PastoresTeólogos – Tom Ascol

Por Tom Ascol

Tom Ascol

Cristo tenciona que suas igrejas sejam guiadas por homens que preenchem certas qualidades. Em suas cartas a Timóteo e Tito, o apóstolo Paulo escreveu com muita clareza a respeito do que os presbíteros de uma igreja devem ser. A principal preocupação é o caráter. Eles devem ser homens cujas vidas são exemplo de santidade.

Além disso, os homens que devem pastorear o rebanho de Deus têm de ser doutrinariamente corretos. Precisam crer sinceramente na verdade e ser capazes de ensiná-la com clareza. Paulo estabeleceu esse fato em Tito 1.9, depois de ressaltar as qualificações morais que todo presbítero tem de possuir. Um presbítero, ele escreveu, deve ser “apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem”.

As igrejas devem ser assistidas pelo ministério de pastores que são teólogos. Essa idéia parece bastante estranha em nossos dias porque nos últimos cem anos testemunhamos uma separação desses ofícios. Pastores estavam ligados às igrejas, enquanto os teólogos, fomos levados a crer, estavam vinculados a universidades e seminários.

No entanto, a instrução de Paulo a Tito nos força a admitir que todo pastor é chamado a ser um teólogo. A verdade que Deus revelou em sua Palavra tem de ser explorada, entendida, crida, ensinada e defendida. Isso descreve a obra de um teólogo, e o ministério pastoral não pode ser realizado eficazmente por um homem que não se engaja nesse tipo de esforço.

As igrejas devem ser governadas pela Palavra de Deus. Os homens que têm a responsabilidade de liderar uma igreja não têm outra alternativa, senão a de serem bem alicerçados nas Escrituras.

Um pastor deve ser firme em sua compreensão da Palavra, “que é segundo a doutrina”. Paulo estava se referindo ao que, naquele tempo, havia se tornado um corpo reconhecido de ensino doutrinário. Antes de um homem ser qualificado para servir na função de pastor em uma igreja, ele deve “apegar-se” às doutrinas da Palavra de Deus; ou seja, ele tem de compreender essas doutrinas e crer nelas. Nem o pensamento superficial, nem um compromisso indiferente com os ensinos das Escrituras será suficiente para o homem que deseja ser um pastor na igreja de Jesus Cristo. Isso significa que os pastores devem ser homens que se dedicam com diligência ao estudo e cultivam constantemente fé humilde.

Paulo menciona duas razões por que um pastor tem de ser um teólogo diligente. A primeira diz respeito à sua responsabilidade de nutrir e cuidar do rebanho ao qual ele serve. Pastores têm de alimentar as ovelhas, e a única dieta que Deus prescreveu para seu povo é a sua Palavra (Hb 5.12-14; 1 Pe 2.2). Um presbítero de igreja deve ser “apto para ensinar” (1 Tm 3.2), pois é por meio do ministério da Palavra que os crentes são alimentados. Como David Wells sugere corretamente, um pastor é um agente da verdade, cuja responsabilidade primária é estudar, proclamar e aplicar a Palavra de Deus, para que o “caráter moral seja formado e a sabedoria cristã se manifeste” no povo de Deus. Essa é a primeira razão por que um pastor tem de ser um teólogo – para que possa instruir na “sã doutrina”.

Mas um pastor não tem apenas de ensinar os filhos de Deus. Ele precisa também defendê-los. Ele tem de afirmar a verdade e refutar o erro. E ambas as tarefas exigem discernimento resultante de estudo cuidadoso. A igreja de Cristo sempre esteve impregnada de pessoas que “contradizem” a sã doutrina. A tarefa dos pastores consiste de repreender essas pessoas, de modo que o erro delas não se espalhe, como um câncer,  na igreja (2 Tm 2.15-18).

O pastor tem de ser “bem instruído”, escreveu Calvino, “no conhecimento da sã doutrina; a segunda é que tenha inabalável firmeza de coragem… e a terceira é que ele faça a sua maneira de ensinar tender à edificação”.

Os maiores teólogos na história da igreja foram pastores fiéis. E os maiores pastores na história da igreja foram teólogos dedicados. É óbvio que os nomes em ambas as listas (com raras exceções) são os mesmos.

Agostinho, Lutero, Calvino, Gill, Edwards, Fuller, Spurgeon e Lloyd-Jones eram pastores-teólogos. Eram homens que levavam bem a sério as qualificações apostólicas quanto a um presbítero e, no cumprimento de sua chamada para pastorear o rebanho de Deus, dedicaram-se fielmente à obra de teologia.

J. I. Packer observou sabiamente: “Para ser um bom expositor… um homem tem de ser, primeiramente, um bom teólogo. Teologia é aquilo que Deus colocou nos textos da Escritura, e teologia é aquilo que os pregadores devem extrair desses textos”.

Se anelamos ver renovada vitalidade espiritual enchendo as nossas igrejas, temos de insistir com aqueles que servem como pastores para que reconheçam estar inerente em sua vocação a responsabilidade de serem teólogos sãos. Somente assim o povo de Deus será instruído apropriadamente no caminho de Cristo e protegido, com eficácia, de erros e heresias que corroem a saúde espiritual.

 

Traduzido por: Francisco Wellington

Fonte: Fiel

 

Postado por Tiago H. Souza

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O Papel e a Importância da Educação Teológica Para a Igreja – André Luís

Por André Luiz

 

No que tange a importância e a aplicação da educação teológica, em especial, no contexto religioso das igrejas evangélicas que a cada dia se proliferam, é lamentável a deliberada desconsideração para com ambos os elementos (importância e aplicação), visto que, da mesma forma que não podemos desassociar o Cristo da sua “Cruz”, ou, a “Cruz” do seu Cristo, não devemos também separar a igreja da educação teológica.

A grande verdade é que o evangelicalismo neopentecostalizado hodierno tem crescido e se multiplicado com um espírito analfabeto no que toca a matéria da espiritualidade cristã já que não existe autentica espiritualidade sem a vida e o amadurecimento espiritual que são oriundos de uma educação teológica. Pois, na maioria das igrejas de ordem evangélica, o pragmatismo e o misticismo são as regras hermenêuticas para se interpretar Deus. O estudo sério da bíblia (o estudo da revelação proposicional, segura e correta de Deus), que se articula a partir de uma hermenêutica científica, tanto por parte dos lideres como por parte dos seus liderados por tabela, tem sido negligenciado, e por conseqüência o corpo religioso evangélico tem vivido uma religiosidade ignorante não se revelando assim uma comunidade religiosa relevante pelo simples fato de não poder oferecer para os espiritual e moralmente deseducados (àqueles que vivem alienados de Deus) a verdade que eles necessitam acerca de Deus.

O Apostolo Paulo, o maior “mestre” da igreja cristã, apresenta-nos o documento sagrado (a bíblia) como a fonte de toda educação teológica para a igreja, pois ele diz a Timóteo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.16-17). Posto isso, levando em consideração essa verdade paulina acerca da suficiência das Escrituras para a educação teológica, educação essa que habilita o homem nos aspectos mental, espiritual e funcional, precisamos com urgência gritar a carência gritante das igrejas no que toca a educação teológica, conclamando-as para uma responsabilidade de estudo bíblico-teológico que é indubitavelmente necessário para que a igreja seja um centro de fomentação de verdades espirituais, morais e sociais, respondendo e atendendo assim as demandas de um mundo que vive uma derrocada humana sem igual.

Apesar do desinteresse pela educação teológica quase que generalizado em nossas camadas evangélicas cujo interesse das mesmas consiste na busca da experiência religiosa utópica que entorpece a mente e a deixa agrilhoada ao fanatismo da religião anti-educacional no que diz respeito ao estudo da teologia, expectamos uma reforma interna eclesial de educação teológica. Almejamos um comprometimento revolucionário de Pastores-Mestres que através de um compromisso sério de estudo teológico espalhe para o povo o ensino bíblico que educa e habilita o homem para toda boa obra.

A educação teológica, a formação bíblica, a alfabetização religiosa a luz da Bíblia, precisa ser a prioridade das nossas igrejas, pois, comunicar todo o conselho de Deus para o mundo só é possível quando se sabe qual é o conselho de Deus. Saber de Deus ou sobre Deus, receber educação teológica, refletir teologicamente, é uma obrigação de todo aquele que faz parte da igreja e que precisa responder para o mundo a razão da sua fé.

 

 

Postado por Tiago H. Souza