Respondendo ao convite do Evangelho. Lucas 10:1-24 – Tiago Souza

Respondendo ao convite do evangelho – Lucas 10:1-24

 

Introdução:

Você já viu o processo da purificação do ouro? O ouro, claro, não vem todo modelado como nós o vemos nas vitrines das relojoarias. Ele não é encontrado em barras, já todo modelado. O ouro é encontrado muitas vezes como uma pedra preta. Talvez pudéssemos tropeçar sobre ela e nem desconfiar que se trate de uma pepita de ouro! Pois bem, o ouro chega de forma bruta nas mãos do ourives, a pessoa qualificada para purificar o ouro. E como aquela pedra bruta, sem formato, chega até nós tão bonita e reluzente enfeitando a correntinha do moço e o brinco das moças? O ourives pega a pepita de ouro e a coloca em um recipiente chamado caidinho. No cadinho, o ourives pega um maçarico e começa a esquentar e a derreter o ouro.

Ele passa algum tempo ali colocando a chama do maçarico naquela pedra. Depois de levar muito fogo e estar já em estado liquido o ourives então joga algumas substancias químicas que tiram todas as impurezas, separando o ouro puro derretido dos demais resíduos. E quando o ourives termina a sua seção de purificação do ouro? Quando ele consegue ver a sua face resplandecer no ouro já derretido. Ele só termina a purificação quando ele consegue observar a seu próprio rosto no ouro.  Isso é muito interessante porque eu vejo o mesmo processo na vida dos discípulos e nas nossas vidas também. Jesus, assim como o ourives, escolhe algumas pedras que aparentemente ninguém da um real furado e os fazem discípulo amados.                                                                                                                       Image

Ele coloca cada um dentro do seu cadinho, pega o seu maçarico celestial e taca fogo. O proposito é nos transformar de  pedra bruta á discípulos. De pecadores á santos. E no processo dessa purificação (discipulado) Ele faz alguns convites e espera de nós algumas respostas!

 

Elucidação:

Quando chegamos ao capitulo 10 de Lucas já temos algumas informações sobre a pessoa e a obra de Cristo, bem como Lucas o retrata para nós. Cristo, por exemplo, é aquele que vence todo tipo de pecado, doenças e demônios no capítulo 4. Cristo também é aquele que chama para si discípulos e o faz cooperadores da obra de Deus no cap. 5.  Ele é descrito como o Senhor do Sábado reivindicando para si mesmo a adoração de todos os dias! Também no cap. 7 Cristo é retratado como aquele que tem poder sobre a vida e sobre a morte ressuscitando o filho de uma viúva em Naim. Lucas nos fala também que Cristo é aquele que é acessível a todos. Todo homem e toda mulher pode se achegar ao filho de Deus e adora-lo. Ainda na narrativa do cap. 7 Lucas nos fala de uma pecadora que chora e deposita o seu rico perfume aos pé de Jesus. Cristo também é retratado para nós no cap. 8 como aquele que tem poder sobre a criação. Jesus acalma a tempestade e faz os próprios discípulos se perguntarem: “quem é este que até o vento e as águas lhe obedecem?” Lucas também descreve Jesus como aquele que é o Deus de toda a provisão. O impossível para os homens se torna possível para Jesus. Ele toma em suas mãos cinco pães e dois peixinhos, faz o milagre da multiplicação e alimenta cinco mil homens no cap.9. Ainda nesse mesmo capítulo Cristo é descrito como o “filho de Deus” e “o ungido” quando este se transfigurou, teve o seu corpo glorificado, diante dos olhos de Pedro, Tiago e João.

Portanto, Lucas registra muitas ações acerca da pessoa e da obra de Cristo. Por onde o Deus encarnado passava este ia realizando milagres e maravilhas em meio ao povo. Os doentes eram trazidos e voltavam curados! Os endemoniados eram trazidos e estes voltavam libertos.  Quando Jesus encontrava um cortejo fúnebre, o lamento acabava por ali, pois o Senhor da vida manifestava o seu poder ressuscitando os mortos!  

 Então chegamos ao capitulo 10 de Lucas e o processo do discipulado está em andamento. E queria frisar  o modelo de discipulado de Jesus: Primeiro Cristo convida os discípulos para ver e presenciar o seu poder. Depois ele convida os discípulos para participar do seu poder, como no caso da multiplicação dos pães, e agora Cristo convida e envia os discípulos para proclamar O seu poder.

 

 Então, da mesma forma Cristo nos CONVIDA a observar, participar e proclamar o poder de Deus!

Ele grita aos nossos ouvidos: Responda ao convite que o evangelho nos faz hoje!

 

A pergunta é: De que forma respondemos ao convite do evangelho de Cristo? De que forma podemos responder o convite do evangelho nesses 24 versos do cap. 10?

 

1-    Respondemos ao convite do evangelho proclamando o amor de Deus! verso 1-9

1.    Há uma verdade latente na mensagem do evangelho. A mensagem é esta:  Deus nos ama! Não sabemos a razão disso, não sabemos o porque, mas temos a plena convicção que Ele nos ama. Ele amou os discípulos e agora quer expandir o seu amor para outros lugares. O amor de Cristo não pode estar resumido a um grupinho de 12 apóstolos e 70 discípulos. Não! O seu amor rompe com todas as formas de segregação ou limites numéricos! Cristo quer fazer o seu nome e a seu ministério conhecido em outros lugares. Não é de se admirar que o amor incondicional de Cristo esteja totalmente ligado com o tema da mensagem: o Reino de Deus.

 2.    Como bem eu disse, os discípulos estão no processo da escola de discipulado. Jesus chama e envia 70 discípulos para uma missão. Mas antes disso ele fala sobre um grande problema e uma grande solução para isso. O problema é: A seara é grande e poucos são os trabalhadores. A solução: ore e peça ao Senhor da seara para mandar mais trabalhadores para a sua colheita. Portanto os discípulos sabem duas coisas : 1° missões é urgente e é escassa de missionários! 2° Deus é o Deus das missões! Ele é o senhor da seara e pode trazer mais missionários para a sua obra.

 3.    A este ponto Cristo sabe que alguns já estão prontos para serem enviados. Ele chama os discípulos para ver e presenciar o poder de Deus. Ele chama os discípulos para sentir e participar do poder de Deus e agora ele chama os discípulos para proclamar o seu amor através da vinda do Reino de Deus.

4.    Jesus então dá algumas instruções sobre esta viagem missionária. Segundo as orientações de Jesus esta missão será muito perigosa. Jesus envia os seus discípulos com a mensagem do Reino, mas eles estariam como ovelhas em meio a lobos! A primeira vista este é o tipo de trabalho não muito invejável. Eles estariam em território inimigo. Mas não é o pastor de suas almas que está os enviando como ovelhas? Ele há de cuidar de cada uma delas! Jesus também pede para eles levarem o necessário! Uma segunda bolsa será desnecessária; um saco de viagem será desnecessário; um par de sandálias extras será desnecessário; e conversas demoradas ao estilo comum no oriente também é desnecessário. Então Jesus deixa muito claro a urgência quanto á proclamação do amor e a dependência total para este amor!

Eles estariam levando a mensagem do amor na proclamação, os sinais do amor nas curas e libertação e também a manutenção divina nas suas próprias vidas! Este foi o mesmo Jesus que disse: “olhai para as aves do céu. Elas não plantam e não trabalham e eu as sustento todas elas. Vocês não tem mais valor que elas?” Mateus 6:26.  Portanto, não só a mensagem, mas a própria vida desses missionários seria um reflexo do próprio amor que estes estariam levando. Em outras palavras eles estariam dizendo: “O Reino de Deus está tão próximo de vocês, quanto está de nós. Olhe para nós, fomos transformados e temos a nossa vida na palma da mão do Senhor! “Foi ele mesmo que nos chamou, preparou, nos enviou e agora nos sustenta enquanto pregamos para vocês”. Então, queridos, é este amor que nos chama, que foi com a nossa cara por algum motivo nele mesmo, que nos chama para o discipulado e nos envia a proclamar este mesmo evangelho de amor anunciando o Reino de Deus! Ele nos convida a compartilhar dessa graça com outros, amar outros os quais nunca vimos antes! Isso é o evangelho! O evangelho do amor de Jesus nos envia para anunciar o Reino de Deus em todos os lugares!

 5.    Você acha mesmo que consegue segurar o amor de Deus? Você acha mesmo que o evangelismo mundial acabou quando você foi salvo? Você conhece a responsabilidade de levar este amor que lhe alcançou para outras pessoas? Você assim como eu está na escola do discipulado de Jesus! Portanto pergunto: até quando você vai gazear a aula do discipulado prático? Responda hoje o convite do evangelho que te chama a levar e proclamar o amor de Deus para todas as pessoas! 

 

 

2-    Respondemos ao convite do evangelho proclamando o juízo de Cristo! Verso 10-16

1.    Ainda dando as ultimas instruções para o envio dos 70, Jesus fala sobre a hostilidade de alguns ao receberem a mensagem. Será que existem pessoas que podem rejeitar tão grande amor? Sim, infelizmente existe. A mensagem que estes estão levando para a salvação dessa gente é o Reino de Deus! E quando estes o rejeitarem? Jesus orienta os seus missionários a sair pelas ruas e dizer: “até o pó do nosso sapato nós sacudimos contra vocês. Fiquem certo disso: O Reino de Deus ainda está perto de vocês!” Ou seja, a mensagem é a mesma para aqueles que recebem e para aqueles que rejeitam. A aceitação ou não daqueles que ouvem o evangelho não altera o conteúdo da mensagem: o Reino de Deus está próximo! O que tem de diferente então? A forma como essa mensagem vai ministrar ao coração de cada um. Para os que receberam a mensagem do Reino de Deus ela se torna salvação, para aqueles que a rejeitarem é pura condenação. A atitude dessas pessoas ao rejeitar a mensagem dos missionários é rejeitar aquele que os enviou, ou seja, eles estavam rejeitando a própria salvação em Cristo. Rejeitar a mensagem do evangelho é assinar com o seu próprio punho a sua própria condenação! É pegar um passaporte carimbado ao inferno! Cuidado! Rejeitar a mensagem do evangelho é trazer o Reino de Deus para a sua própria condenação.

 2.    Mas porque o evangelho é tão duro assim? Por que Jesus fala de forma tão severa? A partir do verso 12 o próprio Jesus descreve cidades inteiras que experimentaram milagres, sinais e prodígios do Senhor e ainda continuaram impenitentes! Há uma razão para tão grande condenação: A glória de Cristo foi vista pelos olhos daquelas cidades e elas não se arrependeram de seus pecados. Jesus ainda diz que haverá mais tolerância para Sodoma do que para aquela cidade: “Ai de você, Corazim! Ai de você Betsaida! Por que se os milagres que foram realizados entre vocês o fossem em Tiro e, há muito tempo eles teriam se arrependido. E você Cafarnaum: será levada até o céu? Não! Você descerá até o hades”! Os homens têm razões suficientes para ser condenados! Eles são pecadores por natureza Salmo 51; Eles estão mortos em pecados Efésios 2; Eles suprimem a verdade de Deus pela mentira Romanos 1:18; e quando o Senhor lhes mostra a sua Glória operando sinais e milagres eles ainda se encontram impenitentes!

Esta foi a mesma situação de Paulo e Barnabé quando chegaram em Listra em sua primeira viagem missionária. Em Atos 14 Paulo e Barnabé chegam em Listra, uma cidade pagã, e o Senhor por misericórdia opera um milagre. Um paralitico volta andar diante dos olhos daqueles pagãos. Qual seria a atitude correta daquela gente? Se arrepender e crer em Deus! Mas não foi isso que aconteceu. O milagre foi feito por Deus mais eles ainda continuaram com a sua impenitência, não se arrependeram e aumentaram ainda mais o seu paganismo querendo fazer de Paulo e Barnabé um deus. Portanto os milagres devem trazer o homem ao arrependimento, mas eles não se arrependem! 

3.    Esse é o verdadeiro proposito dos milagres e dos sinais: revelar a glória de Deus para trazer arrependimento no coração do homem! As palavras de Jesus são duras, mas são verdadeiras! São um pouco amargas, mas são necessárias! As palavras de Cristo aqui é um santo remédio para as nossas almas. Precisamos hoje assumir de uma vez por todas pregar um evangelho sim que fala de um Deus que nos ama, que é cheio de graça e perdão, mas um evangelho que também nos fala de um Deus justo e irado para com o pecado. Deus não terá misericórdia para aqueles se encontram impenitentes. Na via para a salvação Deus prepara e arquiteta um meio de salvar a mim e a você, mas se não atentarmos para essa mensagem, o juízo do Senhor será inevitável.

Portanto, nós respondemos o convite do evangelho quando proclamamos  o juízo certo de Cristo para aqueles que se encontram impenitente! Por que se não fosse assim, a morte de Cristo seria totalmente em vão.

Eu me lembro de que certa vez estava pregando o evangelho no sertão da Paraíba, numa cidadezinha chamada Santa Helena. Estava com alguns amigos de São Paulo na casa da dona Maria pregando o evangelho, passamos ali algum tempo e ela não mostrou nenhum sinal de arrependimento. Alias, nos tratou e tratou a mensagem com grande hostilidade. Não havendo mais possibilidade de diálogo meu amigo colocou a sua mão no ombro da dona Maria e disse: “Sendo assim, nós não temos mais palavras de consolo para você.” Saímos daquele evangelismo de cabeça erguida e com o coração em pedaços, por que naquele dia ela chamou o juízo de Cristo para si.

 

 4.     Respondemos ao convite do evangelho quando conhecemos a alegria da salvação! Verso 17-20

1.    O verso 17 fala sobre o retorno desses 70 discípulos missionários. Não sabemos quando eles voltaram ou se eles voltaram todos juntos. O que o texto vai nos informar é que eles voltaram cheios de alegria. No original grego “possuídos de grande alegria”. E qual era o motivo? Os demônios se submeteram a eles e eles os expulsaram. Na viagem missionária estes discípulos encontraram muita gente possessa e escrava por demônios. Eles, na autoridade que Jesus lhes tinha concedido expulsaram estes espíritos imundos. Mas há algo singular nesse trecho! Note comigo um fato interessante: nenhum deles relatou uma conversão se quer!  Todos estavam jubilosos pela libertação de muitos que estavam oprimidos pelo demônio, mas nenhum falou ou se alegrou por causa de alguém que se arrependeu! Alias, nem sabemos se houve conversão nessa viagem, o texto não fala! Não fala de nenhum arrependimento ou entrega. Nada! Portanto, eles estavam depositando a sua alegria em coisas não tão importantes. Não tão importantes? Sim, quando comparado a salvação destes indivíduos! A obra da salvação é maior do que a obra da libertação. Enquanto a obra da libertação vai tratar a vida física e social do individuo, a obra da salvação vai tratar com a vida espiritual e o destino eterno.

 2.    Por isso Jesus disse: “Eu vi Satanás caindo do céu como um relâmpago. Sim, eu lhe dei autoridade para pisar sobre serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo. Contudo, alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos no céu!”. E é exatamente nisso que eles devem depositar toda a sua alegria. A nossa alegria não está em ver expulsão de demônios aqui, milagres ali ou acolá. Não! A minha alegria esta em saber que eu mesmo sendo um pobre pecador tive o privilégio, dado por Cristo, de ter meu nome escrito nos céus. Aqui sim está a verdadeira alegria do crente! Não estão nos sinais da obra de Cristo, mas está no próprio Cristo que nos concede toda a salvação! Por isso nós respondemos ao convite do evangelho quando nos alegramos na real e verdadeira alegria: A alegria da salvação de Cristo!

 3.     A alegria e o prazer do crente sempre estiveram ligado com o tema da salvação. Veja o que disse Isaías 12:3 quando estava profetizando o triunfo de Cristo: “ Deus é a minha salvação, sim, o Senhor é a força do meu cântico. Vocês com muita ALEGRIA tiraram água das fontes da salvação!”. Quer outro exemplo? Quando Davi pecou com Bate-Seba e caiu em profundo arrependimento este escreveu no Salmo 51:11-12: Não tire de mim a tua presença e nem tires de mim o teu Santo Espirito, mas devolve-me a ALEGRIA da tua salvação”! A nossa alegria tem um lugar para fazer morada! Este lugar é na salvação em Cristo! Ele é a nossa verdadeira e mais pura alegria.

 

Por ultimo:

4.    Nós respondemos ao convite do evangelho descansando na soberania de Cristo! Verso 21-24

1.    Logo depois de nos revelar onde devemos depositar a nossa alegria, Cristo ora ao Pai e o louva por todo esse processo. A Salvação dada pela obra exclusiva do Pai é motivo de adoração por Jesus. Toda a mensagem do evangelho que eles receberam, creram e foram chamados a pregar não é fabricação humana! Ela é uma revelação divina, que remete a Deus a exclusividade da eficácia sobre os pecadores. Diferente das rodinhas onde alguns descreem, outros zombam e ainda outros a tem como uma mentira, a total soberania de Deus é motivo de louvor para Cristo. Quando este ora ao pai louvando pela salvação daqueles que Ele quer, Cristo pretende ensinar os seus discípulos a descansar na plena soberania de Deus. Ou seja, pregamos o evangelho fielmente e deixamos o resultado para Deus. Ele há de salvar os seus eleitos e isso é motivo de louvor e glória ao Deus-Pai. Ele a torna obscura para aqueles que são “cultos” e “intelectuais”, mas faz da mensagem do evangelho algo claro para aqueles são “pequeninos” e impossibilitados de qualquer coisa!

Nós precisamos responder ao evangelho descansando em sua soberania. Talvez você não entenda, e você também nem precisa entender a soberana vontade do Senhor, mas você precisa aceita-la e fazer dela um lugar de descanso para a sua alma! Foi o mesmo Cristo que disse a seus discípulos “Não fostes vós que me escolhestes, ao contrário, eu escolhi a vós outros (João 15:16) O que ele que dizer com isso? Descanse na minha soberana vontade! Acerca da sua própria morte ele diz: “Vocês não podem tomar a minha vida, sou eu que a dou por vós!(João 10:18).

A eficácia do chamado soberano pertence a Deus e a Deus somente! O evangelho é uma revelação do pai, portanto ao pregarmos o evangelho devemos esperar que o Pai a torne fonte de revelação para os que ouvem. Isso nos dá o que? Descanso! Não vamos se autoflagelar se o nosso discurso não convenceu fulano ou ciclano. Não! Nós não temos esse poder! O que podemos fazer é abrir este livro, pregar este livro, ser fiel a ele na comunicação e pedir ao Pai para que ele salve os pecadores. No mais, a obra da salvação está sob o domínio do agrado de Deus, verso 21. Portanto, nós respondemos ao convite do evangelho descansando na soberana vontade de Deus!

 

Conclusão:

1.  Assim como os discípulos, nós também estamos na escola do discipulado de Cristo. Foi Ele mesmo que nos chamou, nos trouxe para perto, nos instrui e nos enviou a pregar o evangelho. A ordem já foi dada. O convite já foi feito e está sendo feito mais uma vez agora: Responda ao convite do evangelho! Proclame o amor imensurável de Cristo no seu trabalho, na sua família, na sua universidade. Faça o amor de Cristo conhecido para aqueles que ainda não conhecem! Proclame o juízo justo de Cristo! Conheça e proclame o juízo de Cristo. Ele um dia há de julgar todos os homens. Todos os atos, sejam eles grandes ou pequenos, são conhecidos e estão sob o juízo de Cristo. Conheça e faça conhecida a verdadeira alegria da salvação! Tenha prazer em Deus e naquilo que ele te deu de mais importante.  E por ultimo: Descanse nos braços da soberania de Deus. O senhor sabe muito bem o que está fazendo, ele não precisa da nossa opinião ou do nosso palpite!

Preguemos o evangelho e esperemos que Ele revele o evangelho para quem Ele quer! Por ultimo, glorifiquemos ao Senhor por ele ter nos escolhido e aceitado como pecadores. Por Ele ter nos achado na mina chamado pecado, e ter feito de nós pepitas de ouro para a glória do seu nome!

O que o Senhor quer é que eu e você possamos nos matricular de uma vez por todas na escola de discipulado de Cristo e aprender com ele a devida forma de responder ao convite do evangelho que ele nos faz todos os dias!

 

A Bíblia, O Livro dos livros – Salmos 19:7-10 – Tiago Souza

Certo jovem convidou o seu amigo para uma viagem. O carro era pequeno e tinha espaço para poucas coisas. O amigo, para certificar-se que estava levando tudo, pega uma lista e começa a ler: mapa, ok. Uma lâmpada, ok. Uma bússola, ok. Um espelho, ok. Uma espada, ok. Alguns livros de historias, ok alguns livros de poesias, ok.

A essas alturas, o amigo já estava apavorado:

– Mas cara, o carro já está cheio, não vai dar para você levar tudo isso!

– acalme-se, está tudo aqui, e mostrou-lhe a sua bíblia!

Essa é apenas uma ilustração da preciosidade da palavra do Senhor!

Ela é o Livros dos livros:

A bíblia é o livro mais lido, comprovado, citado, estudado, amado, preservado, traduzido e publicado de todos os tempos. Nela encontramos os atributos de Deus, a pecaminosidade do homem, o caminho da salvação, o destino dos pecadores e a felicidade dos crentes. A doutrina que nela encontramos é santa e pura. Seus estatutos são obrigatórios, suas historias são verdadeiras, suas decisões são imutáveis e sua precisão é perfeita. Leia a bíblia para ser sábio, creia para ser salvo e a pratique-a para ser santo.Image

Na bíblia encontramos alimento para a nossa alma, luz para o nosso caminho, e água para a nossa sede. A bíblia é o mapa do viajante, a bussola do peregrino, a espada do soldado e o ouro do mineiro.

Exposição do Salmo 19:7-10

No inicio do Salmo 19, Davi nos fala sobre os maiores missionários da terra. Os astros, os planetas, todo o universo grita aos nossos ouvidos e nos revela a glória de Deus. Nos seis primeiros versos deste salmo Davi se preocupa em fazer Deus majestoso, glorioso e criador de tudo. A partir do verso sete ao verso dez Davi nos chama a participar dessa glória de Deus! Enquanto os seis primeiros versos nos falam sobre a glória da revelação geral de Deus , o versos 7-10 nos chama para a glória da revelação especial de Deus. O cenário muda do mundo de Deus para a palavra de Deus.

Portanto nesses 3 versículos (7-10) Davi nos chama para atentar o quanto a Palavra de Deus é gloriosa, perfeita e sublime.

Cada um dos quatro versos paralelos contém um titulo para palavra de Deus. Cada uma descreve o que sua Palavra é; e cada uma pronuncia o que ela efetivamente cumpre naqueles que a buscam. Para Davi, em todos os versos, a palavra é do Senhor. Ela não é de homem algum. Ela tem origem divina. Ela é do Senhor e isto é bem claro em todos esses três versos.

“A Lei do senhor é perfeita e revigora a alma” Salmo 19:7a

Dr. John MacArthur, um dos maiores expositores bíblicos da atualidade, disse que em seus estudos para expor esse verso gastou algumas horas para achar o real significado do porque a lei do Senhor é perfeita. Em seus estudo descobriu que a lei é perfeita não em contraste com o imperfeito, mas em contraste com o incompleto. Ou seja, ela é perfeita porque é completa! Nada precisa ser acrescentado na lei. Ela por si só tem poder suficiente de alcançar a nossa alma e revigorar a nossa fé. Quantas vezes nos apegamos a esse livro em momentos de crise existencial, de problemas, de aflições e a Lei do Senhor sempre esteve pronta para nos ouvir, para nos instruir e para revigorar a nossa alma.  Assim como a nossa alma se refrigera nos braços do bom pastor do Salmo 23, a nossa alma se revigora na lei do Senhor! O mesmo autor desses versos chega a conclusão no primeiro Salmo 1 ,declarando “que feliz é o homem que  e medita nessa lei de dia e de noite”. De fato a Lei do Senhor é um mar de infinitas bênçãos para aqueles que a buscam!

“Os testemunhos do Senhor são dignos de confiança e tornam sábios os inexperientes” Salmos 19:7b

Os mandamentos eram conhecidos por esse nome (Ex 25:21) e constituem a base de toda a lei do Senhor. Porem toda a escritura é testemunho de Deus para nós de quem Ele é! É nas escrituras que vemos que a palavra do Senhor, de fato, testemunha fielmente sobre a pessoa e a obra do Senhor. Esses testemunhos são dignos de confiança, ou seja, nós devemos depositar toda a nossa fé nas historias, nos preceitos, nas narrativas, nas ordenanças que nela existe! O evangelho, ou o testemunho do Senhor são dignos de confiança e tornam sábios os inexperientes. Certa vez John MacArthur recebeu em seu gabinete pastoral um homem muito aflito. Este relatava que já estava frequentando alguns cultos ali na igreja e resolveu confessar os seus pecados ao Pr. MacArthur. Este homem era médico abortista. Este homem ganhava milhões de dólares com aborto de bebês inocentes. Seu consultório recebia pessoas do mundo inteiro. Quando o casal que ali vinha se consultar e não havia motivos para abortar a criança, esse médico criava um motivo, uma razão para o um aborto. Aquele médico disse também que estava em depressão. Estava no seu quarto casamento e não gostava de viver com a atual mulher. Ele suplicou ao Pr. MacArthur por ajuda. Sua alma estava completamente aterrorizada por anos e anos de pecado. Dr. MacArthur olhando para aquele homem respondeu: “Eu não posso! Eu não posso te ajudar. Eu não tenho poder para resolver seu problema.” Enquanto aquele homem ouvia essas palavras seu coração ficava cada vez mais desesperado. Enquanto aquele homem refletia sobre aquelas duras palavras, o Pr. MacArhur disse: “tome esse livro (a bíblia) e leia o evangelho de João. Semana que vem podemos conversar novamente.” Aquele homem na semana seguinte volta ao gabinete do Pr. MacArthur no este pergunta: “Você leu o que pedi? “Sim, eu li o evangelho de João” , respondeu ele. “E o que você achou?”perguntou MacArthur. “Eu achei Deus! Jesus é Deus. Ele não pode fazer o que ele faz se ele não for Deus! Ele é Deus. E também eu li Romanos e descobri que eu sou pecador por natureza, mas descobri também que Jesus pagou por todos os meu pecados e pela fé posso ser justificado por Deus”

Aquele homem descobriu o poder da mensagem do evangelho! Ele torna sábios os inexperientes!

 

“Os preceitos do Senhor são justos, e dão alegria no coração” Salmo 19: 8a

As determinações, os padrões e os valores da bíblia são justos. Aqui o salmista nos informa que a palavra do Senhor tem o mesmo peso que o seu próprio atributo: Se Deus é justo, a sua palavra deve ser justa! E na palavra do Senhor vamos encontrar mandamentos, ensinamentos que não tem variação no seu caráter ou desproporções para com os desejos de Deus. Ela é reta, ela é justa em tudo diz. Qual santa consequência disso? A justiça da palavra do Senhor trás alegria no coração do homem! O próprio Jesus diz em João 15:11 : “Eu vos falo estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a vossa alegria seja completa!”. É nas palavras do evangelho que encontramos a real alegria da nossa alma, pois é no evangelho que nos aproximamos de Deus e temos a alma recheada de alegria!

 

“Os mandamentos do Senhor são límpidos e trazem luz aos olhos” Salmo 19:8b

Aqui o Salmista se preocupa em trazer para a vida prática dos ouvintes aquilo que é estabelecido na palavra do Senhor. Davi apela para a observação amorosa da palavra de Deus com conformidade com a prática que exige. Os mandamentos, que são muito mais do que 10, são advertências para um viver santo daqueles que buscam á Deus. Diferente de uma ditadura ou algo do tipo, o Senhor estabelece esses mandamentos para o próprio bem dos fieis e os permite que eles se pareçam com o próprio Deus. Foi o mesmo Deus que disse em Lv 20:7: “santo por eu sou santo”! Como posso ser santo se não pratico a palavra? Por isso o Senhor nos impulsiona a praticar os seus mandamentos. Ele quer que sejamos santos e parecidos com Ele. Davi também no fala que estes mandamentos são límpidos! Eles não são obscuros, sujos e nevoados. Eles são límpidos, eles são claros e trazem luz aos olhos. O salmista quer dizer que os mandamentos não nos fazem tropeçar como cegos que só enxergam uma total escuridão. Os mandamentos faz com que possamos ver claramente as coisas como elas realmente são!

 

 

“ O temor do Senhor é puro, e dura para sempre” Salmo 19:9a

O Temor do Senhor nos ensina a ter reverencia para com Ele. Não é possível ter alegria na alma, sabedoria no coração, luz nos olhos se não tivermos temor ao Senhor. Talvez seja essa a razão do salmista colocar este verso como uma das ultimas referencias á palavra do Senhor. Ele quer deixar latente que a Palavra do Senhor nos fala sobre uma reverencia pura e santa. A palavra causa no coração daqueles que a buscam tal temor que o que mais eles desejaram é não pecar contra um Deus que é puro. E este temor dura para sempre, ou seja, teve valor para os dias de Adão, teve valor para dias de Davi e tem valor para os nossos dias! A palavra do Senhor sempre será pura e verdadeira!

“As ordenanças do Senhor são verdadeiras, são todas elas justas” Salmo 19:9b

A palavra “ordenanças” pode estar se referindo aos decretos eternos de Deus como juiz que julga com grande retidão. Ao longo de toda a escritura vemos os decretos do Senhor e seus juízos sobre anjos, demônios, indivíduos e nações. Esses juízos nos revelam o caráter do Senhor e nos mostram o que lhe agrada ou não. Quando digo “agradar a Deus” não estou falando de sentimentos, ou paixões. Deus não se deixa levar por isso! Mas o agrado do Senhor que está alinhado com a sua justiça, o qual é um atributo obvio de Deus santo. Por isso o salmista chega a está conclusão : As ordenanças e os juízos do Senhor são justos! Deus age com justiça na justiça porque Ele é justo!

Conclusão:

A palavra do Senhor é tudo isso: Lei, testemunho, preceito, mandamento, ordenança e juízo. Chegamos então á conclusão, juntamente com Davi, no verso 10: “A palavra do Senhor é mais desejável do que o ouro, do que muito ouro puro; são mais doces do que o mel;  são mais doces do que as gotas do favo!”

Davi diz que a palavra é mais importante do que o ouro! O ouro, em todas as nações e em todos os tempos sempre foi motivo de obsessão.

Portanto, se a Palavra do Senhor é mais valiosa do que o ouro, eu pergunto: você tem obsessão pela palavra do Senhor? Ela já tomou o lugar devido no seu coração? Qual é o valor que você dá a bíblia? Ela tem valor para você?

Davi diz também que ela é mais doce do que o mel!

Portanto, se a palavra é tão doce assim, eu pergunto: Você tem apetite pela palavra? Você deseja ler, entender e  pratica-la no seu dia-dia assim como você se alimenta? Você é tão apaixonado quanto Davi pela palavra ao ponto de meditar nela de dia e de noite? (Salmo1: 2)

Deixe a Palavra do Senhor ser TUDO na sua vida! Ela mesma dá testemunho do seu valor, por isso nós encontramos esses três versos escritos nela!

Tenha a palavra do Senhor como o seu bem mais precioso. Tenha ela como um valor inestimável e como um alimento inesgotável.

abraços

A Justa Justiça do Cordeiro (Apocalipse 16) – Tiago Souza

Introdução: Estamos na passagem mais dolorosa e perturbadora de todo o Apocalipse. Alias, estamos nos últimos momentos e nos últimos segundos da misericórdia de Deus, que vem atuando desde Gn 3. A procura de Deus em resgatar o homem de seu pecado, do qual vemos desde Gn 3, está nos seus últimos momentos que precedem o juízo final. Os flagelos que Deus envia através das taças são a justa justiça de Deus para aqueles que estão debaixo do selo da besta.

Enquanto as trombetas são um anuncio para o arrependimento, as taças são a total cólera de Deus derramada sobre os rebeldes. Enquanto as trombetas são uma advertência, as taças são uma consumação da ira final de Deus. Enquanto as trombetas atingem primeiramente o ambiente onde vive o homem, as taças atingem desde o inicio os homens. Nas trombetas vemos tribulações parciais com o objetivo de trazer arrependimento aos impenitentes. Nas taças vemos que esta oportunidade já se esgotou. Enquanto nas trombetas a ira vinha misturada de misericórdia, nas taças não há mistura alguma a não ser a mistura da justiça de Deus com a sua ira implacável. Quem se recusa a ser admoestado pelas trombetas são ceifados e destruídos pelas taças.

É bom lembrar que este princípio, de Deus em demostrar a sua ira com calamidades desastres e destruições são notoriamente repetidas em toda a escritura ( diluvio, Sodoma, Egito no mar vermelho, Jerusalém, juízo final). Isso nos faz ter a certeza de quanto é perturbador o nosso pecado e a nossa rebeldia para com Deus.

Vers. 1-2 (A terra é atingida pela ira de Deus)

– “Então ouvi uma voz”. A voz de Deus. Ele é o único que tem autoridade para realizar esses eventos catastróficos.

– Os adoradores da besta são atingidos de “feridas malignas e dolorosas”. Aqui Temos a primeira taça derramada exclusivamente e diretamente aquele que causou todo esse transtorno, o homem. O tormento virá sobre as cabeças daqueles que são selados pela besta, portanto, não haverá mais crentes mornos, carnais ou nominais. Ou você é selado por Deus e é livrado dessa ira, ou você é selado pela besta e experimentará o juízo de Deus.

Vers.3 – (O mar é atingido pela ira de Deus)

– A maior fonte de vida do planeta é atingida pela ira de Deus. Aqui vemos a destruição completa e certa do homem. Os oceanos irão coagular como sangue e todos os animais do mar irão morrer. Esse quadro assim como outros, não podem ser levados literalmente. Na verdade o homem já tem visto o mar coagular  (desastres petrolíferos), e se transformar em sangue ( nos últimos cem anos, 4 milhões de pessoas já morreram em tsunamis). Aqui temos um quadro pintado de forma drástica e patética descrevendo eventos que já estamos vendo nos noticiários.

Vers.4-7 (Os rios são atingidos pela ira de Deus)

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– Assim como na praga do Egito, Deus agora toca com a sua ira nos rios do planeta. Os rios também se transformaram em sangue. O homem aqui se torna totalmente vulnerável as condições catastróficas do seu planeta o qual ele tanto prejudicou. As fontes, os rios, os armazenamentos de aguas serão infrutíferos e sem vida. O momento que o homem se vê sem agua para beber, para tomar banho, para limpar as sua feridas malignas que foram derramadas na primeira taça temos a fala  de um anjo exaltando e glorificando o Deus de toda a justiça. Como que numa pausa em um momento tão dolorido e dramático para o homem, se houve um anjo exaltar e dizer: DEUS É JUSTO!

Vers.8-9 (O Sol é atingido pela ira de Deus)

– Os mesmos pecadores que não se arrependeram quando o sol se escureceu são agora punidos pelo Senhor através dos raios solares. No escurecimento do sol eles até podiam ignora-lo quanto ao calor eles não podem fazer nada a não ser senti-lo queimar em sua pele.

– Nesse momento eles reconhecem a presença de Deus e sua justa ira sobre suas cabeças, mas blasfemam e o amaldiçoam com suas bocas.

– Em todas as escrituras vamos ver dois tipos de atitudes para com o sofrimento. Ou o homem usa a sua boca para blasfemar contra Deus, ou ele usa seu joelhos para se dobrar e glorificar a Deus.

– eles não se arrependem. Um sinal do endurecimento de coração causado pela besta e pelo sofrimento.

Vers.10-11 (O trono da besta é atingido pela ira)

– Deus aqui ele derrama a sua ira no trono da besta e no sistema do qual ela governa que fará uma completa desordem no sistema humano e trará ainda mais caos para esse momento tão doloroso da humanidade. O trono da besta é o maior golpe de Satanás e é sobre essa estrutura que Satanás controla toda a sociedade humana. De alguma forma, o homem também é atingido por essa ira trazendo tanta agonia que este começa a morder a própria língua.

– Aqui temos um quadro da depravação total e radical do homem. O homem é mau. Seus ouvidos e sua boca conspiram contra Deus e diante de tanta dor e sofrimento eles ainda blasfemam contra Deus. A língua estará mordida e ferida, mas mesmo assim o homem cria um jeito de blasfemar contra Deus.

– Eles ainda não se arrependem.

Vers.12-16 (O rio Eufrates é atingido pela ira de Deus)

– Os versos 12 nos dizem que a taça é derramada no rio Eufrates. O Eufrates secará e abrirá caminho para a invasão do inimigo. Os poderosos e governantes da terra serão manipulados por sinais e milagres de demônios para lutar contra a igreja e contra o Senhor. O palco dessa batalha é uma planície muito conhecida na bíblia: o Armagedom. Palco de batalhas e livramentos de Deus como no caso de Baraque e os Israelitas (juízes 4:15), o livramento e a vitória de Gideão sobre os midianitas ( Juízes 7) , e foi o lugar da morte do reprovável rei Saul (1 Samuel 31:8).

– Nesse momento, quando a igreja estará rodeada de inimigos , armas e canhões, Cristo aparecerá e trará vitória ao seu povo. De que forma? Livrando-os da completa aniquilação e arrebatando a Igreja gloriosa no ápice da tribulação. A igreja começa e tem origem com grande tribulação (primeiro século) e é arrebatada na grande tribulação (ultimo século).

– “Cristo virá como um ladrão”. Ele virá como um ladrão para nós, a igreja? Não! Nós já estamos esperando o Jesus triunfante. Para nós a sua vinda não será como um ladrão, mas sim como um convidado. Para aqueles que foram marcados com o sinal da besta, sim, Cristo virá como um ladrão. Sua vinda será inesperada para eles, não para nós que já estamos esperando a sua volta triunfal.

Vers.17-21 (O ar é atingido pela ira de Deus)

– O derramamento da sétima e ultima taça remove o tempo e a historia e os substitui pela eternidade. A partir dessa taça o tempo não existe mais. A parir dessa taça a história fecha as suas cortinas e a eternidade agora se apresenta para todos os homens. Enquanto a sexta taça traz a destruição total a sétima taça traz o extinção total de todas as coisas.

-Um grande terremoto não deixou nenhuma montanha de pé. Os altos edifícios agora se resumem ao um monte de pó. Do santuário a voz de Deus é ecoada no universo dizendo “está consumado”. “Está feito”. Já conhecemos esta fala. Já conhecemos estas palavras. “Está consumado”, foi o ultimo brado de Jesus na Cruz quando seus algozes o crucificaram. Ali ,naquele momento de dor e solidão, sentindo em seu corpo todo o cálice da ira divina em propiciação dos pecados dos homens que Cristo reivindica para si uma autoridade de juiz sobre uma causa. No caso da cruz, Cristo bradava “tetelestai” “está consumado”, “está feito”, “eu entrego a minha vida por vos. Vocês não a tomam de mim, mas eu a entrego por vos”. Em apocalipse 16:17 esta fala vem da boca de Deus, o Pai, que brada: “ está consumado”, “está feito”. “Sou eu, o Senhor, quem entrego a vos, a minha ira. Sou eu, o soberano Senhor, que tenho autoridade de fazer o que quero, e o que faço é justo e perfeito”.

– O texto de apocalipse 16 se encerra dizendo que mesmo assim, os homens com seus corações rebeldes e perversos, que experimentaram tanta dor e sofrimento, ainda não cansam de blasfemar contra Deus.

Conclusão

Por que Deus faz isso? Por que Ele se mostra tão vingativo nesses 21 versículos? Por que a suas taças são tão terríveis?

1° Deus não é neutro. Ele deve derramar as taças por que isso é justo. Desde a queda o homem não faz outra coisa a não ser pecar contra um Deus que é puro, justo, perfeito e bom. Deus derrama a sua ira sobre os homens porque não há outro meio mais justo para Deus demonstrar sua santa ira.

2° Deus almeja uma reconciliação.. O juízo de Deus vem acompanhado de oportunidades para o homem se arrepender. Por tanto, além de nos revelar um Deus irado e justo, Apocalipse 16 nos mostra um Deus preocupado coma reconciliação do homem caído.

3° Os homens não se arrependem. Embora as taças sejam acompanhadas de oportunidades para o homem se arrepender, este prefere blasfemar e amaldiçoar a Deus. Seu coração é inclinado para pecar somente.

4° Por que os homens merecem. O homem merece ser julgado por tanta maldade, por tanto pecado cometido. Além de ser pecador, o homem marcado pele besta no capitulo 16 é permanentemente impenitente. Ele não se arrepende, e assim é altamente merecedor da ira divina.

O que nós, a igreja, podemos fazer?

1° certifique-se que você foi marcado e selado pelo Espirito Santo. Certifique-se que você é salvo (Romanos 8:16).

2° Espere de maneira jubilosa a vinda do Senhor. Passamos por tantas lutas, passamos por tantas mini tribulações que às vezes nossa alegria em Cristo é enfraquecida. Lute pela sua alegria em meio ao caos e espere confiadamente com alegria de alma a vinda triunfante do Senhor.

3° Evangeliza e coloque seu coração a disposição das missões. Precisamos evangelizar e anunciar ao homem caído que a ira e o dia do juízo divino estão próximos.

4° Tenha o mesmo espírito de oração do apóstolo João. Com ele ore: “Maranata, ora volta Senhor Jesus (Apc 22:20)

 

O video desse estudo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=QOlcV3OOxyo

A Mensagem do Profeta Malaquias: O Perigo da Frieza Espiritual – Tiago Souza

A Mensagem do Profeta Malaquias: O Perigo da Frieza Espiritual

Certa vez perguntaram a um pregador “qual a diferença entre o pecado dos santos e o pecado dos ímpios”? Ao que o pregador respondeu: há toda diferença. Os pecados dos santos são piores!!!

São piores porque lhes falta muitas vezes a percepção de que isto é uma afronta ao Deus que lhe concedeu toda a graça. É pior porque ao contrario dos ímpios e dos incrédulos os santos experimentam e conheceram o Deus de toda Glória. É diferente porque mesmo sendo salvo, o santo dará conta de suas atitudes e de seus atos para com Deus.

E é exatamente nessas horas que Deus entra com providencia em nossa vida, nos direcionando para não pecar mais, pois os nossos pecados cometidos contra Deus, são piores do que os pecados dos ímpios. Por isso  Devemos ver este livro como um ato de providencia de Deus em exortar o seu povo para que algo pior não venha acontecer.

Pois bem…

Malaquias significa “meu o mensageiro”. Um titulo bem sugestivo para o livro, pois sabemos somente sobre a mensagem e não sobre o mensageiro em si, que foi usado por Deus para escrever o ultimo livro do Antigo Testamento. A mensagem do mensageiro Malaquias vem em um tom de sentença de Deus para o povo rebelde de Israel. A palavra descrita como sentença, no original hebraico tem mais a ideia de peso. E por que o Senhor se dirigiu desta forma ao povo? Ao longo da mensagem de Malaquias pode se observar que o povo, mais uma vez, abandonou o amor a Deus e voltou-se para as praticas pagãs e colocou a adoração a Deus em ultimo plano. Assim, a adoração ao nome do Senhor foi colocada de lado diante da incredulidade e desobediência do povo. Para entender melhor a situação do povo nos dias de Malaquias, por favor, volte comigo um pouquinho antes do livro ser escrito, volte comigo para o ano de 538 A.C.

Em 538 A.C, Ciro publicou um decreto que permitia os judeus voltar a Jerusalém depois de anos de cativeiro e reconstruir o templo para a adoração a Deus. Cerca de 50 mil judeus aceitaram o desafio e voltaram para Jerusalém.  Nesse período Deus levanta Ageu, Esdras e Zacarias para profetizar e encorajar o povo a reconstruir o templo. Alguns anos se passam e Neemias torna-se governador. Neemias passa a observar que já no seu tempo as coisas começaram a ficar um tanto estranhas entre o povo de Deus. O mesmo povo que outrora era estrangeiro, cativo e sofria em terras estranhas e que recebeu favor e misericórdia de Deus , quando a graça divina tocou o coração de Ciro, agora começa a blasfemar ao Senhor em sua própria terra desfrutando das bênçãos do Senhor em sua própria terra. Isso deixa Neemias revoltado ao ponto de tomar algumas medidas drásticas em Jerusalém. É possível que o profeta Malaquias tenha sido chamado nesse tempo de Neemias para expor os pecados do povo, repreende-lo e fazê-lo voltar á adoração ao Senhor. As condições descritas no livro de Neemias são bem semelhantes às condições descritas nas profecias de Malaquias.

Podemos identificar que este tempo foi de grande declínio espiritual, de grande frieza espiritual e de grande cinismo do povo de Deus e por fim, um tempo de grande necessidade de ouvir uma exortação da parte de Deus.

coração de gelo

E que pecados rondavam o coração do povo de Deus?

Ao longo dos meus estudos no livro de Malaquias pude observar 5 pecados gravíssimos contra Deus:

 

1° rejeitaram o amor de Deus e o trataram de forma cínica e arrogante (1:2-5)

Não é atoa que Malaquias identifica este pecado como o primeiro dentre muitos. A rejeição ao amor de Deus vai desencadear outros tipos de pecados que vai dilacerar a alma e fazê-la cada vez mais cega e surda para ter uma percepção clara do amor de Deus. Quanto mais você rejeita o amor de Deus, mais difícil será você não rejeitá-lo, pois menos perceptível você será para ouvi-lo. É quase idêntico a aquela lei da física do radio ligado. Quanto mais eu me distancio do radio, menos eu poderei ouvi-lo. Assim a rejeição ao amor, a rejeição ao dar a devida resposta ao amor divino provavelmente é a mãe de todos os pecados.

E como isso penetra no coração e na mente do homem?

Quando o nosso coração tem amores rivais. Quando o nosso coração tem outros amantes. E qual era o amor rival do coração do povo de Deus? Provavelmente o seu bem-estar! O povo de Deus viveu o seu “american dream” quando voltaram da babilônias cem anos antes. O “sonho americano” do povo de Deus estava começando a se realizar, eles estavam voltando pra casa, a esperança de uma vida prospera e tranquila estava tomando um lugar no coração deles que não deveria tomar. Observe comigo que a adoração devida ao nome do Senhor e a devida resposta ao amor de Deus não era mais o centro da vida do povo. E isto aconteceu por que outras coisas tomaram o lugar no centro da vida de Israel naquele momento. E tudo me leva a pensar que a prosperidade, a esperança de uma vida bacana, o sonho de uma vida feliz e tranqüila longe do cativeiro tomou o lugar de Deus. E este é o perigo da prosperidade, este é o perigo quando Deus nos abençoa, quando a benção toma o lugar de Deus na nossa  vida e se torna um amor rival.  Deixe de lado os amores rivais. Volte-se para Deus, o mesmo Deus que amou o povo, como descrito nos primeiros versos do livro é o mesmo Deus que te ajuda que te ama e lhe faz abandonar estes amores rivais.

 

 

2° recusaram dar a Deus a devida honra ( 1:6-2:9)

Ora se o povo deixou de lado a resposta devida ao amor de Deus, isso os levou também a rejeitar a devida honra a Deus. Uma vez que eu rejeito o amor de Deus no meu coração, internamente, eu tenho que colocar isto para fora. Eu tenho que me expressar de alguma maneira. A expressão da desonra do povo de Deus estava no fato de oferecer sacrifícios imperfeitos a Deus. O chefe de família deveria pegar o seu próprio novilho e levar ao sacerdote para que este pudesse oferecer em holocausto para a adoração ao Senhor. No passar dos anos eles negligenciaram essa prática ao oferecer novilhos doentes, cegos e coxos. Sua atitude para com Deus era refletida na adoração que eles davam ao Senhor, ou seja, sua adoração estava doente! A vida com Deus para o povo virou rotina. Virou um verdadeiro tédio. Uma obrigação religiosa e nada mais. A adoração virou uma atitude sem paixão. Esse tipo de cristianismo é sem cor. Sem aventura. Sem sorrisos. A primeira atitude de homem que tem seu coração tapado para o amor de Deus é desonrá-lo na adoração. Quando o esfriamento penetra no coração pode ter certeza que isto terá ações exteriores e visíveis. A falta de zelo na adoração do povo era visível, ninguém compra de um cambista um novilho cego e machucado de forma invisível. A adoração seja ela falsa ou verdadeira é visível por todos. Dificilmente alguém seco, frio consegue se passar por um homem espiritual. Pode rodopiar, pular, marchar e até subir ao púlpito para pregar. Se o coração for uma pedra de gelo, uma sala vazia provavelmente todos saberão disso!

 

3° desprezarão a fidelidade de Deus (2:10-16)

O vers. 11 do cap. 2 diz “uma coisa repugnante foi cometida em Israel e Jerusalém, Judá desonrou o santuário de Deus”. Enquanto o Salmista cantava no salmo 84 “como é agradável o lugar da tua habitação, a minha alma anela e até desfalece pelos seus átrios”, o povo de Israel pós-exílio babilônico cantava “como é desprezível estar nos átrios do Senhor”!

O profeta chega a uma conclusão obvia: Que coisa repugnante! Quando um crente quebra as alianças com Deus e volta o seu coração para a prática do pecado, o que será das alianças feitas com outros irmãos? O que será da aliança feita com a sua esposa, ou seu esposo, se as alianças feitas com Deus foram quebradas? O que pode sustentar a aliança de um matrimônio, quando as alianças com o Amado foram quebradas? Que coisa repugnante é quebrar a aliança com Deus. A infidelidade com Deus causa no coração do povo, uma ferida que se não for tratada será a causa de outras infidelidades. Provavelmente essa é a causa do que Paulo fala em Efésios 5:1 “sejam imitadores de Deus”. Deus não quebra as suas alianças. Deus é fiel as suas alianças, por isso ao imita-lo, o homem permanece fiel as suas alianças, pois Deus é fiel as alianças Dele. Quebrar as alianças com Deus trará conseqüências na sua vida diária. Se você for solteiro, a infidelidade ao Senhor será um beijo convidativo a outros tipos de pecados sexuais inclusive pecados de ordem moral. Para os casados a infidelidade a Deus é a causa principal do divorcio. Só no Brasil mais de 45,6% dos casamentos chegam ao fim. Só no ano 2011, 350 mil casais quebraram as suas alianças matrimoniais. Pergunto: qual a causa disso? O povo anda distante de Deus. Cresce o numero de evangélicos, mas são evangélicos que não permanecem fieis a sua aliança com Deus. E isto terá consequências sociais gravíssimas tais como o divorcio. Isso é tudo é conseqüência direta do afastamento de Deus e sua infidelidade para com ele.

 

4° Chegaram ao cumulo de redefinir a justiça de Deus (2:17)

A cegueira espiritual do povo era tamanha que eles pediam justiça a Deus, pois estavam cegos e não percebiam que a própria justiça de Deus estava atuando na comunidade para quebrantar os seus corações. Deus conhece o nosso coração, conhece nossas intenções, ele esquadrinha a nossa alma, pedir justiça á ele pode ser algo arriscado. Pede-se justiça ao Senhor em dois casos, e os dois casos identificam exatamente como está o nosso coração: 1° pedimos justiça a Deus por que estamos preocupados com o seu Nome e sua reputação entre as nações. Pedimos justiça a Deus porque estamos preocupados com o nosso nome e a nossa reputação. Se algo foge do nosso controle, como fugiu do povo de Israel quando o povo começou a passar por uma instabilidade financeira, apelamos para a justiça de Deus. Mas a grande pergunta é? Você está pronto pra Ele fazer justiça em sua vida? Você tem mesmo coragem de pedir a Deus que derrame sobre a sua vida o que é justo sobre você? Era justo o povo pedir justiça? Deus estava usando de misericórdia para com o povo, mas eles, de forma cega e inconsequente, estavam pedindo a ira de Deus sobre suas próprias cabeças e não sabiam.

 

5° Estavam roubando de Deus (3:7-12)

Quando vemos o povo dialogar com Deus podemos até pensar que eles eram “santinhos”. Questionaram, colocaram em descredito a palavra do Senhor, reivindicando sua justiça. Ao analisar o texto de Malaquias cap. 3 temos um retrato de como estava as atitudes morais e éticas do povo: Estavam roubando de Deus em seus dízimos e ofertas!

Pense comigo por instante. O dizimo e as ofertas eram necessários para a manutenção de teocracia, usados para sustentar os levitas, realizar as festas nacionais e religiosas e atender as necessidades dos pobres. Quando Malaquias da a exortação sobre o roubo dos dízimos e ofertas, o profeta está lembrando-os que ao fazer isso o povo estava roubando de sí-mesmo também. Este é o ponto chave para os dízimos e ofertas. Damos a Deus o que lhe é de direito, mas somos nós mesmos que somos beneficiados com isso! Ao roubar de Deus o povo estava pecando contra si mesmo, uma terrível consequência da cegueira espiritual que estava instaurada no meio do povo.

Que desastre o povo se encontra. É lastimável ver a condição humana quando este se encontra distante de Deus. Podemos pintar um quadro que retrata a condição que o povo se encontrava. O povo se encontrava cego, surdo, sujo podre. De suas bocas só saiam palavras arrogantes, cínicas e com tom de ironia.

 

Conclusão

Para concluir quero leva-los a conhecer um pouco mais do nosso Deus misericordioso. O Deus que se revela com misericórdia abundante, que se revela com uma graça poderosa que se rebaixa e nos socorre!

 

Para dar uma resposta definitiva e final ao povo corrupto. Deus promete:

O seu mensageiro da aliança, o Santo remédio para os corações vacilantes (3-4)

Aqui está umas das mais claras referencias da vinda de Cristo no antigo Testamento. O mensageiro da Aliança, ou o “Anjo da Aliança” como algumas traduções interpretam esse texto, fala exclusivamente da vinda de Jesus Cristo a terra. É autoexplicativa a narrativa de Malaquias porque que o anjo da aliança virá: O pecado estava instaurado no coração do povo! Deus não pode ser neutro nessas horas. Deus não age como o povo! Ele não está cego. Ele não está surdo. Ele não está aparte do que está acontecendo com o seu povo. Ele deve agir com justiça. O peso da sua palavra deve ser também vista em ações, pois um dos seus atributos é JUSTIÇA e JUSTIÇA PLENA.  Entender a justa condenação dos homens é entender a gravidade do pecado para com Deus. Deus não é brasileiro. Ele não trabalha com jeitinhos, ele não trabalha com favoritismo. Ele trabalha com JUSTIÇA!

E é com essa justa justiça que Malaquias descreve o anjo da Aliança. Ele virá para purificar os pecados do povo.

Cristo é retratado como dois agentes de purificação: O fogo  que queima a escória, a escória do pecado e o sabão que lava toda a iniquidade. Todos os homens devem passar por esta limpeza. Todo homem deve passar pelo crivo da justiça do Mensageiro da Aliança.

Hoje 2.400 anos depois das profecias de Malaquias, sabemos que o Mensageiro da Aliança já veio, nasceu, cresceu. Nunca cometeu um pecado. Como uma garça andou em meio á lama e nunca sujou as suas vestes brancas. Comeu com pecadores. Andou com prostitutas. Visitava publicanos. Sua vida foi envolvida de alegria. De beleza e ternura. Sua morte foi envolvida de terror, angustia e solidão.

Toda a vida de Cristo, tanto a sua morte quanto a sua vida foi em prol da profecia de Malaquias: A purificação dos pecados daqueles que são seus.

Os seus muitas vezes se encontram distantes, caídos, desanimados e em completo estado de escória. Mas aqueles que são seus jamais passaram despercebidos pelo fogo que queima, pelo sabão que lava. A palavra para o povo de Israel era uma palavra de Peso. E por que ela vem com este peso? Por que nós somos seus! Ela vem com peso em nossas vidas para nos fazer refletir o real estado do nosso coração.

Mas este é o Deus que nos ama. Sua palavra tem peso sim, mas no final ela nos faz tão leve como uma pena levada pelo vento. Se Deus tratou dessa forma com Israel e trata da mesma forma com nós é porque ele os amava. Ele quer lavar você com o seu santo sabão e queimar toda a escória do pecado para a glória do seu Santo Nome.

Para terminar:

A última palavra, da ultima frase do ultimo livro do Antigo Testamento: MALDIÇÃO.

E esta é a condição que se encontra aqueles que rejeitarem passar pela purificação do Mensageiro da Aliança.

Termino meu estudo perguntando: Você esta sobre benção ou maldição? Você esta sendo fiel ou infiel a Deus? Você passou pelo fogo que queima toda a escória da iniquidade? Você teve seus pecados lavados pelo sabão do Senhor? A resposta dessa pergunta você não pode dar em palavras, assim como o povo também não pode. Você deve responder a essas perguntas na prática da adoração ao Senhor.

Que o Senhor nos abençoe.

 

Por Tiago Souza

 

Bibliografia:

Wiersbe, Warren W. Comentário Expositivo: Novo Testamento: volume II- Santo André, SP: 2006

Merril Eugene. Teologia do Antigo Testamento – São Paulo,SP: Shedd Publicações

Predestinação, Uma ação de Deus que nos leva a Glorificar o Seu Nome – Tiago H. Souza

Predestinação, Uma ação de Deus que nos leva a Glorificar o Seu Nome.

  Uma breve análise de Romanos 9 – 11.

 

Definições:

 Predestinação: Predestinar é determinar previamente o destino. A palavra proorizõ significa “marcar com antecedência”. Biblicamente esta limitada ao povo eleito e assegura sua posição presente e futura.

Eleição: A eleição enfatiza a livre escolha de indivíduos para a salvação. Quando Paulo usa o verbo no original, ele o faz o na voz média, indicando que a escolha de Deus feita livremente é para seus próprios propósitos.

Introdução

Ao observar o livro de Romanos rapidamente nos apaixonamos por ele. Suas colocações sobre o pecado, o homem e a intervenção divina são colocadas de uma forma tão maravilhosa que temos a impressão de que estamos sentados em uma sala de aula enquanto Paulo nos da aquela saborosa aula de sistemática.

Paulo nos apresenta temas como:

– O Evangelho como justiça (1.1-17)

– Ira sobre todo o que peca (1.18-3.20)

– A justiça salvífica de Deus para todo o que crê (3.21-4.25)

– A vida dos justificados mediante a fé (5.1-8.39)

– Deus decide quem integra seu povo (9.1-11.36)

– As implicações do evangelho para a igreja de Roma (12.1-15.13).

É no livro de Romanos que esta, provavelmente, o mais forte texto sobre predestinação e soberania de Deus de toda a bíblia. O texto se encontra entre os versos 9.1 ao 11.36 e tem feito muitos teólogos a gastarem horas e horas no estudo dessa passagem que, admito, não é fácil sua interpretação.

Predestinação tem causado rixas, rachas e discussões há séculos. Talvez nenhum outro tema dentro da linha protestante é tão discutido quanto a predestinação. Dentro de seminários e conferencias que participei esse é o assunto mais assíduo e comentado dentre os estudantes e professores. Mas, embora o assunto seja controverso, podemos descartá-lo e considerá-lo não bíblico? Será que podemos arrancar a expressão da nossa bíblia ou trocá-la por outra menos conflitante? Com toda certeza não. Pois foi através da predestinação que Deus conduziu o seu povo para adoração.

 

 

A exposição de Paulo sobre a soberania de Deus em Rejeitar Israel (9:1-5)

 

O que estava acontecendo com Israel?

 

– Paulo derrama sua alma nesses primeiros versículos, ele sabe do peso em tratar esse assunto com os romanos acerca de seu próprio povo (judeus).

– Ele absorveu o espírito de auto-sacrificio de seu Senhor, mas sabia que nada poderia lhe separar do amor de Cristo. Por isso ele usa uma expressão hipotética de que ele preferia ser considerado “anátema” , algo impossível para aqueles que de fato estão em Cristo.

– Ele lista 9 itens exclusivos de Israel para lembrar o tanto que Deus se manifestou entre eles:

1- são israelita

2– sua é a adoção

3– a glória

4– as alianças

5– a legislação

6– o culto

7– as promessas

8 – seus são os pais (Abraão, Isaque e Jacó)

9– procede deles a natureza humana de Cristo.

– O que Paulo fala nesses versículos é: “entristece-me profundamente saber, que Deus ricamente os abençoou com inúmeras vantagens, e ainda vocês, oh Israel, tem fracassado em corresponder a Ele.”

– Como essa reação negativa pode ser explicada? O que será do povo de Deus? Deus rejeitou totalmente a Israel?

  

 

  O Israel dentro do Israel 9:6-13

– Paulo agora começa a tratar mais afundo sobre a soberana escolha de Deus dentro da nação. É de suma importância para Paulo destacar a soberania de Deus e a infidelidade do povo como causa de sua rejeição.

– Ele começa sua argumentação no vers.6 dizendo que “nem todos de Israel são, de fato, Israelitas.” Aqui Paulo vai ao âmago do assunto. Ele não faz rodeios para amenizar a mensagem. Ele abriu o assunto destacando a identidade e linhagem espiritual de Abraão.

– Os Filhos da carne de Abraão (sua linhagem sanguínea) obviamente têm Abraão como ancestral, mas não como pai, pois Abraão só pode ser pai daqueles que são seus filhos na promessa e o texto diz que nem todoso são.

– Começando com o primeiro filho da promessa, Isaque, Paulo traça o primeiro herdeiro da promessa da salvação e, obviamente ao fazer isso, denota a rejeição de Ismael.

– Da mesma forma, Paulo acentua a escolha de Deus a Jacó e a rejeição a Esaú expondo que a eleição é dada para aqueles que foram predestinados para a promessa excluindo assim toda possibilidade dessa escolha divina estar focada nas obras, pois o texto enfatiza que os meninos não eram nascidos e nem tinham ainda praticado o mal.

– A idéia aqui é expor a soberana escolha de Deus na eleição antes mesmo da vida humana cometer algum delito. Isso nos leva a uma conclusão lógica que não podemos ser eleitos pela obediência ou reprovados por nossa impiedade já que, por exemplo, postura ímpia em Jacó não faltou, mas somos eleitos para a obediência.

Segue uma ilustração da idéia de Paulo:Ilustração da ideia de Paulo

A liberdade de Deus em Sua escolha (9:14-23)

 

– Conta-se que ao ser indagado pela doutrina da eleição, Martinho Lutero simplesmente respondeu: Deixe Deus ser Deus! É exatamente isso que os versículos 14 ao 23 está falando. A livre escolha de Deus não O rebaixa, ou O faz injusto. A livre escolha de Deus na eleição de indivíduos revela a sua natureza: Ele é Deus. Ele faz o que quer, quando quer e com quem deseja. Ele é a única pessoa livre para isso.  A.W. Tozer falando sobre a Soberania de Deus diz: “ a soberania de Deus exige que Ele seja totalmente livre para fazer aquilo que lhe apraz em qualquer lugar ou qualquer tempo e desempenhar o Seu propósito eterno em cada detalhe, sem a mínima interferência. Se fosse menos que livre seria menos que soberano.”

–  Deus revela seu poder na eleição dizendo:  “Terei misericórdia de quem Eu quiser ter misericórdia”. Essa afirmação destaca a autoridade de sua vontade. Essa autoridade humilha os homens, fere seu orgulho e o faz reconhecer que a salvação provem unicamente da parte de Deus mediante a sua soberana vontade.

– Deus não é injusto, pois ele não fere os direitos do homem. Uma vez que todos os homens estavam condenados  e mereciam ao inferno (Romanos 3:23) , inclusive os eleitos, não há injustiça de Deus em eleger alguns para a salvação. A eleição esta no âmbito da glorificação de Deus. O individuo eleito é somente um sujeito beneficiado de uma ação que vem de Deus para o próprio Deus. Somos eleitos para adorar aquele que nos elegeu.

– Ele não só elege quem o quer, mas também endurece o coração daqueles do qual não foram eleitos, para que de toda maneira não venham a conhecê-lo. Essa ação de Deus mostra ainda mais a incapacidade do homem (não eleito) de chegar a salvação por méritos próprios quando este se encontra fora da vontade  para a eleição e agora ainda mais com o coração endurecido pelo próprio Deus.

– Paulo também ressalta o pequinês do homem quando este questiona a Deus por suas escolhas. E para mostrar o quão débil o homem é em discutir a eleição com Deus, Paulo apela na comparação do homem (criatura) com o próprio Deus (criador).

– Os vers. 22 e 23 nos expõe a ira de Deus na condenação dos não eleitos em contraste com sua misericórdia na eleição. Ao fazer isso, Paulo chega a conclusão que a graça pode ser manifestada, visível e anunciada quando Deus a derrama em homens que outrora estava condenado a perdição. Ao agraciar o homem com a eleição Deus é glorificado, pois parte Dele o desejo de salvar os homens. Glórias a Deus por isso!

 

 

Deus chama um novo povo! (9:24-29)

 

– Ainda que gramaticalmente os vers. 24 esteja ligado ao 22 e 23, Paulo retorna ao tema da seção: O chamado soberano de Deus!

– Paulo usa as profecias de Oseías e Isaías para defender seus argumentos dos versículos anteriores e preparar os leitores para sua próxima explanação.

– A salvação dos gentios no vers.24 esta ligado com a demonstração de Deus em dar a conhecer a homens a riqueza de sua glória, a salvação.

– Ao demonstrar essa salvação a gentios, Deus mostra que Ele tem um “povo fora do povo”, ou seja, Ele tem seus eleitos fora da nação de Israel.

– Ao revelar sua salvação fora dos limites étnicos de Israel, Deus demonstra com as palavras proféticas de Isaias que somente o remanescente da nação de Israel é que será salvo.

 

 

Justificação pela fé, uma centralidade para a Glória de Deus (9:30-10:21)

 

– Paulo agora apresenta argumentos sobre o estado corrompido de Israel que é a causa (dentro do chamado soberano de Deus) para a inclusão de gentios na linhagem espiritual de Abraão.

– A causa da inclusão de gentios é somente uma: A justificação pela fé!

– A justificação pela fé também é a causa da rejeição de Israel, pois os judeus se tornaram culpados ao tentar acertar seus relacionamentos e situação com Deus com base nas obras, fundamentando a sua esperança de salvação unicamente na lei, do qual eles não conseguiam cumprir.

– Logo, os filhos da promessa são feitos mediante a justificação pela fé, abrindo assim a possibilidade dos gentios se tornarem filhos de Abraão.

 

O Paradoxo da Salvação (9:6-29 – 10:9-13)

– A incredulidade da maioria dos contemporâneos judeus de Paulo se deve tanto a aleição soberana de Deus (9:6-29) quanto a sua recusa em crerem Cristo. Aeleição divina incondicional e a responsabilidade humana se encontram lado a lado, e não se deve de maneira nenhuma, admitir que uma elimine a outra. J.I Parker em seu livro “A evangelização e a Soberania de Deus” aponta esse paradoxo como um “antinômio”, duas verdades que aparentemente são contraditórias, mas que em um plano eterno se encaixam perfeitamente. Uma ilustração usada para isso é as duas linhas do trilho do trem que andam separados uma da outra mas no horizonte distante  aparentam se encontrar e uma linha só.

 

Israel é indesculpável diante de Deus (10:16-21)

 – Paulo nessa seção usa as palavras de Moisés e Isaias para lembrá-los de um fato: Israel já ouvira sobre as promessas de Deus em incluir os gentios como seu povo. E conclui a seção lembrando que Israel (nação) tem tido revelações de Deus, mas este por sua vez se tornou um povo rebelde e contradizente.

 

O Remanescente de Israel (11:1-10)

 – Paulo ressalta que embora muitos da nação de Israel ficaram com um coração endurecido e rebelde contra Deus, há ainda um remanescente dentro da nação (os filhos da promessa) do qual o próprio Paulo faz parte como um eleito.

– Ao manter firme o remascente fiel (que foram também justificados pela fé) Deus cala a boca da nação os impossibilitando de dizer que Deus os abandonou.

– Paulo faz menção as palavras de Isaias comparando o remanescente com os 7 mil homens que não se corromperam a idolatria(1 Reis 19:18). Essa argumentação afirma ainda mais a soberana escolha de Deus em preservar um remanescente em toda a historia de Israel, colocando em descrédito a idéia de que a nação inteira pudesse ser salva por serem tão somente descendentes de Abraão.

 

O Ramos Enxertados 11:11-24

– Nessa seção Paulo aborda a salvação e permanência dos gentios na eleição. Para Paulo os gentios fazem parte de um plano perfeito de Deus onde Israel se torna culpado por rejeitar a Deus concedendo assim salvação para todos os povos.

– Paulo chama os gentios de ramos enxertados, ou seja, eles foram chamados em segundo estante, mediante a rejeição de Israel para ser colocados também como filhos da promessa feita a Abraão.

– Paulo expõe a glória da salvação dos gentios com base na reconciliação deixada pela rejeição de Israel. De fato, se Israel foi instrumento de Deus para reconciliação do mundo, maior ainda será a salvação dos gentios “trazendo vida dentro os mortos”(11:15).

– Paulo admoesta os gentios trazendo luz a rejeição dos ramos naturais (Israel). Paulo quer com isso exortar os gentios e desafiá-los a ficar firmes em seu chamado, lembrando sempre que Deus não poupou os ramos naturais e nem irá poupá-los caso se rebelem contra Deus. Caso isso acontecesse provaria para o próprio rebelado que ele próprio não foi chamado à eleição.

 

O que será da nação de Israel? (11:25:32)

– Os versículos 25 e 26 do cap.11 é uma das passagens mais difíceis de interpretação de toda a seção. Até aqui, Paulo menciona: a escolha soberana de Deus, a rejeição de Israel, a culpa da nação em se rebelar contra Deus e os ramos enxertados na linhagem da promessa.

Agora Paulo volta sua atenção para os propósitos de Deus em relação a salvação de Israel, salvação essa prometida no vers. 26.

– Vários teólogos tem tido sua visão acerca do texto, vejamos duas dessas interpretações:

1João Calvino no seu “Comentário do Livro de Romanos” entende que o “todo Israel” é a soma dos salvos da antiga aliança (remanescentes) com os ramos enxertados (gentios eleitos) destacando assim todo o povo de Deus.

2John Stott no seu comentário “A Mensagem do Livro de Romanos” defende Israel como a nação étnica somente, entendendo que Deus um dia voltará a salvar a nação por meio de alguns representantes eleitos.

 

Minha consideração acerca da passagem:

– Paulo afirma que se Deus pode escolher de forma soberana, e, surpreendente, um grande numero de gentios para integrar seu povo, ele também pode reverter posteriormente essa situação e voltar a escolher um grande numero de judeus. Portanto o “todo Israel” pode estar ligado com certo numero de representantes de todo o povo. Concordo nesse ponto com John Stott quando diz: “… por todo o livro de Romanos, no entanto, “Israel” significa o Israel étnico ou nacional, em contraposição as nações gentílicas. E é este obviamente o significado no versículo 25. Portanto a palavra dificilmente poderia assumir um significado diferente logo no versículo seguinte.

– É exegeticamente impossível dar a Israel neste versículo qualquer outra conotação senão aquela que vem sendo conferida ao termo no decorrer de todo o capítulo. Seria muito confuso para igreja de Roma interpretar a carta de Paulo, quando este muda o significado das palavras de um versículo par outro. Então concluímos que para Paulo o “todo Israel” esta se referindo a nação de Israel por meio de seus representantes que serão eleitos. Provavelmente um grande número de judeus que se converteram assumindo o papel dos remanescentes do vers. 5.

 

Os Propósitos Soberanos de Deus (11:33-36)

Paulo conclui sua análise do passado, presente e futuro de Israel com um hino de louvor a Deus, cujos caminhos estão além do seu entendimento. Ao encerrar com a glorificação a Deus por seu rico conhecimento e graça, Paulo deixa transparecer que nem ele mesmo entendia todos os propósitos de Deus.

– Paulo exalta a pessoa de Deus como Aquele que controla todas as coisas segundo a sua boa vontade.

– A sabedoria e o conhecimento de Deus referem-se particumente a revelação de seus propósitos em Cristo, autor e consumador da fé de todos que são salvos.

– O propósito revelado na pessoa de Cristo da a Paulo a certeza da perfeita demonstração de amor de Deus em relação aos seus eleitos. Foi a glorificação de Deus por meio da morte de Cristo que concede salvação aos homens, sendo o próprio Paulo um deles.

– Assim Paulo conclui que Deus é a fonte (pois Dele), o sustentador (por Ele) e o objetivo (para Ele) de tudo.

–  Com esse hino de glorificação a Deus, Paulo nos ensina a descansar e confiar em Deus e em seus eternos propósitos. A predestinação e a pré-ordenação de Deus fazem com que nada fuja de seu total controle.

– Assim, caí por terra também a idéia proposta pelo Teísmo Aberto, a crença em um deus auto-limitado e não onisciente que abriu mão de sua soberania para se relacionar com os homens. Os propagadores do Teísmo Aberto (Clark Pinnock, Richard Rice, John Sanders, Willian Hasker, David Basinger e atualmente no Brasil Ricardo Gondin) tenta demonstrar pela primeira vez historia do cristianismo um argumento “racional” fundamentando no sentido que o Deus da bíblia está conosco no tempo e não conhece o futuro em detalhe absoluto. Diante do texto de Romanos 9-11 é visível que o Teísmo Aberto é mais um emaranhado de pensamento humano para adequar os eventos do mundo dentro de uma perspectiva mais confortável e menos conflitante entre o homem e um “deus bonzinho”.

– Para Paulo a seção do cap.9-11 é indubitavelmente os capítulos da soberania de Deus, onde Ele controla tudo e a todos do qual ninguém, nem judeus ou gentios, se quer podem fugir de sua soberana escolha. Para Paulo, Deus é quem manda, Deus é sua própria lei. E é ele quem dita às regras jogo.

– Diante de tal revelação e diante de um Deus Sábio, Poderoso e Soberano na salvação a nossa resposta só pode ser uma “A Ele a Glória para sempre Amem”. (11:36)

 

 

Considerações finais:

– É notável que o Deus da bíblia é diferente do deu da cristandade moderna! O conceito de deidade que predomina hoje em dia, mesmo entre os que professam crer nas escrituras, é uma deplorável caricatura, uma burlesca imitação da verdade. O deus que é pregado nos púlpitos  do século XXI é um ser enfraquecido e incapaz, que não infunde respeito a qualquer pessoa que realmente pensa.

Diferente dessa percepção errônea da deidade, o Calvinismo ( que para mim é o próprio evangelho) trata o ser de Deus como Ele deve ser. A soberania de Deus destacada no Calvinismo é absoluta, infinita e irresistível. Quando o Calvinismo diz que Deus é de fato soberano ele assevera o Seu direito de governar o universo, criado para a sua própria Glória. O Calvinismo afirma que o direito de Deus é semelhante ao direito do oleiro sobre o barro, ou seja, moldá-lo em qualquer forma que deseje, produzindo, da mesma forma, uma vaso para honra e outro para desonra.

A soberania de Deus na perspectiva calvinista caracteriza todo o ser de Deus, não esquecendo nenhum de seus atributos. Ele é soberano em todos os seus atributos e em toda a historia.

 

Tiago H. Souza 03/03/2012

 

Livros Consultados:

Stott, John. A Mensagem do livro de Romanos. São Paulo: ABU, 2009.

Hendriksen,Willian. Comentário do Novo Testamento: Romanos. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.

Bruce, F.F. Introdução e Comentário do livro de Romanos. São Paulo: Vida Nova.

Magalhões, Francisco Mario Lima. O Sentido de “Todo Israel” em Romanos 11:26 Segundo Calvino. Fides Reformata XI N°2, 2006

Thielman, Frank. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Shedd Publicações, 2007.

Tozer, A. W. Mais Perto de Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 1980.

William Hendriksen – Lucas 16-17

“A lei e os profetas foram proclamados até João. Desde esse tempo o evangelho do reino de Deus está sendo pregado, e todos se esforçam vigorosamente por entrar nele.” Lucas 16:16

Willian Hendriksen (1900 - 1082)

Os fariseus pareciam esposar a opinião de que poderiam entrar no reino de Deus esquivando-se da lei de Deus. Os exemplos mais notórios disso se encontram em Mateus 15.1-9; 23.16-26. Mas o que é necessário é que os homens vigorosamente avancem para o reino e isso é exatamente o que desde os dias de João Batista os homens corajosos estiveram fazendo. A entrada no reino demanda renúncia genuína, esforço fervoroso, energia incansável, esforço máximo.

Qual é o significado da afirmação de que isso vem ocorrendo desde os dias de João Batista? Antes desse tempo Deus se revelara na lei e nos profetas, isto é, no que agora chamamos o Antigo Testamento. Essa revelação era ppeparatória. Com João Batista chegou a nova dispensação, a do cumprimento, como é evidente à luz do fato de que João apontou para Cristo que estava realmente presente (Jo 1.29, 36). Portanto, com João chegou uma nova etapa na história do reino de Deus (cf. Mc 1.14; At 1.22; 10.37) e se passou a proclamar o evangelho do reino de Deus nos corações e nas vidas por meio de mensagens e sinais confirmativos. Quem quiser pertencer a essa esfera de luz e amor terá de entrar nesse reino do modo indicado, isto é, entrando vigorosamente nele. Não existe outro modo. E não era também exatamente isso o que Jesus dissera antes, usando palavras diferentes, a saber: “esforcem-se por entrar pela porta estreita” (13.24)? Naturalmente que força para fazer isso vem de Deus, mas isso não elimina o fator da responsabilidade humana (Fp 2.12, 13).

Confrontando o método farisaico de evadir-se da lei, Jesus agora declara: 17. É mais fácil que o céu e a terra desapareçam do que que o menor sinal de uma letra da lei perca seu vigor.

Apesar das tentativas farisaicas de esquivar-se e evadir-se da lei moral (cf. v. 18), ela retém seu vigor. Seria mais fácil que o céu e a terra deixassem de existir do que um pequeno sinal de uma letra da lei perder sua autoridade.

O Antigo Testamento foi escrito originalmente em caracteres hebraicos. A “curvatura” ou keraia é uma projeção muito pequena que distingue um caracter hebraico do outro. Assim a segunda letra do alfabeto hebraico, chamada bet, que corresponde a “b” em nosso idioma, tem uma pequena extensão na quina inferior do lado direito, para distingui-la da letra kaf, que por sua vez corresponde à nossa letra “k”. No presente contexto, o significado então é este, que nem mesmo no aspecto mínimo a lei moral poderá ser invalidade. Aliás, o evangelho ao mostrar quão maravilhosamente Deus tem abençoado os homens por meio da obra de Cristo, faz com que o crente se torne muito mais desejoso de obedecer à lei de Deus, movido por gratidão. Por isso, em vez de debilitar as exigências da lei, o evangelho as corrobora.

Fonte: Monergismo.com

 

 

 

Uma breve análise de Mateus 28:19 – por Tiago H. Souza

Analise de Mateus 28:19

Talvez nenhuma outra passagem bíblica isolada da bíblia seja mais amplamente usada para desafiar os cristãos a serem fieis á sua tarefa primaria do que Mateus 28:16-20. Apesar disto, os pregadores quase nunca gastam tempo para fazer exegese da passagem e compará-la com passagens paralelas. Como resultado, a essência e o método da real missão tem se perdido a uma diversidade de pensamentos acerca desse mandamento.

Para o texto de Mateus 28:16:20 os teólogos tem 4 possíveis interpretações:

1-      Forte ênfase no particípio “IDE”.

– Essa interpretação da uma conotação exagerada em cruzar fronteiras, minimizando o “fazer discípulos”.

 

2-       Forte ênfase no imperativo “FAZER DISCÍPULOS”.

– Essa interpretação sugere a idéia do “fazer discípulos” como proposta principal do texto. Alguns chegam a afirmar que o “ide” não é tão importante, podendo ser descartado do mandamento.

 

3-      Subordinação do “IDE” ao FAZER DISCÍPULOS”.

– Essa terceira interpretação sugere que ao “fazer discípulos” o “ide” praticamente esta sendo cumprido, pois o imperativo esta sendo obedecido de qualquer maneira.

 

4–  “Indo” e “Fazendo Discípulos” – A quarta interpretação sugere que o particípio “ide” pode ter um tom imperativo junto ao “fazer discípulos”, dando uma conotação também de ordem ,urgência e propósito para algo.

Gramaticalmente a palavra “ide” ( poreythentes) é um particípio no original e não um imperativo. Provavelmente deva ser traduzida “indo” ou “enquanto ides”. Mas este fato não deve deixar que a força da palavra seja embotada. A mesma construção é achada em atos 16:9 :” Passa e (ou, passando) ajuda-nos. Obviamente, se Paulo não “passar” para lá, não poderá “ajudar”! E se nós não “vamos” não podemos cumprir nossa missão. Por outro lado, a ênfase não somente recai sobre o “ir”, mas, sobre a razão para ir.

O “fazer discípulos” (Matheteysate) é o único imperativo e a atividade central indicada na grande comissão. O verbo “Matheteysate” é empregado para dar luz á razão do “ir” (poreythentes). Não há como desassociar um verbo do outro, pois os dois se completam apesar de o imperativo ser “fazer discípulos” o “ir” não pode ser esquecido ou negligenciado, pois, a vontade de Deus é que o evangelho chegue em “todas as nações”.

Ora, há possibilidade de todas as nações ouvirem o evangelho se todas as igrejas somente discipular seus amigos e familiares? Não. Não há possibilidade de a grande comissão ser cumprida dessa forma porque muitas culturas e povos ainda estariam isolados pelo preconceito racial e cultural do homem. Então, a ênfase também recai sobre o ir, porque é ele que conduz o imperativo “fazer discípulos” no propósito de alcançar todas as nações.

Por essa razão defendo a quarta posição “INDO” E “FAZENDO DISCIPULOS” que defende o particípio “ir” com um tom imperativo, pois prepara o verbo principal “fazer discípulos” em sua melhor definição.

Nas palavras de Cleon Rogers:

                                  “   O particípio não deve ser enfraquecido como uma opção secundária que não é tão importante. O aspecto de aoristo torna o mandamento definido e urgente. Não é “caso você esteja indo” ou “onde quer que você esteja”, mas sim “vá e faça algo”. Isto não deve ser tomado exclusivamente no sentido de ir a um país estrangeiro. A ênfase é na natureza universal da tarefa – uma atividade global que envolve tanto o país natal quanto os países estrangeiros.”

            A tarefa missionária segundo a quarta posição é “fazer discípulos de todas as nações”. É a posição mais coerente com a lógica e com a teologia bíblica de missões encontradas também no Antigo testamento como em Genesis 12:3.

É interessante notar também algo muito significativo em relação a Mateus, o autor do evangelho. Mateus freqüentemente coloca um particípio aoristo antes do aoristo do verbo principal. Logo após ele postula que o particípio adquiriu também uma força imperativa, como vários verbos no Antigo Testamento. Isso acorre para dar certa urgência ao verbo principal, que no caso da passagem é o “fazer discípulos”. Ou seja, a interpretação“INDO E FAZENDO DISCÍPULOS” sugere que a igreja cruze fronteiras para cumprir a grande ordem de fazer discípulos em prol que todas as nações venham conhecer a Deus.

Temo que por conta de um “pequeno grande erro” a igreja se desvie daquilo para do qual ela foi chamada. Se isso acontencer as conseqüências serão serias para aqueles que já conhecem o evangelho e para aqueles que não o conhecem.

Não foi fácil para o Kalley, para o Simonton e nem para Gunnar Vingren e Daniel Berg cumprir a grande comissão sobre o olhar da quarta posição “indo e fazendo discípulos”. A diferença entre eles e nós é uma distancia de percepção quanto a urgência do texto. Por conta da obediência correta do mandamento do texto na vida desses missionários, é que hoje escrevo esse artigo.

 

Esse texto é basiado no artigo de Carl J. Bosma para a Fides Reformata XIV n°1 (2009)

 

 

postado por Tiago H. Souza

Pregações no livro de Efésios no 3°Congresso Mundial de Evangelização Lausanne

Efésios 1 – Ajith Fernando

parte 1  http://www.youtube.com/watch?v=kmjROZBO4do

parte 2 http://www.youtube.com/watch?v=6dUckL-U16U&feature=related

Efésios 2 – Ruth Padilha

parte 1 http://www.youtube.com/watch?v=j4NuOcwgA1g&feature=related

parte 2 http://www.youtube.com/watch?v=F6I4ImrMNYY&feature=related

Efésios 3 – John Piper

parte 1 http://www.youtube.com/watch?v=o14tCvP0sD4&feature=related

parte 2 http://www.youtube.com/watch?v=brEkbLl_K0w&feature=related

Efésios 4 – Vaugham Roberts

parte 1 http://www.youtube.com/watch?v=eRLhDZJ96qs&feature=related

parte 2 http://www.youtube.com/watch?v=h2POPMkt4JY&feature=related

Postado por: Tiago Souza

O Significado de “KOSMOS” em João 3:16 – A.W. Pink

Por A.W Pink


Pode parecer para alguns de nossos leitores que a exposição que demos de João 3:16 no capítulo sobre “Dificuldades e Objeções” é forçada e não natural, na medida em que nossa definição do termo “mundo” parece estar fora de harmonia com o significado e escopo desta palavra em outras passagens, onde, fornecer o mundo de crentes (os eleitos de Deus) como uma definição de “mundo” parece não fazer sentido. Muitos têm nos dito: “Certamente, ‘mundo’ significa mundo, isto é, você, eu, e cada pessoa”. Em resposta dizemos: Nós sabemos por experiência quão difícil é pôr de lado as “tradições de homens” e chegar a uma passagem que temos ouvido explanada de um certo modo muitas vezes, e nós mesmos estudá-la cuidadosamente sem preconceito. Todavia, isto é essencial se desejarmos aprender a mente de Deus.

      Muitas pessoas supõem que elas já conhecem o simples significado de João 3:16 e, portanto, concluem que nenhum estudo diligente é requerido delas para descobrir o ensino preciso deste verso. É desnecessário dizer, que tal atitude impede a entrada de qualquer luz adicional que de outra forma eles poderiam obter sobre a passagem. Além disso, se alguém pegar uma Concordância e ler cuidadosamente as várias passagens nas quais o termo “mundo” (como uma tradução de “kosmos”) ocorre, ela rapidamente perceberá que para se averiguar o preciso significado da palavra “mundo” em qualquer passagem, não será nem um pouco fácil como é popularmente suposto. A palavra “kosmos”, e seu equivalente em português “mundo”, não é usada com um significado uniforme no Novo Testamento. Extremamente longe disso. Ela é usada em um número de formas absolutamente diferentes. Abaixo nos referiremos a algumas poucas passagens onde este termo ocorre, sugerindo uma tentativa de definição em cada caso:

“Kosmos” é usado para definir o Universo como um todo: Atos 17:24 – “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra”.

“Kosmos” é usado para definir a terra: João 13:1; Efésios 1:4, etc., etc.- “Ora, antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim”. “Passar deste mundo” significa, deixar esta terra. “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo”, Esta expressão significa, antes da terra ser fundada – compare Jó 38:4, etc.

“Kosmos” é usado para definir o sistema mundial: João 12:31, etc. “Agora, é o juízo deste mundo; agora, será expulso o príncipe deste mundo” – compare Mateus 4:8 e 1 João 5:19.

“Kosmos” é usado para definir toda a raça humana: Romanos 3:19, etc. – “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus”.

“Kosmos” é usado para definir a humanidade menos os crentes: João 15:18, Romanos 3:6. “Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a mim”. Os crentes não “odeiam” a Cristo, de forma que “o mundo” aqui deve significar o mundo de descrentes em contraste com os crentes que amam a Cristo. “De maneira nenhuma! Doutro modo, como julgará Deus o mundo?”. Aqui é outra passagem onde “o mundo” não pode significar “você, eu, e cada pessoa”, porque os crentes não serão “julgados” por Deus, ver João 5:24. De forma que aqui, também, deve ser o mundo de descrentes que está em vista.

“Kosmos” é usado para definir os Gentios em contraste com os Judeus: Romanos 11:12, etc. “E, se a sua (Israel) queda é a riqueza do mundo, e a sua (Israel) diminuição, a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude (de Israel) !”. Note como a primeira cláusula em negrito é definida pela última cláusula colocada em negrito. Aqui, novamente, “o mundo” não pode significar toda a humanidade porque ele exclui Israel!

“Kosmos” é usado para definir somente os crentes: João 1:29; 3:16,17; 6:33; 12:47; 1 Coríntios 4:9; 2 Coríntios 5:19. Nós deixaremos nossos leitores se voltarem para estas passagens, pedido-lhes notar, cuidadosamente, exatamente o que é dito e relacionado com “o mundo” em cada lugar.

Assim, pode ser visto que “kosmos” tem pelo menos sete significados diferentes claramente definidos no Novo Testamento. Pode ser perguntado: Deus tem usado então uma palavra assim para confundir e embaraçar aqueles que lêem as Escrituras? Nós respondemos: Não! nem tem Ele escrito Sua Palavra para pessoas preguiçosas que são tão negligentes, ou tão ocupadas com as coisas deste mundo, ou, como Marta, tão ocupadas em “servir”, que não têm tempo e nem coração para “examinar” e “estudar” as Escrituras Sagradas! Poderia ser ainda perguntado: Mas como é que um examinador das Escrituras sabe qual dos significados acima o termo “mundo” tem em alguma determinada passagem? A resposta é: Isto pode ser averiguado por um estudo cuidadoso do contexto, diligentemente notando qual é a relação de “o mundo” em cada passagem, e em total oração consultando outras passagens paralelas àquela que está sendo estudada. O principal assunto de João 3:16 é Cristo como o Dom de Deus. A primeira cláusula nos diz que Deus foi movido a “dar” Seu Filho unigênito, e isto por Seu grande “amor”; a segunda cláusula nos informa para quem Deus “deu” Seu Filho, e é para “todo aquele (ou, melhor, ‘cada um’) que crê”; enquanto a última cláusula faz conhecido porque Deus “deu” Seu Filho (Seu propósito), e isto é para que todo aquele que crê “não pereça mas tenha a vida eterna”. Que “o mundo” em João 3:16 refere-se ao mundo de crentes (os eleitos de Deus), em distinção com “o mundo dos ímpios” (2 Pedro 2:5), é estabelecido, inequivocadamente estabelecido, por uma comparação com outras passagens que falam do “amor” de Deus. ”Mas Deus prova o seu amor para CONOSCO” – os santos, Romanos 5:8. ”Porque o Senhor corrige o que ama” – todo filho, Hebreus 12:6. “Nós o amamos porque ele NOS amou primeiro” – os crentes, 1 João 4:19. Do ímpio Deus tem “piedade” (ver Mateus 18:33). Para os ingratos e maus Ele é “bom” (ver Lucas 6:35). Os vasos de ira Deus suporta “com muita paciência” (ver Romanos 9:22). Mas “os Seus”, Deus “ama”!


Postado por Tiago H. Souza

O Caráter Definidor do Ministério, I° Tessalonicenses 2 – John MacArthur

John MacArthur

I° Tessalonicenses 2

O ministério nos dias de Paulo não era fácil de ser realizado. Leon Morris fez esta observação: “Talvez nunca houve tão grande variedade de cultos religiosos e sistemas de filosofia como nos dias de Paulo. O Leste e o Oeste se uniram e se mesclaram para produzir uma amálgama de piedade autêntica, princípios morais elevados, superstição grosseira e licenciosidade sórdida”. Aquela época se assemelha aos nossos dias, não é verdade? “O sincero e o espúrio, o justo e o profano, os trapaceiros e os santos competiam e clamavam pela atenção dos crédulos e dos céticos.”

Com base nesse contexto, podemos obter uma idéia sobre o caráter da liderança de Paulo. Em 1 Tessalonicenses 2, ele exortou os crentes a lembrarem-se do que sabiam a respeito dele — a natureza de seu ministério e de sua liderança. Paulo argumentou que sua eficácia se fundamentava na sua percepção da pessoa de Deus — e isso definia o caráter de seu ministério.

Primeiramente, Paulo confiava no poder de Deus (2.2), para lhe dar tenacidade. “Apesar de maltratados e ultrajados em Filipos, como é do vosso conhecimento, tivemos ousada confiança em nosso Deus, para vos anunciar o evangelho de Deus, em meio a muita luta.” Isso é tenacidade. A persistência de Paulo estava alicerçada em sua confiança em Deus.

Apesar do ultraje e da degradação pública em Filipos, antes de chegar a Tessalônica, Paulo disse que tivera “ousada confiança em nosso Deus, para vos anunciar o evangelho de Deus, em meio a muita luta”. Isso é o cerne, a alma do ministério! O objetivo do pregador nunca é minimizar o conflito que acompanha o evangelho, visto que este sempre é ofensivo.& A marca de um grande líder não é o modo como ele evita o conflito, e sim o modo corajoso como o aceita.

Em segundo, Paulo estava comprometido com a verdade de Deus. “A nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo” (2.3). O ministério de Paulo era caracterizado por integridade. Impureza tem, freqüentemente, conotações sexuais. Muitos dos falsos mestres do mundo antigo eram, tal como o são os de nossos dias, marcados por uma vida secreta de pecado sexual repulsivo. Paulo não era um enganador ou um impostor. “Engano” é sinônimo de embuste. Ele não estava tentando ganhar pessoas em benefício de si mesmo, como o faziam os falsos mestres. Sua integridade estava vinculada à verdade — algo que ele não podia mudar nem abandonar.

Em terceiro, Paulo foi comissionado pela vontade de Deus. “Visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o evangelho, assim falamos” (1 Ts 2.4a). Em outras palavras, ele entendia que sua autoridade viera de Deus, que lhe confiara a mordomia do evangelho. Paulo foi testado e aprovado por Deus (tempo presente, indicando um algo duradouro). Ele disse a Timóteo que ordenasse, ensinasse e repreendesse com toda a autoridade; disse a Tito que não se esquivasse disso. O pregador se caracteriza por sua autoridade quando prega o evangelho.

Em quarto, Paulo era compelido pela onisciência de Deus. A onisciência de Deus produziu responsabilidade. “Assim falamos, não para que agrademos a homens, e sim a Deus, que prova o nosso coração. A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha” (2.4b-5). Sob a direta supervisão de Deus (2 Tm 4.1), o ministro que serve ao Senhor prestará contas a Ele, um dia (Hb 13.17). E o que acontecerá naquele tempo futuro de recompensas é determinado pelo irresistível senso de responsabilidade que mantemos dia após dia (1 Cr 28.9; Ap 2.23).

Talvez você esteja cercado de muitas pessoas às quais presta contas. Mas, se, em seu coração, você perde a batalha da prestação de contas para com Deus, nunca a ganhará na vida diária. A verdadeira batalha é travada no coração e na consciência.

Em quinto, Paulo era consumido pela glória de Deus (2.6), resultando em humildade. Não buscar a glória dos homens é bastante difícil. Como apóstolo de Cristo e alguém que estivera no céu, Paulo poderia ter exigido muitas honras. No entanto, sendo consumido pela glória de Deus, ele não tinha qualquer interesse em buscar glória dos homens.

Em sexto, Paulo era compassivo para com o povo de Deus (2.7-12). Uma das percepções do âmago do ministério de Paulo que mais nos enriquece é a simpatia do apóstolo. A mais terna e incansável expressão de amor é a de uma mãe para com seu bebê em amamentação — não há reciprocidade maior, intimidade maior, dependência maior. Se você tiver esse sentimento para com a sua igreja, ela suportará muito. Prive-os disso, e eles lutarão incansavelmente contra você. Em muitos casos, quando você começa a ministrar em uma igreja, tem de amamentá-los. Tem de ser paciente e compassivo, sabendo que o crescimento é um processo lento e, às vezes, doloroso.

Como pastor, você precisa anelar por que Cristo seja formado plenamente em seu povo. Há necessidade de paciência, ternura e afeição profunda. É uma tarefa interminável, que envolve noite e dia (2.9).

Paulo concluiu com a analogia de um pai (2.10-12). A parte da mãe é o amor, o cuidado, a ternura, a compaixão; a do pai é a coragem, o caráter moral, o exemplo, a exortação, a instrução. A mãe tem a influência íntima; o pai estabelece o curso a ser seguido, oferece o vigor espiritual e a motivação. Esse é um equilíbrio magnífico.

Quando a tenacidade, a integridade, a autoridade, a responsabilidade, a humildade e a simpatia são as características do ministério, o fruto descritos nos versículos 13-14 se manifesta. A igreja se torna o que ele deveria ser — uma igreja modelo para a qual outras podem olhar. À medida que somos fiéis em servir da maneira como Paulo exemplificou nesta passagem, nos colocamos numa posição de levar o povo a responder à Palavra de Deus e de conduzir a igreja para que se torna o que ela deveria ser.

Fonte: Fiel

Postado por Tiago H. Souza