As Missões Moravianas – Tiago Souza

Introdução

Na historia das missões vários personagens tiveram seu papel de destaque ao longo dos anos. Os vários movimentos, sejam eles anônimos onde grande destaque, serviram para a propagação do evangelho.Um desses movimentos de destaque na historia das missões mundiais, que ainda hoje é lembrado por muitos, é o movimento dos Irmãos Morávios.

Em uma época onde o deismo e o racionalismo se alastravam sobre a Europa Continental, Deus levanta simples camponeses refugiados para a pregação simples, vida exemplar prática e uma espiritualidade fervorosa, para levar o precioso evangelho aos não alcançados de todos os cantos do globo terrestre.A pequena comunidade de Herrnhut é um exemplo daquele antigo modelo encontrado nas paginas de Atos 13. Uma comunidade incendiada pela devoção a Cristo é levada a enviar muitos de seus membros “… para a obra que eu os tenho chamado”.

Os Morávios sob a liderança de Nicolau Von Zinzendorf mantiveram um forte zelo pelo evangelho e pela causa missionária, onde Romperam seus limites e tiveram grande êxito em seus trabalhos.Tendo como pai espiritual desde os tempo da velha Boemia o grande pré reformador Jonh Russ , os morávios nos provam que a combinação do zelo pelo evangelho e uma visitação de Deus na igreja, é tudo o que precisamos para cumprir nossa missão.

  

O Pietismo E O Seu Impacto Na Vida De Zinzendorf

 A Europa em meados do século XVI foi invadida por uma grande onda de correntes filosóficas e emaranhados pensamentos acerca do que é “divino” enfraquecendo varias igrejas e que ocasionou um esfriamento espiritual por partes de muita delas. Por outro lado, como que uma contraproposta um movimento chamado pietismo, que tem sua característica a libertação dogmática e fria da igreja começa a se levantar e ganhar espaço entre vários cristãos Luteranos da Europa.

O pietismo provavelmente foi o movimento mais notável de protesto conta o tom da fria intelectualidade que parecia dominar a vida religiosa. Este, por sua vez, se opôs ao dogmatismo que reinava entre os teólogos e pregadores e ao racionalismo dos filósofos. Ambos lhe pareciam constatar com a fé viva que é a essência do cristianismo. O pietismo se instalou dentro de varias comunidades luteranas trazendo um fervor espiritual para a igreja que até então estava sob domínio de influencias deístas e racionalistas.

O pietismo prestou uma enorme contribuição não somente aos alemães, mas para todo o mundo cristão. Ele substituiu as controvérsias religiosas e filosóficas pelo cuidado em relação ás almas. Transformou a pregação e a visita pastoral como objetivos centrais da comunidade eclesiástica. Contribuiu de uma forma tremenda na musica erudita, e talvez o mais importante de tudo isso, compreendeu a importância da espiritualidade dos leigos na comunidade reavivada.

Dando base a todos esses objetivos, estava o tema pietista dominante: regeneração. E ela não se referia somente as definições teológicas da palavra, mas a indispensável experiência dos cristãos ao receber de fato o novo nascimento. Eles acreditaram que com o renascimento espiritual se cumpria a grande Reforma protestante. Dessa forma, a doutrina cristã tornava-se realidade para os cristãos pietistas.

Um desses influenciados por essa movimento de renovo espiritual é um jovem de família nobre chamado Nicolau Von Zinzendorf, natural de Dresden na Saxonia.

Seu pai morreu pouco depois do seu nascimento e a mãe casou-se novamente, sendo o rapaz criado um tanto solitário e introspectivo por sua avó, a baronesa pietista Henrietta Catarina Von Gersdof. Desde bem jovem foi marcado pela característica que marcou sua vida religiosa, a forte devoção e paixão pessoal a Cristo.

Sua juventude teve importantes formações no Paedogogium de Francke, Halle. O rigor ali imperante não lhe agradava, mas aos poucos começou a apreciar a comunhão religiosa, até que em 1715 teve um encontro com a natureza salvadora do evangelho. Logo após sua conversão Zinzerdof foi enviado pela sua família para estudar funcionalismo publico ( Direito) em Wittenberg de 1716 a 1719. Embora encarregado no aprendizado das leis públicas e civis, Zinzendorf nunca abandonou seu zelo pietista.

O Início Da Comunidade Em Herrnhut

Enquanto isso, a velha igreja da Boemia passava por dias maus. Os descendentes diretos do grande pré-reformador John Russ, passavam por uma crise política e social. As conseqüências da Guerra dos Trinta Anos foram catastróficas para a igreja boemia, onde levou vários moravios de fala alemã a buscar um novo refugio para suas famílias. Vários deles migraram para a Saxônia.

Dono e herdeiro de varias terras, o então Conde Zinzendorf convida seus irmãos na fé morávianos para se refugiarem em suas terras na Saxônia. Seu convite caiu como uma providencia divina para famílias que estavam à espera de um verdadeiro milagre. Os morávianos não pensaram duas vezes e logo começou sua colônia em Berthelsdorf, a qual denominou Herrnhut (O Vigia do Senhor), local onde se reuniu grande numero de refugiados morávianos. O convite feito pelo generoso conde Zinzendorf se espalhava entre os morávios onde a cada dia o numero aumentava. Os morávianos almejavam uma cidade habitada apenas por cristãos, separada do mundo, uma verdadeira “comunhão dos santos”. Era um monasticismo livre e social, sem celibato. Mas como monasticismo, eles procuravam viver uma vida cristã sob condições peculiarmente favoráveis e distanciadas das piores tentações. Não demorou muito para Herrnhut tornar-se uma comunidade prospera e organizada.

 A partir de 1727, Zinzendorf tornou-se o guia espiritual de Herrnhut, e dez anos mais tarde recebeu ordenação formal na igreja moráviana reorganizada, ou Fraternidade Unida, como os crentes preferiam chamá-la. Os impulsos de Zinzendorf era fortemente a chama missionária. E em conseqüência disso, o movimento moráviano tornou-se a primeira força protestante em larga escala da historia.

O Reavivamento Do Dia 13 De Agosto

Os maravianos levavam uma vida espiritual um tanto normal e apática. Seu protestantismo enfraqueceu-se devido ao vários problemas ocorridos desde a Boemia. Vários círculos religiosos entraram em Herrnhut, onde levou a vida comunitária em risco.

Porém, cinco anos depois da chegada dos primeiros refugiados, toda a atmosfera de Herrnhut mudou. Um período de renovação espiritual começou a despertar o interesse da comunidade, onde seu ápice foi um culto no dia 13 de Agosto de 1727, onde Deus visitou a comunidade com poder, arrependimento e um forte zelo pelo evangelho e por missões. Os morávios foram transformados radicalmente. Suas discussões religiosas deram lugar para a unidade e dependência de Deus. Suas rixas doutrinariam foram deixadas de lado e uma forte ênfase em missões foi à principal característica da comunidade.  Apartir daquele dia, 13 de agosto de 1727, iniciou-se uma vigília de oração entre os morávios que continuou noite e dia, sete dias por semana, sem qualquer interrupção por mais de cem anos.

 A Igreja Começa A Se Mobilizar

 Embora despertados para as missões, o envolvimento direto nas missões estrangeiras não veio até alguns anos depois do grande despertamento espiritual. O conde Zinzendirf se achava presente á coroação do rei Cristiano VI da Dinamarca e, durante as festividade, foi apresentado como uma atração ao publico, alguns nativos escravos da Groenlândia. Zinzendorf ficou tão impressionado com os pedidos desses nativos para enviar missionários, que os convidou para visitar Herrnhut. Os nativos compartilharam suas dificuldades e fizeram um apelo para a comunidade a enviar missionários para trabalhar entre eles. Uma sensação ainda maior de urgência invadiu Herrnhut, onde todos se sensibilizaram para o evangelismo mundial.

No prazo de um ano os dois primeiros missionários morávios haviam sido nomeados para as ilhas Virgens ( Leonard Dober e David Nitsehmann) e, nas duas décadas seguintes que se seguiram, os morávios enviaram mais missionários do que todos os protestantes haviam enviado em dois séculos anteriores. Exemplo disso foi em 1735 onde um contingente apreciável, dirigido pelo morávio Gottlieb Spangenberg começou a trabalhar para alcançar as Índias Americanas na Geórgia.

O Encontro Com John Wesley

É nesse mesmo período e ocasião que o famoso pregador anglicano Jonh Wesley encontra com certo grupo de morávios em um navio com destino a Georgia. No diário de Wesley temos detalhes desse magnífico encontro e suas conseqüências transformadoras para a vida de John Wesley:

 Às sete horas fui procurar os morávios. Eu havia observado há muito a profunda seriedade do seu comportamento. Davam provas incessantes da sua verdadeira humildade em fazer aquelas tarefas servis para os demais passageiros que nenhum de nós suportaria; eles procuravam nos servir dessa forma e rejeitavam qualquer remuneração, dizendo que era bom para os seus corações orgulhosos e que o seu querido Salvador havia feito muito mais que isso por eles.

Cada dia que passava lhes dava oportunidade de demonstrar uma meiguice que nenhuma injúria poderia desafiar. Se alguém os empurrasse, batesse ou jogassem no chão, eles se levantavam e saíam; mas nunca se ouviu qualquer queixa ou resposta nas suas bocas. Agora se apresentaria uma oportunidade de ver se eles eram isentos do espírito de medo da mesma forma que o eram do espírito de orgulho, ira e vingança.

No meio do salmo com que iniciaram a sua reunião, o mar se ergueu, despedaçou a vela mestra, inundou o navio e as águas vieram jorrando sobre o convés como se um grande abismo estivesse nos engolindo. Irromperam-se terríveis gritos e uivos entre nós. Os morávios, porém continuavam a cantar tranqüilamente.

Perguntei para um deles depois: “Você não estava com medo? Ele respondeu: “Graças a Deus, não.” Perguntei ainda: “Mas não estavam amedrontadas as mulheres e crianças?”Ele respondeu brandamente: “Não, nossas mulheres e crianças não têm medo da morte.”

 Quando John Wesley voltou para Inglaterra escreveu sobre o impacto desse encontro em sua vida:

 “Eu fui à América para converter os índios; mas quem há de me converter? Quem é que me libertará deste coração mau de incredulidade? Tenho uma religião “de tempo bom”. Sei falar bem; sim, e tenho confiança em mim mesmo quando não há perigo ao meu lado; mas venha a morte me enfrentar e meu espírito já se perturba. Nem posso dizer: “O morrer é lucro!”

Em Londres o próprio Wesley procurou o conselho de um missionário morávio, Peter Bohler, e logo após converteu-se realmente. Em menos de três semanas ele estava viajando rumo a Saxônia para conhecer o Conde Zinzendorf e a comunidade Herrnhut.

A Obra Missionária Começa A Ganhar Mais Força

 Para essa obra de extensão na Geórgia, Nitschmann foi ordenado bispo, o primeiro da moderna sucessão moráviana, em 1735 por Jablonsky. As intenções dos morávianos de irem a qualquer lugar servindo a Cristo, logo deram nobre impulso missionário ao movimento moráviano o qual ele jamais perdeu. Até hoje organização alguma protestante tem estado tão alerta á obra missionária, e nenhuma é tão consagrada a ela em proporção de numero.

Embora Zinzendorf seja principalmente conhecido como estadista missionário, ele ajudou voluntariamente nas missões estrangeiras. Em 1738 alguns anos depois dos primeiros missionários terem seguido rumo ao Caribe, Zinzendorf acompanhou três novos recrutas que haviam sido nomeados para se juntar a seus colegas ali. Quando chegaram, eles se angustiaram ao encontrar os companheiros na prisão. Zinzendorf usou seu prestigio e autoridade para obter a liberdade deles. Durante essa visita o conde Zinzendorf dirigiu cultos diários para os africanos e reformou a estrutura organizacional e as designações territoriais para os missionários.

Ao fim de seu trabalho ali, deixando tudo solidavelmente estabelecido, Zinzendorf voltou á Europa; viajando novamente dois anos depois, dessa vez para as colônias americanas. Ali, prestou serviço estabelecendo estratégias ao lado dos irmãos morávios que trabalhavam entre os índios nativos. A permanência de Zinzerdof na America foi muito ativa. Esforçou-se em reunir as espalhadas forças alemãs da Pennsylvania numa unidade espiritual a ser reconhecida como “Igreja de Deus no Espírito”. Iniciou missões entre os índios; organizou sete ou oito congregações morávianas e estabeleceu escolas. Sob a superintendência de Peter Bohler foram criadas itinerancias.

Em janeiro de 1743 Zinzendorf embarcou para a Europa e em dezembro de 1744 encarregou Spangenberg como bispo de toda a obra na America.

È perceptível que Zinzerdof nunca de fato foi um missionário de campo. Seu papel dentro do movimento foi de um grande estadista, alias talvez um dos maiores na história do cristianismo. Como estadista “missionário” Zinzendorf passou mais de trinta anos como supervisor de uma grande rede mundial de missionários. Seus métodos eram simples e práticos. Os morávios não tinham uma formação teológica e tão poucos tinham dinheiro. Eram simples camponeses despertados para a evangelização. Eles sabiam falar de Cristo, e do que Ele tinha feito em suas vidas. E isso já era suficiente. Embora Zinzerdorf fosse um conde de notável nobreza, não há relatos que ele sustentava todos os enviados de Heernhut. O movimento missionário moráviano tinha como princípio e pratica o auto-sustento. Muitos deles eram encorajados a trabalhar junto aos prováveis convertidos dando testemunho de sua fé por palavras ou por exemplos de vida. Sua contextualização foi grande identificação clara com o povo. Sempre estava na mesma condição social de seus futuros convertidos. Muitos deles se venderam como escravos para evangelizar os escravos, tamanha a fé, devoção e a paixão por almas.  Algo que era perceptível no movimento moraviano era sua ênfase missionária em lugares longínquos e difícil acesso e trabalho. Seus esforços missionários eram sem duvida com muita paciência e devoção.

  Do ano de 1749 a 1755 Zinzendorf teve como alvo de sua atividade a Inglaterra. Seus bens haviam sido gastos com o movimento evangelístico e agora ele se encontrava quase um simples moraviano. O caráter de Zinzendorf, como o de todos nós, tinha luzes e sombras, altos e baixos. Zinzendorf era inclinado ao emocionalismo a religião sentimental. Alguns de seus hinos cheios de emoção expressa “ Jesus conduzirá mansamente, até que conquistemos nosso descanso”, estiveram presentes no louvor de muitas igrejas. Poucos homens mostraram tal intensidade de devoção a Jesus. Ele revelou toda o seu zelo por cristo em umas de suas declarações á congregação de Herrnhut: “Tenho uma única paixão: Ele, ninguém além dele.”

 Assim aquele simples “acampamento de refugiados” tendo um mobilizador apaixonado por almas e por Cristo, tornou-se uma coméia de atividade missionária. Missões foram iniciadas no Suriname, Guiana, Egito, África, Groelândia, Lapônia, Ceilão, Algéria e em vários outros lugares que infelizmente a historia não pode contar.

 As missões moravianas provam para nós que a igreja  visitada pelo zelo da palavra, oração, jejum, convicção de pecados e comunhão, irá presenciar uma grande manifestação de Deus que a capacita para a salvação dos povos.

Conclusão

 Ao observar a cativante historia das missões morávianas podemos notar seu zelo e devoção pessoal a Cristo. Ora, essa é chama das missões. Mais uma vez temos um forte exemplo que o combustível de missões é a devoção e a paixão pessoal a Cristo. Com isso temos pelo menos duas coisas a aprender.

 Primeiro, os métodos de sucesso vem se repetindo levando em conta o velho modelo bíblico encontrado em Atos dos Apóstolos. A igreja enviadora, os missionários enviados e causa em comum: os não alcançados. Não foi uma ou duas pessoas chamada por Deus. Foi a congregação Inteira afim de uma única causa.

Segundo, dependemos de uma visitação de Deus em nossas congregações para uma obra de cunho transcultural e mundial. Deus é o Senhor das missões, ele é o dono e a causa sustentadora das missões. Sem ele a igreja nada pode fazer.

Referencias

CAIRNS; EARLE E. O Cristianismo através dos séculos. São Paulo: Vida Nova,1984

GONZALEZ; JUSTO L. A era dos dogmas e das dúvidas. São Paulo: Vida Nova, 1984

Walker;W. A historia da igreja cristã. São Paulo: ASTE, 1967

SHELLEY;BRUCE L. Historia do cristianismo ao alcance de todos. São Paulo: Shedd Publicações,2004

TUCKER;RUTH A. Missões até os confins da terra. São Paulo: Shedd Publicações,2010

As Mulheres na Reforma Protestante

Sempre que se fala em Reforma Protestante, pensa-se de imediato em homens como Lutero, Calvino, Knox, Wycliffe, Zwínglio e tantos outros. Errado? Não, de maneira nenhuma! Porém, a história também nos fornece que não somente homens contribuíram para o “estouro” da Reforma. A mulheres também tiveram seu importante papel na causa reformista.
Marie Dentière
 Marie Dentière (Tournai, 1495 – Genebra, 1561), também conhecida como Marie d’Ennetieres, foi uma teóloga e reformadora protestante belga. Teve um papel ativo na reforma religiosa e política de Genebra, especialmente no fechamento de conventos e pregando junto a João Calvino e Guilheme Farel. Seu segundo marido, Antônio Froment, também foi um ativo reformador. Além disso, seus trabalhos em favor da Reforma e seus escritos são considerados uma defesa da perspectiva feminina em um mundo que passava por rápidas e drásticas transformações em pouco tempo. É de sua autoria uma das frases mais importantes da época: “Passei muito tempo na escuridão da hipocrisia. Somente Deus foi capaz de fazer-me enxergar minha condição e conduzir-me à luz verdadeira”. Seu segundo marido, Antoine Froment, também foi um ativo reformador.
Em 1539, Dentiére escreveu uma carta aberta a Margarita de Navarra, irmã do Rei da França, Francisco I, intitulada Espistre tres utile (O título completo em português é “Epístola muito útil, escrita y composta por uma mulher cristã de Tournay, enviada ao Reino de Navarra, irmã do Rei da França, contra os turcos, judeus, infiéis, falsos cristãos, anabatistas e luteranos”). Na carta, ela incitava a expulsão do clero católico da França e criticava a estupidez dos protestantes que obrigaram a Calvino e Farel a abandonar Genebra. A carta foi rapidamente proibida por seu teor abertamente subversivo.Apesar da qualidade de seus escritos teológicos, Marie Dentière sofreu perseguição e incompreensão tanto por parte das autoridades católicas como pelos próprios reformadores genebrinos, que impediram a publicação de qualquer texto escrito por uma mulher na cidade durante o resto do século XVI.Em 3 de novembro de 2002 seu nome foi gravado no Monumento Internacional da Reforma, em Genebra, por sua contribuição à história e à teologia da Reforma, tornando-se a primeira mulher a receber tal reconhecimento.

Katharina von Bora
Catarina (Katharina) von Bora (Lippendorf, 29 de janeiro de 1499 – † Torgau, 20 de dezembro de 1552) foi uma freira católica cisterciense alemã. Em 13 de Junho de 1525, casou-se com Martinho Lutero, líder da Reforma Protestante.

Catarina abriu as portas da sua casa pra que monges, freiras, padres que escancaravam seus corações pra verdade de Deus e se tornavam adeptos da Reforma se refugiassem, mesmo sabendo que estavam entrando num tempo de perseguição e isso pudesse resultar numa invasão ao seu lar. Existiram vezes, que 25 pessoas moravam em sua casa, sem contar ela, Lutero, as crianças e os 11 órfão de quem cuidavam!
Lutero nunca se negava a ajudar um necessitado. Sempre oferecia dinheiro a quem precisava e logo logo, acabou com as lindas porcelanas que Catarina ganhou de presente de casamento, vendendo para conseguir dinheiro e abençoar aqueles que lutavam pela causa da graça de Cristo!
Katy cuidou de Hans Lutero, seu primeiro filho, ao mesmo tempo em que seu esposo passava por uma terrível depressão. Ela se sentava ao seu lado e lia a Bíblia pra ele edificando seu coração. Conciliou as tarefas da casa, de hospedagem, mãe, esposa com a árdua tarefa de ajudar Lutero na tradução das escrituras para o alemão. Ouvia os desabafos de Martinho e sabia que cada vez que ele saia para pregar podia não o ver voltar, pois quanto mais pregava, mais inimigos Lutero ganhava. Expandir o Reino e as verdades bíblicas significava para Catarina poder ficar viúva. Mas ela sempre o encorajava: “Deus cuidará de nós. Não tema! Pregue!”.
Ela realmente é admirável. Sua postura permitia Lutero pregar livremente e arriscar sua vida pela Verdade!
“Catarina não escreveu nenhum livro nem pregou nenhum sermão, mas sua inestimável ajuda possibilitou que o marido fizesse isso. Ela foi um grande apoio pra ele.” Como Lutero mesmo disse a um amigo: “Minha querida Katy me mantém jovem e em boa forma também (risos). Sem ela eu ficaria totalmente perdido. Ela aceita bem minhas viagens e, quando volto, está sempre me esperando. Cuida de mim nas depressões. Suporta meus acessos de cólera. Ela me ajuda em meu trabalho e, acima de tudo ama a Jesus. Depois de Jesus, ela é o melhor presente que Deus em deu em toda a vida… Se um dia escreverem a história da Reforma da Igreja espero que o nome dela apareça junto ao meu e oro por isso”.
Tudo que Catarina Lutero falou ao ouvir isso foi: “Tudo que tenho sido é esposa e mãe e acho que uma das mais felizes de toda a Alemanha!”. Lutero chamava sua esposa de “estrela da manhã de Wittinberg”. Katie viveu por mais seis anos após a morte do esposo em 1546.
Extraído do blog Bereianos
Postado por Tiago H. Souza

O Mundo ao surgir o Cristianismo

Por Tiago H. Souza

Um jovem filho de carpinteiro, natural de Belém começa e propagar uma mensagem que mudaria o mundo para sempre. Bom, essa historia todos já conhecemos e sabemos de cor. Mas porque sua mensagem teve grande alcance? Como um jovem de classe media baixa conseguiu levar sua mensagem as grandes massas, tendo como o conteúdo dessa mensagem a afirmação que o próprio era filho de Deus?

Para si, tomou gente simples como pescadores, publicanos, algumas prostitutas, alguns leprosos e com isso conseguiu alguns séculos depois, ser a maior “religião” do mundo.

Tudo isso se deve ao soberano propósito de Deus de preparar o mundo para isso.

Ao Surgir o Cristianismo o mundo estava sedento de algo, alias, sempre esteve, e esse anseio, essa busca de encontrar e saber a verdade levou o cristianismo ao um lugar de destaque em sua época.

Quando o jovem Jesus começa a ganhar adeptos e mais tarde seu maior percussor chamado Paulo começa também a pregar as boas novas, o mundo helenístico e mitológico como hoje conhecemos estava em declínio. A força propulsora que levou os deuses e deusas gregas perder sua vitalidade foi o próprio desejo de seus seguidores, que estavam cansados e sedentos por algo, do qual, tais religiões não poderiam atender.

Para entender o mundo quando o Cristianismo surgiu temos que avaliar a situação intelectual da época. A filosofia, assim como as religiões gregas, também não atendia e respondia perguntas básicas da vida. O Epicurismo e o Estoicismo não tiveram grande alcance nas massas e nem mesmo pelos mais intelectuais e seletos da sociedade. Era visível para a mais simples pessoa que tais filosofias não passavam de um tremendo embaraço de pensamentos que ainda deixava os gregos a se perguntar “onde esta a verdade?”

Se a religião não saciava a alma e nem a filosofia dava respostas satisfatórias ao homem, então podemos concluir que moralmente a sociedade estava um caos. E é dessa forma que historiadores da época nos retratam. Quando a “verdade” se perde em uma sociedade o resultado disso é o caos. Podemos constantar isso em nosso época, também chamada de Pós-modernismo, que tem como característica o Relativismo como estilo de vida. A  política era falha, as religiões eram falhas, os pensamentos eram falhos logo temos aí uma época onde não se tinha esperança, um conforto espiritual ou ao menos um sentimento que nos levasse saber o propósito de tudo. È nesse contexto onde Deus levanta homens com uma mensagem de esperança e animo que reanima o povo e da a eles um sentido para sua própria existência.

Para aqueles que buscavam “ a verdade” e não a encontravam o proprio Jesus disse: “Eu Sou a Verdade! É essa verdade a que respondia e confortava a alma. Mensagem essa que iniciou em mundo obscuro onde perguntas e sacrifícios eram feitos, mas que não transformava a sociedade e nem a própria alma humana.

O evangelho, alem de carregar a salvação do homem, mostrou desde a idade antiga até os dias atuais, a combinação perfeita da providencia de Deus em revelar-se na pessoa de Cristo dando assim uma resposta plausível e racional para a existência humana.