A Bíblia, O Livro dos livros – Salmos 19:7-10 – Tiago Souza

Certo jovem convidou o seu amigo para uma viagem. O carro era pequeno e tinha espaço para poucas coisas. O amigo, para certificar-se que estava levando tudo, pega uma lista e começa a ler: mapa, ok. Uma lâmpada, ok. Uma bússola, ok. Um espelho, ok. Uma espada, ok. Alguns livros de historias, ok alguns livros de poesias, ok.

A essas alturas, o amigo já estava apavorado:

– Mas cara, o carro já está cheio, não vai dar para você levar tudo isso!

– acalme-se, está tudo aqui, e mostrou-lhe a sua bíblia!

Essa é apenas uma ilustração da preciosidade da palavra do Senhor!

Ela é o Livros dos livros:

A bíblia é o livro mais lido, comprovado, citado, estudado, amado, preservado, traduzido e publicado de todos os tempos. Nela encontramos os atributos de Deus, a pecaminosidade do homem, o caminho da salvação, o destino dos pecadores e a felicidade dos crentes. A doutrina que nela encontramos é santa e pura. Seus estatutos são obrigatórios, suas historias são verdadeiras, suas decisões são imutáveis e sua precisão é perfeita. Leia a bíblia para ser sábio, creia para ser salvo e a pratique-a para ser santo.Image

Na bíblia encontramos alimento para a nossa alma, luz para o nosso caminho, e água para a nossa sede. A bíblia é o mapa do viajante, a bussola do peregrino, a espada do soldado e o ouro do mineiro.

Exposição do Salmo 19:7-10

No inicio do Salmo 19, Davi nos fala sobre os maiores missionários da terra. Os astros, os planetas, todo o universo grita aos nossos ouvidos e nos revela a glória de Deus. Nos seis primeiros versos deste salmo Davi se preocupa em fazer Deus majestoso, glorioso e criador de tudo. A partir do verso sete ao verso dez Davi nos chama a participar dessa glória de Deus! Enquanto os seis primeiros versos nos falam sobre a glória da revelação geral de Deus , o versos 7-10 nos chama para a glória da revelação especial de Deus. O cenário muda do mundo de Deus para a palavra de Deus.

Portanto nesses 3 versículos (7-10) Davi nos chama para atentar o quanto a Palavra de Deus é gloriosa, perfeita e sublime.

Cada um dos quatro versos paralelos contém um titulo para palavra de Deus. Cada uma descreve o que sua Palavra é; e cada uma pronuncia o que ela efetivamente cumpre naqueles que a buscam. Para Davi, em todos os versos, a palavra é do Senhor. Ela não é de homem algum. Ela tem origem divina. Ela é do Senhor e isto é bem claro em todos esses três versos.

“A Lei do senhor é perfeita e revigora a alma” Salmo 19:7a

Dr. John MacArthur, um dos maiores expositores bíblicos da atualidade, disse que em seus estudos para expor esse verso gastou algumas horas para achar o real significado do porque a lei do Senhor é perfeita. Em seus estudo descobriu que a lei é perfeita não em contraste com o imperfeito, mas em contraste com o incompleto. Ou seja, ela é perfeita porque é completa! Nada precisa ser acrescentado na lei. Ela por si só tem poder suficiente de alcançar a nossa alma e revigorar a nossa fé. Quantas vezes nos apegamos a esse livro em momentos de crise existencial, de problemas, de aflições e a Lei do Senhor sempre esteve pronta para nos ouvir, para nos instruir e para revigorar a nossa alma.  Assim como a nossa alma se refrigera nos braços do bom pastor do Salmo 23, a nossa alma se revigora na lei do Senhor! O mesmo autor desses versos chega a conclusão no primeiro Salmo 1 ,declarando “que feliz é o homem que  e medita nessa lei de dia e de noite”. De fato a Lei do Senhor é um mar de infinitas bênçãos para aqueles que a buscam!

“Os testemunhos do Senhor são dignos de confiança e tornam sábios os inexperientes” Salmos 19:7b

Os mandamentos eram conhecidos por esse nome (Ex 25:21) e constituem a base de toda a lei do Senhor. Porem toda a escritura é testemunho de Deus para nós de quem Ele é! É nas escrituras que vemos que a palavra do Senhor, de fato, testemunha fielmente sobre a pessoa e a obra do Senhor. Esses testemunhos são dignos de confiança, ou seja, nós devemos depositar toda a nossa fé nas historias, nos preceitos, nas narrativas, nas ordenanças que nela existe! O evangelho, ou o testemunho do Senhor são dignos de confiança e tornam sábios os inexperientes. Certa vez John MacArthur recebeu em seu gabinete pastoral um homem muito aflito. Este relatava que já estava frequentando alguns cultos ali na igreja e resolveu confessar os seus pecados ao Pr. MacArthur. Este homem era médico abortista. Este homem ganhava milhões de dólares com aborto de bebês inocentes. Seu consultório recebia pessoas do mundo inteiro. Quando o casal que ali vinha se consultar e não havia motivos para abortar a criança, esse médico criava um motivo, uma razão para o um aborto. Aquele médico disse também que estava em depressão. Estava no seu quarto casamento e não gostava de viver com a atual mulher. Ele suplicou ao Pr. MacArthur por ajuda. Sua alma estava completamente aterrorizada por anos e anos de pecado. Dr. MacArthur olhando para aquele homem respondeu: “Eu não posso! Eu não posso te ajudar. Eu não tenho poder para resolver seu problema.” Enquanto aquele homem ouvia essas palavras seu coração ficava cada vez mais desesperado. Enquanto aquele homem refletia sobre aquelas duras palavras, o Pr. MacArhur disse: “tome esse livro (a bíblia) e leia o evangelho de João. Semana que vem podemos conversar novamente.” Aquele homem na semana seguinte volta ao gabinete do Pr. MacArthur no este pergunta: “Você leu o que pedi? “Sim, eu li o evangelho de João” , respondeu ele. “E o que você achou?”perguntou MacArthur. “Eu achei Deus! Jesus é Deus. Ele não pode fazer o que ele faz se ele não for Deus! Ele é Deus. E também eu li Romanos e descobri que eu sou pecador por natureza, mas descobri também que Jesus pagou por todos os meu pecados e pela fé posso ser justificado por Deus”

Aquele homem descobriu o poder da mensagem do evangelho! Ele torna sábios os inexperientes!

 

“Os preceitos do Senhor são justos, e dão alegria no coração” Salmo 19: 8a

As determinações, os padrões e os valores da bíblia são justos. Aqui o salmista nos informa que a palavra do Senhor tem o mesmo peso que o seu próprio atributo: Se Deus é justo, a sua palavra deve ser justa! E na palavra do Senhor vamos encontrar mandamentos, ensinamentos que não tem variação no seu caráter ou desproporções para com os desejos de Deus. Ela é reta, ela é justa em tudo diz. Qual santa consequência disso? A justiça da palavra do Senhor trás alegria no coração do homem! O próprio Jesus diz em João 15:11 : “Eu vos falo estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a vossa alegria seja completa!”. É nas palavras do evangelho que encontramos a real alegria da nossa alma, pois é no evangelho que nos aproximamos de Deus e temos a alma recheada de alegria!

 

“Os mandamentos do Senhor são límpidos e trazem luz aos olhos” Salmo 19:8b

Aqui o Salmista se preocupa em trazer para a vida prática dos ouvintes aquilo que é estabelecido na palavra do Senhor. Davi apela para a observação amorosa da palavra de Deus com conformidade com a prática que exige. Os mandamentos, que são muito mais do que 10, são advertências para um viver santo daqueles que buscam á Deus. Diferente de uma ditadura ou algo do tipo, o Senhor estabelece esses mandamentos para o próprio bem dos fieis e os permite que eles se pareçam com o próprio Deus. Foi o mesmo Deus que disse em Lv 20:7: “santo por eu sou santo”! Como posso ser santo se não pratico a palavra? Por isso o Senhor nos impulsiona a praticar os seus mandamentos. Ele quer que sejamos santos e parecidos com Ele. Davi também no fala que estes mandamentos são límpidos! Eles não são obscuros, sujos e nevoados. Eles são límpidos, eles são claros e trazem luz aos olhos. O salmista quer dizer que os mandamentos não nos fazem tropeçar como cegos que só enxergam uma total escuridão. Os mandamentos faz com que possamos ver claramente as coisas como elas realmente são!

 

 

“ O temor do Senhor é puro, e dura para sempre” Salmo 19:9a

O Temor do Senhor nos ensina a ter reverencia para com Ele. Não é possível ter alegria na alma, sabedoria no coração, luz nos olhos se não tivermos temor ao Senhor. Talvez seja essa a razão do salmista colocar este verso como uma das ultimas referencias á palavra do Senhor. Ele quer deixar latente que a Palavra do Senhor nos fala sobre uma reverencia pura e santa. A palavra causa no coração daqueles que a buscam tal temor que o que mais eles desejaram é não pecar contra um Deus que é puro. E este temor dura para sempre, ou seja, teve valor para os dias de Adão, teve valor para dias de Davi e tem valor para os nossos dias! A palavra do Senhor sempre será pura e verdadeira!

“As ordenanças do Senhor são verdadeiras, são todas elas justas” Salmo 19:9b

A palavra “ordenanças” pode estar se referindo aos decretos eternos de Deus como juiz que julga com grande retidão. Ao longo de toda a escritura vemos os decretos do Senhor e seus juízos sobre anjos, demônios, indivíduos e nações. Esses juízos nos revelam o caráter do Senhor e nos mostram o que lhe agrada ou não. Quando digo “agradar a Deus” não estou falando de sentimentos, ou paixões. Deus não se deixa levar por isso! Mas o agrado do Senhor que está alinhado com a sua justiça, o qual é um atributo obvio de Deus santo. Por isso o salmista chega a está conclusão : As ordenanças e os juízos do Senhor são justos! Deus age com justiça na justiça porque Ele é justo!

Conclusão:

A palavra do Senhor é tudo isso: Lei, testemunho, preceito, mandamento, ordenança e juízo. Chegamos então á conclusão, juntamente com Davi, no verso 10: “A palavra do Senhor é mais desejável do que o ouro, do que muito ouro puro; são mais doces do que o mel;  são mais doces do que as gotas do favo!”

Davi diz que a palavra é mais importante do que o ouro! O ouro, em todas as nações e em todos os tempos sempre foi motivo de obsessão.

Portanto, se a Palavra do Senhor é mais valiosa do que o ouro, eu pergunto: você tem obsessão pela palavra do Senhor? Ela já tomou o lugar devido no seu coração? Qual é o valor que você dá a bíblia? Ela tem valor para você?

Davi diz também que ela é mais doce do que o mel!

Portanto, se a palavra é tão doce assim, eu pergunto: Você tem apetite pela palavra? Você deseja ler, entender e  pratica-la no seu dia-dia assim como você se alimenta? Você é tão apaixonado quanto Davi pela palavra ao ponto de meditar nela de dia e de noite? (Salmo1: 2)

Deixe a Palavra do Senhor ser TUDO na sua vida! Ela mesma dá testemunho do seu valor, por isso nós encontramos esses três versos escritos nela!

Tenha a palavra do Senhor como o seu bem mais precioso. Tenha ela como um valor inestimável e como um alimento inesgotável.

abraços

A Justa Justiça do Cordeiro (Apocalipse 16) – Tiago Souza

Introdução: Estamos na passagem mais dolorosa e perturbadora de todo o Apocalipse. Alias, estamos nos últimos momentos e nos últimos segundos da misericórdia de Deus, que vem atuando desde Gn 3. A procura de Deus em resgatar o homem de seu pecado, do qual vemos desde Gn 3, está nos seus últimos momentos que precedem o juízo final. Os flagelos que Deus envia através das taças são a justa justiça de Deus para aqueles que estão debaixo do selo da besta.

Enquanto as trombetas são um anuncio para o arrependimento, as taças são a total cólera de Deus derramada sobre os rebeldes. Enquanto as trombetas são uma advertência, as taças são uma consumação da ira final de Deus. Enquanto as trombetas atingem primeiramente o ambiente onde vive o homem, as taças atingem desde o inicio os homens. Nas trombetas vemos tribulações parciais com o objetivo de trazer arrependimento aos impenitentes. Nas taças vemos que esta oportunidade já se esgotou. Enquanto nas trombetas a ira vinha misturada de misericórdia, nas taças não há mistura alguma a não ser a mistura da justiça de Deus com a sua ira implacável. Quem se recusa a ser admoestado pelas trombetas são ceifados e destruídos pelas taças.

É bom lembrar que este princípio, de Deus em demostrar a sua ira com calamidades desastres e destruições são notoriamente repetidas em toda a escritura ( diluvio, Sodoma, Egito no mar vermelho, Jerusalém, juízo final). Isso nos faz ter a certeza de quanto é perturbador o nosso pecado e a nossa rebeldia para com Deus.

Vers. 1-2 (A terra é atingida pela ira de Deus)

– “Então ouvi uma voz”. A voz de Deus. Ele é o único que tem autoridade para realizar esses eventos catastróficos.

– Os adoradores da besta são atingidos de “feridas malignas e dolorosas”. Aqui Temos a primeira taça derramada exclusivamente e diretamente aquele que causou todo esse transtorno, o homem. O tormento virá sobre as cabeças daqueles que são selados pela besta, portanto, não haverá mais crentes mornos, carnais ou nominais. Ou você é selado por Deus e é livrado dessa ira, ou você é selado pela besta e experimentará o juízo de Deus.

Vers.3 – (O mar é atingido pela ira de Deus)

– A maior fonte de vida do planeta é atingida pela ira de Deus. Aqui vemos a destruição completa e certa do homem. Os oceanos irão coagular como sangue e todos os animais do mar irão morrer. Esse quadro assim como outros, não podem ser levados literalmente. Na verdade o homem já tem visto o mar coagular  (desastres petrolíferos), e se transformar em sangue ( nos últimos cem anos, 4 milhões de pessoas já morreram em tsunamis). Aqui temos um quadro pintado de forma drástica e patética descrevendo eventos que já estamos vendo nos noticiários.

Vers.4-7 (Os rios são atingidos pela ira de Deus)

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– Assim como na praga do Egito, Deus agora toca com a sua ira nos rios do planeta. Os rios também se transformaram em sangue. O homem aqui se torna totalmente vulnerável as condições catastróficas do seu planeta o qual ele tanto prejudicou. As fontes, os rios, os armazenamentos de aguas serão infrutíferos e sem vida. O momento que o homem se vê sem agua para beber, para tomar banho, para limpar as sua feridas malignas que foram derramadas na primeira taça temos a fala  de um anjo exaltando e glorificando o Deus de toda a justiça. Como que numa pausa em um momento tão dolorido e dramático para o homem, se houve um anjo exaltar e dizer: DEUS É JUSTO!

Vers.8-9 (O Sol é atingido pela ira de Deus)

– Os mesmos pecadores que não se arrependeram quando o sol se escureceu são agora punidos pelo Senhor através dos raios solares. No escurecimento do sol eles até podiam ignora-lo quanto ao calor eles não podem fazer nada a não ser senti-lo queimar em sua pele.

– Nesse momento eles reconhecem a presença de Deus e sua justa ira sobre suas cabeças, mas blasfemam e o amaldiçoam com suas bocas.

– Em todas as escrituras vamos ver dois tipos de atitudes para com o sofrimento. Ou o homem usa a sua boca para blasfemar contra Deus, ou ele usa seu joelhos para se dobrar e glorificar a Deus.

– eles não se arrependem. Um sinal do endurecimento de coração causado pela besta e pelo sofrimento.

Vers.10-11 (O trono da besta é atingido pela ira)

– Deus aqui ele derrama a sua ira no trono da besta e no sistema do qual ela governa que fará uma completa desordem no sistema humano e trará ainda mais caos para esse momento tão doloroso da humanidade. O trono da besta é o maior golpe de Satanás e é sobre essa estrutura que Satanás controla toda a sociedade humana. De alguma forma, o homem também é atingido por essa ira trazendo tanta agonia que este começa a morder a própria língua.

– Aqui temos um quadro da depravação total e radical do homem. O homem é mau. Seus ouvidos e sua boca conspiram contra Deus e diante de tanta dor e sofrimento eles ainda blasfemam contra Deus. A língua estará mordida e ferida, mas mesmo assim o homem cria um jeito de blasfemar contra Deus.

– Eles ainda não se arrependem.

Vers.12-16 (O rio Eufrates é atingido pela ira de Deus)

– Os versos 12 nos dizem que a taça é derramada no rio Eufrates. O Eufrates secará e abrirá caminho para a invasão do inimigo. Os poderosos e governantes da terra serão manipulados por sinais e milagres de demônios para lutar contra a igreja e contra o Senhor. O palco dessa batalha é uma planície muito conhecida na bíblia: o Armagedom. Palco de batalhas e livramentos de Deus como no caso de Baraque e os Israelitas (juízes 4:15), o livramento e a vitória de Gideão sobre os midianitas ( Juízes 7) , e foi o lugar da morte do reprovável rei Saul (1 Samuel 31:8).

– Nesse momento, quando a igreja estará rodeada de inimigos , armas e canhões, Cristo aparecerá e trará vitória ao seu povo. De que forma? Livrando-os da completa aniquilação e arrebatando a Igreja gloriosa no ápice da tribulação. A igreja começa e tem origem com grande tribulação (primeiro século) e é arrebatada na grande tribulação (ultimo século).

– “Cristo virá como um ladrão”. Ele virá como um ladrão para nós, a igreja? Não! Nós já estamos esperando o Jesus triunfante. Para nós a sua vinda não será como um ladrão, mas sim como um convidado. Para aqueles que foram marcados com o sinal da besta, sim, Cristo virá como um ladrão. Sua vinda será inesperada para eles, não para nós que já estamos esperando a sua volta triunfal.

Vers.17-21 (O ar é atingido pela ira de Deus)

– O derramamento da sétima e ultima taça remove o tempo e a historia e os substitui pela eternidade. A partir dessa taça o tempo não existe mais. A parir dessa taça a história fecha as suas cortinas e a eternidade agora se apresenta para todos os homens. Enquanto a sexta taça traz a destruição total a sétima taça traz o extinção total de todas as coisas.

-Um grande terremoto não deixou nenhuma montanha de pé. Os altos edifícios agora se resumem ao um monte de pó. Do santuário a voz de Deus é ecoada no universo dizendo “está consumado”. “Está feito”. Já conhecemos esta fala. Já conhecemos estas palavras. “Está consumado”, foi o ultimo brado de Jesus na Cruz quando seus algozes o crucificaram. Ali ,naquele momento de dor e solidão, sentindo em seu corpo todo o cálice da ira divina em propiciação dos pecados dos homens que Cristo reivindica para si uma autoridade de juiz sobre uma causa. No caso da cruz, Cristo bradava “tetelestai” “está consumado”, “está feito”, “eu entrego a minha vida por vos. Vocês não a tomam de mim, mas eu a entrego por vos”. Em apocalipse 16:17 esta fala vem da boca de Deus, o Pai, que brada: “ está consumado”, “está feito”. “Sou eu, o Senhor, quem entrego a vos, a minha ira. Sou eu, o soberano Senhor, que tenho autoridade de fazer o que quero, e o que faço é justo e perfeito”.

– O texto de apocalipse 16 se encerra dizendo que mesmo assim, os homens com seus corações rebeldes e perversos, que experimentaram tanta dor e sofrimento, ainda não cansam de blasfemar contra Deus.

Conclusão

Por que Deus faz isso? Por que Ele se mostra tão vingativo nesses 21 versículos? Por que a suas taças são tão terríveis?

1° Deus não é neutro. Ele deve derramar as taças por que isso é justo. Desde a queda o homem não faz outra coisa a não ser pecar contra um Deus que é puro, justo, perfeito e bom. Deus derrama a sua ira sobre os homens porque não há outro meio mais justo para Deus demonstrar sua santa ira.

2° Deus almeja uma reconciliação.. O juízo de Deus vem acompanhado de oportunidades para o homem se arrepender. Por tanto, além de nos revelar um Deus irado e justo, Apocalipse 16 nos mostra um Deus preocupado coma reconciliação do homem caído.

3° Os homens não se arrependem. Embora as taças sejam acompanhadas de oportunidades para o homem se arrepender, este prefere blasfemar e amaldiçoar a Deus. Seu coração é inclinado para pecar somente.

4° Por que os homens merecem. O homem merece ser julgado por tanta maldade, por tanto pecado cometido. Além de ser pecador, o homem marcado pele besta no capitulo 16 é permanentemente impenitente. Ele não se arrepende, e assim é altamente merecedor da ira divina.

O que nós, a igreja, podemos fazer?

1° certifique-se que você foi marcado e selado pelo Espirito Santo. Certifique-se que você é salvo (Romanos 8:16).

2° Espere de maneira jubilosa a vinda do Senhor. Passamos por tantas lutas, passamos por tantas mini tribulações que às vezes nossa alegria em Cristo é enfraquecida. Lute pela sua alegria em meio ao caos e espere confiadamente com alegria de alma a vinda triunfante do Senhor.

3° Evangeliza e coloque seu coração a disposição das missões. Precisamos evangelizar e anunciar ao homem caído que a ira e o dia do juízo divino estão próximos.

4° Tenha o mesmo espírito de oração do apóstolo João. Com ele ore: “Maranata, ora volta Senhor Jesus (Apc 22:20)

 

O video desse estudo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=QOlcV3OOxyo

De que forma eu posso invocar o nome do Senhor sem que isso seja pecado?-Uma análise do terceiro mandamento.- Tiago Souza

De que forma eu posso invocar o nome do Senhor sem que isso seja pecado? – Uma análise do terceiro mandamento.

Não tomarás o Nome do teu Deus em vão, pois o Senhor não deixará impune quem tomar o seu nome em vão (Ex 20.7).

De acordo com o terceiro mandamento, é extremamente pecaminoso usar o nome de Deus em qualquer ocasião e de qualquer maneira. Isso com certeza nos deixa com a pulga “atrás da orelha” por muitos motivos óbvios:  Será que estamos sendo fiel a este mandamento?

A bíblia nos dá milhares de exemplos de homens e mulheres que usarão o nome do Senhor em diversas ocasiões. Somente o nome  de Iavé (YHWH) é mencionado mais de cinco mil vezes no Antigo Testamento. Como então pode ser pecado usar este nome? De que maneira o uso deste nome por nossos lábios pode se transformar pecado em nosso coração?

De acordo com o “MSN Notícias” a palavra mais usada na entrega do “Oscar 2013” foi a palavra “Deus”.  Pergunto: Será que todos estavam com seus corações voltados em profunda gratidão para com Criador? Os poucos que levantaram a estatueta de ouro e pronunciaram o nome do Senhor diante de aplausos fizeram tal menção por ação de graças? Com toda a certeza não! Muitos daqueles que usaram o nome de Deus fizeram por puro praxe, rotina e até mesmo ironicamente.

É comum andar pelas ruas e ver dezenas de carros com versículos adesivados. A maioria destes voltado para uma mensagem de consolo e encorajamento. Muitos desses versículos são usados fora do contexto das escrituras com o intuito de ostentação.  Alguns arriscam colocando ditados populares e jargões evangélicos da moda como “ foi Deus que me deu” e “quando Deus quer é assim”. E é interessante notar que normalmente se vê este adesivo em carros do ano, carros caros e luxuosos. Dificilmente você irá encontrar um Fiat 147 com um adesivo “foi Deus que me deu”. Interessante não? Para estes a palavra do Senhor é direta neste ponto: “…pois Deus o Senhor não deixará impune quem tomar o seu Nome em vão”.boca-fechada

Diante dessa “promessa ameaçadora” da parte de Deus, como podemos usar o seu Nome do Senhor sem de algum modo rebaixar o valor desse nome?

Em uma certa ocasião descrita em Mt 5:33-37 Jesus repreende alguns fariseus que estavam levando o terceiro mandamento de forma legalista. Esses “doutores da lei” estavam fazendo juramentos e como “avalista” dessas promessas estes fariseus juravam por coisas criadas no céu, na terra e alguns ainda o faziam por sua própria cabeça. O texto não nos informa que eles juraram pelo nome do Senhor, mas juravam por outras coisas de forma torpe e vã somente. Para Jesus então, o pecado não está no uso do nome, mas na intenção e na maneira de como este Nome é usado. No caso dos fariseus, eles simplesmente trocaram os fatores. Não juravam pelo Criador, mas juravam pela criação do Criador, ou seja, estavam jurando fazendo menção diretamente de seus atributos.

Ao contrario disso, na oração mais conhecida da bíblia, o próprio Jesus faz menção ao nome do Senhor e nos ensina a como usá-lo (Mt 6:9). Diante dos discípulos Jesus ensina a profundidade do zelo que estes devem ter para com o nome do Senhor: “Santificado seja o teu Nome”.

Assim, temos a proposta para o uso exclusivo deste nome: A adoração.

O nome deve ser usado por nós, seus filhos, para adoração. Deus definitivamente não quer que seu Nome seja mais um nome ou palavra levada pelo Vento, mas que o usamos com a total percepção possível que tal Nome é o nome daquele que é Soberano e Poderoso sobre todas as coisas.

Arthur W. Pink, grande expositor bíblico do século 20 cita no seu livro “Os Dez Mandamentos” três razões para Deus considerar um gravíssimo pecado quando tomamos o seu precioso nome. Para Pink tomamos o nome de Deus em vão quando:

1-      Usamos sem a devida consideração e reverencia.

Ao pensar que os serafins escondem os seus rostos diante da Glória e Majestade de Deus, não deveríamos nós ter no mínimo um considerar solene sobre o uso de seu nome? De fato, este nome não deve ser jogado de lá para cá em línguas soltas. Deus é zeloso para o seu nome e irá se vingar terrivelmente daqueles que ousarem pronunciar seu nome de qualquer maneira.

2-    Empregamos hipocritamente.

Israel foi culpado por este pecado. Em Isaías 48.1 o profeta diz: “ Ouvi isto , casa de Jacó, que vos chamais do nome de Israel, e saístes das águas de Júda, que jurais pelo nome do Senhor, e fazeis menção do Deus de Israel, mas não em verdade nem em justiça”. Israel usava o nome do Senhor, mas não usava em justiça e em verdade. Faziam menção do seu precioso nome, mas não lhe obedeciam. Assim nossa oração sem a devida prática pode nos levar a cometer este pecado contra Deus.

3-    Juramos com leviandade e sem devida reverencia.

Quando alguém usa o nome do Senhor para se promover, ou sustentar algo que não sabe se é verdade, ou sabe com certeza que não é, cometemos um tipo de pecado ainda pior. Este pecado é cometido quando alguém invoca o nome do Senhor para sustentar uma mentira. Deste modo, o pecado é duas vezes pior. Ela invoca o nome de Deu em vão, e O invoca para praticar uma mentira.

Concluo refletindo nas duas únicas ocasiões que podemos chamar e invocar o nome do Senhor:

 1-      Para a Glória de Deus. Não só podemos, mas devemos invocar o nome do Senhor para a sua Glória. Isso pode ser feito em orações, canções, poemas, estudos devocionais e etc. Todo bom uso do Nome do Senhor resultará na glorificação do seu Nome .

 

2-      Para a edificação dos outros. Outra maneira de fazer um bom uso do Nome do Senhor é usando-o para a edificação dos outros. Seja com uma palavra, uma aula na EBD, ou oração, o bom uso do nome na vida do próximo também faz com que o uso do Nome seja de maneira digna e reverente.

Portanto, devemos ter o máximo de cautela para o uso do Nome do Senhor. A depreciação deste Nome e o uso de forma vulgar e irreverente pode causar consequências eternas, pois Implícito ao mandamento está a promessa que aquele o qual nos referimos pelo Nome “não tomará como inocente” aquele que usar tal nome de forma indevida.

Assim, devemos invocar o nome de Cristo, seu perdão e amor, para nos ajudar até mesmo pedir socorro de forma conveniente e digna por Aquilo que Ele É.

Em Cristo, o detentor do Nome sobre todo nome,

Tiago Souza

Bibliografia

Pink, Arthur Walki gton. Os Dez Mandamentos. Brasília,DF: Publicações Monergismo, 2009

Pallister,Alan. Ética Cristã Hoje. São Paulo,SP: Shedd Publicações, 2005

A Mensagem do Profeta Malaquias: O Perigo da Frieza Espiritual – Tiago Souza

A Mensagem do Profeta Malaquias: O Perigo da Frieza Espiritual

Certa vez perguntaram a um pregador “qual a diferença entre o pecado dos santos e o pecado dos ímpios”? Ao que o pregador respondeu: há toda diferença. Os pecados dos santos são piores!!!

São piores porque lhes falta muitas vezes a percepção de que isto é uma afronta ao Deus que lhe concedeu toda a graça. É pior porque ao contrario dos ímpios e dos incrédulos os santos experimentam e conheceram o Deus de toda Glória. É diferente porque mesmo sendo salvo, o santo dará conta de suas atitudes e de seus atos para com Deus.

E é exatamente nessas horas que Deus entra com providencia em nossa vida, nos direcionando para não pecar mais, pois os nossos pecados cometidos contra Deus, são piores do que os pecados dos ímpios. Por isso  Devemos ver este livro como um ato de providencia de Deus em exortar o seu povo para que algo pior não venha acontecer.

Pois bem…

Malaquias significa “meu o mensageiro”. Um titulo bem sugestivo para o livro, pois sabemos somente sobre a mensagem e não sobre o mensageiro em si, que foi usado por Deus para escrever o ultimo livro do Antigo Testamento. A mensagem do mensageiro Malaquias vem em um tom de sentença de Deus para o povo rebelde de Israel. A palavra descrita como sentença, no original hebraico tem mais a ideia de peso. E por que o Senhor se dirigiu desta forma ao povo? Ao longo da mensagem de Malaquias pode se observar que o povo, mais uma vez, abandonou o amor a Deus e voltou-se para as praticas pagãs e colocou a adoração a Deus em ultimo plano. Assim, a adoração ao nome do Senhor foi colocada de lado diante da incredulidade e desobediência do povo. Para entender melhor a situação do povo nos dias de Malaquias, por favor, volte comigo um pouquinho antes do livro ser escrito, volte comigo para o ano de 538 A.C.

Em 538 A.C, Ciro publicou um decreto que permitia os judeus voltar a Jerusalém depois de anos de cativeiro e reconstruir o templo para a adoração a Deus. Cerca de 50 mil judeus aceitaram o desafio e voltaram para Jerusalém.  Nesse período Deus levanta Ageu, Esdras e Zacarias para profetizar e encorajar o povo a reconstruir o templo. Alguns anos se passam e Neemias torna-se governador. Neemias passa a observar que já no seu tempo as coisas começaram a ficar um tanto estranhas entre o povo de Deus. O mesmo povo que outrora era estrangeiro, cativo e sofria em terras estranhas e que recebeu favor e misericórdia de Deus , quando a graça divina tocou o coração de Ciro, agora começa a blasfemar ao Senhor em sua própria terra desfrutando das bênçãos do Senhor em sua própria terra. Isso deixa Neemias revoltado ao ponto de tomar algumas medidas drásticas em Jerusalém. É possível que o profeta Malaquias tenha sido chamado nesse tempo de Neemias para expor os pecados do povo, repreende-lo e fazê-lo voltar á adoração ao Senhor. As condições descritas no livro de Neemias são bem semelhantes às condições descritas nas profecias de Malaquias.

Podemos identificar que este tempo foi de grande declínio espiritual, de grande frieza espiritual e de grande cinismo do povo de Deus e por fim, um tempo de grande necessidade de ouvir uma exortação da parte de Deus.

coração de gelo

E que pecados rondavam o coração do povo de Deus?

Ao longo dos meus estudos no livro de Malaquias pude observar 5 pecados gravíssimos contra Deus:

 

1° rejeitaram o amor de Deus e o trataram de forma cínica e arrogante (1:2-5)

Não é atoa que Malaquias identifica este pecado como o primeiro dentre muitos. A rejeição ao amor de Deus vai desencadear outros tipos de pecados que vai dilacerar a alma e fazê-la cada vez mais cega e surda para ter uma percepção clara do amor de Deus. Quanto mais você rejeita o amor de Deus, mais difícil será você não rejeitá-lo, pois menos perceptível você será para ouvi-lo. É quase idêntico a aquela lei da física do radio ligado. Quanto mais eu me distancio do radio, menos eu poderei ouvi-lo. Assim a rejeição ao amor, a rejeição ao dar a devida resposta ao amor divino provavelmente é a mãe de todos os pecados.

E como isso penetra no coração e na mente do homem?

Quando o nosso coração tem amores rivais. Quando o nosso coração tem outros amantes. E qual era o amor rival do coração do povo de Deus? Provavelmente o seu bem-estar! O povo de Deus viveu o seu “american dream” quando voltaram da babilônias cem anos antes. O “sonho americano” do povo de Deus estava começando a se realizar, eles estavam voltando pra casa, a esperança de uma vida prospera e tranquila estava tomando um lugar no coração deles que não deveria tomar. Observe comigo que a adoração devida ao nome do Senhor e a devida resposta ao amor de Deus não era mais o centro da vida do povo. E isto aconteceu por que outras coisas tomaram o lugar no centro da vida de Israel naquele momento. E tudo me leva a pensar que a prosperidade, a esperança de uma vida bacana, o sonho de uma vida feliz e tranqüila longe do cativeiro tomou o lugar de Deus. E este é o perigo da prosperidade, este é o perigo quando Deus nos abençoa, quando a benção toma o lugar de Deus na nossa  vida e se torna um amor rival.  Deixe de lado os amores rivais. Volte-se para Deus, o mesmo Deus que amou o povo, como descrito nos primeiros versos do livro é o mesmo Deus que te ajuda que te ama e lhe faz abandonar estes amores rivais.

 

 

2° recusaram dar a Deus a devida honra ( 1:6-2:9)

Ora se o povo deixou de lado a resposta devida ao amor de Deus, isso os levou também a rejeitar a devida honra a Deus. Uma vez que eu rejeito o amor de Deus no meu coração, internamente, eu tenho que colocar isto para fora. Eu tenho que me expressar de alguma maneira. A expressão da desonra do povo de Deus estava no fato de oferecer sacrifícios imperfeitos a Deus. O chefe de família deveria pegar o seu próprio novilho e levar ao sacerdote para que este pudesse oferecer em holocausto para a adoração ao Senhor. No passar dos anos eles negligenciaram essa prática ao oferecer novilhos doentes, cegos e coxos. Sua atitude para com Deus era refletida na adoração que eles davam ao Senhor, ou seja, sua adoração estava doente! A vida com Deus para o povo virou rotina. Virou um verdadeiro tédio. Uma obrigação religiosa e nada mais. A adoração virou uma atitude sem paixão. Esse tipo de cristianismo é sem cor. Sem aventura. Sem sorrisos. A primeira atitude de homem que tem seu coração tapado para o amor de Deus é desonrá-lo na adoração. Quando o esfriamento penetra no coração pode ter certeza que isto terá ações exteriores e visíveis. A falta de zelo na adoração do povo era visível, ninguém compra de um cambista um novilho cego e machucado de forma invisível. A adoração seja ela falsa ou verdadeira é visível por todos. Dificilmente alguém seco, frio consegue se passar por um homem espiritual. Pode rodopiar, pular, marchar e até subir ao púlpito para pregar. Se o coração for uma pedra de gelo, uma sala vazia provavelmente todos saberão disso!

 

3° desprezarão a fidelidade de Deus (2:10-16)

O vers. 11 do cap. 2 diz “uma coisa repugnante foi cometida em Israel e Jerusalém, Judá desonrou o santuário de Deus”. Enquanto o Salmista cantava no salmo 84 “como é agradável o lugar da tua habitação, a minha alma anela e até desfalece pelos seus átrios”, o povo de Israel pós-exílio babilônico cantava “como é desprezível estar nos átrios do Senhor”!

O profeta chega a uma conclusão obvia: Que coisa repugnante! Quando um crente quebra as alianças com Deus e volta o seu coração para a prática do pecado, o que será das alianças feitas com outros irmãos? O que será da aliança feita com a sua esposa, ou seu esposo, se as alianças feitas com Deus foram quebradas? O que pode sustentar a aliança de um matrimônio, quando as alianças com o Amado foram quebradas? Que coisa repugnante é quebrar a aliança com Deus. A infidelidade com Deus causa no coração do povo, uma ferida que se não for tratada será a causa de outras infidelidades. Provavelmente essa é a causa do que Paulo fala em Efésios 5:1 “sejam imitadores de Deus”. Deus não quebra as suas alianças. Deus é fiel as suas alianças, por isso ao imita-lo, o homem permanece fiel as suas alianças, pois Deus é fiel as alianças Dele. Quebrar as alianças com Deus trará conseqüências na sua vida diária. Se você for solteiro, a infidelidade ao Senhor será um beijo convidativo a outros tipos de pecados sexuais inclusive pecados de ordem moral. Para os casados a infidelidade a Deus é a causa principal do divorcio. Só no Brasil mais de 45,6% dos casamentos chegam ao fim. Só no ano 2011, 350 mil casais quebraram as suas alianças matrimoniais. Pergunto: qual a causa disso? O povo anda distante de Deus. Cresce o numero de evangélicos, mas são evangélicos que não permanecem fieis a sua aliança com Deus. E isto terá consequências sociais gravíssimas tais como o divorcio. Isso é tudo é conseqüência direta do afastamento de Deus e sua infidelidade para com ele.

 

4° Chegaram ao cumulo de redefinir a justiça de Deus (2:17)

A cegueira espiritual do povo era tamanha que eles pediam justiça a Deus, pois estavam cegos e não percebiam que a própria justiça de Deus estava atuando na comunidade para quebrantar os seus corações. Deus conhece o nosso coração, conhece nossas intenções, ele esquadrinha a nossa alma, pedir justiça á ele pode ser algo arriscado. Pede-se justiça ao Senhor em dois casos, e os dois casos identificam exatamente como está o nosso coração: 1° pedimos justiça a Deus por que estamos preocupados com o seu Nome e sua reputação entre as nações. Pedimos justiça a Deus porque estamos preocupados com o nosso nome e a nossa reputação. Se algo foge do nosso controle, como fugiu do povo de Israel quando o povo começou a passar por uma instabilidade financeira, apelamos para a justiça de Deus. Mas a grande pergunta é? Você está pronto pra Ele fazer justiça em sua vida? Você tem mesmo coragem de pedir a Deus que derrame sobre a sua vida o que é justo sobre você? Era justo o povo pedir justiça? Deus estava usando de misericórdia para com o povo, mas eles, de forma cega e inconsequente, estavam pedindo a ira de Deus sobre suas próprias cabeças e não sabiam.

 

5° Estavam roubando de Deus (3:7-12)

Quando vemos o povo dialogar com Deus podemos até pensar que eles eram “santinhos”. Questionaram, colocaram em descredito a palavra do Senhor, reivindicando sua justiça. Ao analisar o texto de Malaquias cap. 3 temos um retrato de como estava as atitudes morais e éticas do povo: Estavam roubando de Deus em seus dízimos e ofertas!

Pense comigo por instante. O dizimo e as ofertas eram necessários para a manutenção de teocracia, usados para sustentar os levitas, realizar as festas nacionais e religiosas e atender as necessidades dos pobres. Quando Malaquias da a exortação sobre o roubo dos dízimos e ofertas, o profeta está lembrando-os que ao fazer isso o povo estava roubando de sí-mesmo também. Este é o ponto chave para os dízimos e ofertas. Damos a Deus o que lhe é de direito, mas somos nós mesmos que somos beneficiados com isso! Ao roubar de Deus o povo estava pecando contra si mesmo, uma terrível consequência da cegueira espiritual que estava instaurada no meio do povo.

Que desastre o povo se encontra. É lastimável ver a condição humana quando este se encontra distante de Deus. Podemos pintar um quadro que retrata a condição que o povo se encontrava. O povo se encontrava cego, surdo, sujo podre. De suas bocas só saiam palavras arrogantes, cínicas e com tom de ironia.

 

Conclusão

Para concluir quero leva-los a conhecer um pouco mais do nosso Deus misericordioso. O Deus que se revela com misericórdia abundante, que se revela com uma graça poderosa que se rebaixa e nos socorre!

 

Para dar uma resposta definitiva e final ao povo corrupto. Deus promete:

O seu mensageiro da aliança, o Santo remédio para os corações vacilantes (3-4)

Aqui está umas das mais claras referencias da vinda de Cristo no antigo Testamento. O mensageiro da Aliança, ou o “Anjo da Aliança” como algumas traduções interpretam esse texto, fala exclusivamente da vinda de Jesus Cristo a terra. É autoexplicativa a narrativa de Malaquias porque que o anjo da aliança virá: O pecado estava instaurado no coração do povo! Deus não pode ser neutro nessas horas. Deus não age como o povo! Ele não está cego. Ele não está surdo. Ele não está aparte do que está acontecendo com o seu povo. Ele deve agir com justiça. O peso da sua palavra deve ser também vista em ações, pois um dos seus atributos é JUSTIÇA e JUSTIÇA PLENA.  Entender a justa condenação dos homens é entender a gravidade do pecado para com Deus. Deus não é brasileiro. Ele não trabalha com jeitinhos, ele não trabalha com favoritismo. Ele trabalha com JUSTIÇA!

E é com essa justa justiça que Malaquias descreve o anjo da Aliança. Ele virá para purificar os pecados do povo.

Cristo é retratado como dois agentes de purificação: O fogo  que queima a escória, a escória do pecado e o sabão que lava toda a iniquidade. Todos os homens devem passar por esta limpeza. Todo homem deve passar pelo crivo da justiça do Mensageiro da Aliança.

Hoje 2.400 anos depois das profecias de Malaquias, sabemos que o Mensageiro da Aliança já veio, nasceu, cresceu. Nunca cometeu um pecado. Como uma garça andou em meio á lama e nunca sujou as suas vestes brancas. Comeu com pecadores. Andou com prostitutas. Visitava publicanos. Sua vida foi envolvida de alegria. De beleza e ternura. Sua morte foi envolvida de terror, angustia e solidão.

Toda a vida de Cristo, tanto a sua morte quanto a sua vida foi em prol da profecia de Malaquias: A purificação dos pecados daqueles que são seus.

Os seus muitas vezes se encontram distantes, caídos, desanimados e em completo estado de escória. Mas aqueles que são seus jamais passaram despercebidos pelo fogo que queima, pelo sabão que lava. A palavra para o povo de Israel era uma palavra de Peso. E por que ela vem com este peso? Por que nós somos seus! Ela vem com peso em nossas vidas para nos fazer refletir o real estado do nosso coração.

Mas este é o Deus que nos ama. Sua palavra tem peso sim, mas no final ela nos faz tão leve como uma pena levada pelo vento. Se Deus tratou dessa forma com Israel e trata da mesma forma com nós é porque ele os amava. Ele quer lavar você com o seu santo sabão e queimar toda a escória do pecado para a glória do seu Santo Nome.

Para terminar:

A última palavra, da ultima frase do ultimo livro do Antigo Testamento: MALDIÇÃO.

E esta é a condição que se encontra aqueles que rejeitarem passar pela purificação do Mensageiro da Aliança.

Termino meu estudo perguntando: Você esta sobre benção ou maldição? Você esta sendo fiel ou infiel a Deus? Você passou pelo fogo que queima toda a escória da iniquidade? Você teve seus pecados lavados pelo sabão do Senhor? A resposta dessa pergunta você não pode dar em palavras, assim como o povo também não pode. Você deve responder a essas perguntas na prática da adoração ao Senhor.

Que o Senhor nos abençoe.

 

Por Tiago Souza

 

Bibliografia:

Wiersbe, Warren W. Comentário Expositivo: Novo Testamento: volume II- Santo André, SP: 2006

Merril Eugene. Teologia do Antigo Testamento – São Paulo,SP: Shedd Publicações

As 4 Possíveis e Principais Interpretações do “Milênio” de Apocalipse 20 – Tiago Souza

Introdução

Um dos assuntos mais debatidos na academia teológica é a questão do milênio. Quando falamos em assuntos polêmicos o milênio é tão controverso quanto à predestinação. Muitos cristãos nunca ouviram falar do assunto, mas tenho certeza que todos têm uma visão dos acontecimentos futuros da igreja independente de sabe distinguir uma da outra. Para melhor entender o assunto vamos explorar todas as vertentes do milênio, suas conseqüências e objeções para a igreja.

Primeiramente, temos que entender o que é o ‘Milênio”. Milênio significa “mil anos” (do lat. Millennium, “mil anos”). O termo vem do livro do Apocalispe 20: 4-5, onde se diz que “viveram e reinaram com Cristo durante mil anos”. No mesmo capitulo nos versos 2-3 também lemos que um anjo desceu dos céus, agarrou o diabo “ e o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o  e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos”. Que passagem deveras complicada!

Quando tratamos sobre o final dos tempos o debate é inevitável, uma vez que não temos uma clareza doutrinaria como outros assuntos da bíblia.

Haverá um milênio literal na Terra após o retorno de Cristo, conforme pregam os pré-milenistas? Ou o milênio é apenas uma representação da presente era da igreja como defendem os amilenistas? Ou ainda o milênio seguirá um desenrolar gradativo e progressivo após uma era de conquistas por parte da igreja, o qual instaurará o Reino de Deus no mundo conforme crêem os pós-milenaristas?

O presente estudo tem como objetivo estudar, analisar e dar algumas considerações quanto aos 4 possíveis e principais interpretações do Apocalipse 20.1-6.

A não ser que você sofra de escatolofobia, isto é medo de estudar as ultimas coisas, eu lhe convido para se aprofundar em um assunto tão interessante, velho, atual e relevante para nós, a Igreja do Cordeiro.

1°) O Pré-milenista (clássico ou histórico):

O prefixo já da a entender a relação do termo com o episódio. O retorno de Cristo acorrerá antes do milênio. Essa interpretação é a mais antiga da historia do cristianismo, alguns a defendem desde os primeiros séculos. O pré milenismo histórico acredita que a era que estamos vivendo atualmente (a era da igreja) continuara e prolongará até que, com a proximidade do fim, venha sobre a terra um período de grande tribulação e sofrimento. Então, depois desse período de tribulação e sofrimentos no final da era da igreja, Cristo voltará á terra para estabelecer um Reino milenar. Quando o acontecimento se concretizar, os cristãos que já morreram serão então ressuscitados, terão seu corpo reunido ao espírito, e esses crentes reinarão com Cristo sobre a terra por mil anos.

Os interpretes pré-milenistas discordam entre si em alguns pontos de como será o ocorrido. Alguns acreditam que os mil anos sejam literais enquanto outros acreditam que os mil anos seja um longo período simbólico e gradativo.

Seja literal ou simbólico, os pré-milenistas defendem que Cristo reinará fisicamente presente sobre a terra e dominará toda a terra com seu poder. Para aqueles que morreram em Cristo e para cristãos que estarão vivos no acontecimento, receberão o corpo glorificado da ressurreição e assim reinaram juntamente com Cristo na terra no período de mil anos. Para os que morreram sem Cristo estes aguardaram o juízo na segunda ressurreição, ou seja no dia do grande juízo.

Os pré-milenistas históricos defendem que ao termino dos mil anos satanás será solto para um breve momento de perseguição a igreja. Sem êxito na tribulação e na perseguição, Satanas então é derrotado por Cristo e lançado no fogo. Ao fim desse episódio os crentes entraram com Cristo em sua Glória para todo o sempre.

Alguns teólogos defensores do Pré-Milenismo

– Orígenes

– Tertuliano

-John Wesley

– Charles Spurgeon

– George Lad

Pré Milenismo e as Alianças

Os pré –Milenistas entendem que a promessa da aliança abrâmica, que dava aos descendentes de Abraão a terra desde o rio do Egito até o rio Eufrates, jamais foi cumprida, mas será totalmente realizada durante o reino milenar (Gn 15.18). As promessas da aliança davídica também requerem o estabelecimento do Reino milenar para que sejam cumpridas (2 Sm 7:12-16).

O pré-milenarismo e a bíblia

O pré-milenarismo tem grande respeito pelo que esta nas escrituras. Provavelmente, seria seguro afirmar que, quase sem exceção, os pré-milenaristas acreditam na inerrância da bíblia.

A historia do pré-milenismo clássico

A interpretação pré-milenista clássica foi defendida nos primeiros séculos da história da igreja. Ainda que os detalhes cronológicos não fossem tão claros, a visão pré-milenista teve grande aceitação no período dos pais da igreja. O historiador da igreja Philip schaff, resumiu isso da seguinte maneira: “ A questão mais intrigante da escatologia do período anteniceno é o quiliasmo proeminete, ou milenismo, crença no reino visivel de Cristo em glória na terra com os santos ressurretos durante mil anos, antes do julgamento e da ressurreição generalizada. Isso não foi, de fato, uma doutrina da igreja incorporada a nenhum credo ou forma de devoção, mas sim uma opinião de renomados professores grandemente aceita”. A esperança da volta de Cristo foi minada pelo união da Igreja e o estado sob o governo de Constantino. Anos depois Agostinho reinterpretaria o conceito e a duração do milênio como vamos ver logo adiante.

2°) O Pré-Milenismo Dispensacionalistas:

Os pré-milenistas dispensacionalistas tem sua origem no pré-dispensacionalismo histórico. Assim como os históricos, os dispensacionalistas acreditam também que o retorno de Cristo ocorrerá antes do milênio. Sua distinção é quanto ao momento da tribulação. Os pré-milenistas dispensacionalistas acreditam que o milênio é antes da grande tribulação (ou seja, pré-tribulacional). A visão dispensacionalista defende também um segundo retorno secreto de Cristo para reinar no milênio. Entre o primeiro retorno de Cristo e o segundo retorno há um período de 7 anos, onde exatamente nesse período irá se cumprir varias profecias inclusive o grande ajuntamento de judeus convertidos e sua evangelização em massa. Segundo esse ponto de vista, a era da igreja continuará até que, de repente, de maneira inesperada e secreta, Cristo chegará a meio caminho da terra e chamará para si os crentes: “… os mortos em Cristo ressuscitaram primeiro ; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares” (1Ts 4:16-17). Ao termino dos 7 anos Cristo voltará com os seus santos para reinar sobre a terra por mil anos. Depois desse período milenar haverá uma ultima rebelião que resultará na derrota final de Satanás e suas forças, e então virá à ressurreição dos incrédulos, o ultimo julgamento e do novo estado eterno sobre a terra.

A visão dispensacionalista do milênio não esta somente inserida no cumprimento das ultimas coisas. O pré-milenismo dispensacionalista não esta ligada somente com a escatologia. A visão pré-milenista dispensacionalista é somente uma conseqüência de todo uma hermenêutica bíblica e sobre os eventos nela registrados.

A historia do Pré-milenismo Dispensacionalista

A visão pré-milenista dispensacionalista iniciou com os estudos de John Nelson Darby (1800-1882) e ficou popularizado nos Estados Unidos no século XX com a “Bíblia Comentada de Scofield”. O dispensacionalismo delineado por Darby e apresentado por Scorfield entende que Deus opera na humanidade de diferentes dispensações. Podemos aqui salientar também a contribuição que o Seminário de Dallas teve como precursor da interpretação pré-mi

lenista dispensacionalista até os dias de hoje.

Teólogos que defendem o Pré-Milenismo Dispensacionalista

– Norman Gaisler

– Lewis Sperry Chafer

-Francis Schaeffer

-Charles C. Ryrie

– Carlos Oswaldo Pinto

– John MacArthur (Pré-dispensacionalista Progressivo)

3°) O Pós-milênismo:

O prefixo pós descreve o significado do termo em relação ao milênio: a volta de Cristo será depois do milênio. De acordo com os pós-milenistas, o avanço do evangelho e o crescimento da igreja se acentuarão de forma gradativa, de tal modo que umam proporção cada vez maior da população mundial se tornará cristã. Segundo Larine Boettner : Essa visão das ultimas coisas que temos do Reino de Deus esta sendo estendida pelo mundo por meio da pregação do evangelho e da obra redentora do Espírito Santo no coração das pessoas, de modo que o mundo todo acabará cristianizado e a volta de Cristo deverá ocorrer no final de um período de justiça e de paz normalmente chamado de “Milênio”… A segunda vinda de Cristo será seguida, imediatamente, pela ressurreição generalizada, o juízo geral e a introdução do céu e do inferno em sua plenitude.”

Uma característica central do pós-milenismo é o otimismo quanto as futuro de todas as coisas. O evangelho dará ao mundo uma transformação social,econômica e de bem estar espiritual na Terra que será resultado do avanço do evangelho desde a era apostólica. Os pós milenistas assim como todos os outros não acreditam que todos serão salvos nesse período. Entretanto o os princípios e valores cristãos serão prevalecentes na terra de modo que o pecado terá proporções mínimas. Sua duração será um longo período de tempo, mas não necessariamente mil anos. Provavelmente mais longo que mil anos literais.

Os pós-milenistas entendem também que Satanás ficará amarrado durante todo o tempo e sempre debaixo do controle de Deus. Mas ele será amarrado de uma maneira especial no inicio do milênio, de acordo com Apocalipse 20.

Muitas passagens os pós-milenistas usam como base. Muitos dos textos usados pelos pré-milenistas também são usados pelos pós-milenistas de forma que os estes acreditam no cumprimento antes da volta de Cristo. Os textos sãos: Salmos 2:8; 22:27;47;72; 86:9; Isaías 2:2-4; 11:6-9; Jeremias 31:34; Daniel 2:35,44 e Miqueias 4:1-4.

Teólogos que defendem o Pós-Milenismo

– Calvino ?

-Martin Bucer

-John Owen

-Matthew Henry

-Jonathan Edwards

– Loraine Boettner

– Iain Murray

– Kenneth Gentry

4°) O Amilênismo:

O amilenismo é a interpretação do milênio não literal antes da volta de Cristo. Os amilenistas acreditam que no final haverá um desenvolvimento paralelo tanto do bem quanto do mal, do Reino de deus e do que pertence a Satanás. A visão amilenista é a mais simples de todas as interpretações, pois descreve o milênio de Apocalipse 20.1-10 como sendo a “ Era da Igreja”. A era da Igreja (o milênio não literal) trata-se de uma era em que a influencia de satanás sobre as nações sofre grande redução de modo que o evangelho pode ser pregado por todo o mundo. Aqueles que Reinam com Cristo por mil anos são os cristãos que morreram e já estão reinando com Cristo no Céu. De acardo com essa posição a presente era da igreja continuará até o tempo da volta de Cristo e que quando este voltar, haverá ressurreição tanto de crentes como de incrédulos. Os crentes terão o corpo ressuscitado e unido a novamente com o espírito e entrarão assim no estado eterno do céu para sempre.

As divergências Amilenistas.

Entre os defensores do amilênismo clássico, existem duas visões acerca do milênio. A Primeira defende a possibilidade de ver, nesta era, o cumprimento das passagens que falam do milênio mediante a Igreja da Terra. A segunda defende que as passagens estão sendo cumpridas pelos santos no céu agora. As duas interpretações chagam na conclusão que não haverá um Reino terreno e futuro.

O amilenismo e as Alianças

Os amilenistas acreditam que as promessas que não foram cumpridas literalmente, foram ou serão cumpridas em Cristo ou na igreja. O amilênismo defende que muitas passagens eram de modo condicional. Assim muitos amilenistas crêem que os novos céus e a nova terra tem haver com a era da igreja sobre a terra.

O Amilenismo e a Igreja

A visão amilenista defende que na igreja se cumpre as promessas de Deus de maneira espiritual e serve como antítipo. A igreja então é um reino celestial espiritual que cumpre as promessas não literais do Antigo e novo testamento de forma que o novo céu e nova terra são consumadas durante a história.

A historia do Amilenismo

Entende-se que Agostinho (354-430) foi o primeiro a que deu um significado amilinista sobre o Milênio. Segundo Agostinho no livro “ Cidade de Deus”: “ durante os mil anos enquanto o diabo estiver amarrado, os santos tambem reinarão durante “mil anos” e, sem duvida os dois períodos são idênticos e significam o período entre a primeira e a segunda vinda”. Conservando a visão de Agostiana do Milênio os reformadores também aderiram ao amilenismo, mas diferente de Agostinho, Calvino e outros reformadores acreditavam na visão não literal do milênio. Em geral os credos reformados falam muito pouco sobre a questão do milênio, preferindo concentrar-se na ressurreição, no julgamento e na eternidade.

Alguns teólogos que defendem o Amilenismo:

– Agostinho

– Calvino?

– Louis Berkhof

-John Murray

– D.M. Lloyd Jones

– John Stott

-Robert B. Strimple

Conclusão

Obviamente é impossível fechar questão sobre determinada interpretação. A complexidade e a nuança do tema não nos permite excluir nenhuma das 4 principais e possíveis interpretações e logo  não nos deixa ameno da responsabilidade de compreensão do que a bíblia ensina. Embora busquemos uma possível solução para este “problema” devemos ter em mente que grandes teólogos e homens de Deus divergem em sua opinião ao longo da própria história da Igreja.

Por isso o tema tem sua importância didática. Aprendemos a nos importar mais com o assunto, pesquisar mais, ter a mente mais aberta para possíveis variações do tema e assim reconhecer que o assunto demanda de nós uma responsabilidade devocional e acadêmica do apocalipse.

João começa o Apocalipse afirmando: “Feliz é aquele que lê as palavras desta profecia e felizes aquele quês que ouvem e guardam o que nela está escrito” Se o tema nos levar a ler, meditar e guardar como preciosidade todas as promessas que estão no livro, então este estudo cumpriu o seu papel na edificação.

Deus abençoe

Tiago Souza

 

 

Bibliografia

Berkhof,Louis. Teologia Sistemática – Campinas: Luz Para o Caminho Publicações,1990

Ryrie,Charles C. Teologia Básica ao Alcance de Todos – São Paulo: Mundo Cristão, 2004

Grudem, Waine A. Teologia Sistemática – São Paulo: Vida Nova, 1999

Bock, Darrell L. O Milênio – São Paulo: Vida Acadêmica, 2005

Grenz, Stanley J. Dicionário de Teologia – São Paulo: Editora Vida, 2007

BÍBLIA SAGRADA NVI

Exposição da Carta de Paulo aos Colossenses – Tiago Souza

A Epístola de Paulo aos Colossenses

Titulo:

Colossenses recebeu esse titulo por causa da cidade onde a igreja estava localizada e a carta endereçada.  A epístola deveria ser lida também na igreja vizinha de Laodicéia (4.16).

Autor e Data:

O apóstolo Paulo é identificado como o autor logo no inicio da carta ( 1:1; 23 – 4:18) como habitualmente faz em suas epístolas logo nas saudações. O testemunho de grandes homens de Deus da igreja primitiva como Irineu, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Origines e Eusébio, confirma ser genuína a afirmação de Paulo como autor da carta. Uma evidencia adicional da autoria de Paulo é fornecida pelos paralelos estreitos com o livro de Filemom, o qual é aceito universalmente como tendo escrito por Paulo. Ambas as cartas foram escritas quando Paulo se encontrava preso em Roma no ano de 60-62 (4:3,10,18; Fm 9-10,13,23); além disso, os nomes das mesmas pessoas (Timóteo, Aristarco, Arquipo, Marco, Epafras, Lucas, Onésimo e Demas) aparecem em ambas as epístolas, mostrando terem sido elas escritas pelo mesmo autor quase que ao mesmo tempo.

Pano de fundo:

Colossos era umas das cidades da Frigia, província romana da Ásia (hoje Turquia). Situada a 170 km a leste de Eféso, na região das sete igrejas do Apocalipse 1-3. A cidade situa-se ás margens do rio Lico, e era famosa por sua prosperidade no século 5° a.C quando o rei persa Xerxes marchou através da região. A lã preta e as tinturas eram pinturas importantes da região. Além disso, a cidade situava-se nas principais rotas comerciais norte-sul e leste-oeste. Nos dias de Paulo, no entanto, a principal estrada havia sido redirecionada para passar em Laodicéia, desde modo desviando-se de Colossos, o que levou o declínio dessa cidade e ao crescimento das cidades vizinhas de Laodicéia e Hierápolis .

Embora a população de Colossos fosse essencialmente de gentios, havia uma colônia judaica considerável que datava dos dias de Antíoco, o Grande(223-187 a.C) a população mista de judeus e gentios de Colossos manifestava-se tanto na composição da igreja quanto na heresia que a perturbava, a qual continha elementos do legalismo judaico e do misticismo pagão.

A igreja de colossos foi estabelecida durante os três anos de ministério de Paulo em Éfeso (At. 19). Seu fundador não foi Paulo, o qual nunca esteve lá (2.1), mas Epáfras (1.5-7), que aparentemente estabeleceu a igreja em colossos no seu retorno para a casa. Muito anos depois de a igreja de colossos ter sido fundada, essa não era identificada com nenhum sistema histórico particular. Ela continha elementos do que, mais tarde, ficou conhecido como gnosticismo que defendia a tese de que Deus é bom, mas a matéria é má; que Jesus Cristo foi simplesmente um de uma série de emanações descendentes de Deus e um ser inferior a Deus, e que era necessário um conhecimento secreto e mais levado do que a escritura para o esclarecimento e para a salvação. A heresia de colossos também adotou aspectos do legalismo judeu; por exemplo, a necessidade da circuncisão para a salvação, a observância dos rituais de cerimônia da lei do AT (as leis quanto aos alimentos, às festas e o sábado) e um rígido ascetismo. Ela também preconizava o culto aos anjos e a experiência mística. Epáfras ficou muito preocupado com essa heresia e fez uma longa viagem de Colossos a Roma (4.12-13), onde Paulo estava preso. Essa carta foi escrita da prisão de Roma (At 28.16-31), em alguma época entre 60-62 d.C,e portanto, é conhecida como a epístola da prisão (juntamente com Éfesios, Filipenses  e Filemon). Provavelmente, foi escrita quase ao mesmo tempo em que Éfesios e, a principio, foi enviada com essa epístola e com Filemon por Tíquico (Ef 6.21-22; Cl 4.7-8). Paulo escreve essa carta a fim de advertir os colossenses contra a heresia enfrentada por eles, e enviou a carta a eles por intermédio de Tiquico, o qual estava acompanhando Onésimo, o escravo fugitivo, de volta para o seu dono, Filemon, membro da igreja de Colossos (4.7-9)

Os perigos que assolavam a Igreja de Colossos

A fim de compreender a natureza dos perigos que rondavam essa igreja, é necessário conservar em mente que ela era formada inteiramente, ou quase inteiramente, de convertidos do mundo gentio (Cl1.21,22,27; 2.11-13; 3.5-7). Toda sorte de paganismo conhecido na época crescia na região. Eram adoradas ali divindades tais como: Cibeli Sabázio Frigiana, Mene, Isis e Serápis, Hélio e Selene, Demétrio e Artemis. Portanto, o mal básico que confrontava a jovem igreja era:

A leitura cuidadosa de colossenses 3.5-11 prova que esse perigo era crucial. Os membros da igreja colossense eram pelo menos a maioria, recém-convertidos da tenebrosa e grosseira sensualidade dos ímpios. Como tal, o perigo do relapso, na sua multiforme licenciosidade, era bastante real, e isso pelas seguintes razões:

1– Primeiramente, existiam os laços com o vil passado. O hábito é uma corda. A pessoa tece um fio todos os dias até que se torna impossível arrebentá-la.

2– em segundo lugar, circuncidava o mal. É difícil remar contra tal correnteza e se opor a opinião da maioria.

3– em terceiro lugar, havia a maré de paixão em cada coração ainda não consagrado completamente. Apesar de terem aceitado a Cristo, os colossenses não haviam se tornado “perfeitos” da noite para o dia.

4– E, finalmente, havia os engodos de Satanás, buscando, através de meios ultra-habilidosos, arrebatar as ovelhas da mão do Pastor (Jo 10.28).

Em face disso, podemos compreender a repetidas admoestação de Paulo a que os colossenses deveriam perseverar na sua nova fé, que não sem ás obras más, devendo “fazer morrer” tais coisas como: imoralidade, impureza, paixão,desejos malignos, avareza, ira, indignação, malignação, maledicência, linguagem obscena e mentiras (Cl 1.21-23; 2.6; 3.5-11).

O perigo de se aceitar a heresia colossense

Ora, o que a chamada “heresia colossense” tem a ver com tudo isso? Com certeza era exatamente o propósito dos mestres desses erros, mostrar aos colossenses como poderiam triunfar sobre os pecados mencionados, isto é, sobre a “ indulgencia da carne”. Era como se estivessem dizendo: “vocês estão engajados na tremenda batalha (porem, perdida) contra as tentações da sua natureza maligna? Nós podemos ajudá-los. A fé em Cristo, apesar de boa até certo ponto, não é suficiente, pois Cristo não é o Salvador completo”.

Há uma distinta possibilidade de que fizeste uso da palavra “plenitude”, como se dissessem: “Cristo não lhes dará plenitude de conhecimento, santidade, poder, alegria, etc. Portanto, para atingir tal plenitude, alem de crerem em Cristo, vocês devem seguir normas e regulamentos. Se fizerem isso, conquistaram e obterão maturidade a fim de ultimar a felicidade e a salvação”.

Que esse era realmente o caso está claro pelo fato de que Paulo, tendo resumido a “filosofia do vão engano” desses mercadores de mentiras com seus argumentos persuasivos sobre normas e regulamentos e sua fanfarronice a respeito de visões que tiveram, conclui sua crítica, dizendo: “Coisas desse tipo possuem certamente marcas de sabedoria…(mas) não tem valor algum, servindo apenas para indulgenciar a carne” (Cl 2.23). Em outras palavras, elas vão feri-los em vez de ajuda-los. Ele passa então a indicar uma maneira muito melhor – aliás, a única maneira- pela qual a carne possa ser ganha (Capítulos 3 e 4).

A “heresia colossense” era o segundo perigo somado ao primeiro, e até certo ponto um resultado deste, e pode ser caracterizada do seguinte modo:

  1. Falsa filosofia (Cl 2.8), que apesar de afirmar ter descoberto segredos e ter tido visões (2.18), negava a preeminência e a suficiência total de Cristo. Paulo afirma que a razão pela qual promove a grandeza de Cristo é porque existem aqueles que a negam e estão tentando iludir outros a igualmente negarem-na (2.2-4; 2.8-9; 2.16,17). A soberana majestade e a completa suficiência de Cristo como perfeito Salvador e Senhor é enfatizada em passagens como 1.13-20; 1.27,28; 2.2-4; 2.8,10; 2.16,17; 2.19; 3.1-4.
  2. Cerimonialismo judaico (Cl 2.11,16,17; 3.11), que acrescentava um significado especial ao ritual de circuncisão física, as regulamentações de alimentos e á observância de datas especiais pertinentes á economia da velha dispensação. Todas essas coisas, diz Paulo não mais que “sombras”. Perderam seu significado agora que o objeto que projeta a sombra, a saber, Cristo, já chegou (Cl 2.17).
  3. Asceticismo (Cl 2.20-23), que no seu impiedoso tratamento do corpo ia além do judaísmo. O apóstolo mostra sua insuficiência para a salvação plena.

Temas históricos e Teológicos:

A carta de Paulo aos Colossenses contém ensinamentos a respeito de diversas áreas essenciais da teologia, incluindo a divindade de Cristo (1.15-20; 2.2-10), a reconciliação (1.20-23), a redenção(1.13-14; 3.9-11), a eleição(3.12), o perdão(3.13) e a natureza da igreja (1.18,24-25; 2.19; 3.11-15). Também como observado acima, essa epistola refuta o ensino herege que ameaçava a igreja de colossos (cap.2).

Tiago Souza

Dificuldades de Interpretação:

Essas seitas que negavam a divindade de Cristo se valiam da descrição dele como “o primogênito de toda a criação” (1.15) como prova de ele era uma criatura. A afirmação de Paulo de que os cristãos serão “santos,inculpáveis e irrepreensíveis” se eles “permanecerem na fé” (1.22-23) havia levado alguns a ensinar que os cristãos podem perder a salvação. Outros afirmavam a existência do purgatório com base na afirmação de Paulo,… ”preencho o que resta das aflições de Cristo na minha carne…” (1.24), enquanto outros viam apoio para a regeneração batismal (2.12). A identidade da epistola “dos de Laodicéia” (4.16) também gerou grande discussão.

Esboço:

 

  1. I.                    Assuntos Pessoais (1.1-14)
    1. A saudação de Paulo (1.1-2)
    2. A ação de graças de Paulo (1.3-8)
    3. A oração de Paulo (1.9-14)
  1. II.                  Instruções Doutrinarias (1.15-2.23)
    1. Sobre a divindade de Cristo (1.15-23)
    2. Sobre o ministério de Paulo (1.24-2.7)
    3. Sobre a falsa filosofia (2.8-23)
  1. III.                Exortações Práticas (3.1- 4:18)
    1. A  conduta cristã (3.1-17)
    2. As famílias cristãs (3.18- 4.1)
    3. O modo cristão de falar (4.2-6)
    4. Os amigos dos cristãos (4.7-18)

Prefacio e saudação (1.1-2)

– Paulo da início a sua carta identificando seu apostolado, tema esse que era repudiado pelos judaizantes que estavam minando sua autoridade. Para Paulo o conhecimento de sua autoridade apostólica para os colossenses era de grande valor para a leitura e interpretação do restante da carta na igreja.

– Mesmo a igreja tendo varias falhas quanto a doutrina de Cristo Paulo os identifica como “santos e fieis em Cristo”. A santidade e a fidelidade da igreja eram em Cristo e não na sua própria natureza já que esta se desviou de varias doutrinas essenciais do evangelho.

 

Agradecimento pela fé, pelo amor, pela esperança e pelo Evangelho (1.3-8)

– é impressionante como Paulo sempre tem graças a dar a Deus pelas igrejas, até mesmo aquelas que tinham heresias, demonstrando assim seu amor e seu zelo quanto a igreja de Deus

– Paulo denota a tríade do evangelho: Fé, Amor e Esperança. Frutos visíveis daqueles que de fato são salvos.

– Esses frutos visíveis são resultados exclusivamente da pregação do evangelho.

– A pregação do evangelho foi tão bem clara e exposta por Epafras que eles “ouviram e entenderam” a Graça de Deus.

– Pelo fato de eles ouvirem e entenderem perfeitamente a mensagem do evangelho, Paulo chama o comunicador dessa mensagem (Epafras) de: amado conservo e fiel ministro de Cristo.

– Epafras, sendo o fundador da Igreja de colossos, relata o “amor no Espírito” que a igreja tinha.

Uma oração por entendimento espiritual e conduta piedosa (1.9-14)

– A oração de Paulo vai crescendo em solo de gratidão (“por esta razão”) e traça o desenvolvimento que se deve esperar na vida cristã, começando na infância espiritual e indo até a plena maturidade em Cristo.

– “conhecimento”, “sabedoria” e “entendimento” são palavras sinônimas que transmite a idéia do conhecimento que os salvos devem ter após ser convencido pela mensagem do evangelho. O conhecimento de Deus não pode acontecer aparte do crescimento espiritual (1Pe 2.2; 2Pe 3.18). Esse crescimento e conhecimento em Deus gera amor pela Palavra (Sl 119.97), uma obediência mais perfeita (1Jo 2.3-5), uma base doutrinaria consistente (1 Jo 2.12-14), uma fé crescente (2 Ts 1.3; 2Co 10.5) e um grande amor pelos outros (Fp 1.9)

– Esse conhecimento tinha o objetivo de levá-los a viver de modo digno do Senhor. A palavra “digno” (Aksios) tem a idéia de balança como que de um lado o peso de Cristo seja equivalente ao peso de nossa vida.

– Paulo lembra os colossenses da conversão e obra realizada por Cristo, o filho do amor de Deus.

– Note a palavra “império” em contraste com o “Reino”. Ele nos libertou de um cativeiro onde andávamos exilados e sem esperança para sermos seus súditos em seu Reino de Luz.

– “nos libertou” a palavra grega significa “atrair para si”, veja João 12:32

– Redenção: a palavra grega quer dizer libertar mediante o pagamento de um resgate e era usada para libertar os escravos da servidão. Aqui se refere a Cristo tendo libertado os colossenses da escravidão do pecado.

Jesus Cristo, o Senhor da Criação e da Reconciliação (1.15-23)

A Preeminência do filho

Os versos 15-20 formam uma unidade. Se não foi uma pérola literária composta pelo próprio apóstolo, era provavelmente um hino ou algum testemunho fixo da Igreja primitiva adotado por Paulo e reproduzido aqui sem mudança alguma, ou com alterações cabíveis ás necessidades da igreja de Colossos. A preeminência do Filho é demonstrada:

A. Na Criação (1.15-17)                

15. Que é a imagem do Deus

Invisível,

O Primogênito de toda a criação

16. Pois, por meio dele, foram

Criadas todas as coisas

Nos Céus e na Terra,

As visíveis e as invisíveis,

Sejam tronos ou domínios ou

Principados ou autoridades,

Todas as coisas foram criadas

Por meio dele e para Ele

17. e ele é antes de tudo,

E Nele tudo subsiste.

B. Na Redenção

18. E Ele é o cabeça do corpo,

A igreja;

Que é o principio, o primogênito dos mortos,

Que em todas as coisas Ele tenha a preeminência,

19. Pois Nele,Deus agradou-se em habitar toda a sua plenitude,

20. E por meio Dele reconciliar

consigo todas as coisas

Havendo feito a paz pelo seu

sangue da sua cruz,

Por meio dele, sejam as coisas da terra

Ou as coisas nos céus.

Note os seguintes pontos de correspondência entre A e B:

A                                B

(1)“Que é” no verso                                15                      18

(2)” O primogênito” no verso                15                      18

(3) “Pois, por meio dele” no verso       16                       19

(4)“ Nos céus e na terra” no verso        16                      20

– As mesmas expressões se acham não apenas em ambas as colunas, mas aparece na mesma seqüência. Existe um paralelismo definido de idéias e formas. A Glória de Cristo na Criação é balanceada por sua majestade na Redenção.

– a palavra grega para “imagem” é “eikón”, de onde deriva a palavra “ícone” “copia” ou “semelhança exata”. Aqui Jesus é apresentado por Paulo como aquele que é a imagem perfeita de Deus e subsiste na forma genuína de Deus (Fp 2.6; Jo1.14; 14.9), e tem sido assim desde a eternidade. Portanto Jesus Cristo é Deus em todos os sentidos.

– “o primogênito de toda a criação”. A idéia aqui é que Jesus Cristo tem a preeminência em todas as coisas sendo Ele o meio do qual essas coisas vieram a existir. Assim ele existe antes da criação, e é exaltado numa posição acima dela, pois sua natureza é eterna

– “O primogênito dentre os mortos”. Jesus foi o primeiro, na ordem cronológica, a ser ressuscitado dentre os mortos para nunca mais morrer. De todos aqueles que foram, ou que virão a ser ressuscitados de entre os mortos, e isso inclui todas as pessoas (Jo 5.28-29), Cristo é supremo (Fp 2.8-11).

– “Toda a plenitude”. Provavelmente um termo usado pelos adeptos da heresia colossense para se referir aos poderes e atributos divinos, os quais eles acreditavam terem sido divididos entre varias emanações. Paulo nega isso ao afirmar que a plenitude da divindade – todos os poderes e atributos divinos- não estavam espalhados entre as criaturas, mas habitava, por completo, em Cristo somente (2.9).

– “Havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz”. A habitação plena e corpórea da divindade teve um objetivo: Glorificar a Deus pela manifestação da graça em “reconciliar consigo mesmo todas as coisas” no ato da morte sacrificial de Jesus Cristo.

– Essa redenção de todas as coisas também alcançou espaço no coração dos colossenses mediante a pregação do Evangelho. Eles que eram em sua maioria gentios, estavam agora reconciliados mediante a morte de Cristo e não eram mais estranhos, inimigos e amantes das obras malignas.

– O Deus que salvou os colossenses é o Deus que guardará a salvação deles de forma santa, inculpável e irrepreensível até o fim.

– o versículo 23 parece dizer que a salvação esta nas mãos dos colossenses. Mas isso não passa de uma falácia. O que Paulo esta dizendo aqui é que Deus os guardará e os levará a lutar contra a apostasia e os ajudará a permanecer firmes na esperança do evangelho. É impossível alguém permanecer no evangelho sem que Deus interfira e o ajude.

– Paulo se vê como ministro desse evangelho (O evangelho da salvação e da reconciliação de todas as coisas). Ministro não é um titulo. Ministro não é um cargo alto e de evidencia na igreja. Ministro em grego (Diákonos) sugere uma função de serviço. Um ministro do Evangelho é alguém que conhece esse evangelho, tem sido salvo pelo Cristo do evangelho, e com alegria no coração tem proclamado esse evangelho a outros. Portanto serve a causa do evangelho (WILLIAM HENDRIKSEN).

A missão de Paulo e suas preocupações pastorais (1.24- 2.5)

– a palavra “agora” se refere provavelmente ao fato de que nesse exato momento Paulo não esta realizando viagens missionárias nem ministrando aos colossenses com a sua presença, como espera fazer mais tarde (Fm 22), mas esta suportando as muitas facetas do sofrimento e das agruras. Note o plural “meus sofrimentos” – pertinentes a sua atual prisão (Cl 4.10,18; Ef 3.1; 4.1; Fm 1.9,23).

– Em vez de reclamar ou até murmurar contra seu próprio ministério Paulo se “regozija”, pois essas provações não comprovam seu apostolado?

– Cumprimento á Palavra de Deus. Diz respeito á sincera devoção de Paulo em cumprir por completo, o ministério confiado a ele por Deus para pregar todo o designo de Deus aqueles a quem ele o havia enviado (At 20.27; 2Tm 4.7).

– O mistério que estava oculto nas palavras dos patriarcas, dos profetas e na lei, agora estava revelado aos que Deus escolhera.

– O mistério aqui tem a idéia da verdade escondida até então, porem revelada pela primeira vez aos santos no NT. Essa verdade inclui o mistério do Deus encarnado (2.2-3,9), a incredulidade de Israel (Rm 11.25), a unidade entre os judeus e gentios tornados um na igreja (Ef 3.3-6). Nessa passagem o mistério é revelado no vers. 27, o Cristo na vida da igreja é a esperança da Glória.

– Paulo inicia o capitulo dois lembrando os colossenses de seus sofrimentos e de suas lutas quanto ao manter viva a fé que leva os gentios ao pleno conhecimento e forte convicção acerca do mistério Deus.

– O mistério de Deus, Cristo, tem em sua natureza todas as riquezas do conhecimento e da sabedoria que outrora estavam ocultos. Ou seja, em Cristo temos a revelação bíblica. Cristo é a chave hermenêutica de toda a escritura. Ao dizer “todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” Paulo quer combater os falsos mestres e suas heresias que diziam haver um conhecimento transcendente ao alcance somente da elite espiritual. Num nítido contraste, Paulo declarou que toda a riqueza da verdade necessária para a salvação, santificação e glorificação é encontrada em Jesus Cristo, o qual é ele mesmo é Deus revelado (Jo 1.14; Rm 11.33-36; 1Co 1.24,30; Ef 1.8-9; 3.8-9).

O Remédio para o erro: Cristo em toda a sua plenitude (2.6-15)

– Paulo inicia essa seção com uma petição: “Andai Nele”. “Andai Nele” é um termo comum no NT e indica a conduta diária do Cristão (Cl 1.10; Rm 6.4; 1Co 7.17; 2Co 5.7; Gl 5.16; Fp 3.16-18; 1Ts 2.12; 2Ts 3.11; 1Jo 1.6-7). Andar em Cristo é viver uma vida que é modelada segundo a vida Dele e submeter diariamente ao seu Senhorio.

– Após dar o mandamento, a ordem imperativa “ Andai Nele” Paulo agora aponta como que eles podem ter a capacidade de cumprir esse mandamento: ser radicado, edificado e confirmado na fé. O sentido aqui é objetivo, referindo-se á verdade da doutrina cristã. A maturidade espiritual desenvolve-se a partir do fundamento bíblico como ensinada e registrada pelos apóstolos.

– O vers 8 denota a preocupação de Paulo com os falsos mestres e seus ataques contra a igreja de colossos. O “vos venha enredar” tem a idéia de roubo e furto. Os falsos mestres, quando bem- sucedidos em fazer as pessoas acreditarem em mentiras, roubam a verdade, a salvação e as bênçãos delas. Eles o roubam com “filosofias e vãs sutilezas” da “tradição dos homens” e “rudimentos do mundo”. (o legalismo evangélico e o liberalismo teológico de nossos dias)

– No vers. 9 Paulo fala sobre a pessoa de Cristo e sua natureza: “porquanto Nele habita toda a plenitude da Divindade”. Aqui ele defende a natureza divina de Cristo que estava sendo ameaçada pela heresia gnóstica que defendia a impossibilidade do Espírito (bom) habitar e assumir um corpo humano(mal). Paulo refuta esse falso ensino, salientando a realidade da encarnação de Cristo.

– Em Cristo (Deus e homem ao mesmo tempo) somos aperfeiçoados segundo a imputação da justiça divina que nos foi dada na morte de Cristo na cruz (2Co 5:21).

– “Circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é circuncisão de Cristo”.  A circuncisão simbolizava a necessidade do homem purificar o coração (Dt.10.16; 30.6; Jr 4.4) e era um símbolo exterior da purificação do pecado que vem pela fé em Deus. No momento da salvação, as pessoas passam por uma circuncisão espiritual mediante o despojamento da carne (Rm 6.6; 2Co5.17; Fp3.3; Tt3.5). Esse é o novo nascimento, a nova criação que acontece na conversão.

– Os colossenses estavam mortos em seus delitos e pecados até que Cristo deu vida a esses mortos, perdoando e cancelando o escrito de dívida que os acusava. Essas dívidas foram encravadas na cruz, assim como era feito com os criminosos que eram crucificados. O puritano Richard Baxter escreveu um belo livro chamado “A Morte da Morte na Morte de Cristo” que retrata exatamente isso.

– Cristo não só removeu a dívida, a pena e a acusação como também triunfou sobre os principados e potestades na Cruz. A idéia que Paulo usa aqui é de um general romano vitorioso desfilando seus inimigos derrotados pelas ruas de Roma. O famoso exegeta John Stott nos chama atenção para ver a Cruz não tão somente como um ato de desprezo, dor e sofrimento, mas como um ato de adoração e glorificação do próprio filho em agraciar pecadores com sua vida.

Libertação do Legalismo ( 2.16-23)

 Para entender melhor essa passagem leia o apêndice “Libertos da Falsa Liberdade” e veja como Paulo tratou esse mesmo assunto com a igreja dos Galátas.

– Em um parágrafo que alude ao ensino e aos lemas daquela filosofia, Paulo formula uma “carta de alforria cristã”. Uma teologia enganosa leva a práticas enganosas! Idéias equivocadas sobre a plenitude e a obra de Cristo (que o apóstolo corrige no vers. 8-15) correspondem a praticas equivocadas. As criticas de Paulo contra essas praticas errôneas e os próprios falsos mestres são bastante duras.

comida,bebida,festas,lua nova, sábados. Os Falsos mestres buscavam impor certas regras quanto a alimentação e o calendário judaico, provavelmente com base naquelas da lei mosaica (Lv.11). Por estarem debaixo da nova aliança, os colossenses (como todos os cristãos) não eram obrigados a seguir as restrições do AT (Mc 7.14-19; At 10.9-15; Rm 14.17; 1Co 8.8; 1Tm 4.1-5; Hb 9.9-10) e que os o NT ensina, de maneira clara, que os cristãos não precisam guardá-los.

– “Sombras das coisas”. Os aspectos cerimoniais da lei do AT eram meras sombras que apontavam para Cristo. Desde Cristo, a realidade veio, e as sombras não têm valor.

– “pretextando humildade”. Uma vez que os falsos mestres (judaizantes) se deleitavam na tentativa de cumprir a lei isso na verdade tinha a aparência de humildade, mas não passava de mero orgulho, que Deus odeia (Pv 6.16-17).

– Alem da observância da lei os colossenses também estavam sendo alvo da adoração aos anjos, uma heresia que perturbou a região ao redor de colossos por muitos séculos e mais do que isso, uma pratica explicitamente proibida na bíblia. Essa heresia era movida por visões e revelações que supostamente haviam recebido. Paulo é enfático aqui condenado toda fé baseada em experiências.

– Os vers.21-23 destacam a futilidade do ascetismo, que é a tentativa de alcançar a santidade mediante uma rigorosa negligencia de si mesmo (vers.23), da autonegação (vers.21) e até mesmo do castigo auto-infligindo. Uma vez que se concentra nas coisas que “com o uso se destroem”, o ascetismo não tem poder para restringir o pecado ou levar alguém a Deus. Com muita freqüência, os ascéticos buscam apenas fazer uma demonstração publica de sua suposta santidade (Mt 6.16-18).

A união com o Cristo Glorificado (3.1-4)

– “Portanto” pode ser traduzido como “uma vez que”, denotando o propósito posterior a conversão e a ressurreição em Cristo. Paulo tem em mente que, como pessoas que nasceram de novo e morreram para este mundo e tudo o que ele pode oferecer, elas possam agora viver diante de propostas superiores aos do mundo.

– “fostes ressuscitados”. Esse verbo, na verdade, significa “ser corressuscitado”. Por causa da união com Cristo, os cristãos participaram, espiritualmente, de sua morte e de sua ressurreição no momento em que se converteram e foram vivificados, e agora estão vivos nele de modo a compreender as verdades espirituais, a realidade, as bênçãos e a vontade soberana de Deus.

Os resultados da União com o Cristo glorificado (3.5-11)

– “Fazei pois, morrer” diz respeito ao esforço consciente para destruir o pecado remanescente em nossa carne. Aqueles que foram chamados a conversão, e que assim foram corressucitados com Cristo, tem o dever de fazer morrer a natureza terrena do qual é falha e pecaminosa. Paulo exorta os colossenses listando um serie de pecados relacionados com a natureza daqueles que são “os filhos da desobediência” para lembrá-los que tais atitudes não correspondem com aqueles que uma vez foram unidos na vida de Cristo.

– Alem dos cristãos descartar os hábitos antigos e pecaminosos eles também precisam realizar sua unidade em meios as diferenças, bem como destruir as antigas barreiras que separavam pessoas (Ef 2.11-16).

– Visto que não há diferenças entre raças e etnias Cristo, é auto-suficiente em tudo e em todos estabelecendo seu senhorio sobre todos os homens de igual modo.

As virtudes da união com o Cristo glorificado (3.12-17)

em vista do que Deus havia feito por meio de Jesus Cristo para o cristão, o ressuscitando junto a Ele, Paulo agora descreve o comportamento e a atitude que Deus espera em resposta a essa benção maravilhosa. A lista de atitudes do cristão para com o que ele foi chamado a ser é:

1-Eleitos de Deus: O cristão deve compreender humildemente que sua salvação procede unicamente da Graça Soberana de Deus em converter seu coração ao chamá-lo para ser parte da família de Deus (Jo 15:16; Rm 8:29; 9:14-23; Ef 1.4; 2Ts 2.13-14; 2Tm 1.8-9; 1Pe 1.1-2; Rm 11.4-5).

2- Santos e Amados – A eleição é a escolha de Deus em nos chamar para ser separado do mundo, o que nos torna santo(mediante a justificação) e amado por Deus.

3- Ternos afetos de misericórdia: Também pode ser traduzido por  “coração misericordioso”. É um hebraísmo que indica os órgãos internos do corpo humano quando utilizado, de modo figurado, para descrever o lugar de onde vêm as emoções.

4- Bondade– diz respeito à bondade para com os outros que permeia a pessoa por inteiro, suavizando os aspectos hostis.

5- Humildade– Esse é o antídoto perfeito para o egoísmo que envenena os relacionamentos humanos (Rm12.3,10; Fp2.3; Mt18.4; Jo 13.14-16; Tg 4.6,10)

6- Mansidão– Algumas vezes traduzido como “docilidade” é a disposição de sofrer injustiça e suportar insultos em vez de afligir esses tipos de sofrimentos.

7-Longanimidade – Traduzido também por “paciência”, o posto da ira súbita, do ressentimento ou da vingança. Ela suporta injustiça e as situações preocupantes com a esperança do alivio vindouro.

– Paulo sabe que todas essas virtudes depositadas nos cristãos são direcionadas e guiadas mediante o “amor”. Sem amor, que é o “vinculo da perfeição” para a unidade da igreja, é impossível viver tais virtudes dentro da comunidade. O amor sobrenatural derramado no coração dos cristãos é o adesivo da igreja (Rm 5.5; 1Ts 4.9).

– Paulo entende que o amor é o veiculo que leva a comunidade a unidade, e a unidade os leva a Deus. A pluralidade no Reino de Deus é uma das armas mais eficazes para destruir as diferenças e os preconceitos na igreja.

– “E que a paz de Cristo, para a qual vocês foram chamados em um corpo, governe o seu coração”. Essa paz é o estado de descanso e contentamento no coração daqueles que sabem que o seu Redentor vive. É a convicção de que os pecados do passado foram perdoados, que o presente esta sendo dirigido para o bem, e que o futuro não pode trazer separação entre Cristo e os seus. Acerca dessa paz, o apóstolo diz em Filipenses 4.7: “E a paz de Deus que excede todo o entendimento guarde o seu coração e seus pensamentos em Cristo Jesus”.

– Não teria os colossenses pensado que a paz seria um lugar inseguro e subjetivo? Realmente a paz pode ser algo muito relativo em meio a uma comunidade. Qualquer um pode simplesmente defender suas causas em cima de uma afirmação do tipo: “eu sinto paz em meu coração”. Para esse problema, o problema da subjetividade da paz em meio a muitos irmãos, Paulo da uma orientação importantíssima acerca de como “ a paz que vem de Cristo” deve proceder entre a unidade da Igreja:

“Que a palavra de Cristo habite ricamente entre vocês”. O objetivo, a revelação especial que procede de (e diz respeito a ) Cristo – “a palavra de Cristo” – deve governar cada pensamento, palavra e ação até mesmo os desejos e motivos ocultos de cada membro, e assim dominar       “ ricamente” entre todos. Isso acontecera se os crentes observarem a palavra (Mt 13.9), manejarem-na corretamente (2Tm 2.15), esconderam-na no seu coração (Sl 119.11) e apresentarem-na a outros como sendo, na verdade “a palavra da vida” (Fp 2.16)

– “E por meio de salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando a Deus em espírito agradecido, de todo o coração”. Paulo reconhece a natureza edificante da musica entoada na igreja. Para Paulo as artes devem glorificar a Deus e devem estar ajustados com as verdades das escrituras. A música deve honrar a Cristo, glorificar a Cristo, falar sobre Cristo e levar as pessoas a amarem a Cristo, pois é isso que as escrituras fazem.

– Assim Paulo conclui a seção sobre o fundamento da vida dos crentes “Em tudo o que vocês fizerem em palavra ou em ação, façam tudo no nome do Senhor Jesus, dando graças a Deus o Pai por intermédio Dele”. A resposta ,a tudo o que Cristo fez, é viver para a Glória de Deus em tudo e em todos os lugares. Para os cristãos tomar um suco de laranja deve glorificar tanto  a Deus quanto estar com as mãos levantadas em culto no domingo a noite.

A união com o Cristo Glorificado nas praticas sociais (3.18-4.1)

– A morte de Cristo também prove o antídoto real contra as tendências malignas da carne. Os colossenses, gentios, estavam mortos em delitos, pecados e na incircusição de sua carne. Mas eles creram no poder eficaz de Deus que ressuscitou Jesus dos mortos e foram batizados. Desta forma, eles se identificaram com a morte e ressurreição de Jesus. A Morte de Jesus pode ser comparada com a circuncisão, porque, á semelhança dessa, envolvia o despojamento literal da carne. De forma similar, os colossenses foram circuncidados, não em sentido literal, mas metaforicamente.

– Tudo isso implica também que os colossenses tinham uma nova identidade e que sua carne recebera um golpe mortal. Eles estão agora vivos em Cristo, para Deus. Por isso, eles devem fazer morrer o que pertence ao estilo de vida antigo e pecaminoso, e despir-se do velho homem com suas praticas. Eles devem agora revestir-se do novo homem que esta sendo renovado em comunhão com a imagem do seu criador (3:10).

– Paulo descreve o significado de viver á imagem daquele por meio de quem Deus realizou essa reconciliação, isto é, buscar a reconciliação e paz com os outros. Barreiras sociais entre pessoas se desfazem; as pessoas amam umas as outras; a igreja vive em paz concentrada na adoração agradável a Deus; e a vida domestica é vivida em comunhão harmônica.

A Comunhão harmônica vivida dentro do contexto familiar

A idéia desse código familiar antedata Aristóteles, não é uma invenção do evangelho, porem a ênfase e a comunhão recíproca que a carta de Colossenses trás é deferente de todo pensamento filosófico até então. Existem algumas diferenças entre o que os filósofos pensavam sobre código familiar e o que Paulo expressa na carta aos Colossenses.

1– O cristianismo proclamado por Paulo, e outros, oferecia a força para cumprir os mandamentos, sendo essa força a graça de Deus. Todas as outras filosofias morais são vagões sem locomotivas.

2– O cristianismo também oferece um propósito para essa ética familiar e social. Esse propósito não era simplesmente tratar de viver de acordo com a natureza, mas fazer tudo para a gloria de Deus.

3– O a ética familiar oferecida pelo cristianismo nos da um padrão. Esse padrão é a vida de renuncia, amor e humildade de Cristo em todas áreas. E esse padrão não é para um grupo isolado, todos os grupos sociais e familiares estão sujeitos a esse padrão.

Mulheres e seus maridos

Vers.18 –  Não esta implicando a inferioridade das mulheres em relação aio seu marido. O que Paulo esta descrevendo é a posição  e função de cada um dentro da comunhão. O Fato de ela ser submissa não esta relacionando que ela seja inferior, mas esta estabelecendo uma conduta onde a responsabilidade da mulher fica em ser submissa para não houver desarmonia em pensamentos entre ela e seu marido.

Essa submissão não é absoluta. Caso ele peça que ela faça algo contra as escrituras ela tem todo o direito de nesse caso  (iluminado pelas escrituras) em desobedecer seu marido ( Atos 5:29).

Vers. 19– De maneira recíproca o marido ama a sua esposa e não ríspido com ela. A ênfase aqui é o amor dele para com ela. Um amor que supera e esta acima de tudo, um amor cristão pleno.

Filhos e seus pais

Vers. 20 – O Que Paulo esta combatendo aqui é a desobediência  dos filhos porque isso é de acordo com Rm. 1:30, um dos vícios do paganismo. Esse vicio (a desobediência aos pais) é uma das marcas da crescente maldade dos últimos dias(2Tm 3:2).

A tradução mais correta da parte b do versículo 20 é “No Senhor”. A obediência aos mandamentos de Deus lhe é algo sempre agradável. “No Senhor”, isto é, em comunhão com ele e na dependência dele podemos ser feliz e ter prazer em obedecer nossos pais.

 

Escravos e seus senhores

Vers. 22: 4-1- Vemos uma ênfase maior na função dos escravos, provavelmente dentre os destinatários, havia mais escravos do que senhores.

O apelo paulino recaí sobre a integridade que os escravos devem ter em trabalhar para seus senhores, não para agradar a homens, mas com singeleza de coração, ou seja não impressionar seus senhores terrenos mas com retidão para com o Senhor. E Paulo ainda os anima e os garanti uma herança, algo que não era destinado a escravos. Por via de regra os escravos não tinham direito a herança, mas aqueles do qual Paulo esta se referindo herdam as bênçãos do seu Senhor, pois o seu Senhor é Cristo.

– O código do lar, na carta de Paulo, esta integrado ao tema da reconciliação social que permeia toda a seção de 3:5 a 4:1 e que é, por sua vez, o reflexo da reconciliação com Deus posta em operação no universo por meio da morte de Cristo. No lar cristão, e na igreja, a igualdade de todos fortalece a ordenação dos relacionamentos porque “Cristo é tudo e está em todos” (3:11).

A oração e a prudência (4.2-6)

Perseverai. A palavra grega que dizer “ ser corajosamente persistente” ou “ apegar-se e não desistir”, e aqui, diz respeito á oração persistente (At.1.14; Rm 12.12; Ef 6.18; 1 Ts 5.17)

Vigiando. Em seu sentido mais geral, significa estar alerta enquanto ora. Porém, Paulo tem em mente uma implicação mais ampla de estar alerta para as necessidades especificas sobre as quais orar, ao invés de ser algo vago e não focalizado.

Portai-vos com sabedoria… Aproveitai as oportunidades.  Paulo indica a necessidade de sabedoria quanto a evangelização. A sabedoria de Cristo pode dar a capacidade de aproveitar todas as oportunidades para falar de seu amor, até mesmo enquanto se está preso como Paulo.

–  Agradável…temperada com sal. Falar o que é espiritual, proveitoso, conveniente, resoluto, cortês, benévolo, confiável, amável e ponderado. Assim tal sabedoria nas palavras pode ser como o sal, que não somente dá  o sabor, mas evita a deterioração. O discurso do cristão deve se constituir não apenas numa benção para os outros, mas numa influencia purificadora em meio a uma sociedade corrupta e maldita.

 

Vidas sob o Senhorio de Cristo (4.7-18)

– Chegamos agora à ultima parte do nosso estudo de Colossenses. Paulo, no fim de sua epístola, faz várias referencias pessoais, transmite saudações e dá suas ultimas instruções. Porem o que basicamente devemos considerar, neste texto, são aquelas palavras ditas em testemunho de cristãos e seus companheiros, verificando se elas encontram eco em nossa vida.

Tíquico

Este companheiro de Paulo era dotado de preciosas qualidades. Era irmão amado, sem duvida por causa do seu interesse pelo apóstolo e por seus companheiros. Evidentemente foi o partados, junto com Onésimo, desta epistola e também das epistolas aos Efésios e a Filemom. Não podemos afirmar se tiquico se prontificou a fazer esse serviço por amor ao apóstolo ou porque viajaria para Éfeso e Colossos de qualquer forma. É suficiente lembrarmos quanto sacrifício exigia uma viagem de Roma até a Ásia. Tiquico foi também denominada fiel ministro, porque desempenhava o seu serviço ( em grego, diakonia) com fidelidade.

Comparemos com a descrição de Epafras em 1.17

Conservo vem da palavra grega “sundoulos” (escravo junto com), evidencia de que Paulo o reconhecia como colega sob jugo de Cristo no serviço de Deus.

Os versículos 7 e 8 mostram até que ponto a situação do primeiro século dependia de comunicações verbais. A comunicação por epistola era bastante rara e, por isso mesmo, usada apenas para transmitir uma mensagem de grande importância. As informações do dia-dia eram comunicadas oralmente. Atos 28 mostra que a vida de Paulo como preso, durante dois anos em que aguardava uma decisão de César, não era tão difícil. Por isso devia “alentar os corações” dos irmãos a quem se destinava esta epistola (vers.8), isto é consola-los.

Onésimo

Este filho espiritual de Paulo (Fm 10), dantes um escravo foragido, era agora um homem regenerado, tendo voltado para o seu antigo patrão, Filemom, membro da igreja de colossos. Aqui ele é denominado “fiel e amado”, sinal de sua alta posição que Cristo lhe dera (Tg 1.9). De acordo coma lei romana, filemom poderia aplicar a Onésimo a penalidade máxima, por ter fugido e roubado do seu dono. Mas Paulo não hesitou em mandá-los de volta, garantindo, com confiança: “Ele, antes, te foi inútil; atualmente, porem, é útil, a ti e a mim” (Fm 11).

Aristarco, Marcos e Jesus

Aristarco, membro da igreja de Tessalônica, fora um dos sete irmãos que acompanharam Paulo na viagem a Jerusalém, levando a coleta levantada na Grécia para os irmãos necessitados da Judéia (At 20.4). Pelo que tudo indica, não voltou mais á sua terra, tendo sido preso. Assim ficou prisioneiro (literalmente, “de guerra”) comigo, diz Paulo.

Marcos, autor do segundo evangelho, era o primo de Barnabé. Acompanhara Paulo e Barnabé na primeira viagem missionária até Perge, como catequista e ajudante dos missionários; mas tendo desanimado, tinha então voltado a Jerusalém (At 13.13). Paulo lembra os colossenses de que já receberam instruções a respeito desse irmão, que provavelmente ainda iria visitá-los. Mas agora toda a impaciência e rancor que Paulo sentira a respeito de Marcos já desapareceram , merecendo ele os elogios que Paulo mais tarde escreveu: …”traze-o, pois me é útil para o ministério” (2Tm 4.11).

Jesus justo, mais um “irmão da circuncisão” (judeu convertido) que, junto com Aristarco e Marcos, cooperava particulamente no ministério de Paulo. Atos 28.30,31 revelam que, durante o período em que escrevia esta epistola, Paulo gozava da liberdade de receber visitas, sem restrições, e também de pregar o reino de Deus.

Estes três um “lenitivo” para o velho apóstolo. Expressão no original indica que eles, numa ocasião especifica, agiram com Paulo de um modo confortador (paregoria, “lenitivo”, confortador).

Epafras

Epafras (veja 1.7) era outro membro da igreja colossense que não estava voltando para Ásia na ocasião; por isso Paulo inclui sua saudação. Suas qualidades eram notáveis. Paulo o chama literalmente de “escravos de Cristo Jesus”, indicando a sua dedicação e obediência a Cristo (Rm 1.1). Era também grande homem de oração: “se esforça continuamente por vós, nas orações. Já notamos a palavra esforço usada duas vezes para descrever as orações de Paulo em favor dos colossenses nessa conjuntura perigosa da sua vida eclesiástica (1.29; 2.1)

Epafras era um homem de fé e esperança. Não deixava de suplicar a Deus pelos crentes de colossos, pedindo que se mantivessem em pé, maduros (ou perfeitos) e plenamente convencidos da verdade do evangelho como  a plena vontade revelada de Deus. Que quer dizer tudo isso? Simplesmente que Epafras, fundador da igreja de colossos, não se conformava com a erosão da fé dos seus filhos espirituais. O amor de Deus no seu coração o levara a agonizar nas orações para que os colossenses não perdessem a tão grande salvação que o Senhor lhes outorgara.

Não devemos esquecer a relação entre a preocupação (literalmente, “luta”) e a oração (vers.13a). Quem não se envolve na vida dos outros, tal como os pais se preocupam pelos filhos, pouca ansiedade sentirá. Não era o caso de Epafras, nem de Paulo. As lutas para formar o corpo de Cristo nas três igrejas do vale do Lico forçosamente levaram epafras a se esforçar no oração, tal como o fizera na luta para ganhar e instruir os cristãos neófitos.

Lucas e Demas

O médico amado, autor do livro de Atos e do evangelho que tem o seu nome, era também companheiro de Paulo em Roma. Conforme Atos 27 fizeram juntos a viagem de Cesaréia a Roma, quando sofreram o naufrágio. É provável que Lucas tenha ido acompanhar Paulo em virtude da enfermidade mencionada em Gálatas 4.13,14 (Atos 16.10) e, portanto, na qualidade de profissional. Paulo o chama “amado”, assim como o fizera a Tíquico (4.7) e a Epafras (1.7); com isso talvez isso se refira a um serviço sacrificial desempenhado por ele em favor do apóstolo e sua missão.

Demas está incluído na lista de cooperadores (“sunergoi”, “colaborador”) junto com Marcos, Aristarco e Lucas, em Filemom 24. O titulo parece indicar que ele servia como evangelista. Infelizmente, em 2 Timóteo 4.10 são dadas, a seu respeito, informações bem diferentes, isto uns seis anos depois desta epístola: “Demas, tendo amado este século, me abandonou”. Deixando o ministério que exercera junto ao venerado apóstolo, foi buscar os valores efêmeros deste século! O mais triste ainda é que milhares de outros obreiros, desde Paulo até nossos dias, têm seguido os últimos passos de Demas! E é nosso dever interceder continuamente diante de Deus pelos que o servem em qualquer função, para que não permitam que o amor a este século substitua o amor de Deus.

Outras saudações e recomendações

Laodicéia (veja Ap. 3.14), Hierápolis e colossos eram cidades do vale do Lico e distavam poucos quilômetros uma da outra. Por isso, as saudações mandadas para colossos deveriam abranger também Laodicéia (vers.15). Particularmente, Paulo desejava saudar também os cristãos que se reuniam na casa de Ninfa (vers.15b).

Só bem mais tarde é que as igrejas construíram templos. Antes disso, reuniram-se nas casas mais espaçosas dos próprios irmãos (veja Rm 16.23). Mesmo que houvesse varias congregações numa mesma cidade (em Efeso, Antioquia da Síria ou em Roma), não se usava o plural para descrevê-las. Havia uma só igreja em cada localidade, sendo que todos os membros eram irmãos, uma só família cristã. Portanto, não se pode determinar se havia, em Colossos ou em Laodicéia, uma ou mais congregações. Todos os cristãos, de ambas as cidades, deveriam ouvir o conteúdo desta epistola (vers.16), bem como o de outra, enviada por Paulo aos laodicenses. Segundo estudiosos, esta ultima talvez tenha sido a Epistola aos Efésios. Colossenses era como o livro de Apocalipse, uma circular, escrita para ser lida e ouvida pelo maior numero de cristãos da Ásia, cuja capital era Éfeso. Portanto, era de se esperar que Paulo desejasse que também os laodicenses conhecessem o conteúdo da epistola.

Uma palavra de admoestação para Arquipo

O ultimo nome a ser citado é Arquipo (vers.17). Chamado por Paulo de “ companheiro de lutas” ou “soldado colega” (Fm 2), provavelmente era filho de Filemom e líder na igreja de Colossos. “Atenta para o ministério que recebeste no Senhor”. Esta exortação parece indicar que Arquipo bem pouco se preocupava com o falso ensino que vinha ameaçando a igreja. Paulo conseqüentemente, lhe chama a atenção para o lado episcopal (termo que vem do grego “epíscopos”, “olhar com cuidado especial”, “cuidar para não perder”) do trabalho de Deus (veja Atos 20.28-31). Quantas vezes os ataques perigosos do inimigo atingem as pessoas desprecavidas e os pastores nem se preocupavam! Paulo se preocupava; Epafras, também. Mas Arquipo mostrava-se indiferente. Pedro e os discípulos que acompanhavam Jesus até o Getsêmani manifestaram despreocupação frente a terrível ameaça de Satanás e se portaram mal na hora crítica. Que Deus nos de uma posição de liderança, possamos levar bem a sério a necessidade de ficarmos atentos para o ministério, para o cumprir!

Saudação final de Paulo

A epístola é assinada pelo próprio Paulo, o que confirma a sua autenticidade. Evidentemente, havia pessoas que chegavam ao cúmulo de assinar falsamente uma epístola com o nome de uma autoridade como Paulo, mandando-a a uma igreja a fim de enganá-la (veja 2TS2. 2). Este artifício os colossenses não precisavam temer, quanto a esta epístola.

O Apóstolo pede aos leitores que se lembrem da sua prisão (algemas). Ele parece estar impedido de receber qualquer auxilio que lhe poderiam prestar, preso que estava por causa de Jesus Cristo.

E Finalmente, a inspirada epístola é concluída com estas palavras simples e profundamente significativas: “a graça seja convosco”. Que esta mesma mensagem continue ecoando em nossos corações.

Deus abençoe,

Tiago Souza

Livros recomendados para o assunto:

SHEDD, Russel P. Epístolas da Prisão. São Paulo: Vida Nova,2005

Hendriksen, Willian. 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemon.São Paulo: Cultura Cristã, 2007

MacArthur,John. Bíblia de Estudo MacArthur. São Paulo: SBB, 2010