Glorificando a Deus no Fogo – George Whitefield

Por George Whitefield

 

O fogo, meus irmãos, não apenas queima e purifica, mas, como você sabe, separa uma substância da outra, sendo utilizado na química e na mecânica. O que poderíamos fazer sem o fogo? Ele refina o metal, a fim de purificá-lo. O Deus todo-poderoso sabe: freqüentemente somos mais purificados, em determinado momento, por intermédio de uma saudável provação do que por meio de milhares de demonstrações de seu amor. É algo excelente sair purificado e perdoado da fornalha de aflição; seu propósito é nos purificar, a fim de separar o precioso do vil, o joio do trigo. E Deus, para realizar isso, se agrada em colocarmos em um fogo após o outro. Isto me faz apreciar a ocasião em que vejo um bom homem passando por aflições, porque ensina algo sobre a maneira como Deus age no coração.

Lembro que, há alguns anos, quando preguei em Shields, próximo a Newcastle, no norte da Inglaterra, entrei em uma fábrica de vidro. Permanecendo muito atento, pude contemplar várias peças de vidro quente com diversas formas. O operário pegou uma das peças de vidro e a colocou em uma fornalha; depois, em outra; e, posteriormente, em uma terceira. Quando perguntei-lhe: “Por que você está colocando esse vidro em tantas fornalhas?”, ele me respondeu: “Colocá-los apenas na primeira ou na segunda não é suficiente; por esta razão, eu o coloquei na terceira: isso torna o vidro transparente”.

George Whitefield (1714-1770)

Ao afastar-me do operário, ocorreu-me que aquele acontecimento daria um bom sermão: “Ora, esse homem colocou o vidro em uma fornalha após a outra, a fim de que pudéssemos ver através dele. Oh! Que Deus me coloque em uma fornalha após outra, para que minha alma seja transparente, e eu O veja como Ele é”.

Meus irmãos, precisamos ser purificados; a nossa tendência é de querer ir ao céu em uma cama macia; mas o caminho do Rei para muitos consiste em um leito de dores e abatimento. Conforme sabemos, há várias estradas em Londres chamadas “caminhos do Rei”, e foram excelentemente construídas com pedras. Mas o caminho do Rei para o céu está repleto de cruzes e aflições.

Todos nos inclinamos a pensar bem a respeito de ser um cristão. É muito agradável falar sobre o cristianismo, até que sejamos colocados em uma fornalha após outra. “Não estranheis”, disse o apóstolo, “o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos”. O que preciso fazer? Ora, se estou no fogo, é por causa das minhas corrupções. Deus não fará que passemos pelo fogo, se não houver algo a ser purificado. A grande virtude é aprender a glorificar a Deus no meio do fogo. Portanto, glorificai a Deus no fogo.

Quando glorificamos a Deus no fogo? Quando nos esforçamos para conseguir tal graça da parte do Senhor, a fim de que não O desonremos ao passar pelo sofrimento; portanto, glorificamos a Deus no fogo em ocasiões que suportamos, com quietude, a aflição como uma disciplina.

Glorificamos a Deus no fogo quando sofremos com paciência. É algo terrível alguém dizer, assim
como Caim: “É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo”. Mas a linguagem de uma alma que glorifica a Deus no fogo é esta: “Senhor, Senhor, posso eu, um homem pecador, reclamar por causa do castigo de meus pecados?” É glorioso ser capaz de afirmar, assim como aquele homem a respeito de quem, diversas vezes, um de seus amigos me falou que, encontrando-se dilacerado pela dor, gemia durante toda a noite por causa de sua enfermidade, mas clamava: “Senhor, estou gemendo; Senhor, estou gemendo; mas, Senhor Jesus, apelo a Ti, pois sabes que não estou resmungando”. Glorificamos a Deus no fogo, quando, apesar de sentirmos dor e tristeza, ao mesmo tempo dizemos: “Senhor, eu mereço isso e dez vezes mais do que isso”.

Também glorificamos a Deus no fogo quando, de fato, estamos completamente persuadidos de que Ele não há de colocar-nos no fogo, exceto quando isso coopere para nosso bem e redunde em sua glória.

Glorificamos a Deus no fogo quando dizemos: “Senhor, não permita que o fogo se apague até que remova todas as minhas escórias”. Então, nós O glorificamos quando almejamos que o fogo nos seja benéfico e não se apague, e nossa alma pode clamar: “Eis-me aqui, Senhor Deus, faze comigo o que te parecer agradável; sei que não terei uma aflição sem que Tu me concedas o consolo e me faças saber por que contendes comigo”.

Glorificamos a Deus no fogo quando demonstramos contentamento para dizer: “Não sei o que Ele está fazendo comigo agora; todavia, depois o saberei”. Explicamos para nossos filhos de dois anos de idade porque as coisas acontecem; é claro que não. E pensamos que Deus as explicará para nós? Os discípulos perguntaram: “O que este homem está fazendo?” Cristo respondeu: “Que tenho eu contigo? Segue-me”. Glorificamos a Deus no fogo quando nos contentamos em andar pela fé e não pelo que vemos.

Glorificamos a Deus no fogo quando não murmuramos em desagrado, mas submetemo-nos humildemente à vontade dEle. Uma pessoa humilde não anda em rebeldia e mau humor. Mas, existem pessoas de coração tão endurecido que nem chegam a se expressar. Quando aquela terrível notícia foi trazida a Eli, o que disse ele? “É o SENHOR; faça o que bem lhe aprouver; que meus filhos sejam mortos; o que acontecer é Ele quem o está fazendo; apenas, Senhor, salve minha alma”.

Glorificamos a Deus no fogo, quando no meio deste podemos entoar sublimes louvores a Ele. Os filhos de Israel glorificaram o Senhor; o cântico dos três rapazes na fornalha ardente é um louvor agradável! Assim também são todos os louvores produzidos em meio ao fogo. “Oh! Todas as obras do Senhor, louvai-o e exaltai-o para sempre!” Portanto, glorificamos a Deus no fogo quando nos regozijamos nele e não apenas pensamos mas também reconhecemos que isso é o melhor; quando somos capazes de agradecer a Deus por nos fustigar e quando podemos bendizê-Lo e expressar-Lhe nossa gratidão por não ter nos abandonado, afirmando: “Deixai-os sozinhos”. Istoé glorificar a Deus no fogo. “E não somente isto”, disse o apóstolo, “mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança”. Neste mundo, glorificamos a Deus no fogo quando exercitamos humildade, paciência e resignação, aprendendo a desconfiar cada vez
mais de nós mesmos, obtendo um profundo conhecimento de nossa própria fraqueza e da onipotência e da graça de Deus. Somos felizes quando podemos olhar para trás e declarar: “Fui capacitado a glorificar a Deus no fogo”.

Bem-aventurados são os que já passaram pela fornalha de Cristo! Felizes, os que já experimentaram as aflições de Cristo em suas almas! Creio que muitas almas já disseram: “Ó Senhor Jesus, ajuda-nos a glorificar- Te em quaisquer aflições que, por Teu agrado, enviares e em quaisquer fornalhas que, por Teu deleite, nos colocares”. Então, cantaremos “A Igreja Triunfante” muito melhor do que o fazemos agora; veremos Jesus pronto a ajudar-nos quando estivermos na fornalha da aflição. Oh! Que este pensamento faça todo pecador afirmar: “Com a ajuda de Deus, eu me tornarei um verdadeiro cristão; com a ajuda de Deus, se tiver de passar pelo fogo, estarei ardendo de amor por Cristo. E direi: “Senhor, seja glorificado por arrebatar-me como um tição da fornalha de Satanás!?”. Seja este o clamor de todos os corações!

Postado por Tiago H. Souza

 

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Carne Forte para os Músculos de Missões – Jonh Piper

      Por Jonh Piper

Jonh Piper

Estou cada vez mais convencido de que um movimento profundo e duradouro de missões precisará de uma doutrina de salvação que tenha raízes profundas. Em minhas férias, li algumas das memórias de Adoniram Judson. Você recorda que ele foi um Congregacional que se tornou Batista. Judson foi à Birmânia em 1812 e só retornou ao seu país depois de 33 anos.
Courtney Anderson conta a história emocionante e romântica em seu livro To The Golden Shore (Rumo à Praia Dourada). Mas, assim como muitos biógrafos de missionários, Anderson parece não saber o que motivava Judson. São as memórias que nos fazem ver as raízes teológicas. Hoje somos teologicamente superficiais e, por isso, não podemos imaginar quão apaixonados por doutrinas eram os primeiros missionários. O que motivava Judson era, simplesmente, um forte compromisso evangélico com a soberania da graça (um amor missionário intenso, humilde e reverente chamado calvinismo). Judson escreveu uma liturgia birmanesa e um credo que incluía as seguintes afirmações: “Deus, sabendo desde o princípio que a humanidade cairia em pecado e seria arruinada, por sua misericórdia, escolheu alguns da raça e deu-lhes o seu Filho, para salvá-los do pecado e do inferno… Adoramos a Deus… que envia o Espírito Santo para capacitar aqueles que foram escolhidos antes da fundação do mundo e dados ao Filho” O Breve Catecismo de Westminster, na Pergunta 20, atinge o âmago da fé exercida por Judson e acende o estopim de missões.

Pergunta: Deus deixou todos os homens a perecerem na condenação do pecado e miséria? Resposta: Deus, motivado por seu beneplácito, desde toda a eternidade, tendo escolhido um povo para a vida eterna, entrou em um pacto de graça, para livrá-los da condição de pecado e miséria e trazê-los à condição de salvos por meio de um Redentor (Ef 1.3-4; 2 Ts 2.13; Rm 8.29- 30; 5.21; 9.11-12; 11.5-7; At 13.48; Jr 31.33). O termo “aliança da graça” está repleto de esperança agradável e preciosa. Refere-se à decisão e ao juramento espontâneo de Deus para empregar toda a sua onipotência, sabedoria e amor para resgatar seu povo do pecado e miséria. A aliança é iniciada e realizada completamente por Deus mesmo. E não pode falhar. “Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim” (Jr 32.40).
A aliança da graça é válida para todos os que crêem. Todos os que quiserem podem vir e desfrutar desta salvação. E, sendo este querer uma obra da graça soberana de Deus (Ef 2.5-8), aqueles que crerem e vierem são os eleitos — eleitos em Cristo “antes da fundação do mundo” (Ef 1.4). A aliança foi selada no coração de Deus antes que o mundo existisse (2 Tm 1.9).
Esta aliança da graça é o clamor de vitória sobre todos os conflitos no campo missionário. A graça de Deus triunfará. Ele tem um compromisso de aliança e de juramento para salvar todos os que estão predestinados para a vida eterna, de cada tribo, língua, povo e nação (At 13.48; Ap 5.9). “Jesus estava para morrer pela nação [de judeus] e não somente pela nação, mas também para reunir em um só corpo os filhos de Deus, que andam dispersos” (Jo 11.51-52). O clamor da batalha de missões é: “O Senhor tem outras ovelhas, não deste aprisco.

Ele as trará (um compromisso de aliança!); elas ouvirão (um compromisso de graça) a voz dEle” (Jo 10.16). Enquanto estava na Birmânia, Adoniram Judson pregou um sermão sobre João 10.1-18. Qual foi o objetivo de Judson? “Embora envolvidas no amor eletivo do Salvador, [as suas ovelhas] podem até vaguear nas montanhas obscuras do pecado.” Portanto, o missionário tem de chamar a todos com a mensagem de salvação, a fim de que, conforme disse Judson, “o convite de misericórdia e amor, que penetra nos ouvidos e coração apenas dos eleitos”, seja eficaz.
Se desejamos ver homens semelhantes a Adoniram Judson, William Carey, John G. Paton, Henry Martyn e Alexander Duff surgir entre nós, outra vez, devemos beber a mesma doutrina forte que os governou na causa de missões.

 

Fonte: Fiel

 

Postado por Tiago H. Souza

O Verdadeiro e o Falso Arrependimento – João Calvino

Por João Calvino

Visto que o apóstolo afirmou que o falso arrependimento não apazigua a Deus, surge a pergunta: como Acabe obteve o perdão e removeu o julgamento imposto sobre si? Se julgarmos pelos últimos atos de sua vida, ele parecia ter sido comovido apenas por algum temor repentino (1 Rs 21.28-29). Na verdade, Acabe vestiu-se de pano de saco, pôs cinzas sobre si mesmo e andava cabisbaixo (1 Rs 21.27); e, conforme dizem as Escrituras, ele humilhou-se diante de Deus. No entanto, rasgar as vestes, enquanto seu coração permanecia obstinado e mergulhado na malícia, significava pouco. Apesar disso, observamos como Deus exerceu misericórdia.

Eu respondo: os hipócritas, às vezes, são poupados por um pouco. A ira de Deus, porém, sempre permanece sobre eles. Isto acontece mais por causa do exemplo que eles se tornarão para outros do que pelo bem deles mesmos. Ainda que Acabe teve sua punição mitigada, que proveito isso lhe trouxe,visto que não sentiu qualquer benefício dessa mitigação, exceto enquanto estava vivo? Portanto, a maldição de Deus, embora secreta, havia se fixado sobre a residência de Acabe, que foi para a eterna condenação.

Este mesmo fato pode ser visto em Esaú, pois, embora ele tenha sofrido uma rejeição, uma bênção temporal foi assegurada às suas lágrimas (Gn 27.40). No entanto, visto que a herança espiritual resultante da profecia divina poderia ser possuída por apenas um dos irmãos, quando Esaú foi deixado de lado e Jacó, escolhido, a rejeição de Esaú como herdeiro excluiu a misericórdia de Deus. Mas a consolação de Jacó — fartar-se da exuberância da terra e do orvalho do céu (Gn 27.28) — fez Esaú tornar-se um homem selvagem.

Isto que acabei de afirmar tem de ser aplicado como exemplo para outras pessoas, a fim de que aprendamos mais rapidamente a dedicar nossas mentes e nossos esforços em favor do arrependimento verdadeiro; pois não pode haver dúvida de que, quando somos verdadeira e sinceramente convertidos, Deus, que estende sua misericórdia sobre os indignos (quando estes manifestam insatisfação com seu próprio “eu”), nos perdoará prontamente. Deste modo, também somos ensinados que julgamento terrível está acumulado para todos os obstinados, que, com descarada altivez e um coração petrificado, se divertem em desprezar e reduzir a nada as ameaças de Deus. Assim mesmo, Deus freqüentemente estendia sua mão aos filhos de Israel, para livrá-los de sua calamidade, embora os seus clamores fossem fingidos e seus corações, enganosos e falsos (cf. Sl 78.36-37); pois Deus mesmo reclamou, neste salmo, que eles sem demora reverteram o seu próprio caráter (v. 57). Porém, apesar disso, Deus, por meio de gentileza amável, quis trazê-los à conversão sincera e torná-los sem culpa. Ao suspender a punição por um tempo, Deus não fica obrigado por uma lei perpétua. Ao contrário, às vezes, Ele levanta o castigo ainda com mais severidade contra os hipócritas e duvidosos, para demonstrar quanto Lhe desagrada a presunção deles. Mas, conforme já dissemos, Deus apresenta alguns exemplos de sua prontidão em perdoar, e, mediante este perdão, os ímpios podem ser encorajados a restaurar suas vidas; enquanto o orgulho daqueles que obstinadamente Lhe resistem pode ser severamente condenado.

 

fonte: Fiel

 

Postado por Tiago H. Souza

Abandonados por Deus – John MacArthur

O livro " Guerra Pela Verdade" do MacArthur é um livro desafiador que nos exorta a não sermos neutros a questões crucias do evangelho. O sermão "Abandonados por Deus" é basiado nesse livro.

MacArthur expõe a carta de Romanos e relaciona como a “Guerra Pela Verdade” terá implicações contra uma sociedade corrompida pelo pecado.

Orientações para odiar o pecado – Richard Baxter

Por Richard Baxter

Richard Baxter, considerado o "Pastor" da era puritana.

 

1º. Orientação

Se esforce tanto para conhecer a Deus quanto para ser afetado pelos Seus atributos. Viva sempre diante Dele. Ninguém pode conhecer o pecado perfeitamente porque ninguém pode conhecer Deus perfeitamente. Você não pode conhecer o pecado mais do que você conhece a Deus, contra quem o seu pecado é cometido; a malignidade formal do pecado é relativa, pois é contra a vontade e os atributos de Deus. O homem piedoso tem algum conhecimento da malignidade do pecado porque ele tem algum conhecimento do Deus que é ofendido pelo mesmo. O ímpio não tem um conhecimento prático e prevalente da malignidade do pecado porque eles não têm um conhecimento de Deus. Aqueles que temem a Deus temerão o pecado; aqueles que em seus corações são irreverentes e impertinentes para com Deus, serão, em seus corações e em suas vidas, a mesma coisa para com o pecado; o ateísta, que acha que não existe Deus, também acha que não há pecado contra Ele. Nada no mundo inteiro irá nos mostrar de maneira tão simples e poderosa a maldade do pecado, do que o conhecimento da grandeza, bondade, sabedoria, santidade, autoridade, justiça, verdade, e etc., de Deus. Portanto, o senso da Sua presença irá reviver em nós o senso da malignidade do pecado.

 

2º. Orientação

Considere bem o ofício de Cristo, Seu sangue derramado e Sua vida santa. Seu ofício é expiar o pecado e destruí-lo. Seu sangue foi derramado por ele. Sua vida o condenou. Ame a Cristo e você odiará o que causou Sua morte. Ame-O e você irá amar ser feito à imagem Dele, e odiará aquilo que é tão contrário a Ele.

 

 

3º. Orientação

Pense bem o quão santo é a obra e o ofício do Espírito Santo, e quão grande misericórdia isto é para nós. Irá o próprio Deus, a luz celestial, descer a um coração pecaminoso para iluminá-lo e purificá-lo? E ainda devo manter minha escuridão e corrupção, em oposição a essa maravilhosa misericórdia? Embora nem todo pecado contra o Espírito Santo seja uma blasfêmia imperdoável, tudo é ainda mais agravado por meio disso.

 

 

4º. Orientação

Considere e conheça o maravilhoso amor e a misericórdia de Deus, e pense no que ele tem feito por você e você odiará o pecado, e terá vergonha dele. É um agravamento do pecado até mesmo para a razão comum e a ingenuidade, que devemos ofender um Deus de infinita bondade que encheu nossas vidas de misericórdia. Você será afligido se você tem injustiçado um extraordinário amigo; seu amor e sua bondade virão aos seus pensamentos e você sentirá raiva de sua própria maldade. De um lado veja a grande lista das misericórdias de Deus pra você, para sua alma e seu corpo. Do outro, observe satanás, escondendo o amor de Deus de você, e tentando você debaixo de uma pretensa humildade de negar Sua grande e especial misericórdia; procurando destruir seu arrependimento e humilhação escondendo também o agravamento do seu pecado

 

 

. 5º. Orientação

Pense no propósito da existência da alma humana. Para que ela fora criada? Para amar, obedecer, e glorificar nosso Criador; e você verá o que é o pecado, pois ele perverte e anula esse propósito. Quão excelentemente grande e santa é a obra para o qual fomos criados e chamados para fazer! E deveríamos desonrar o templo de Deus? E servir ao diabo em sua imundície e tolice, quando deveríamos receber, servir, e glorificar nosso Criador?

 

 

6º. Orientação

Pense bem quão puros e doces deleites uma alma santa pode desfrutar de Deus em Sua santa adoração; e então você verá o que o pecado é, pois ele rouba-nos destes deleites e prefere uma luxúria carnal ao invés deles. Oh com quão grande felicidade poderíamos realizar cada dever, quão grandes frutos poderíamos produzir servindo nosso Senhor, e que deleites encontraríamos em Seu amor e aceitação, e como pensaríamos mais na bem-aventurança eterna, se não fosse o pecado; o qual afasta as almas dos portões dos céus, e as faz cair, como um suíno, no seu amado lamaçal.

 

 

7º. Orientação

Considere a vida que você deverá viver para sempre, se você for para o céu; e a vida que os santos vivem lá agora; e então não pense que o pecado, que é tão contrário a isso, não seja uma coisa tão vil e odiosa. Ou você viverá no céu, ou não. Se não, você não é um daqueles para quem eu falo. Se você for, você sabe que lá não há prática de pecado; não há mente mundana, orgulho, paixões, luxúria e prazeres carnais lá. Oh se você pudesse ver e ouvir apenas uma hora, como aqueles abençoados espíritos estão elevadamente amando e magnificando o glorioso Deus em pureza e em santidade, e quão longe eles estão do pecado, isso faria você repugnar o pecado e ver os pecadores num estado de extrema decadência como homens nus nadando em seus excrementos. Especialmente, pensar que vocês têm esperança de viver para sempre com aqueles santos espíritos; e, portanto o pecado será desgostoso para você.

 

8º. Orientação

Olhe para o estado e tormento dos condenados, e pense bem na diferença entre anjos e demônios, e aí saberá o que é o pecado. Anjos são puros; demônios são sujos; santidade e pecado são extremos. Pecado habita no inferno, e santidade no céu. Lembre-se que toda tentação vem do diabo, para fazer você ser como ele; e toda santa disposição vem de Cristo, para fazer você como Ele. Lembre-se que quando você peca, você está aprendendo e imitando o diabo, e está até agora sendo como ele (João 8:44). E o fim de tudo isso é que você sinta também os sofrimentos dele. Se o inferno de fogo não é bom, então o pecado não é também.

 

 

9º. Orientação

Sempre veja o pecado como alguém que está pronto a morrer e considere como todo homem o julga no final. O que os homens no céu dizem a respeito do pecado? O que os homens no inferno dizem a respeito do pecado? E o que os homens à beira da morte dizem a respeito do pecado? E o que as almas convertidas e as consciências despertadas dizem? O pecado traz deleite e é algo que eles não temem como é agora? Eles o aplaudem? Irão alguns deles falar bem do pecado? Porém, todo mundo fala mal do pecado em geral agora, mesmo quando eles amam e cometem diversos atos; Você irá pecar quando estiver à beira da morte?

 

 

10º. Orientação

Sempre veja o pecado e o julgamento juntos. Lembre-se que você terá que responder por isso diante de Deus, dos anjos, e de todo o mundo; e você o conhecerá melhor.

 

 

11º. Orientação

Olhe para a doença, pobreza, vergonha, desespero, podridão e morte na sepultura; e isso vai te ajudar um pouco a entender o que é o pecado. Estas são coisas que estão diante de ti e em seus sentimentos; você não precisa de fé para entendê-las. E por tais efeitos você poderá entender um pouco da sua causa.

 

 

12º. Orientação

Olhe para algumas pessoas santas e eminentes sobre a terra e para o louco, profano e maligno mundo. E a diferença vai te dizer em parte o que é o pecado. Não há afabilidade numa pessoa santa e irrepreensível, que vive em amor para com Deus e para com as pessoas, e na alegre esperança da vida eterna? Não é um abominável beberrão, promíscuo, blasfemador, malicioso, perseguidor, uma criatura muito repugnante e deformada? Não é uma visão muito miserável o estado ímpio, louco, confuso e ignorante deste mundo? Não é nisso tudo em que o pecado consiste? Embora a principal parte da cura seja fazer com que a vontade odeie o pecado, e isso é feito descobrindo sua malignidade; eu ainda adicionarei mais algumas orientações para a parte prática, supondo que o que já foi dito tenha causado efeito.

 

 

13º. Orientação

Quando você descobrir a sua enfermidade e perigo, se entregue a Cristo como o Salvador e médico de almas, e para o Espírito Santo como seu Santificador, lembrando que ele é suficiente e disposto a fazer o trabalho que Ele mesmo prometeu fazer. Não são vocês que devem salvar e santificar a vocês mesmos (a não ser que vocês façam isso através de Cristo). Mas aquele que assumiu fazê-lo, o faz para a sua glória.

 

14º. Orientação

Você deve estar preparado a ser obediente em aplicar os remédios que Cristo prescreveu a você; e observando as Suas orientações para que haja cura. Não seja tímido ou fraco dizendo que é muito amargo e muito dolorido; mas confie em Seu amor e no Seu cuidado; pegue aquilo que Ele te prescreveu ou te deu e não adicione mais nada. Não diga: “É muito penoso, e eu não consigo”. Porque o que Ele te ordena é seguro, proveitoso, e necessário; e se você não consegue, tente então carregar sobre você sua enfermidade, morte e o fogo do inferno! São a humilhação, confissão, restituição, mortificação e a santa diligência piores que o inferno?

 

 

15º. Orientação

Veja que você não tome parte com o pecado, nem dispute ou lute contra seu Médico, ou com qualquer coisa que lhe faça bem. Justificar o pecado, ir em direção a ele e subestimá-lo, lutar contra o Espírito e a consciência, ir contra os ministros e amigos piedosos, odiando a disciplina; estes não são os meios pelos quais você será curado e santificado.

 

 

16º. Orientação

Veja aquela malignidade em cada um dos seus pecados particulares, que você pode ver e dizer que é generalizada. É um grotesco engano de vocês mesmo, se você vai falar muito do mal do pecado e não ver nenhuma malignidade em seu orgulho, em seu mundanismo, paixões e perversidades, em sua malícia e severidade, em suas mentiras, maledicências, escândalos, ou pecando contra a consciência por comodidade e segurança mundana. Que contradição é um homem orar e agravar seu pecado, e quando ele é reprovado por isso, tentar se esquivar ou justificar-se. É como se ele fosse falar contra a traição e contra os inimigos do rei, mas porque os traidores são os seus amigos e parentes, irá proteger ou escondê-los e tomar parte com eles.

 

 

17º. Orientação

Mantenha-se o mais longe que puder das tentações que alimentam e fortalecem o pecado que você dominaria. Ponha um cerco em seus pecados e os deixe morrer de fome afastando a comida e o combustível que o mantém vivo.

 

18º. Orientação

Viva no exercício das graças e deveres que são contrários ao pecado que você está mais em perigo. Pois a graça e o dever são contrários ao pecado, isso o mata e nos cura, como o fogo nos cura do frio ou como a saúde nos cura da doença.

 

19º. Orientação

Não seja enfraquecido ouvindo a incredulidade e a desconfiança, e não jogue fora os confortos de Deus, pois eles são sua força e podem te encorajar. Não é assustador, deprimente, nem desesperadamente desencorajador, estar apto a resistir ao pecado; mas o senso do amor de Deus e o senso de gratidão da graça recebida é um grande encorajamento (com temor cauteloso).

 

 

20º. Orientação

Sempre suspeite do amor carnal próprio, fique atento a isso. Pois essa é a fortaleza onde o pecado se esconde, e é também o seu patrono; sempre pronto para te arrastar para o pecado e para justificá-lo. Nós somos sempre muito propensos a sermos parciais em nosso próprio caso; como no caso de Judá com Tamar e Davi quando Natã o reprovou em sua parábola; isso mostra nossas próprias paixões, nosso próprio orgulho, nossa própria censura, nossa própria maledicência, nossas relações prejudiciais, nossa negligência nos deveres; estas coisas para nós parecem pequenas, desculpáveis, senão justificáveis. Considerando que poderíamos ver facilmente a culpa disso tudo nos outros, especialmente em um inimigo, deveríamos estar ainda mais familiarizado conosco e deveríamos amar mais a nós mesmos e, portanto odiando mais ainda nossos próprios pecados.

 

 

21º. Orientação

Considere seu primeiro e principal trabalho matar o pecado em sua raiz; limpar o coração, que é a fonte; pois é do coração que vem todo o mal em nossa vida. Saiba quais são as principais raízes; e use o seu maior cuidado e diligência para mortificá-las, especialmente as seguintes: 1) Ignorância. 2) Incredulidade. 3) Inconsideração. 4) Egoísmo e orgulho. 5) Carnalidade, em agradar um apetite, luxúria e fantasia selvagens. 6) Insensibilidade, dureza de coração e sonolência no pecado.

 

 

22º. Orientação

Conte o mundo todo e todos os seus prazeres; honras e riquezas não são melhores do que aparentam ser; assim satanás não vai conseguir encontrar iscas para te pegar. Como Paulo, considere tudo como esterco (Fp. 3:8) e nenhum homem irá pecar e vender sua alma, pois ele conta estas coisas como esterco.

 

23º. Orientação

Mantenha-se em conversas celestiais, e então sua alma estará sempre na luz, assim como aos olhos de Deus; e ocupe-se com aqueles afazeres e deleites que o livram do prazer com as iscas do pecado.

 

24º. Orientação

Que seu trabalho diário seja ser um cristão vigilante; embora haja distração e um medo desencorajador, nutra a perseverança.

 

25º. Orientação

 

Preste atenção no começo do pecado e suas primeiras abordagens. Oh quão grande diferença faz um pouco desse fogo aceso! E se você cair, levante rápido através de um profundo arrependimento, não importando o quanto isso pode te custar. 26º. Orientação Faça do seu único labor e regra diligente o entender a Palavra de Deus.

 

27º. Orientação

Em casos de dúvidas, não se aparte facilmente do julgamento unânime da maioria dos sábios e piedosos de todas as épocas.

 

28º. Orientação

Não seja precipitado nem aja por emoções, mas proceda deliberadamente e prove bem todas as coisas antes de se firmar nelas.

 

29º. Orientação

Esteja familiarizado com a sua temperatura corporal e em quê o pecado é mais inclinado a você, e também em que situação o pecado te deixa mais vulnerável, e nisso você deve ser mais rigoroso.

 

30º. Orientação

Mantenha sua vida em ordem santa, tal como Deus ordenou que você vivesse. Pois não há preservação para os retardatários que não se mantém no caminho, que abandonaram a ordem e o mandamento de Deus. E esta ordem está principalmente nestes pontos: 1) Que você mantenha união com a universal igreja. Não esteja separado do corpo de Cristo sobre qualquer pretensão que seja. Esteja na igreja como um regenerado, mantendo a comunhão espiritual em fé, amor e santidade; como um congregado, mantendo a comunhão externa, na profissão de fé e na adoração. 2) Se vocês não são mestres, vivam sob seus fiéis pastores como obedientes discípulos de Cristo. 3) Que os mais piedosos, se possível, sejam seus amigos íntimos. 4) Seja esforçado em algum chamado externo.

 

 

31º. Orientação

Coloque todas as providências de Deus, quer a prosperidade ou adversidade, contra seus pecados. Se ele te der saúde e prosperidade, lembre-se que por meio disso Ele requer sua obediência e tem um chamado especial para você. Se Ele te afligir, lembre-se que pode ser algum pecado pelo qual Ele está ofendido; portanto, agarre isso como Seu remédio e veja que você não obstrua essa obra, mas seja diligente, pois isso pode purgar seu pecado.

 

 

32º. Orientação

Espere pacientemente em Cristo até que ele tenha realizado a cura, que não acabará até que essa árdua vida chegue ao fim. Persevere na assistência do Seu Espírito e dos Seus meios; pois Ele virá no tempo certo e não tardará. “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós com a chuva serôdia que rega a terra” (Os. 6:3). Ainda que você diga: “Não há cura para nós” (Jr. 14:19) “Eu curarei sua infidelidade, eu de mim de mesmo os amarei” (Os. 14:4). “Mas para vós outros que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo curas nas suas asas” (Ml. 4:2) “e bem-aventurado todos os que nele esperam” (Is. 30:18). Deste modo, eu dei algumas orientações que podem ser úteis para o ódio ao pecado, humilhação e libertação dele.

 

Postado por Tiago H. Souza

No fim dos tempos, a fé verdadeira será raríssima – J.C Ryle

Por J..C Ryle

J.C Ryle (1816 - 1900)

Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra? – Lucas 18.8
      O Senhor Jesus mostra isso ao fazer pergunta mui solene: “quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?”.
        A indagação que temos diante de nós é deveras vexatória e mostra a inutilidade de esperarmos que o mundo inteiro esteja convertido antes que Cristo volte. Mostra a tolice de supormos que todas as pessoas são “boas” e que, apesar de diferirem em questões externas, todas estão certas no coração, e vão todas para o céu. Essas noções não encontram apoio no texto diante de nós.
        Afinal, de que adianta ignorar os fatos que estão diante dos nossos olhos: fatos no mundo, fatos nas igrejas, fatos nas congregações a que pertencemos, fatos lado a lado das nossas portas e lares? Onde a fé deve ser vista?
        Quantos ao nosso redor creem realmente naquilo que está na Bíblia? Quantos vivem como se cressem que Cristo morreu por eles e que há um juízo, um céu é um inferno? Essas são perguntas dolorosas e graves. Mas exigem e merecem uma resposta.

E nós mesmos, temos fé? Se temos, louvemos a Deus por isso. É uma grande bênção crer na Bíblia inteira. É motivo para ações de graças diárias, se temos consciência dos nossos pecados e confiamos realmente em Jesus. Podemos ser pecadores débeis, frágeis, imperfeitos, insuficientes; mas cremos de fato? Essa é a grande questão. Se crermos, seremos salvos. Quem não crê, porém, não verá a vida e morrerá em seus pecados (João 3.36; 8.24)

 

Fonte: Bereianos

 

Postado por Tiago H. Souza

O que é Fé? – J.I Packer

Por J.I Packer

J.I Packer


           Em primeiro lugar, o que é fé? Vamos aclarar a questão. A idéia popular a respeito é que se trata de um certo otimismo obstinado: a esperança tenazmente assegurada, face à adversidade, de que o universo é fundamentalmente amigável e de que as coisas podem melhorar. Diz a Sra. A. à Sra. B.: “Você precisa ter fé”. Mas, tudo quanto ela quer dizer é: “Coragem, não desanime se as coisas vão mal”. Isso, porém, é apenas a forma da fé, sem seu conteúdo vital. Uma atitude confiante que seja divorciada de um objeto que corresponda a essa confiança não é a fé no sentido bíblico.
           Em contraste, a noção histórica da Igreja Católica Romana acerca da fé tem sido de mera confiança e docilidade. Para Roma, a fé é apenas a crença naquilo que a Igreja Romana ensina. De fato, Roma distingue entre fé “explícita” (a crença em algo que foi compreendido) e fé “implícita” (o assentimento incompreensível de qualquer coisa, seja o que for que a Igreja Romana assevere). A Igreja Romana diz que somente esse último tipo de fé, que na realidade é apenas um voto de confiança no ensino da igreja e que pode manifestar-se lado a lado com a total ignorância da doutrina cristã, é requerido dos leigos para a sua salvação! É evidente que a fé, na concepção da Igreja Romana, quando muito, é apenas o conteúdo da fé, sem sua forma apropriada; pois conhecimento, pouco ou muito, divorciado de qualquer correspondente exercício de confiança, não é a fé, no total sentido bíblico. O exercício da confiança é precisamente o que se faz ausente na análise da Igreja Romana. Segundo Roma, fé consiste em confiar nos ensinos da igreja. Mas, de acordo com a Bíblia, fé significa confiar em Cristo como Salvador, e isso é algo totalmente diferente.
          Na Bíblia, ter fé ou crer (no grego, o substantivo épistis; o verbo é pisteuõ envolve tanto confiança como entrega da vida. De várias maneiras o objeto da fé é descrito como sendo Deus (Rm 4.24; 1 Pe 1.21), Cristo (Rm 3.22, 26), as promessas de Deus (Rm 4.20), o caráter de Jesus como Messias e Salvador (1 Jo 5.1), a realidade da ressurreição (Rm 10.9), o evangelho (Mc 1.15) e o testemunho dos apóstolos (2 Ts 1.10).
         A natureza da fé, porém, é invariável. É uma apreensão responsiva de Deus e de sua verdade salvadora; é um reconhecimento da resposta dada por Deus à necessidade humana, que doutro modo jamais seria atendida; é a compreensão de que o evangelho é a mensagem pessoal de Deus, bem como o convite pessoal de Cristo ao seu ouvinte; é o mover-se confiante da alma em direção ao Deus vivo e ao seu Filho.
        Isso se torna claro através da mais comum das construções gramaticais no Novo Testamento grego — o verbo pisteuo com a preposição eis, ou, ocasionalmente, com a preposição epi, com o objeto direto no acusativo — cujo significado é “confiar para dentro de” ou “confiar sobre”. Esta construção jamais aparece no grego clássico e raramente na Septuaginta. Trata-se de uma nova expressão idiomática, desenvolvida no Novo Testamento, para expressar a idéia de um movimento de confiança que se dirige ao objeto da confiança e que descansa no mesmo.
         Esse é o conceito bíblico e cristão de fé. Os reformadores frisaram esse conceito, afirmando que a fé não é apenas fides (crença), mas também fiducia (confiança). Nas palavras do bispo Ryle:
         A fé que salva é a mão da alma. O pecador é como um homem que está se afogando, prestes a afundar de vez. Ele vê o Senhor Jesus Cristo oferecendo-lhe ajuda. Ele a aceita e é salvo. Isso é fé (Hb6.18).
        A fé que salva é o olho da alma. O pecador é como um israelita picado por uma serpente venenosa no deserto e que está à morte. O Senhor Jesus lhe é oferecido como a serpente de bronze, levantado para sua cura. O pecador olha para Ele e é curado. Isso é fé (Jo3.14, 15).
        A fé que salva é a boca da alma. O pecador está definhando por falta de comida e sofrendo de uma doença dolorosa. O Senhor Jesus lhe é apresentado como o pão da vida e o remédio universal. Ele O recebe e fica bem de saúde e forte. Isso é fé (Jo. 6.35).
        A fé que salva é o pé da alma. O pecador é perseguido por um inimigo mortal e teme ser vencido. O Senhor Jesus lhe é apre¬sentado como uma torre forte, um refúgio e um esconderijo. O pecador corre para Ele e fica em segurança. Isso é fé (Pv 18.10)”. (Old Paths — Caminhos Antigos — pp. 228 e 229).

Por todo o Novo Testamento, de fato, esse é o conceito normal de fé. As únicas exceções são as seguintes:
1.         Algumas vezes, “fé” exprime o conjunto das verdades em que cremos (Jd 3 e 1 Tm 4.1, 6, etc).
2.         Algumas vezes, “fé” significa um mais estrito exercício de confiança, que opera milagres (Mt 17.20, 21; 1 Co 13.2). Mesmo nos dias do Novo Testamento, porém, a fé salvadora nem sempre era acom¬panhada pela “fé que opera milagres” (cf. 1 Co 12.9) e vice-versa (cf. Mt 7.22, 23).

Em Tiago 2.14-26, “fé” e “crer” denotam mero assentimento intelectual à verdade, sem a correspondente resposta de uma vida de obediência confiante. Mas, parece que Tiago estava simplesmente imitando o uso da palavra “fé” daqueles a quem procurava corrigir (cf. v. 14), e não precisamos supor que ele normalmente a usasse em um sentido tão limitado (por exemplo, a sua alusão à fé, no verso 5, cla¬ramente envolve um sentido muito mais amplo).

 

Fonte: Calvinismo

Postado por Tiago H. Souza

Esfera em que Ocorre a Justificação – Louis Berkhof

Por Louis Berkhof

Louis Berkhof

A questão quanto à esfera em que ocorre a justificação deve ser respondida com discernimento. É costume distinguir entre uma justificação ativa e uma passiva, também denominadas objetiva e subjetiva, cada qual com a sua própria esfera.
1. JUSTIFICAÇÃO ATIVA OU OBJETIVA. Esta é a justificação no sentido mais funda¬mental da palavra. É básica em relação ao que se chama justificação subjetiva, e consiste numa declaração que Deus faz a respeito do pecador, declaração feita no tribunal de Deus. Não se trata de uma declaração de que Deus simplesmente absolve o pecador, sem levar em conta as reivindicações da justiça, mas, sim, de uma declaração divina de que, no caso do pecador em foco, as exigências da lei são satisfeitas. O pecador é declarado justo em vista do fato de que a justiça de Cristo lhe é imputada. Nesta transação Deus comparece, não como um Soberano absoluto que simplesmente põe de lado a lei, mas como um Juiz justo, que reconhece os méritos infinitos de Cristo como uma base suficiente para a justificação, e como um Pai misericordioso, que perdoa e aceita graciosamente o pecador. Esta justificação ativa antecede logicamente à fé e a justificação passiva. Cremos no perdão dos pecados.
2. JUSTIFICAÇÃO PASSIVA OU SUBJETIVA. A justificação passiva ou subjetiva tem lugar no coração ou na consciência do pecador. Uma justificação puramente objetiva, que não fosse dada a conhecer ao pecador, não corresponderia ao propósito pretendido. A concessão de perdão a um prisioneiro não significaria nada, se as alegres novas não lhe fossem comunicadas e as portas da prisão não fossem abertas. Além disso, é exatamente neste ponto, melhor do que noutro qualquer, que o pecador aprende a entender que a salvação é inteiramente de graça. Quando a Bíblia fala de justificação, normalmente se refere àquilo que é conhecido como jus¬tificação passiva. Deve-se ter em mente, porém, que as duas são inseparáveis. Uma se baseia na outra. Faz-se a distinção simplesmente para facilitar a correta compreensão do ato de justificação. Logicamente, a justificação passiva vem em seguida à fé; somos justificados pela fé.
F. Ocasião em que se Dá a Justificação
Alguns teólogos separam cronologicamente a justificação ativa e passiva. Neste caso, dizem que a justificação ativa deu-se na eternidade, ou quando da ressurreição de Cristo, ao passo que a justificação passiva realiza-se pela fé, e, portanto, assim se diz, segue-se à outra, no sentido cronológico. Consideraremos sucessivamente a justificação desde a eternidade, a justificação na ressurreição de Cristo e a justificação pela fé.
1. JUSTIFICAÇÃO DESDE A ETERNIDADE. Os antinominianos afirmavam que a jus-tificação do pecador aconteceu na eternidade ou na ressurreição de Cristo. Eles a confundiam, quer com o decreto eterno de eleição, quer com a justificação objetiva de Cristo quando ele ressurgiu dos mortos. Eles não distinguiam acertadamente entre o propósito divino na eternida¬de e sua execução no tempo, nem entre a obra de Cristo em que ele obteve as bênçãos da redenção, e a do Espírito Santo, na aplicação delas. Segundo esta posição, somos justificados antes de crermos, embora inconscientes disto, e a fé apenas nos transmite a declaração deste fato. Além disso, o fato de que os nossos pecados foram imputados a Cristo faz dele pessoal¬mente um pecador, e a imputação da sua justiça a nós faz-nos pessoalmente justos, de modo que Deus não pode ver absolutamente nenhum pecado nos crentes. Alguns teólogos reformados também falam de uma justificação desde a eternidade, mas, ao mesmo tempo, recusam-se a subscrever a elaboração antinominiana desta doutrina. As bases sobre as quais eles acreditam numa justificação desde a eternidade merecem breve consideração.
a. Bases da doutrina da justificação desde a eternidade.
(1)     A Escritura fala de uma graça ou misericórdia de Deus que é desde a eternidade, SI 25.6; 103.17. Ora, toda graça ou misericórdia que seja desde a eternidade tem que ter como sua base judicial uma justificação que seja também desde a eternidade. Mas, em resposta a isto, pode-se dizer que existem misericórdias e bondades eternas de Deus que não são baseadas em nenhuma justificação do pecador, como, por exemplo, o seu plano de redenção, a dádiva de seu Filho e a voluntária função de penhor exercida por Cristo no pactum salutis.
(2)     No pactum salutis a culpa dos pecados dos eleitos foi transferida para Cristo, e a justiça de Cristo lhes foi imputada. Quer dizer que o fardo do pecado foi retirado dos ombros deles e que eles foram justificados. Pois bem, não há dúvida de que houve certa imputação da justiça de Cristo ao pecador no conselho de redenção, mas nem toda imputação pode ser cha¬mada justificação, no sentido escriturístico do termo. Devemos distinguir entre o que teve apenas um caráter ideal no conselho de Deus e aquilo que se concretiza no transcurso da história.
(3)     O pecador recebe a graça inicial da regeneração sobre a base da justiça de Cristo a ele imputada. Conseqüentemente, os méritos de Cristo têm que lhe ser imputados antes da sua regeneração. Mas apesar desta consideração levar à conclusão de que a justificação precede logicamente à regeneração, isto não prova a prioridade cronológica da justificação. O pecador não pode receber a graça da regeneração com base numa justificação existente idealmente no conselho de Deus e que conta com a certeza de que se concretizará na vida do pecador.
(4)     As crianças também precisam da justificação, para serem salvas, e, todavia, é-lhes totalmente impossível experimentar a justificação pela fé. Mas, embora seja mais que certo que as crianças que ainda não atingiram a maturidade não podem ter experiência da justificação passiva, podem ser justificados ativamente no tribunal de Deus e, assim, podem ter posse da¬quilo que é absolutamente essencial.
(5)     A justificação é um ato imanente de Deus e, como tal, só pode ser oriundo da eternidade. Não é bem correto, porém, falar da justificação como um actus immanens (ato imanente) em Deus; é, antes, um actus transiens (ato transitivo), exatamente como a criação, a encarnação e outros mais. Os defensores da justificação desde a eternidade vêem o peso desta consideração e, daí, apressam-se a garantir-nos que eles não pretendem ensinar que os eleitos são justificados desde a eternidade actualiter (em termos de ação concretizada), mas unicamente na intenção de Deus, no decreto divino. Isto nos leva de volta à distinção usual entre o conselho de Deus e sua execução. Se esta justificação presente na intenção de Deus nos permite falar de uma justificação desde a eternidade, então não há absolutamente nenhum motivo pelo qual não devamos falar também de uma criação desde a eternidade.
b. Objeções à doutrina da justificação desde a eternidade.
(1)     A Bíblia ensina uniformemente que a justificação se dá pela fé ou é provinda da fé. Naturalmente, isto se aplica à justificação passiva ou subjetiva, que, entretanto, não pode sepa¬rar-se cronologicamente da justificação ativa ou objetiva, exceto no caso das crianças. Mas, se a justificação se realiza pela fé, certamente não precede à fé, no sentido cronológico. Ora, é certo que os defensores da justificação desde a eternidade também falam da justificação pela fé. Mas, na sua descrição da matéria, isto só pode significar que, pela fé, o homem ganha consciên¬cia daquilo que Deus fez na eternidade.
(2)     Em Rm 8.29,30, onde vemos alguns dos degraus (scalae) da ordo salutis (ordem da salvação), a justificação está entre dois atos de Deus realizados no tempo, quais sejam, a voca¬ção e a glorificação, sendo que esta começa no tempo e se completa na eternidade futura. E estes três, juntos, resultam de outros dois que são explicitamente indicados como eternos. O Dr. Kuyper não tem base para dizer que Rom 8.30 se refere àquilo que aconteceu com os regenerados antes de nascerem, como até o dr. De Moor, que também acredita numa justificação desde a eternidade, mostra-se disposto a admitir.
(3)     Ao ensinar-se a justificação desde a eternidade, o decreto de Deus a respeito da justi¬ficação do pecador, que é um actus immanens, é identificado com a própria justificação, que é um actus transiens. Isto só leva a confusão. O que teve lugar no pactum salutis (aliança da salvação) não pode ser identificado com o que disso resulta. Toda imputação ainda não é justificação. A justificação é um dos frutos da obra redentora de Cristo aplicada aos crentes pelo Espírito Santo. Mas o Espírito não aplicou, nem poderia aplicar, este ou qualquer outro fruto da obra de Cristo desde a eternidade.
2. JUSTIFICAÇÃO NA RESSURREIÇÃO DE CRISTO. A idéia de que, nalgum sentido da palavra, os pecadores são justificados na ressurreição de Cristo, foi apregoada por alguns Arminianos, é ensinada por aqueles teólogos reformados que acreditam numa justificação des¬de a eternidade, e também é definida por alguns outros eruditos reformados. Este conceito se funda nas seguintes bases:
a.       Com sua obra expiatória, Cristo satisfez todas as exigências da lei pelo seu povo. Na ressurreição de Cristo dentre os mortos, o Pai declarou publicamente que todas as condições da lei foram preenchidas para todos os eleitos e, com isso, eles foram justificados. Mas aqui também se requer uma distinção muito cuidadosa. Mesmo que seja verdade que houve uma justificação objetiva de Cristo e de todo o corpo de Cristo em sua ressurreição, não se deve confundir isto com a justificação do pecador a que a Bíblia se refere. Não é verdade que, quando Cristo prestou plena satisfação ao Pai por todos os seus, a culpa destes acabou naturalmente. O débito penal não é como uma dívida pecuniária, neste sentido. Mesmo depois de pago o resgate, a remoção da culpa pode depender de certas condições, e não ocorre como um resultado líquido e certo. No sentido escriturístico, os eleitos não são justificados enquanto não aceitam a Cristo pela fé, apropriando-se assim dos seus méritos.
b.      Em Rm 4.25 lemos que Cristo “ressuscitou por causa da {dia, causai, a causa de) nossa justificação”, isto é, para efetuar a nossa justificação. Pois bem, é indubitavelmente certo que dia com o acusativo aqui é causai nesta passagem. Ao mesmo tempo, não é necessariamente retrospectiva, mas também pode ser prospectiva e, daí, pode significar “com vistas à nossa justificação”, o que equivale dizer: “a fim de que pudéssemos ser justificados”. A interpretação retrospectiva entraria em conflito com o contexto imediatamente subseqüente, que mostra claramente: (1) que Paulo não está pensando na justificação objetiva de todo o corpo de Cristo, mas na justificação pessoal dos pecadores; e (2) que ele entende que isto se dá por meio da fé.
c.       Em 2Co 5.19 lemos: “… Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões”. Desta passagem se deduz a inferência de que a reconciliação do mundo com Cristo envolve a não imputação do pecado ao pecador. Mas esta interpretação não é correta. O que o apóstolo quer dizer é, evidentemente: Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, como transparece no fato de que ele não imputa aos homens os seus pecados, e de que ele confiou aos seus servos a palavra da reconciliação. Observe-se que me logizomenos (tempo presente) refere-se a algo que está indo avante constantemente. Não se pode conceber que isto faz parte da reconciliação objetiva, pois, neste caso, a cláusula seguinte, “e nos confiou a palavra da reconciliação”, também teria que ser interpretada assim, o que é inteiramente impossível.

Com relação a esta matéria, pode-se dizer que podemos falar de uma justificação do corpo global de Cristo em sua ressurreição, mas esta justificação é puramente objetiva, e não deve ser confundida com a justificação pessoal do pecador.

Fonte: Calvinismo

Postado por Tiago H. Souza

A obra prima de Satanás – Martyn Lloyd-Jones

Por D.M Lloyd Jones

David Martyn Lloyd-jones (1899-1981)

         É justamente aqui que o diabo causa confusão. Para ele é conveniente que as pessoas se preocupem com a santificação, a santidade e várias outras coisas, mas elas nunca estarão certas enquanto não estiverem certas neste ponto, razão por que devemos começar estudando esta. . . grande doutrina (da justificação).
         Esta confusão é problema antigo. Em certo sentido £ a obra prima de Satanás. Ele até nos anima a tratarmos de ser virtuosos, ao mesmo tempo que nos mantém confusos neste ponto. Uma coisa que deixa claro que ele está fazendo isso nos dias atuais é que muitas pessoas, na igreja, parecem considerar os homens como cristãos simples-mente porque estes fazem boas obras, ainda quando estejam completamente errados quanto a esta verdade preliminar. . .
         Era o que Jesus estava dizendo continuamente aos fariseus, e certamente essa foi a principal dissensão que Paulo tinha com os judeus. Estes laboravam em completo erro quanto a toda a questão da Lei, e o principal problema era mostrar-lhes o modo certo de considerá-la. Os judeus criam que a Lei fora feita por Deus a fim de que o homem pudesse salvar-se mediante sua observância. Diziam que tudo o que se tem que fazer é cumprir a Lei. . . e que se você vivesse de acordo com a Lei, Deus o aceitaria e você seria agradável à Sua vista. E acreditavam que podiam fazer isso, porque jamais tinham entendido a Lei.
         Eles a interpretavam à sua maneira, fazendo dela uma coisa que estava ao alcance deles. Deste modo, achavam que tudo estava bem. Esse é o retrato dos fariseus, dado pelos evangelhos e pelo Novo Testamento em geral. . . e ainda constitui a essência do problema de muita gente. Temos que perceber que há certas coisas que devem ficar perfeitamente claras para nós antes que nos seja, de fato, possível esperar ter paz e desfrutar a vida cristã.
Spiritual’Depression, p. 26,7
Fonte: Calvinismo
Postado por Tiago H. Souza