistas “Placar” e jogar bafo com figurinhas de chicletes “Ping-Pong”.

 Mas a grande e trágica conclusão que chego é que tudo isso mudou!

Há dias atrás fui ao Shopping comer um sanduíche. Entrei na fila de uma rede de fast food e observei atentamente ao menu,  escolhi meu saboroso lanche do qual esperei por alguns minutos.

 Bom, até aqui tudo bem. Escolhi, pedi, paguei e estou posicionado ao lado do caixa esperando meu lanche chegar quando começo a ler aquelas laminas de badejas que tradicionalmente trazem curiosidades sobre qualquer coisa que prenda a atenção do consumidor. O titulo da lamina era: “Boas desculpas não faltam para você não ter que compartilhar o seu MILK SHAKE”.

 Uau! Como assim?

Fiquei um tanto assustado na hora. Pedi licença ao balconista e educadamente pedi outra lamina para levar com o propósito de mostrar ao meu pastor. Confesso que fiquei um tanto assustado na hora, não com a mensagem, que implicitamente dizia “seja um egoísta”. Mas com o que a levou a dizer isso, ou como veio a ser manifestado tão imperceptivelmente que sem se quer pudéssemos nos dar conta.

O sistema cria, a mídia vende e a sociedade consome.

 No período que chamamos de pós-modernidade tem um grande pecado de falta de senso da “camaradagem”, da amizade, do amor e da verdade, ora, não é difícil de entender o porquê a nossa geração é marcada de “verdades” e não de Verdade.

Bom, essa percepção me levou a entender melhor a junção entre “Arte e “Cultura”. Os artistas exercem um grande papel na sociedade, não só pela beleza de suas obras, mas pelo o que eles representam para a cultura. Eles são espelhos das mesmas! O artista tem a habilidade de expressar o que ele e o povo estão pensando sobre o “real” do momento e de que forma esse “real” se comunica com todos os outros em volta.

 A arte é a alma do que o povo pensa!

Vamos dar uma olhada lá atrás…

Na idade média era visível a cultura ocidental pensar quase que em sua maioria nas coisas divinas, uma vez que a igreja Católica estava em seu auge e exercendo seu ditatorialismo. As obras artísticas eram expressas com anjinhos e santos com um tom de tranqüilidade e de paz.

Entre a idade média (o período das artes sacras) e a idade moderna temos então um movimento muito interessante chamado Renascentismo, que foi nada mais e nada menos que o resgate das artes da Grécia antiga  em esculturas e pinturas enfatizando o homem como algo a ser notado e admirado.

Deus e o “sagrado” então ficam um pouco de lado para então colocar o “Homem” e toda a sua virilidade e totalidade no centro de suas obras e pensamentos. Nesse período, o renascentismo foi marcado por mudanças da percepção medieval da realidade sob o aspecto espiritual (com Deus ocupando o papel central) para uma percepção em que o homem é a figura central.

Grande parte das artes plásticas desse período foi caracterizada pela percepção da totalidade do homem, o antropocentrismo e pelo senso crítico concernente á religião.

Nesse período temos grandes artistas que expressam esse pensamento humanista como, por exemplo, Michelangelo com sua escultura super-detalhada focando o homem e toda a sua dignidade intitulada “Davi” e Leonardo Da Vinci com o “homem vitruviano.

"Homem Vitruviano" de Leonardo Da Vinci

“Homem Vitruviano” de Leonardo Da Vinci

"Davi" de Michelangelo

“Davi” de Michelangelo

Algumas décadas passam, alguns artistas nascem outros morrem e agora chegamos à Modernidade, a “era da razão”, ou como alguns costumam dizer a era do “Iluminismo” que teve sua grande influência entre os anos de 1720 – 1780.

A maior contribuição para esse período foi à atitude do homem em tirar Deus do centro ( e isso também  foi expresso nas artes plásticas). Assim temos agora a era da mente iluminada pela sua própria razão. O iluminismo nada mais é que a tentativa de emancipar o homem de qualquer pensamento religioso: o conceito da revelação divina, a crítica quanto aos milagres, à deturpação da idéia do pecado original e por fim o “Problema do Mal” (Teodocéia)

Como resultado dessa emancipação tem uma epidemia de declínio moral e existencial do homem moderno. A crise pessoal de cada indivíduo era representada em diversos quadros e esculturas.

 Nesse período o artista plástico norueguês Edvard Munch retrata a sua própria insignificância existencial e infinito desespero no quadro intitulado “O Grito”. O famoso quadro “O Grito” é representado por uma figura andrógena que expressa grande desespero de alma. No quadro observa-se nenhum tom de detalhes, o mar, o céu e o sol estão como em forma liquida, expressando o movimento do ressoar do grito da figura na ponte. O quadro em si representa total desespero do pintor e da era presente.

" O Grito" de Edvard Munch

” O Grito” de Edvard Munch

A mensagem que “O Grito” de Edvard Munch expressa é uma conseqüência drástica do humanismo e antropocentrismo instaurado desde os séculos passados. Quando o homem está no centro do universo só uma coisa há de se esperar:  DESESPERO!

Chegamos então em nossa querida e familiar era “pós-moderna”. Esse período nós a conhecemos bem! Estamos tão casados com ela  que nem nos damos conta que ela nos cerca como nossa própria sombra. O divorcio é impossível.

Na pós-modernidade, onde eu e você estamos no presente momento (a não ser que você esteja lendo este texto anos e anos mais tarde quando ele foi escrito) temos algumas características centrais e únicas da nossa geração:

1-    A crença no divino é aceita, a verdade acerca do divino não.

2-    A subjetividade é cultuada e valorizada, já a objetividade não revela muita coisa. (um ponto de vista é a vista de um ponto)

3-    A verdade foi substituída por verdades isoladas e esta é interpretadas por cada individuo. Assim o Relativismo é a forma politicamente correta de ver e observar qualquer assunto.

Tal como todos os outros períodos, temos grandes artistas que revelam a situação presente. Não poderia escolher outro senão o pintor espanhol Pablo Picasso, que expressa bem o período das subjetividades, das verdades abstratas e do relativismo.

“Guernica” de Pablo Picasso

Onde eu quero chegar?

Como todo bom missionário tento de várias formas observar e entender a minha geração. Como ela pensa? O que ela vende? O que está ouvindo? O que aprendem? Como se comunicam? Quais os seus valores? Quais os seus princípios? Quais são suas crenças?

Assim, para ter um bom aparato crítico para evangelizar na presente era pós-moderna, eu  tento escutar Rádio, ver TV, conversar com todo o tipo de pessoas e fico principalmente antenado nas músicas.

 A Música provavelmente é a manifestação artística mais popular hoje no Brasil e no mundo.

Deixa eu dar um exemplo…

De forma inusitada e de repente vejo na MTV o novo clipe da banda Jota Quest , a canção é “Tudo está Parado”. Simplesmente fiquei atônito! Inconscientemente a canção expressou a real situação da minha geração: imóvel, estática e mais comovente: “esperando uma palavra”.

O interessante é que ao longo do clipe, imagens e palavras como “transformação”, “mudança”, “amor” são expostas na tela enquanto a banda toca e Rogério Faustino canta “Tudo está parado, diz aí, esperando uma palavra”.

Jesus Cristo: A Palavra

Chego á conclusão que se de fato os artistas expressam a real situação de seu período, a banda foi muito feliz em comunicar a falta de algo que nossa geração ainda necessita: JESUS CRISTO!

Bem como observei, as demais manifestações artísticas dos períodos passados, a pós- modernidade chega ao seu ápice clamando desesperadamente por uma “Palavra”.

Obviamente “tudo está parado” quando não há uma VERDADE. Obviamente sem a VERDADE da PALAVRA não há expectativa, esperança para o futuro uma vez que “tudo está parado” e “esperando uma palavra”

 A Palavra que o homem pós-moderno espera: JESUS CRISTO

O evangelho de João logo nos primeiros versículos nos diz “O Verbo se fez carne, e o Verbo andou entre nós”.

 Minha pergunta é: Não seria Jesus (o Verbo, a Palavra) que tanto o Jota Quest anseia em receber? Não seria Jesus Cristo o autor e consumador de todas as coisas dos quais artistas como Edvard Munch esperava conhecer para dar algum sentido na vida?

Não seria Jesus Cristo a pessoa que se revela de forma tão concreta e objetiva que Picasso gostaria de conhecer?

Creio que sim!!!

Jota Quest, Da Vinci, Munch e Picasso expressaram em suas magníficas obras a mesma pergunta: Onde está a VERDADE?

Para um mundo de incertezas, subjetividades e inseguranças, só a pessoa de Cristo pode se revelar como uma PALAVRA, do qual o mundo tanto espera!

Enquanto o homem Pós-Moderno não abandona o tampar de seus ouvidos para ouvir a palavra de Jesus Cristo podemos esperar mais e mais manifestações de grandes artistas talentosos clamarem desesperadamente por algum significado em suas vidas.

O Criador está a espera de sua criatura, e a criatura está a espera de seu Criador

Segue o link do clipe ” Tudo Está Parado, do Jota Quest, que para mim é o grito do homem necessitado de Deus!

Breves Pensamentos #3

Breves pensamentos

A PREDESTINAÇÃO e a RESPONSABILIDADE HUMANA não são duas coisas contraditórias!!
veja bem…
a biblia ensina que Deus escolhe aqueles que herdarão os Céus (Efésios 1:4)
e a mesma biblia diz que o Reino dos Céus é tomado por esforço (Mateus 11:12).

Para evitar que o Céu seja povoado de pessoas orgulhosas e preguiçosas Deus colocou essas duas verdades em sua Palavra!!!

que legal!!!!

Nossos Momentos de Lutas – Rodrigo Serrão

São nos momentos de luta que vemos a realidade da vida;

São nos momentos de luta que largamos a vaidade inútil;

São nos momentos de luta que perdemos a vergonha e partimos para o tudo ou nada;

São nos momentos de luta que ficamos mais sensíveis;

São nos momentos de luta que buscamos mais a Deus;

São nos momentos de luta que ouvimos mais a Deus;

São nos momentos de luta que decidimos mudar mais facilmente;

São nos momentos de luta que as máscaras caem, que ficamos vulneráveis;

São nos momentos de luta que ficamos mais tristes, que choramos mais, e que mais facilmente entramos em depressão;

São nos momentos de luta que a nossa fé é provada;

São nos momentos de luta que os fracos ficam pelo caminho;

São nos momentos de luta que renascemos para uma nova esperança;

São nos momentos de luta que vemos Deus face-a-face;

São nos momentos de luta que os indivíduos são todos nivelados e que percebemos como somos iguais;

São nos momentos de luta que nos fortalecemos e nos tornamos melhores seres-humanos.

As lutas fazem parte da vida de 100% dos homens e mulheres deste planeta. Não há um ser humano na face da terra que não passe por dificuldades. Mesmos os recém-nascidos tem os seus problemas. A luta pela sobrevivência é o que existe de comum entre toda a humanidade (independente da cor, raça, religião, língua, etc).

Portanto, se você está passando por lutas neste exato momento, saiba que a maioria da população mundial também está. Saiba que parte da dor que sentimos pode ser aliviada se tivermos fé em Jesus Cristo. Ele mesmo nos garante que estará junto de todo aquele que nEle confia.

Por isso não deixe que a sua luta te faça entrar em desespero, mas antes, confie em Deus e procure aprender algo durante este tempo de dor. Você verá que o resultado de nossos sofrimentos apenas nos fará pessoas com mais fibra e mais coragem.

Acima de tudo, são nos momentos de luta que nos identificamos com Jesus Cristo. Ele sofreu, foi humilhado e morreu para livrar todos que nEle crer do sofrimento eterno, da luta que não tem fim.

Pense nisso!Rodrigo Serrao

Breves Pensamentos #2 – Tiago Souza

O que eu penso sobre a Teologia da Prosperidade:
Por incrível que pareça a Teologia da Prosperidade é a melhor maneira de espantar o povo da igreja e assim criar uma rotatividade sem fim invés da comunhão.
Por quê?
A teologia da prosperidade te oferece o que você pode conseguir aqui e agora como: casas, carros, promoções e etc…

O simpatizante da teologia da prosperidade vai à igreja, pede e obtêm na sua plenitude o que desejou. Assim, tendo em mãos o que queria, abandona a igreja, pois, alcançou o que tanto sonhou. Nada mais importa. De nada mais precisam. Conseguiram o que tanto almejaram.

Diferente disso, o Evangelho de Cristo te faz um eterno necessitado. Você é agraciado com uma salvação que te dá uma percepção de quanto miserável é e de quanto você precisa mudar, logo, as pessoas que tem essa percepção dada pelo Evangelho de Cristo, permanecem na comunhão da igreja, buscando e desejando o que ainda não encontraram e não encontrarão até a volta de Cristo: A perfeição.

As Missões Moravianas – Tiago Souza

Introdução

Na historia das missões vários personagens tiveram seu papel de destaque ao longo dos anos. Os vários movimentos, sejam eles anônimos onde grande destaque, serviram para a propagação do evangelho.Um desses movimentos de destaque na historia das missões mundiais, que ainda hoje é lembrado por muitos, é o movimento dos Irmãos Morávios.

Em uma época onde o deismo e o racionalismo se alastravam sobre a Europa Continental, Deus levanta simples camponeses refugiados para a pregação simples, vida exemplar prática e uma espiritualidade fervorosa, para levar o precioso evangelho aos não alcançados de todos os cantos do globo terrestre.A pequena comunidade de Herrnhut é um exemplo daquele antigo modelo encontrado nas paginas de Atos 13. Uma comunidade incendiada pela devoção a Cristo é levada a enviar muitos de seus membros “… para a obra que eu os tenho chamado”.

Os Morávios sob a liderança de Nicolau Von Zinzendorf mantiveram um forte zelo pelo evangelho e pela causa missionária, onde Romperam seus limites e tiveram grande êxito em seus trabalhos.Tendo como pai espiritual desde os tempo da velha Boemia o grande pré reformador Jonh Russ , os morávios nos provam que a combinação do zelo pelo evangelho e uma visitação de Deus na igreja, é tudo o que precisamos para cumprir nossa missão.

  

O Pietismo E O Seu Impacto Na Vida De Zinzendorf

 A Europa em meados do século XVI foi invadida por uma grande onda de correntes filosóficas e emaranhados pensamentos acerca do que é “divino” enfraquecendo varias igrejas e que ocasionou um esfriamento espiritual por partes de muita delas. Por outro lado, como que uma contraproposta um movimento chamado pietismo, que tem sua característica a libertação dogmática e fria da igreja começa a se levantar e ganhar espaço entre vários cristãos Luteranos da Europa.

O pietismo provavelmente foi o movimento mais notável de protesto conta o tom da fria intelectualidade que parecia dominar a vida religiosa. Este, por sua vez, se opôs ao dogmatismo que reinava entre os teólogos e pregadores e ao racionalismo dos filósofos. Ambos lhe pareciam constatar com a fé viva que é a essência do cristianismo. O pietismo se instalou dentro de varias comunidades luteranas trazendo um fervor espiritual para a igreja que até então estava sob domínio de influencias deístas e racionalistas.

O pietismo prestou uma enorme contribuição não somente aos alemães, mas para todo o mundo cristão. Ele substituiu as controvérsias religiosas e filosóficas pelo cuidado em relação ás almas. Transformou a pregação e a visita pastoral como objetivos centrais da comunidade eclesiástica. Contribuiu de uma forma tremenda na musica erudita, e talvez o mais importante de tudo isso, compreendeu a importância da espiritualidade dos leigos na comunidade reavivada.

Dando base a todos esses objetivos, estava o tema pietista dominante: regeneração. E ela não se referia somente as definições teológicas da palavra, mas a indispensável experiência dos cristãos ao receber de fato o novo nascimento. Eles acreditaram que com o renascimento espiritual se cumpria a grande Reforma protestante. Dessa forma, a doutrina cristã tornava-se realidade para os cristãos pietistas.

Um desses influenciados por essa movimento de renovo espiritual é um jovem de família nobre chamado Nicolau Von Zinzendorf, natural de Dresden na Saxonia.

Seu pai morreu pouco depois do seu nascimento e a mãe casou-se novamente, sendo o rapaz criado um tanto solitário e introspectivo por sua avó, a baronesa pietista Henrietta Catarina Von Gersdof. Desde bem jovem foi marcado pela característica que marcou sua vida religiosa, a forte devoção e paixão pessoal a Cristo.

Sua juventude teve importantes formações no Paedogogium de Francke, Halle. O rigor ali imperante não lhe agradava, mas aos poucos começou a apreciar a comunhão religiosa, até que em 1715 teve um encontro com a natureza salvadora do evangelho. Logo após sua conversão Zinzerdof foi enviado pela sua família para estudar funcionalismo publico ( Direito) em Wittenberg de 1716 a 1719. Embora encarregado no aprendizado das leis públicas e civis, Zinzendorf nunca abandonou seu zelo pietista.

O Início Da Comunidade Em Herrnhut

Enquanto isso, a velha igreja da Boemia passava por dias maus. Os descendentes diretos do grande pré-reformador John Russ, passavam por uma crise política e social. As conseqüências da Guerra dos Trinta Anos foram catastróficas para a igreja boemia, onde levou vários moravios de fala alemã a buscar um novo refugio para suas famílias. Vários deles migraram para a Saxônia.

Dono e herdeiro de varias terras, o então Conde Zinzendorf convida seus irmãos na fé morávianos para se refugiarem em suas terras na Saxônia. Seu convite caiu como uma providencia divina para famílias que estavam à espera de um verdadeiro milagre. Os morávianos não pensaram duas vezes e logo começou sua colônia em Berthelsdorf, a qual denominou Herrnhut (O Vigia do Senhor), local onde se reuniu grande numero de refugiados morávianos. O convite feito pelo generoso conde Zinzendorf se espalhava entre os morávios onde a cada dia o numero aumentava. Os morávianos almejavam uma cidade habitada apenas por cristãos, separada do mundo, uma verdadeira “comunhão dos santos”. Era um monasticismo livre e social, sem celibato. Mas como monasticismo, eles procuravam viver uma vida cristã sob condições peculiarmente favoráveis e distanciadas das piores tentações. Não demorou muito para Herrnhut tornar-se uma comunidade prospera e organizada.

 A partir de 1727, Zinzendorf tornou-se o guia espiritual de Herrnhut, e dez anos mais tarde recebeu ordenação formal na igreja moráviana reorganizada, ou Fraternidade Unida, como os crentes preferiam chamá-la. Os impulsos de Zinzendorf era fortemente a chama missionária. E em conseqüência disso, o movimento moráviano tornou-se a primeira força protestante em larga escala da historia.

O Reavivamento Do Dia 13 De Agosto

Os maravianos levavam uma vida espiritual um tanto normal e apática. Seu protestantismo enfraqueceu-se devido ao vários problemas ocorridos desde a Boemia. Vários círculos religiosos entraram em Herrnhut, onde levou a vida comunitária em risco.

Porém, cinco anos depois da chegada dos primeiros refugiados, toda a atmosfera de Herrnhut mudou. Um período de renovação espiritual começou a despertar o interesse da comunidade, onde seu ápice foi um culto no dia 13 de Agosto de 1727, onde Deus visitou a comunidade com poder, arrependimento e um forte zelo pelo evangelho e por missões. Os morávios foram transformados radicalmente. Suas discussões religiosas deram lugar para a unidade e dependência de Deus. Suas rixas doutrinariam foram deixadas de lado e uma forte ênfase em missões foi à principal característica da comunidade.  Apartir daquele dia, 13 de agosto de 1727, iniciou-se uma vigília de oração entre os morávios que continuou noite e dia, sete dias por semana, sem qualquer interrupção por mais de cem anos.

 A Igreja Começa A Se Mobilizar

 Embora despertados para as missões, o envolvimento direto nas missões estrangeiras não veio até alguns anos depois do grande despertamento espiritual. O conde Zinzendirf se achava presente á coroação do rei Cristiano VI da Dinamarca e, durante as festividade, foi apresentado como uma atração ao publico, alguns nativos escravos da Groenlândia. Zinzendorf ficou tão impressionado com os pedidos desses nativos para enviar missionários, que os convidou para visitar Herrnhut. Os nativos compartilharam suas dificuldades e fizeram um apelo para a comunidade a enviar missionários para trabalhar entre eles. Uma sensação ainda maior de urgência invadiu Herrnhut, onde todos se sensibilizaram para o evangelismo mundial.

No prazo de um ano os dois primeiros missionários morávios haviam sido nomeados para as ilhas Virgens ( Leonard Dober e David Nitsehmann) e, nas duas décadas seguintes que se seguiram, os morávios enviaram mais missionários do que todos os protestantes haviam enviado em dois séculos anteriores. Exemplo disso foi em 1735 onde um contingente apreciável, dirigido pelo morávio Gottlieb Spangenberg começou a trabalhar para alcançar as Índias Americanas na Geórgia.

O Encontro Com John Wesley

É nesse mesmo período e ocasião que o famoso pregador anglicano Jonh Wesley encontra com certo grupo de morávios em um navio com destino a Georgia. No diário de Wesley temos detalhes desse magnífico encontro e suas conseqüências transformadoras para a vida de John Wesley:

 Às sete horas fui procurar os morávios. Eu havia observado há muito a profunda seriedade do seu comportamento. Davam provas incessantes da sua verdadeira humildade em fazer aquelas tarefas servis para os demais passageiros que nenhum de nós suportaria; eles procuravam nos servir dessa forma e rejeitavam qualquer remuneração, dizendo que era bom para os seus corações orgulhosos e que o seu querido Salvador havia feito muito mais que isso por eles.

Cada dia que passava lhes dava oportunidade de demonstrar uma meiguice que nenhuma injúria poderia desafiar. Se alguém os empurrasse, batesse ou jogassem no chão, eles se levantavam e saíam; mas nunca se ouviu qualquer queixa ou resposta nas suas bocas. Agora se apresentaria uma oportunidade de ver se eles eram isentos do espírito de medo da mesma forma que o eram do espírito de orgulho, ira e vingança.

No meio do salmo com que iniciaram a sua reunião, o mar se ergueu, despedaçou a vela mestra, inundou o navio e as águas vieram jorrando sobre o convés como se um grande abismo estivesse nos engolindo. Irromperam-se terríveis gritos e uivos entre nós. Os morávios, porém continuavam a cantar tranqüilamente.

Perguntei para um deles depois: “Você não estava com medo? Ele respondeu: “Graças a Deus, não.” Perguntei ainda: “Mas não estavam amedrontadas as mulheres e crianças?”Ele respondeu brandamente: “Não, nossas mulheres e crianças não têm medo da morte.”

 Quando John Wesley voltou para Inglaterra escreveu sobre o impacto desse encontro em sua vida:

 “Eu fui à América para converter os índios; mas quem há de me converter? Quem é que me libertará deste coração mau de incredulidade? Tenho uma religião “de tempo bom”. Sei falar bem; sim, e tenho confiança em mim mesmo quando não há perigo ao meu lado; mas venha a morte me enfrentar e meu espírito já se perturba. Nem posso dizer: “O morrer é lucro!”

Em Londres o próprio Wesley procurou o conselho de um missionário morávio, Peter Bohler, e logo após converteu-se realmente. Em menos de três semanas ele estava viajando rumo a Saxônia para conhecer o Conde Zinzendorf e a comunidade Herrnhut.

A Obra Missionária Começa A Ganhar Mais Força

 Para essa obra de extensão na Geórgia, Nitschmann foi ordenado bispo, o primeiro da moderna sucessão moráviana, em 1735 por Jablonsky. As intenções dos morávianos de irem a qualquer lugar servindo a Cristo, logo deram nobre impulso missionário ao movimento moráviano o qual ele jamais perdeu. Até hoje organização alguma protestante tem estado tão alerta á obra missionária, e nenhuma é tão consagrada a ela em proporção de numero.

Embora Zinzendorf seja principalmente conhecido como estadista missionário, ele ajudou voluntariamente nas missões estrangeiras. Em 1738 alguns anos depois dos primeiros missionários terem seguido rumo ao Caribe, Zinzendorf acompanhou três novos recrutas que haviam sido nomeados para se juntar a seus colegas ali. Quando chegaram, eles se angustiaram ao encontrar os companheiros na prisão. Zinzendorf usou seu prestigio e autoridade para obter a liberdade deles. Durante essa visita o conde Zinzendorf dirigiu cultos diários para os africanos e reformou a estrutura organizacional e as designações territoriais para os missionários.

Ao fim de seu trabalho ali, deixando tudo solidavelmente estabelecido, Zinzendorf voltou á Europa; viajando novamente dois anos depois, dessa vez para as colônias americanas. Ali, prestou serviço estabelecendo estratégias ao lado dos irmãos morávios que trabalhavam entre os índios nativos. A permanência de Zinzerdof na America foi muito ativa. Esforçou-se em reunir as espalhadas forças alemãs da Pennsylvania numa unidade espiritual a ser reconhecida como “Igreja de Deus no Espírito”. Iniciou missões entre os índios; organizou sete ou oito congregações morávianas e estabeleceu escolas. Sob a superintendência de Peter Bohler foram criadas itinerancias.

Em janeiro de 1743 Zinzendorf embarcou para a Europa e em dezembro de 1744 encarregou Spangenberg como bispo de toda a obra na America.

È perceptível que Zinzerdof nunca de fato foi um missionário de campo. Seu papel dentro do movimento foi de um grande estadista, alias talvez um dos maiores na história do cristianismo. Como estadista “missionário” Zinzendorf passou mais de trinta anos como supervisor de uma grande rede mundial de missionários. Seus métodos eram simples e práticos. Os morávios não tinham uma formação teológica e tão poucos tinham dinheiro. Eram simples camponeses despertados para a evangelização. Eles sabiam falar de Cristo, e do que Ele tinha feito em suas vidas. E isso já era suficiente. Embora Zinzerdorf fosse um conde de notável nobreza, não há relatos que ele sustentava todos os enviados de Heernhut. O movimento missionário moráviano tinha como princípio e pratica o auto-sustento. Muitos deles eram encorajados a trabalhar junto aos prováveis convertidos dando testemunho de sua fé por palavras ou por exemplos de vida. Sua contextualização foi grande identificação clara com o povo. Sempre estava na mesma condição social de seus futuros convertidos. Muitos deles se venderam como escravos para evangelizar os escravos, tamanha a fé, devoção e a paixão por almas.  Algo que era perceptível no movimento moraviano era sua ênfase missionária em lugares longínquos e difícil acesso e trabalho. Seus esforços missionários eram sem duvida com muita paciência e devoção.

  Do ano de 1749 a 1755 Zinzendorf teve como alvo de sua atividade a Inglaterra. Seus bens haviam sido gastos com o movimento evangelístico e agora ele se encontrava quase um simples moraviano. O caráter de Zinzendorf, como o de todos nós, tinha luzes e sombras, altos e baixos. Zinzendorf era inclinado ao emocionalismo a religião sentimental. Alguns de seus hinos cheios de emoção expressa “ Jesus conduzirá mansamente, até que conquistemos nosso descanso”, estiveram presentes no louvor de muitas igrejas. Poucos homens mostraram tal intensidade de devoção a Jesus. Ele revelou toda o seu zelo por cristo em umas de suas declarações á congregação de Herrnhut: “Tenho uma única paixão: Ele, ninguém além dele.”

 Assim aquele simples “acampamento de refugiados” tendo um mobilizador apaixonado por almas e por Cristo, tornou-se uma coméia de atividade missionária. Missões foram iniciadas no Suriname, Guiana, Egito, África, Groelândia, Lapônia, Ceilão, Algéria e em vários outros lugares que infelizmente a historia não pode contar.

 As missões moravianas provam para nós que a igreja  visitada pelo zelo da palavra, oração, jejum, convicção de pecados e comunhão, irá presenciar uma grande manifestação de Deus que a capacita para a salvação dos povos.

Conclusão

 Ao observar a cativante historia das missões morávianas podemos notar seu zelo e devoção pessoal a Cristo. Ora, essa é chama das missões. Mais uma vez temos um forte exemplo que o combustível de missões é a devoção e a paixão pessoal a Cristo. Com isso temos pelo menos duas coisas a aprender.

 Primeiro, os métodos de sucesso vem se repetindo levando em conta o velho modelo bíblico encontrado em Atos dos Apóstolos. A igreja enviadora, os missionários enviados e causa em comum: os não alcançados. Não foi uma ou duas pessoas chamada por Deus. Foi a congregação Inteira afim de uma única causa.

Segundo, dependemos de uma visitação de Deus em nossas congregações para uma obra de cunho transcultural e mundial. Deus é o Senhor das missões, ele é o dono e a causa sustentadora das missões. Sem ele a igreja nada pode fazer.

Referencias

CAIRNS; EARLE E. O Cristianismo através dos séculos. São Paulo: Vida Nova,1984

GONZALEZ; JUSTO L. A era dos dogmas e das dúvidas. São Paulo: Vida Nova, 1984

Walker;W. A historia da igreja cristã. São Paulo: ASTE, 1967

SHELLEY;BRUCE L. Historia do cristianismo ao alcance de todos. São Paulo: Shedd Publicações,2004

TUCKER;RUTH A. Missões até os confins da terra. São Paulo: Shedd Publicações,2010

Breves Pensamentos #1 – Tiago Souza

Se de fato eu acredito na depravação total do homem, por que eu fico triste quando pessoas me criticam?
Eu não fui concebido em total depravação?

Negar a verdadeira condição humana do qual eu e toda a raça humana foi concebida é provar para mim mesmo o quanto eu sou pecador. E negar a minha soberba é afirmar que realmente sou: orgulhoso e soberbo.

Então, as críticas e as fofocas ao meu e ao seu respeito não chegam nem perto do que nós realmente somos.

Por isso o Evangelho é tão maravilhoso:
Podemos ser o maior pecador deste mundo e ser ao mesmo tempo DECLARADO JUSTO!

As 4 Possíveis e Principais Interpretações do “Milênio” de Apocalipse 20 – Tiago Souza

Introdução

Um dos assuntos mais debatidos na academia teológica é a questão do milênio. Quando falamos em assuntos polêmicos o milênio é tão controverso quanto à predestinação. Muitos cristãos nunca ouviram falar do assunto, mas tenho certeza que todos têm uma visão dos acontecimentos futuros da igreja independente de sabe distinguir uma da outra. Para melhor entender o assunto vamos explorar todas as vertentes do milênio, suas conseqüências e objeções para a igreja.

Primeiramente, temos que entender o que é o ‘Milênio”. Milênio significa “mil anos” (do lat. Millennium, “mil anos”). O termo vem do livro do Apocalispe 20: 4-5, onde se diz que “viveram e reinaram com Cristo durante mil anos”. No mesmo capitulo nos versos 2-3 também lemos que um anjo desceu dos céus, agarrou o diabo “ e o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o  e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos”. Que passagem deveras complicada!

Quando tratamos sobre o final dos tempos o debate é inevitável, uma vez que não temos uma clareza doutrinaria como outros assuntos da bíblia.

Haverá um milênio literal na Terra após o retorno de Cristo, conforme pregam os pré-milenistas? Ou o milênio é apenas uma representação da presente era da igreja como defendem os amilenistas? Ou ainda o milênio seguirá um desenrolar gradativo e progressivo após uma era de conquistas por parte da igreja, o qual instaurará o Reino de Deus no mundo conforme crêem os pós-milenaristas?

O presente estudo tem como objetivo estudar, analisar e dar algumas considerações quanto aos 4 possíveis e principais interpretações do Apocalipse 20.1-6.

A não ser que você sofra de escatolofobia, isto é medo de estudar as ultimas coisas, eu lhe convido para se aprofundar em um assunto tão interessante, velho, atual e relevante para nós, a Igreja do Cordeiro.

1°) O Pré-milenista (clássico ou histórico):

O prefixo já da a entender a relação do termo com o episódio. O retorno de Cristo acorrerá antes do milênio. Essa interpretação é a mais antiga da historia do cristianismo, alguns a defendem desde os primeiros séculos. O pré milenismo histórico acredita que a era que estamos vivendo atualmente (a era da igreja) continuara e prolongará até que, com a proximidade do fim, venha sobre a terra um período de grande tribulação e sofrimento. Então, depois desse período de tribulação e sofrimentos no final da era da igreja, Cristo voltará á terra para estabelecer um Reino milenar. Quando o acontecimento se concretizar, os cristãos que já morreram serão então ressuscitados, terão seu corpo reunido ao espírito, e esses crentes reinarão com Cristo sobre a terra por mil anos.

Os interpretes pré-milenistas discordam entre si em alguns pontos de como será o ocorrido. Alguns acreditam que os mil anos sejam literais enquanto outros acreditam que os mil anos seja um longo período simbólico e gradativo.

Seja literal ou simbólico, os pré-milenistas defendem que Cristo reinará fisicamente presente sobre a terra e dominará toda a terra com seu poder. Para aqueles que morreram em Cristo e para cristãos que estarão vivos no acontecimento, receberão o corpo glorificado da ressurreição e assim reinaram juntamente com Cristo na terra no período de mil anos. Para os que morreram sem Cristo estes aguardaram o juízo na segunda ressurreição, ou seja no dia do grande juízo.

Os pré-milenistas históricos defendem que ao termino dos mil anos satanás será solto para um breve momento de perseguição a igreja. Sem êxito na tribulação e na perseguição, Satanas então é derrotado por Cristo e lançado no fogo. Ao fim desse episódio os crentes entraram com Cristo em sua Glória para todo o sempre.

Alguns teólogos defensores do Pré-Milenismo

– Orígenes

– Tertuliano

-John Wesley

– Charles Spurgeon

– George Lad

Pré Milenismo e as Alianças

Os pré –Milenistas entendem que a promessa da aliança abrâmica, que dava aos descendentes de Abraão a terra desde o rio do Egito até o rio Eufrates, jamais foi cumprida, mas será totalmente realizada durante o reino milenar (Gn 15.18). As promessas da aliança davídica também requerem o estabelecimento do Reino milenar para que sejam cumpridas (2 Sm 7:12-16).

O pré-milenarismo e a bíblia

O pré-milenarismo tem grande respeito pelo que esta nas escrituras. Provavelmente, seria seguro afirmar que, quase sem exceção, os pré-milenaristas acreditam na inerrância da bíblia.

A historia do pré-milenismo clássico

A interpretação pré-milenista clássica foi defendida nos primeiros séculos da história da igreja. Ainda que os detalhes cronológicos não fossem tão claros, a visão pré-milenista teve grande aceitação no período dos pais da igreja. O historiador da igreja Philip schaff, resumiu isso da seguinte maneira: “ A questão mais intrigante da escatologia do período anteniceno é o quiliasmo proeminete, ou milenismo, crença no reino visivel de Cristo em glória na terra com os santos ressurretos durante mil anos, antes do julgamento e da ressurreição generalizada. Isso não foi, de fato, uma doutrina da igreja incorporada a nenhum credo ou forma de devoção, mas sim uma opinião de renomados professores grandemente aceita”. A esperança da volta de Cristo foi minada pelo união da Igreja e o estado sob o governo de Constantino. Anos depois Agostinho reinterpretaria o conceito e a duração do milênio como vamos ver logo adiante.

2°) O Pré-Milenismo Dispensacionalistas:

Os pré-milenistas dispensacionalistas tem sua origem no pré-dispensacionalismo histórico. Assim como os históricos, os dispensacionalistas acreditam também que o retorno de Cristo ocorrerá antes do milênio. Sua distinção é quanto ao momento da tribulação. Os pré-milenistas dispensacionalistas acreditam que o milênio é antes da grande tribulação (ou seja, pré-tribulacional). A visão dispensacionalista defende também um segundo retorno secreto de Cristo para reinar no milênio. Entre o primeiro retorno de Cristo e o segundo retorno há um período de 7 anos, onde exatamente nesse período irá se cumprir varias profecias inclusive o grande ajuntamento de judeus convertidos e sua evangelização em massa. Segundo esse ponto de vista, a era da igreja continuará até que, de repente, de maneira inesperada e secreta, Cristo chegará a meio caminho da terra e chamará para si os crentes: “… os mortos em Cristo ressuscitaram primeiro ; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares” (1Ts 4:16-17). Ao termino dos 7 anos Cristo voltará com os seus santos para reinar sobre a terra por mil anos. Depois desse período milenar haverá uma ultima rebelião que resultará na derrota final de Satanás e suas forças, e então virá à ressurreição dos incrédulos, o ultimo julgamento e do novo estado eterno sobre a terra.

A visão dispensacionalista do milênio não esta somente inserida no cumprimento das ultimas coisas. O pré-milenismo dispensacionalista não esta ligada somente com a escatologia. A visão pré-milenista dispensacionalista é somente uma conseqüência de todo uma hermenêutica bíblica e sobre os eventos nela registrados.

A historia do Pré-milenismo Dispensacionalista

A visão pré-milenista dispensacionalista iniciou com os estudos de John Nelson Darby (1800-1882) e ficou popularizado nos Estados Unidos no século XX com a “Bíblia Comentada de Scofield”. O dispensacionalismo delineado por Darby e apresentado por Scorfield entende que Deus opera na humanidade de diferentes dispensações. Podemos aqui salientar também a contribuição que o Seminário de Dallas teve como precursor da interpretação pré-mi

lenista dispensacionalista até os dias de hoje.

Teólogos que defendem o Pré-Milenismo Dispensacionalista

– Norman Gaisler

– Lewis Sperry Chafer

-Francis Schaeffer

-Charles C. Ryrie

– Carlos Oswaldo Pinto

– John MacArthur (Pré-dispensacionalista Progressivo)

3°) O Pós-milênismo:

O prefixo pós descreve o significado do termo em relação ao milênio: a volta de Cristo será depois do milênio. De acordo com os pós-milenistas, o avanço do evangelho e o crescimento da igreja se acentuarão de forma gradativa, de tal modo que umam proporção cada vez maior da população mundial se tornará cristã. Segundo Larine Boettner : Essa visão das ultimas coisas que temos do Reino de Deus esta sendo estendida pelo mundo por meio da pregação do evangelho e da obra redentora do Espírito Santo no coração das pessoas, de modo que o mundo todo acabará cristianizado e a volta de Cristo deverá ocorrer no final de um período de justiça e de paz normalmente chamado de “Milênio”… A segunda vinda de Cristo será seguida, imediatamente, pela ressurreição generalizada, o juízo geral e a introdução do céu e do inferno em sua plenitude.”

Uma característica central do pós-milenismo é o otimismo quanto as futuro de todas as coisas. O evangelho dará ao mundo uma transformação social,econômica e de bem estar espiritual na Terra que será resultado do avanço do evangelho desde a era apostólica. Os pós milenistas assim como todos os outros não acreditam que todos serão salvos nesse período. Entretanto o os princípios e valores cristãos serão prevalecentes na terra de modo que o pecado terá proporções mínimas. Sua duração será um longo período de tempo, mas não necessariamente mil anos. Provavelmente mais longo que mil anos literais.

Os pós-milenistas entendem também que Satanás ficará amarrado durante todo o tempo e sempre debaixo do controle de Deus. Mas ele será amarrado de uma maneira especial no inicio do milênio, de acordo com Apocalipse 20.

Muitas passagens os pós-milenistas usam como base. Muitos dos textos usados pelos pré-milenistas também são usados pelos pós-milenistas de forma que os estes acreditam no cumprimento antes da volta de Cristo. Os textos sãos: Salmos 2:8; 22:27;47;72; 86:9; Isaías 2:2-4; 11:6-9; Jeremias 31:34; Daniel 2:35,44 e Miqueias 4:1-4.

Teólogos que defendem o Pós-Milenismo

– Calvino ?

-Martin Bucer

-John Owen

-Matthew Henry

-Jonathan Edwards

– Loraine Boettner

– Iain Murray

– Kenneth Gentry

4°) O Amilênismo:

O amilenismo é a interpretação do milênio não literal antes da volta de Cristo. Os amilenistas acreditam que no final haverá um desenvolvimento paralelo tanto do bem quanto do mal, do Reino de deus e do que pertence a Satanás. A visão amilenista é a mais simples de todas as interpretações, pois descreve o milênio de Apocalipse 20.1-10 como sendo a “ Era da Igreja”. A era da Igreja (o milênio não literal) trata-se de uma era em que a influencia de satanás sobre as nações sofre grande redução de modo que o evangelho pode ser pregado por todo o mundo. Aqueles que Reinam com Cristo por mil anos são os cristãos que morreram e já estão reinando com Cristo no Céu. De acardo com essa posição a presente era da igreja continuará até o tempo da volta de Cristo e que quando este voltar, haverá ressurreição tanto de crentes como de incrédulos. Os crentes terão o corpo ressuscitado e unido a novamente com o espírito e entrarão assim no estado eterno do céu para sempre.

As divergências Amilenistas.

Entre os defensores do amilênismo clássico, existem duas visões acerca do milênio. A Primeira defende a possibilidade de ver, nesta era, o cumprimento das passagens que falam do milênio mediante a Igreja da Terra. A segunda defende que as passagens estão sendo cumpridas pelos santos no céu agora. As duas interpretações chagam na conclusão que não haverá um Reino terreno e futuro.

O amilenismo e as Alianças

Os amilenistas acreditam que as promessas que não foram cumpridas literalmente, foram ou serão cumpridas em Cristo ou na igreja. O amilênismo defende que muitas passagens eram de modo condicional. Assim muitos amilenistas crêem que os novos céus e a nova terra tem haver com a era da igreja sobre a terra.

O Amilenismo e a Igreja

A visão amilenista defende que na igreja se cumpre as promessas de Deus de maneira espiritual e serve como antítipo. A igreja então é um reino celestial espiritual que cumpre as promessas não literais do Antigo e novo testamento de forma que o novo céu e nova terra são consumadas durante a história.

A historia do Amilenismo

Entende-se que Agostinho (354-430) foi o primeiro a que deu um significado amilinista sobre o Milênio. Segundo Agostinho no livro “ Cidade de Deus”: “ durante os mil anos enquanto o diabo estiver amarrado, os santos tambem reinarão durante “mil anos” e, sem duvida os dois períodos são idênticos e significam o período entre a primeira e a segunda vinda”. Conservando a visão de Agostiana do Milênio os reformadores também aderiram ao amilenismo, mas diferente de Agostinho, Calvino e outros reformadores acreditavam na visão não literal do milênio. Em geral os credos reformados falam muito pouco sobre a questão do milênio, preferindo concentrar-se na ressurreição, no julgamento e na eternidade.

Alguns teólogos que defendem o Amilenismo:

– Agostinho

– Calvino?

– Louis Berkhof

-John Murray

– D.M. Lloyd Jones

– John Stott

-Robert B. Strimple

Conclusão

Obviamente é impossível fechar questão sobre determinada interpretação. A complexidade e a nuança do tema não nos permite excluir nenhuma das 4 principais e possíveis interpretações e logo  não nos deixa ameno da responsabilidade de compreensão do que a bíblia ensina. Embora busquemos uma possível solução para este “problema” devemos ter em mente que grandes teólogos e homens de Deus divergem em sua opinião ao longo da própria história da Igreja.

Por isso o tema tem sua importância didática. Aprendemos a nos importar mais com o assunto, pesquisar mais, ter a mente mais aberta para possíveis variações do tema e assim reconhecer que o assunto demanda de nós uma responsabilidade devocional e acadêmica do apocalipse.

João começa o Apocalipse afirmando: “Feliz é aquele que lê as palavras desta profecia e felizes aquele quês que ouvem e guardam o que nela está escrito” Se o tema nos levar a ler, meditar e guardar como preciosidade todas as promessas que estão no livro, então este estudo cumpriu o seu papel na edificação.

Deus abençoe

Tiago Souza

 

 

Bibliografia

Berkhof,Louis. Teologia Sistemática – Campinas: Luz Para o Caminho Publicações,1990

Ryrie,Charles C. Teologia Básica ao Alcance de Todos – São Paulo: Mundo Cristão, 2004

Grudem, Waine A. Teologia Sistemática – São Paulo: Vida Nova, 1999

Bock, Darrell L. O Milênio – São Paulo: Vida Acadêmica, 2005

Grenz, Stanley J. Dicionário de Teologia – São Paulo: Editora Vida, 2007

BÍBLIA SAGRADA NVI

Alguns “ismos” que distorcem o Evangelho – Tiago H. Souza

Ao longo dos séculos de existência da igreja; ela luta para se manter viva e pura. Sua mensagem já foi alvo de heresias como: o docetismo, o maniqueísmo, o deísmo, as vendas de indulgencias entre outros.

Hoje não é diferente, e como já diz o subtítulo do filme “Tropa de Elite 2”: “agora o inimigo é outro”. Digo outro não porque o inimigo e suas investidas são diferentes. Digo outro porque de tempos em tempos o mesmo inimigo se mostra com uma roupagem diferente moderna e com muitas facetas.

Estou falando da MENTIRA.

Em João 14, Cristo faz uma afirmação surpreendente “Eu sou a verdade”. Isso tem algumas implicações importantíssimas. Tudo o que vai além de Cristo e sua mensagem é Mentira. E todos os que não encontraram a Verdade (Cristo) estão enganados com suas pressuposições e vãs filosofias acerca de Deus. É impossível ter uma concepção da verdade sem antes tê-la conhecido. Por isso antes de tudo lhe encorajo a conhecer profundamente a pessoa e a obra de Cristo.

No livro “A Igreja no Século 21” Schaeffer diz: “Eis o grande desastre evangélico: a negligencia dos cristãos em defender a verdade como verdade.” Schaeffer está corretíssimo em sua afirmação. Se dormimos no ponto a mentira toma espaço, e a bagunça será generalizada. Se andarmos distraídos a geração futura terá grandes conseqüências; como nós estamos tendo hoje por erros cometidos gerações passadas. Por isso, encorajo você a ficar atento e a declarar guerra a todos os arquiinimigos da igreja.

Vamos ver alguns:

 O Neo-Pentecostalismo

O Neo-pentecostalismo é uma das heresias mais fáceis de identificar. Em um culto ou pregação você já consegue perceber a presença do neo-pentecostalismo que entrou no seio da comunidade sem receio ou timidez. Diferente dos pentecostais clássicos, os neo-pentecostais distorcem completamente as verdades da escritura dando uma nova roupagem daquilo que chamamos “benção de Deus”. Para os neo-pentecostais a verdadeira evidência de um cristão não está nos frutos que ele promove quando salvo e sim na condição financeira que irá adquirir pós conversão. Para o neo-pentecostal, Jesus Cristo nasceu, morreu e ressuscitou para lhe dar mais que uma “simples salvação”. No pensamento neo-pentecostal Cristo sofreu para você não sofrer, foi pobre para você ser rico, morreu para te dar autoridade e ressuscitou para você gozar de uma vida tranqüila, prospera e feliz. A ênfase em demônio é exageradamente ridícula, doença é sinal de pecado e a prosperidade é a chave hermenêutica da Bíblia

Alguns neo-pentecostais conhecidos:

– Keneth Hagin – Considerado o pai do neo-pentecostalismo. Seu livro mais famoso “O Nome de Jesus” distorce completamente as escrituras e coloca o homem como um semi-deus.

– Edir Macedo, Valdomiro Santiago – Estes colocaram o neo-pentecostalismo em um nível mais ridículo e bizarro. Tão podre quanto a venda de indulgencias do século XVI .

– Silas Malafaia – considero este o Judas Escariotes da igreja brasileira. Começou cedo a pregar sobre temas preciosos como salvação, pecado e a volta de Cristo. Hoje, muitos anos depois ele jogou estes temas na lata do lixo e agora propaga nada mais que vitória financeira (ele chegou ao cumulo de lançar uma bíblia comentando essa heresia), prosperidade física, felicidade a todo custo e fez alianças com os piores pregadores americanos nos últimos anos como Morris Cerullo e Mike Murdok.

 

O Liberalismo

O liberalismo é uma das formas mais sagas que uma heresia pode ser. Diferente do neo-pentecostalismo o liberalismo entrou devagar na igreja por muitos e muitos anos e hoje colhe seus frutos podres dentro do seio da comunhão. Após muitos anos plantando quase que imperceptível suas doutrinas hereges nas instituições de ensino seculares e religiosas, os liberais devem estar felizes pelo resultado. A maior parte dos seminários reconhecidos pelo MEC introduziu seu herege método histórico-crítico de interpretação da bíblia juntamente com todos os seus apetrechos pressupositais que o acompanham: dúvida quanto à inerrância das escrituras, negação do nascimento virginal de Cristo, incapacidade de ver os milagres como milagres e a total negação quanto a ressurreição plena e física de Cristo entre outros. Influenciado por teóricos da pós-modernidade o discurso liberal segue o mesmo método, perguntam sem responder, abrem um assunto sem nunca fechar, levam seus ouvintes a caminharem em círculos para não chegarem a lugar algum e se aventuram a pensar na impossibilidade do próprio conhecimento em si. O liberalismo teológico tende a interpretar a bíblia de forma empirista, onde nada do que não pode ser observado pode ter de fato algum crédito.  Essa dúvida quanto aos principais pontos da fé cristã levaram muitos ouvintes dos liberais a questionar a relevância da igreja e da palavra de Deus para os dias de hoje. Além de matar a fé do indivíduo, o liberalismo também mata e enterra igrejas inteiras. A decadência espiritual e eclesiástica da Europa é um exemplo do grande estrago que a heresia liberal pode fazer.  No auge de sua popularização, duas grandes obras cristãs ortodoxa lançaram uma bomba atômica no campo liberal. Em 1910 vários teólogos apologistas lançaram a obra “ Os fundamentos” e fizeram uma larga distribuição para minar o liberalismo teológico na América, e em 1919 o grande teólogo do século XX, Karl Barth publica “O Comentário da Carta aos Romanos” que fez um grande estrago entre o pensamento liberal. Mesmo diante de grandes obras publicadas, a fé cristã pura e simples ainda hoje é minada pelos resquícios do Liberalismo Teológico.

Alguns teólogos liberais

– Rudolf Butman: conhecido pelo seu programa de “desmitificação” do Novo Testamento, Butman chegou a afirmar que “a bíblia é semelhante a um mausoléu”

– David Strauss: Suas idéias estranhas acerca do Jesus Histórico se encontram no livro “Das Leben Jesu (A vida de Jesus). Seus sucessores, os chamados “neo-liberais” nem mesmo sabem em quem acreditam pois, acreditam em tudo e, portanto, não acreditam em nada.

 

O Universalismo

Parece-me que a expressão “tudo acaba em pizza” não está só relacionada com a impunidade dos políticos corruptos do Brasil. Muitos no meio evangélico pensam dessa maneira quanto à eternidade vindoura. O nome disso é Universalismo. O universalismo é a doutrina onde ensina que no final das contas todos os homens serão salvos pela infinita misericórdia de Deus. Assim, o universalismo implica a afirmação da salvação universal e a negação da punição eterna. Alguns universalistas chegam a afirmar a rejeição da divindade de Cristo. O Universalismo tem ganhado espaço entre alguns teólogos católicos e protestantes da ala liberal (já vimos esses caras antes!). Para quem achava que essa heresia estava tirando férias estão bem enganados. Há uma série de razões pela qual esta “doutrina” tem se instalado com grande veemência na igreja. Primeiro, estamos vivendo no período da hiper-valorização do ser (humanismo); segundo, o amor está relativizado, logo, o amor de Deus foi compreendido de maneira equivocada. Um exemplo do estrago universalista é o livro recém-publicado “Love Wins” de Rob Bell. Bell aborda possibilidade da salvação de todos os homens pelo infinito amor e graça de Deus que O faz impossibilitado de condenar alguém ao inferno por toda a eternidade. Não preciso nem dizer que o livro teve grande repercussão e vendeu milhões de exemplares. Isso é resultado que a doutrina se encaixou perfeitamente em nossa época. De fato termos como condenação, inferno e julgamento estão fora de moda e, é claro, o universalismo não perdeu tempo. De maneira geral o universalista é influenciado pelas emoções. É inconcebível para um universalista aceitar que um Deus de tanto amor condenar pecadores ao inferno. Este pensamento mostra que o universalista não interpreta as escrituras pela própria escritura. Suas emoções interpretam as escrituras, logo, as emoções e sua própria concepção do ser de Deus é a regra exegética para o universalista. De maneira geral os universalistas não conseguem responder perguntas crucias da fé cristã como: Porque Cristo teve que morrer? Fomos salvos do que, e para que? Por que pregar o evangelho?

Alguns universalistas conhecidos:

–  Rob Bell: Autor de “Love Wins”, publicado no Brasil como “O Amor Vence”.

– Willian Barclay: Teólogo escocês, famoso pela sua serie de comentários bíblicos. Barclay declarou em seu livro “A Spiritual Autobiagraphy” a negação da divindade de Cristo e a base “universal” de todas as religiões.

 

O Hiper-Calvinismo

O que você pensa sobre a afirmação “Jovem, sente-se. Se Deus quiser converter os pagãos, ele o fará sem sua ajuda ou a minha”. Foi exatamente isso que falaram para o jovem inglês Willian Carey quando este se propôs pregar aos pagãos indianos. Esta afirmação é tipicamente usada por um hiper-calvinista. O hiper-calvinismo é a crença que o Evangelho não se aplica a todos os homens e que somente os eleitos são dignos de ouvirem o evangelho. Por isso, é importante fazer diferença entre o Calvinismo e o hiper-calvinismo. O hiper calvinismo é uma deturpação dos cinco pontos calvinistas. Quando Carey (calvinista) se apresentou para os ministros ingleses e propôs a evangelização dos indianos, um hiper calvinista que estava presente logo interpretou seu trabalho como inútil para Deus, pois se Deus quiser salvar um eleito, ele o fará independente do esforço missionário. Este pensamento hiper-calvinista é causado pela enfatização da soberania de Deus em detrimento do amor de Deus por todos os homens.  Por incrível que pareça o hiper-calvinismo está mais presente dentro das igrejas históricas do que imaginamos. Uma conseqüência disso é ouvir ministros dizerem que o amor de Deus é restrito somente para os que crêem. De fato, o hiper-calvinismo vai além do calvinismo clássico e bíblico e deve ser categorizado como heresia. Assim como todas as outras heresias, o hiper-calvinismo contribui para o enfraquecimento da obra missionária e detém um pensamento confuso e errôneo sobre a soberania de Deus na salvação dos pecadores.

 

O tradicionalismo

Antes de falar sobre o que é o tradicionalismo quero falar sobre o que não é o tradicionalismo. O tradicionalismo não é a conservação das doutrinas da fé cristã. O tradicionalismo não é a conservação dos estatutos internos de uma denominação. O tradicionalismo não sistema de culto e nada tem haver com liturgia. Enfim, o tradicionalismo não é tradição. A conservação das doutrinas centrais da fé cristã e dos estatutos de uma denominação são bíblicas e saudáveis para toda a comunidade eclesiástica. O Tradicionalismo vai além. O tradicionalismo não consegue colocar a fé cristã em prática na vida da igreja fora das quatro paredes. É um evangelho engessado em sua estrutura denominacional de maneira que os olhos do tradicionalista são fechados para a contextualização do evangelho em sua própria cultura. Assim até mesmo para os que freqüentam uma igreja tradicionalista é difícil aplicar o evangelho na vida do ouvinte, pois, raramente tem alguma relevância ou aplicação para a vida diária fora dos moldes da estrutura da igreja local. Raramente há algum evangelismo por parte de um tradicionalista. Suas igrejas são povoadas por um pequeno número de cristãos que nasceram na denominação e por costume da família freqüenta o culto. Os tradicionalistas são mais preocupados com sua denominação, sua arquitetura e seu governo de igreja do que levar o evangelho para o homem pecador que está fora do sistema eclesiástico. O tradicionalista tende a pregar o evangelho sem utilizar qualquer forma de contextualização ou método contemporâneo para isso.  Não é possível pregar o evangelho de Cristo (relevante e atual) na vida de um pós-moderno nos moldes do tradicionalismo. A falta de relevância do “evangelho” pregado por um tradicionalista não faz sentido nem com o próprio Evangelho de Cristo, que sempre se importou em levar todo o conteúdo da mensagem de forma mais significativa e contextual sem comprometer o próprio conteúdo.

Por isso, pela própria responsabilidade em ter um evangelho simples e puro devemos combater essa forma de fundamentalismo. O tradicionalismo deve ser extirpado da comunidade evangélica para que o evangelho possa ser compreendido pelos que estão fora das quatro paredes.

 

E por fim…

Quero salientar que a bíblia nos chama a ser intolerantes quanto às mentiras que tentam minar o Evangelho: “Conjuro-te perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cerca-se-ão de mestres, segundo as próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos á VERDADE, entregando-se as fábulas.” O conselho de Paulo aqui não é outro se não conscientizar a comunidade a se resguardar de toda a heresia. É se armar com toda a verdade de Deus para a pregação do Evangelho. Por isso, conheça a verdade, pregue a verdade e defenda a verdade.

“A tolerância é a virtude do indivíduo sem convicções” G.K Chesterton