Unidade da igreja: Até onde devemos ir com a nossa comunhão? – Tiago Souza

Em um mundo onde cada vez mais o homem se isola e se enclausura em seus guetos existenciais, a unidade da igreja se faz bem vindo. Bem vindo para exercer o papel de Reino de Deus levando a mensagem do evangelho para o homem em seu caos. Esta situação tem se agravado nos últimos anos pela propaganda pós-moderna de individualização do homem. A pós-modernidade tem sido fiel a sua proposta para o homem atual. Nele a pós-modernidade o faz refém de si mesmo e o afoga em seus prazeres hedônicos e narcisistas destruindo qualquer esperança de comunidade.

O homem, bem como disse Deus, não é bom que viva só (Genesis 2:18). Deus o fez para a comunidade, e fez a comunidade para o homem. Por isso a unidade da igreja se faz bem vindo a nossa pequinesa realidade eclesiástica. Somos o que somos para o outro e vice-versa. Por isso a necessidade de se andar em comunidade.

O unidade do corpo de Cristo propõem para nós o resgate dessa “humanidade” perdida no tempo. A faceta teológica da unidade nos impele para a observação bíblica do assunto bem como o levantamento de discussões que nos levem, pelo vinculo do amor, á comunhão proposta pelo tema. A unidade da igreja deve estar longe de ser simplesmente um assunto discutido nas cátedras teológicas. Ele deve ser levado para a vida diária do cristão, e sua práxis deve ultrapassar os limites denominacionais. O olhar teológico deste assunto deve, a meu ver, estar em concordância e vivencia com inúmeros exemplos bíblicos de unidade em meio à diversidade como: as doze tribos de Israel; a santa trindade e a dicotômica constituição humana.

O olhar bíblico do assunto, seja ele negativo ou positivo, terá consequências não só para a igreja, mas para toda a sociedade. Por isso a necessidade de se construir uma cosmovisão teológica da unidade embasado no mesmo amor que Jesus tinha para pessoas tão diferentes dele.Image

Não devemos ter isso como uma longínqua utopia, mas devemos ter sim como uma realidade presente e palpável. Para isso, a comunhão e o interesse comum devem estar ajustados bem como a bandeira da VERDADE evangélica e universal. O evangelho jamais deve ser negociado ou desassociado das verdades centrais do cristianismo histórico.

Essas verdades é que devem ser o ÁRBITRO para a comunhão ou não. Portanto, a base da unidade não deve está na comunhão, mas na verdade. A verdade é que traz a comunhão e não o contrário. Por isso a unidade da igreja proposta por muitos teólogos tem como base a verdade apostólica pregada nas narrativas e ordenanças bíblicas. São elas que precedem todo e qualquer dialogo para um fim especifico. Assim, a verdade bíblica pode servir para a comunhão ou para excomunhão.

A VERDADE bíblica é a regente de toda a unidade e comunhão. Eu sou um com aqueles que procedem do mesmo credo que eu. Podemos discordar de assuntos periféricos, mas nunca podemos discordar de assuntos centrais e universais da fé cristã.

É exatamente essa proposta homogênea que tem como base a harmônica pessoa de Jesus Cristo. É ele que deve ser o regente de toda comunhão, diálogo e compreensão. É por meio da pessoa de Jesus Cristo que nos aproximamos daqueles que são diferentes de nós. O “eixo gravitacional” deve ser a vida e a obra de Jesus, pois, segundo a narrativa bíblica, foi ele o único personagem que andou com publicanos (Lucas 5:27), tinha amigos leprosos (Mateus 8:2), hospedou-se na casas de fariseus (Lucas 7:36) e conversou com samaritanos (João 4:7). Ele é nosso maior exemplo de dialogo inter-racial, intersocial e interdenominacional. Foi ele mesmo que superou todas as barreiras impostas pela cultura e quebrou todo o muro que dividia uma simples conversa entre um povo e outro povo.

Toda a pluralidade deve estar respaldada pela vinculo do amor de Jesus, é nele que a unidade da igreja se concentra com toda a sua diversidade teológica. A harmonia proposta pela comunhão deve estar respaldada pelas verdades bíblicas e doutrinárias encontradas na pessoa de Jesus Cristo bem como todo o seu exemplo de amizade e compreensão do outro.

9 Fases na Vida de Uma Igreja – Mark Driscoll

Há muitas fases na vida de uma igreja. Saber em que fase a sua igreja está é crucial à saúde e à longevidade dela e, o mais importante, ao progresso futuro do evangelho.

As seguintes nove fases da vida de uma igreja procedem de minhas observações na implantação da Mars Hill Churche na assistência a centenas de outras implantações de igrejas por meio do ministério Atos 29.

Mark A. Driscoll é um pastor e autor norte-americano. É pastor e co-fundador da igreja Mars Hill Church em Seattle, Washington, co-fundou a Rede Atos 29e tem contribuído para a seção “Fé e Valores” do jornal The Seattle Times.

1. Gestação

Nesta fase, uma visão é plantada. Deus chama um líder (ou líderes) para começar uma nova igreja e esclarece os detalhes da visão. Um grupo inicial de pessoas é reunido, um local de reuniões é provido, alguns ministérios começam a se formar, e recursos financeiros são obtidos.

2. Nascimento

Durante esta fase, a igreja deixa de ser um conceito e se torna uma realidade. Ela se abre para convidar a comunidade mais ampla e focaliza sua atenção em evangelização, crescimento e implementação de novos sistemas, estabelecendo novos líderes.

3. Infância

Infância é o período de tempo em que a frequência à igreja se torna um tipo de padrão estabelecido, planos de longo prazo se iniciam, novos programas são acrescentados, e estruturas administrativas se desenvolvem, a fim de se prepararem para crescimento numérico e envolvimento na missão da igreja.

4. Adolescência

Nesta fase, membros da igreja começam a assumir posições de maior liderança, o governo da igreja começa a se formar, a frequência à igreja e a contribuição financeira começam a aumentar.

5. Maturidade

Quando uma igreja começa a amadurecer, o número de líderes é aumentado, a igreja ganha a confiança de que agora tem estabilidade suficiente, o governo e a liderança da igreja são solidificados, a frequência à igreja e a contribuição financeira se tornam mais fortes. A igreja é agora independente, governa-se a si mesma e financia-se a si mesma. É também comum que igrejas nesta fase comprem suas próprias acomodações.

6. Paternidade

Paternidade é o tempo quando a igreja está pronta para reproduzir-se por dar liderança e recursos financeiros para o início de outro ciclo de implantação de igreja. Isto resulta no surgimento de uma nova congregação. Neste caso, o fato singular é que a igreja patrona da implantação da nova igreja tem um interesse permanente em orar por e ser responsável pelo novo trabalho, visto que tem-se sacrificado por ele.

7. Descendência

Esta época da vida de uma igreja ocorre quando ela já implantou tantas igrejas que começa a ver igrejas implantadas de terceira e quarta geração.

8. Morte

Quando uma igreja não é saudável, ela morre. Uma igreja não é saudável quando ela deixa de experimentar crescimento nas conversões ou deixa de atrair líderes jovens. Nesta altura, os membros da igreja se deparam com um dilema crítico. Primeiro, podem negar a morte iminente da igreja, vender seus bens para prolongar sua morte, redefinir sua missão para proteger sua morte ou apenas sobreviverem enquanto a igreja morre lenta e dolorosamente, reescrevendo os melhores anos de sua história para sentirem-se significantes e bem-sucedidos. Segundo: podem tomar sua morte iminente como uma oportunidade para ressurgir.

9. Ressurreição

Nesta fase, os membros de uma igreja sabem que ela está morrendo ou, pelo menos, não é tão saudável e frutífera como deveria ser e decidem, humildemente, encerrar a sua organização e reimplantar a igreja. Reimplantações são feitas normalmente pela contratação de um novo pastor empreendedor para começar com os bens existentes e com a liberdade de acabar programas, excluir pessoas problemáticas e decidir o que fazer com suas instalações. Doar as instalações e os bens para um plantador de igreja ou para uma igreja que está crescendo é outra opção. Igrejas que têm esta humildade e sabedoria devem ser estimadas como igrejas-modelos pela maioria das igrejas que não se desenvolvem ou estão em declínio e precisam ter uma visão para a um futuro frutífero e fiel.

Em que fase está a sua igreja?

Tradução: Francisco Wellington Ferreira