O Cenário Indigena Brasileiro e a Atuação Missionária Evangélica – Ronaldo Lidório

     Nos últimos 500 anos o pensamento coletivo brasileiro não mudou a ponto de gerar uma diferença visível em termos de abordagem e interação com o indígena e sua sociedade. No cenário leigo o índio ainda é visto por alguns como selvagem, por vezes como herói, ignorante ou, ainda, como representante de uma cultura superior e pura. Poucos pararam para escutá-lo nos últimos cinco séculos, e havia muito a ser dito.
        No meio acadêmico fala-se sobre a desmistificação da identidade indígena. Creio que precisamos primeiramente desmistificar a nós mesmos, repensar nossas expectativas em relação a essa sociedade com a qual convivemos por séculos sem compreendê-la, e passar a interpretá-la de forma igualitária na dignidade e respeitosa nas diferenças.
Calcula-se que havia 1,5 milhão2 de indígenas no Brasil do século 16, os quais, irreparavelmente, somam hoje não mais de 350 mil. Infelizmente essa realidade etnofágica vai muito além das estatísticas e das palavras, pois é composta por faces, vidas, histórias e culturas milenares, as quais têm sofrido ao longo dos séculos a devassa dos conquistadores, a forte imposição socioeconômica e perdas sociais tremendas. Permita-me redefinir os termos desta afirmação. Os conquistadores não são os outros. Somos nós.
A sociedade indígena ainda vive hoje sob o perigo de extinção. Não necessariamente extinção populacional, mas igualmente severa, quando se perde língua, história, cultura e direito de ser diferente e pensar diferente convivendo em um território igual.
         Segundo Lévy-Strauss, a perda lingüística é um dos sinais de declínio de identidade étnica e decadência de uma nação. Ao observarmos tal sinal, percebemos quão desolador é o cenário. Michael Kraus afirma que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças. 3 Isso significa que um número cada vez maior de crianças indígenas perde seu poder de comunicação a cada dia.
       Aryon Rodrigues estima que, na época da conquista, eram faladas 1.273 línguas,4 ou seja, perdemos 85% de nossa diversidade lingüística em 500 anos. Luciana Storto chama a atenção para o Estado de Rondônia, onde 65% das línguas estão seriamente em perigo por não serem mais aprendidas pelas crianças e por terem um ínfimo número de falantes.
Precisamos perceber que a perda lingüística está associada a perdas culturais complexas, como a transmissão do conhecimento, formas artísticas, tradições orais, perspectivas ontológicas e cosmológicas. No processo de transição, quando a língua materna cai em desuso, normalmente há o que podemos chamar de “geração perdida”: um vácuo cultural atinge uma geração inteira. Ou seja, no processo de perda lingüística e migração para o português, os grupos indígenas passam por um processo de adaptação quando já não têm mais fluência na língua materna nem aprenderam o suficiente o português para uma comunicação mais profunda. Tal processo em média não dura menos que três décadas. Esse é um momento de perigo, em que a identidade indígena é autoquestionada e muitos valores e, sobretudo, seu poder de comunicação e transmissão de conhecimento são perdidos. Perdem-se também os sonhos.
           Na tentativa de repensar a realidade de nossos irmãos indígenas é preciso filtrar a informação sobre a atuação missionária evangélica em relação a eles. A contribuição evangélica, na tentativa de relacionamento com a sociedade indígena nacional, teve início com a influência holandesa no século 16 e permanece hoje representada por um grande número de organizações que tenta reduzir os prejuízos sofridos. Isso se traduz em um sem-número de biografias daqueles que deram a vida, na impossibilidade de darem mais, para minimizar alguns dos efeitos do extermínio social indígena de séculos.
           Dentro de um vasto universo de ações sociopolíticas percebemos que a força evangélica missionária se destacou especialmente em três áreas: preservação lingüística (com a grafia e conseqüente preservação de diversas línguas — e muito ainda está sendo feito); educação (tanto na língua materna, com forte destaque, quanto na educação formal em programas governamentais); e saúde (tanto de base, nas comunidades, quanto também organizacional, em clínicas e hospitais). Permita-me pontuar: o evangelho jamais será motivo de alienação social ou imposição de credo. É, ao contrário, motivação para uma contínua tentativa de se recuperar as perdas humanas nos segmentos mais sofridos.
Ainda há muito a ser feito. É necessário caminhar.

Notas

[1] FONSECA, Ernesto. Breve história da colonização. Lisboa: 1897.

2 Antropólogos da ALAB falam em 5 milhões.

3 KRAUSS, Michael. The world’s languages in crisis.

4 RODRIGUES, Aryon. Línguas indígenas — 500 anos de descobertas e perdas. Última atualização em Ter, 31 de Março de 2009 16:59

William Hendriksen – Lucas 16-17

“A lei e os profetas foram proclamados até João. Desde esse tempo o evangelho do reino de Deus está sendo pregado, e todos se esforçam vigorosamente por entrar nele.” Lucas 16:16

Willian Hendriksen (1900 - 1082)

Os fariseus pareciam esposar a opinião de que poderiam entrar no reino de Deus esquivando-se da lei de Deus. Os exemplos mais notórios disso se encontram em Mateus 15.1-9; 23.16-26. Mas o que é necessário é que os homens vigorosamente avancem para o reino e isso é exatamente o que desde os dias de João Batista os homens corajosos estiveram fazendo. A entrada no reino demanda renúncia genuína, esforço fervoroso, energia incansável, esforço máximo.

Qual é o significado da afirmação de que isso vem ocorrendo desde os dias de João Batista? Antes desse tempo Deus se revelara na lei e nos profetas, isto é, no que agora chamamos o Antigo Testamento. Essa revelação era ppeparatória. Com João Batista chegou a nova dispensação, a do cumprimento, como é evidente à luz do fato de que João apontou para Cristo que estava realmente presente (Jo 1.29, 36). Portanto, com João chegou uma nova etapa na história do reino de Deus (cf. Mc 1.14; At 1.22; 10.37) e se passou a proclamar o evangelho do reino de Deus nos corações e nas vidas por meio de mensagens e sinais confirmativos. Quem quiser pertencer a essa esfera de luz e amor terá de entrar nesse reino do modo indicado, isto é, entrando vigorosamente nele. Não existe outro modo. E não era também exatamente isso o que Jesus dissera antes, usando palavras diferentes, a saber: “esforcem-se por entrar pela porta estreita” (13.24)? Naturalmente que força para fazer isso vem de Deus, mas isso não elimina o fator da responsabilidade humana (Fp 2.12, 13).

Confrontando o método farisaico de evadir-se da lei, Jesus agora declara: 17. É mais fácil que o céu e a terra desapareçam do que que o menor sinal de uma letra da lei perca seu vigor.

Apesar das tentativas farisaicas de esquivar-se e evadir-se da lei moral (cf. v. 18), ela retém seu vigor. Seria mais fácil que o céu e a terra deixassem de existir do que um pequeno sinal de uma letra da lei perder sua autoridade.

O Antigo Testamento foi escrito originalmente em caracteres hebraicos. A “curvatura” ou keraia é uma projeção muito pequena que distingue um caracter hebraico do outro. Assim a segunda letra do alfabeto hebraico, chamada bet, que corresponde a “b” em nosso idioma, tem uma pequena extensão na quina inferior do lado direito, para distingui-la da letra kaf, que por sua vez corresponde à nossa letra “k”. No presente contexto, o significado então é este, que nem mesmo no aspecto mínimo a lei moral poderá ser invalidade. Aliás, o evangelho ao mostrar quão maravilhosamente Deus tem abençoado os homens por meio da obra de Cristo, faz com que o crente se torne muito mais desejoso de obedecer à lei de Deus, movido por gratidão. Por isso, em vez de debilitar as exigências da lei, o evangelho as corrobora.

Fonte: Monergismo.com

 

 

 

Uma breve análise de Mateus 28:19 – por Tiago H. Souza

Analise de Mateus 28:19

Talvez nenhuma outra passagem bíblica isolada da bíblia seja mais amplamente usada para desafiar os cristãos a serem fieis á sua tarefa primaria do que Mateus 28:16-20. Apesar disto, os pregadores quase nunca gastam tempo para fazer exegese da passagem e compará-la com passagens paralelas. Como resultado, a essência e o método da real missão tem se perdido a uma diversidade de pensamentos acerca desse mandamento.

Para o texto de Mateus 28:16:20 os teólogos tem 4 possíveis interpretações:

1-      Forte ênfase no particípio “IDE”.

– Essa interpretação da uma conotação exagerada em cruzar fronteiras, minimizando o “fazer discípulos”.

 

2-       Forte ênfase no imperativo “FAZER DISCÍPULOS”.

– Essa interpretação sugere a idéia do “fazer discípulos” como proposta principal do texto. Alguns chegam a afirmar que o “ide” não é tão importante, podendo ser descartado do mandamento.

 

3-      Subordinação do “IDE” ao FAZER DISCÍPULOS”.

– Essa terceira interpretação sugere que ao “fazer discípulos” o “ide” praticamente esta sendo cumprido, pois o imperativo esta sendo obedecido de qualquer maneira.

 

4–  “Indo” e “Fazendo Discípulos” – A quarta interpretação sugere que o particípio “ide” pode ter um tom imperativo junto ao “fazer discípulos”, dando uma conotação também de ordem ,urgência e propósito para algo.

Gramaticalmente a palavra “ide” ( poreythentes) é um particípio no original e não um imperativo. Provavelmente deva ser traduzida “indo” ou “enquanto ides”. Mas este fato não deve deixar que a força da palavra seja embotada. A mesma construção é achada em atos 16:9 :” Passa e (ou, passando) ajuda-nos. Obviamente, se Paulo não “passar” para lá, não poderá “ajudar”! E se nós não “vamos” não podemos cumprir nossa missão. Por outro lado, a ênfase não somente recai sobre o “ir”, mas, sobre a razão para ir.

O “fazer discípulos” (Matheteysate) é o único imperativo e a atividade central indicada na grande comissão. O verbo “Matheteysate” é empregado para dar luz á razão do “ir” (poreythentes). Não há como desassociar um verbo do outro, pois os dois se completam apesar de o imperativo ser “fazer discípulos” o “ir” não pode ser esquecido ou negligenciado, pois, a vontade de Deus é que o evangelho chegue em “todas as nações”.

Ora, há possibilidade de todas as nações ouvirem o evangelho se todas as igrejas somente discipular seus amigos e familiares? Não. Não há possibilidade de a grande comissão ser cumprida dessa forma porque muitas culturas e povos ainda estariam isolados pelo preconceito racial e cultural do homem. Então, a ênfase também recai sobre o ir, porque é ele que conduz o imperativo “fazer discípulos” no propósito de alcançar todas as nações.

Por essa razão defendo a quarta posição “INDO” E “FAZENDO DISCIPULOS” que defende o particípio “ir” com um tom imperativo, pois prepara o verbo principal “fazer discípulos” em sua melhor definição.

Nas palavras de Cleon Rogers:

                                  “   O particípio não deve ser enfraquecido como uma opção secundária que não é tão importante. O aspecto de aoristo torna o mandamento definido e urgente. Não é “caso você esteja indo” ou “onde quer que você esteja”, mas sim “vá e faça algo”. Isto não deve ser tomado exclusivamente no sentido de ir a um país estrangeiro. A ênfase é na natureza universal da tarefa – uma atividade global que envolve tanto o país natal quanto os países estrangeiros.”

            A tarefa missionária segundo a quarta posição é “fazer discípulos de todas as nações”. É a posição mais coerente com a lógica e com a teologia bíblica de missões encontradas também no Antigo testamento como em Genesis 12:3.

É interessante notar também algo muito significativo em relação a Mateus, o autor do evangelho. Mateus freqüentemente coloca um particípio aoristo antes do aoristo do verbo principal. Logo após ele postula que o particípio adquiriu também uma força imperativa, como vários verbos no Antigo Testamento. Isso acorre para dar certa urgência ao verbo principal, que no caso da passagem é o “fazer discípulos”. Ou seja, a interpretação“INDO E FAZENDO DISCÍPULOS” sugere que a igreja cruze fronteiras para cumprir a grande ordem de fazer discípulos em prol que todas as nações venham conhecer a Deus.

Temo que por conta de um “pequeno grande erro” a igreja se desvie daquilo para do qual ela foi chamada. Se isso acontencer as conseqüências serão serias para aqueles que já conhecem o evangelho e para aqueles que não o conhecem.

Não foi fácil para o Kalley, para o Simonton e nem para Gunnar Vingren e Daniel Berg cumprir a grande comissão sobre o olhar da quarta posição “indo e fazendo discípulos”. A diferença entre eles e nós é uma distancia de percepção quanto a urgência do texto. Por conta da obediência correta do mandamento do texto na vida desses missionários, é que hoje escrevo esse artigo.

 

Esse texto é basiado no artigo de Carl J. Bosma para a Fides Reformata XIV n°1 (2009)

 

 

postado por Tiago H. Souza

Roger Ellsworth – Sansão e a Sedução da Cultura

Por  Roger Ellsworth 

Nossa palavra sedução vem do latim “sudecere”, que literalmente significa “levar para o lado”. Este vocábulo possui uma conotação negativa, ou seja, implica em que alguém é levado para o lado, afastando-se de uma coisa boa e correta para algo vil e inferior. Em outras palavras, não significa apenas ser levado para o lado, mas também “ser desencaminhado”.

Não somos capazes de pensar muito sobre alguém que foi seduzido, sem que Sansão nos venha à mente. Ele foi o grande “seduzido” de todos os tempos. A fim de apreciarmos quão trágica foi a pessoa de Sansão e quão terrível a sua sedução, precisamos começar pensando sobre aquilo do que ele foi afastado.

Sansão foi chamado para ser um especial instrumento de Deus, em um tempo quando todo o povo de Deus fora seduzido pela cultura dos filisteus. Na época dos juízes, a nação de Israel se encontrou oprimida por seus ímpios e cruéis vizinhos, em várias ocasiões. Mas, em cada instância, “os filhos de Israel clamaram ao SENHOR” (Jz 3.9,15; 4.3; 6.6- 7; 10.10). Quando chegamos ao período em que os filisteus tinham a supremacia sobre Israel, não lemos nada afirmando que o povo clamou a Deus. R. C. Sproul disse: “De maneira diferente dos outros invasores, os filisteus eram civilizados e não se mostravam terrivelmente opressivos; por conseguinte, Israel relaxou sob o domínio dos filisteus e não invocou o Senhor”.

Este foi o ambiente em que Deus chamou Sansão. O povo de Israel havia se acomodado a uma existência pacífica com os filisteus; e Sansão seria o instrumento de Deus para despertar seu povo e convocálo a abandonar sua paixão pela cultura filistéia. Para alcançar este propósito, Deus concedeu ordens ao pais de Sansão, instruindo que seu filho seria um nazireu. O cabelo de Sansão não deveria ser cortado (Jz 13.5). Ele não deveria beber vinho ou comer coisas impuras (Jz 13.7).

Por ter sido dotado com uma força super-humana, Sansão foi, por muito tempo, um poderoso e eficiente instrumento nas mãos de Deus. Enquanto lemos o relato de sua vida, encontramos este refrão: “O Espírito do SENHOR de tal maneira se apossou dele” (Jz 14.6,19; 15.14). Isto nos mostra onde realmente se encontrava a força de Sansão. Seu cabelo era o símbolo de sua força física e sua consagração a Deus, mas a fonte de sua força era o Espírito de Deus. James B. Jordan afirmou: “Não havia qualquer vínculo mágico entre a força e o cabelo de Sansão, mas havia uma conexão espiritual no fato de que Deus outorga força àqueles que são dedicados a Ele; e, no caso de Sansão, sua cabeça dedicada era o sinal de sua separação para Deus”.

Após ter sido usado por Deus durante diversos anos, de maneira poderosa e admirável, esperaríamos que Sansão se mostrasse invencível. Ele havia contemplado Deus utilizando-o para realizar grandes vitórias e parecia ser tão forte na fé quanto era em sua força física. A última coisa que esperaríamos ouvir era que Sansão brincaria com o perder a força que Deus lhe havia concedido e utilizado.

Então, Dalila apareceu no cenário da história. Muitos pensam que ela era uma filistéia; outros imaginam ter sido uma israelita apóstata. A Bíblia não o diz. Uma coisa é certa: ela era um filistéia em seu coração; e mostrou-se tão identificada com os filisteus, que poderia ser contada com um membro deste povo.

Dalila deve ter sido muitíssimo bela, e os príncipes filisteus sabiam que Sansão possuía uma fraqueza por mulheres bonitas. Portanto, eles a arrolaram em sua causa. Ela deveria, em troca de uma boa quantia de dinheiro, descobrir a fonte da força de Sansão, enquanto os príncipes filisteus estariam escondidos em um quarto. No momento oportuno, eles sairiam e dominariam Sansão. Quando os filhos de Deus aprenderão que sempre existem inimigos escondidos por perto, esperando uma oportunidade de fraqueza, a fim de que entrem em cena e causem destruição?

Três vezes Dalila pediu a Sansão que revelasse a fonte de sua força. Três vezes Sansão deu-lhe uma resposta mentirosa. Três vezes os filisteus vieram para dominá-lo, mas foram vencidos por ele. No entanto, nesses encontros, não há qualquer menção do Espírito vindo poderosamente sobre Sansão. Por causa do louco flerte de Sansão com o pecado, o Senhor já havia se retirado dele.

Finalmente, Dalila importunou Sansão além de sua capacidade de suportar; ele revelou a verdadeira fonte de sua força. Quando ele dormiu, ela cortou suas longas tranças, e os filisteus vieram e o levaram preso.

Essa história parece bastante fantasiosa, para acreditarmos nela?

Por que, após se tornar óbvio o que Dalila pretendia, Sansão continuou até que ela o viu falando a respeito da fonte de sua força? Por que ele correu tão grande risco? Nisto, percebemos novamente a fragilidade da natureza humana. Isto não é verdade apenas no que se refere a Sansão; também é verdade no diz respeito a todos nós. Ficamos enamorados de coisas que sabemos nos destruirão. Diga-me quantas vezes você foi abrasado pelo pecado e se voltava para ele; eu lhe direi por que Sansão permaneceu conversando com Dalila.

Sansão pagou um terrível preço por sua tolice. Os filisteus lhe vazaram os olhos e puseram-no a virar um moinho, no cárcere. Esta foi a maneira dos filisteus mostrarem que seu deus, Dagom — o deus do grão, havia conquistado a vitória sobre o Deus de Israel. De modo semelhante, quando um filho de Deus cai em pecado, o mundo incrédulo está sempre disposto a regozijar-se com malignidade sobre este filho de Deus e atribuir seu pecado a uma inerente deficiência no cristianismo.

A vitória dos filisteus teve pouca duração. Enquanto Sansão trilhava grão, seu cabelo cresceu e, com ele, o arrependimento. Quando os filisteus trouxeram Sansão a um de seus festivais repleto de bebedice, a força de Sansão retornou ao ponto em que ele foi capaz de derrubar as colunas do edifício, matando a si mesmo e os filisteus.

De que maneira Sansão se envolveu neste embaraço? Como ele perdeu sua força? Reputando as coisas como normais? Sim. Não andando em obediência a Deus? Sim. Procurando ver quão perto ele poderia chegar do fogo e não se queimar? Sim. Todas essas coisas e muito mais contribuíram, mas a resposta final é que ele mesmo tornou-se tão enamorado da cultura dos filisteus, que incorporou e expressou através de Dalila que ele estava cego para as outras coisas.

Não sei que epitáfio a família de Sansão escreveu em seu túmulo, após retirarem seu corpo de entre as ruínas do templo dos filisteus. Porém, sei que poderiam ter escrito: “SEDUZIDO PELA CULTURA QUE, POR DEUS, ELE FOI CHAMADO A INFLUENCIAR”.

Sansão é uma figura muito apropriada da igreja contemporânea. À semelhança dele, fomos chamados a influenciar nossa cultura, para Cristo. Fomos chamados para ser o sal que ameniza a degeneração moral do reino dos homens e a luz que mostra o caminho para o reino de Deus.

Todavia, a cultura que estamos procurando influenciar não é passiva.

Ela tem sua própria doutrina, agenda e pregadores, mostrando-se agressiva e militantemente dedicada em resistir nossa mensagem e pregar a sua.

Muitos de nós fazemos bem, durante certo tempo, em sermos fiéis a Deus, permanecendo contra a agenda deste mundo. Mas o contínuo e sedutor namoro de Dalila começa a minar nossas defesas, e, antes que percebamos o que aconteceu, estamos pensando e conversando de maneira similar a filisteus civilizados, defendendo posturas contrárias à Palavra de Deus.

O poder do cristianismo se encontra na Palavra de Deus, e, quando nos permitimos ser sedutivamente afastados dela, nos achamos, assim como Sansão, roubados de poder e humilhados diante de um mundo escarnecedor. Sansão permanece como um lembrete contínuo de que mesmo o mais forte cairá, se for prostituir-se ao seguir uma cultura pagã. Essa prostituição sempre conduz à falta de poder, à cegueira e à morte. Isto não é a explicação para a cegueira que impede a igreja de ser capaz de discernir entre o verdadeiro e o falso? Isto não explica a morte que impede a igreja de se regozijar na realidade das coisas espirituais?

A figura de Sansão é tão lamentável quanto poderia ser, mas existe também grande consolação nessa história. Em última análise, os filisteus venceram Sansão, não porque eram mais fortes, mas porque ele demonstrou infidelidade. Os cristãos, às vezes, caem na armadilha de pensarem que seu grande inimigo é a cultura ímpia que os assedia. Sem dúvida, a cultura ímpia é um inimigo, mas apenas em sentido secundário. Nosso grande inimigo somos nós mesmos. Se estamos sendo oprimidos hoje, não é porque as crenças e o estilo de vida modernos são mais fortes do que nós, e sim porque temos sido infiéis para com Deus, que nos torna fortes.

Quão profundamente precisamos guardar esta verdade em nossos corações! Nossa vocação é sermos fiéis a Deus! Mas o que dizermos sobre o filho de Deus que já se mostrou infiel para com Ele? O que dizermos sobre o cristão que foi seduzido pelos errôneos dogmas de uma cultura ímpia? Louvado seja Deus, existe outra consolação a recebermos da vida de Sansão! Os cabelos espirituais crescem novamente! O filho de Deus pode ser seduzido pela cultura pagã que o rodeia, mas, por fim, retornará ao Senhor e será renovado. E, assim como Sansão foi vindicado, este filho de Deus também o será. Está chegando o bendito dia em que seremos retirados da cultura que despreza as coisas de Deus e resplandeceremos como as estrelas do firmamento, para sempre. E todo o universo saberá que estávamos certos em andar com Deus.

Pregações no livro de Efésios no 3°Congresso Mundial de Evangelização Lausanne

Efésios 1 – Ajith Fernando

parte 1  http://www.youtube.com/watch?v=kmjROZBO4do

parte 2 http://www.youtube.com/watch?v=6dUckL-U16U&feature=related

Efésios 2 – Ruth Padilha

parte 1 http://www.youtube.com/watch?v=j4NuOcwgA1g&feature=related

parte 2 http://www.youtube.com/watch?v=F6I4ImrMNYY&feature=related

Efésios 3 – John Piper

parte 1 http://www.youtube.com/watch?v=o14tCvP0sD4&feature=related

parte 2 http://www.youtube.com/watch?v=brEkbLl_K0w&feature=related

Efésios 4 – Vaugham Roberts

parte 1 http://www.youtube.com/watch?v=eRLhDZJ96qs&feature=related

parte 2 http://www.youtube.com/watch?v=h2POPMkt4JY&feature=related

Postado por: Tiago Souza

Fazer Missões pode ser Perigoso – John Piper

Devo considerar não fazer missões se isso implica perigo constante para minha vida? 

Sim, considere. Mas, depois de haver considerado a questão, talvez você deva fazer missões. Se a sua esposa diz: “Não”, talvez você não deva se envolver em missões.

Suponho que você está falando de perigo real tanto para si mesmo como para sua esposa, e não está falando de colocar sua esposa em risco porque têm uma posição segura e excelente. Se isso é o que você está querendo dizer, então você é egoísta e não deve fazer missões de modo algum.

Mas, se você quer dizer: “Devo seguir uma chamada que põe em risco a mim, minha esposa e meus filhos?”, eu diria: sim, porque, se todos seguirem o caminho oposto, a Grande Comissão nunca será terminada.

A menos que você esteja dizendo que a Grande Comissão deve ser terminada somente por solteiros. “Deixemos os solteiros sofrer. Somos pessoas casadas, não devemos sofrer. Casamos e, assim, escapamos do sofrimento.” Não acho que o Novo Testamento ensina isso.

Essa foi a razão por que Jesus disse: “Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher… não pode ser meu discípulo”. Jesus não usou a palavra “aborrece” no sentido de ódio para com os parentes. Ele a empregou no sentido de que você assume riscos ao ponto de sua avó dizer que você age como se a odiasse. Você sabe que não a odeia. Você a ama, assim como ama todas as pessoas que está tentando alcançar com o evangelho.

Não tenho critério final e preciso a respeito de quando fugir e de quando permanecer. Essa é a velha ênfase sobre a qual John Bunyan escreveu em seu livro Advice for Sufferers (Conselho para Aqueles que Sofrem).

Bunyan escolheu passar 12 anos na prisão quando poderia ter saído da prisão. Ele tinha uma esposa e quatro filhos, um dos quais era cego. Ele poderia ter ficado livre da prisão se apenas tivesse assinado a confissão: “Eu não pregarei mais”. Mas ele escolheu permanecer preso, e isso colocou sua família em grande risco, com pobreza.

Por isso, ele escreveu a obra Advice for Sufferers (Conselho para Aqueles que Sofrem), na qual ele oferece exemplos bíblicos de pessoas que fugiram, como Paulo quando escapou de Damasco, sendo descido num cesto pela muralha, em vez de ser corajoso. É como se disséssemos: “Ei, Paulo! Por que você está sentado em um cesto, sendo descido pela muralha e fugindo de dificuldades?” Há também exemplos de Paulo lançando-se, por assim dizer, aos leões em Éfeso ou em Filipos, indo para a prisão e mostrando-se disposto a receber açoites.

Quando você fica e quando você foge? Bunyan diz: “Deus lhe mostrará”.

Portanto, não acho que seja automática a sua escolha de preservar a si mesmo, sua esposa, seus filhos do risco, do perigo e do sofrimento. Haverá momentos em que você sentirá: “Sim, é tempo, por causa do Reino e de tudo que está envolvido, de que eu mude para outro lugar e outro ministério”.

Não é uma resposta simples. Não tenho uma resposta simples a respeito de quando tomar essas decisões.

Predestinação e Missões – Barbara Helen Burns

“Não adianta ir fazer missões; os predestinados vão ser salvos mesmo.”

 

Realmente a Bíblia deixa claro que os salvos são predestinados à salvação. Efésios 1.4-5 diz: Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença.  Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade (NVI). O v.11 no mesmo capítulo repete a mesma verdade, Nele fomos também escolhidos, tendo sido predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade.

Dra. Barbara Burns

 

Deus é soberano! A predestinação é um ensinamento da Bíblia apesar da dificuldade em entendê-la. De fato, grandes teólogos em toda a história da Igreja Cristã têm debatidos esta doutrina sem chegar a uma conclusão unânime. Alguns enfatizam mais o lado que Deus faz tudo e o homem não tem escolha nenhuma diante dEle. Outros se baseiam em outros textos que deixam claro que o homem também tem que buscar e obedecer a Deus, enfatizando a livre vontado do homem.

 

A Bíblia aparentemente nos apresenta os dois lados, claramente ensinados. J.I. Packer (Evangelismo e a Soberania de Deus, Ed. Vida Nova) chama este dilema de “paradoxo. ” Um paradoxo é algo que tem dois lados que parecem opostos, mas são ambos a verdade. Em nossa mente finita, não podemos entender esta verdade infinita que origina nos conselhos de Deus. Mesmo difícil para a mente, a predestinação é algo que todos nós que somos do Senhor entendendemos na experiencia pois no íntimo sabemos que não merecemos ser filhos e filhas de Deus, e que não fizemos nada para comprar a salvação. Sabemos que nem tinhamos condições de buscar a Deus até achar, pois em Romanos 3:11 diz: Não há quem entenda, não há quem busque a Deus. Depois em versículo 23, Romanos diz algo que com humildade nós sabemos: pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.

 

Nós não recebemos a salvação por nosso mérito; somos salvos por causa da graça de Deus em enviar Jesus Cristo para morrer numa cruz, pagando o preço do nosso castigo e tomando sobre si o nosso pecado. Fomos justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça (Romanos 3:24-25a). Porém a salvação vem para nós no momento em que dobramos diante de Deus com corações contritos pelo pecado e desobediência, pedindo perdão e aceitando pela fé Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Temos que abrir nossos corações para receber aquilo que Deus predestinou que seria nosso!

 

Então uma parte da primeira sentença deste artigo é a verdade: “os predestinados vão ser salvos mesmos.” No entanto a outra frase, “não adianta fazer missões”, é bem errada! Fazer missões é o centro da vontade de Deus para nossas vidas e uma das mais importantes razões dEle ter nos predestinado! Ele escolhe Seu povo para ser canal da Sua glória ao mundo (compare Êxodo 19:4-5 e 1 Pedro 2:9).

 

Uma ilustração disto seria a vida de Cornélio em Atos 10. Cornélio era um homem piedoso: orava, dava esmola, e era temente a Deus. Mas Cornélio, apesar de predestinado, não era salvo ainda. Era necessário o Apóstolo Pedro ir até a casa dele para explicar o caminho de salvação. Era necessário Cornélio aceitar na sua vida a presença real de Jesus Cristo. Deus não mandou um anjo para evangelizar (apesar que uns anjos participaram no preparo do caminho). Pedro era um servo dEle, pronto a obedecê-lO, mesmo difícil por causa do egoísmo e etnocentrismo do Apóstolo.

 

O texto mais difícil a entender no Novo Testamento é Romanos 9-11. Predestinação é um dos assuntos principais deste texto onde Paulo tenta levar os crentes de Roma a apreciar quem são dentre dos propósitos eternos de Deus. Para os que queixam contra a doutrina de predestinação Paulo responde:

 

Mas algum de vocês me dirá: “Então, por que Deus ainda nos culpa? Pois, quem resiste à sua vontade?” Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? “Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: ‘Por que me fizeste assim?'” O oleiro não tem direito de fazer do mesmo barro um vaso para fins nobres e outro para uso desonroso? E se Deus, querendo mostrar a sua ira e tornar conhecido o seu poder, suportou com grande paciência os vasos de sua ira, preparados para a destruição? Que dizer, se ele fez isto para tornar conhecidas as riquezas de sua glória aos vasos de sua misericórdia, que preparou de antemão para glória, ou seja, a nós, a quem também chamou, não apenas dentre os judeus, mas também dentre os gentios?

(Romanos 9:19-24)

 

Um texto assim, difícil a entender, é apenas um lado do paradoxo. O outro lado vem logo em seguida quando Paulo deixa claro que os Judeus não predestinados tinham rejeitados a Deus em dureza de coração e desobediência. Ainda bem que no final deste texto a Bíblia diz:

 

O profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro lhe deu a êle para que lhe venha a ser restituído? Porque dele e por meio dele e para ele são todas as cousas. A ele pois, a glória eternamente. Amém.”

 

O que tem tudo isto haver com missões? É que muitas vezes nós tomamos apenas um lado do paradoxo de Deus, tirando qualquer responsabilidade nossa em relação a salvação de outros. Nos tornamos fatalistas em nossa conduta cristã, pensando que Deus “vai dar um jeito” para os povos que nunca ouviram a mensagem do Evangelho.

 

É de alta importância que no meio de Romanos 9-11, o texto mais profundo sobre a soberania de Deus, temos também um dos textos mais enfáticos sobre missões.

 

Se com a tua boca confessres a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvos. Porque com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação. (. . .) Porque: todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo. Como, porém, invocarão aquele em que não creram? e como crerão naquele de quem nada ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados? (Romanos 10:9-10, 13-15)

 

Como ouvirão se não há missões? Como haverá missões se nós, todos nós, da Igreja de Jesus Cristo, não começarmos a nos preocupar em cumprir a vontade de Deus? Ele nos escolheu justamente porque Ele ama os povos em toda a terra. Ele nos enviou para eles, claramente ensinado no Antigo e no Novo Testamento. Jesus preparou os pais da Igreja, ensinando-os a serem missionários, e no fim enviando-os em Seu lugar e em Seu Nome até aos confins da terra. Predestinação e missões andam juntos; não se contradizem, mas são interdependentes.

 

Deus nos predestinou para glorificá-lO e para levar as Sua glória às nações. Ele nos predestinou para sermos dEle, raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (1 Pedro 2:9).

 

Postado por Tiago H. Souza

 

Método de estudo bíblico de A .W. Pink

Por A.W. Pink

“Nos meus primeiros anos eu assiduamente segui este triplo caminho:

* Em primeiro lugar, eu lia toda a Bíblia três vezes por ano (oito capítulos do Antigo Testamento, e dois do Novo Testamento diariamente). Eu constantemente perseverei nisso durante dez anos, a fim de me familiarizar com o conteúdo, que só pode ser alcançado através de consecutivas leituras.

* Em segundo lugar, eu estudei uma porção da Bíblia a cada semana, concentrando-me por dez minutos (ou mais) todo dia na mesma passagem, pensando na ordem dela, na ligação entre cada afirmação, buscando uma definição dos termos importantes, olhando todas as referências marginais, procurando seu significado típico.

* Terceiro, eu meditei sobre um versículo a cada dia, escrevendo-o sobre um pedaço de papel na parte da manhã, memorizando-o, consultando-o em alguns momentos ao longo do dia; pensando separadamente em cada palavra, pedindo a Deus para revelar para mim o seu significado espiritual e para escrevê-la no meu coração. O versículo era o meu alimento para aquele dia. Meditação é para a leitura como a mastigação é para o comer.

 

‘A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho’ Sl 119.105’”

 

Postado por Tiago H. Souza