As Missões Moravianas – Tiago Souza

Introdução

Na historia das missões vários personagens tiveram seu papel de destaque ao longo dos anos. Os vários movimentos, sejam eles anônimos onde grande destaque, serviram para a propagação do evangelho.Um desses movimentos de destaque na historia das missões mundiais, que ainda hoje é lembrado por muitos, é o movimento dos Irmãos Morávios.

Em uma época onde o deismo e o racionalismo se alastravam sobre a Europa Continental, Deus levanta simples camponeses refugiados para a pregação simples, vida exemplar prática e uma espiritualidade fervorosa, para levar o precioso evangelho aos não alcançados de todos os cantos do globo terrestre.A pequena comunidade de Herrnhut é um exemplo daquele antigo modelo encontrado nas paginas de Atos 13. Uma comunidade incendiada pela devoção a Cristo é levada a enviar muitos de seus membros “… para a obra que eu os tenho chamado”.

Os Morávios sob a liderança de Nicolau Von Zinzendorf mantiveram um forte zelo pelo evangelho e pela causa missionária, onde Romperam seus limites e tiveram grande êxito em seus trabalhos.Tendo como pai espiritual desde os tempo da velha Boemia o grande pré reformador Jonh Russ , os morávios nos provam que a combinação do zelo pelo evangelho e uma visitação de Deus na igreja, é tudo o que precisamos para cumprir nossa missão.

  

O Pietismo E O Seu Impacto Na Vida De Zinzendorf

 A Europa em meados do século XVI foi invadida por uma grande onda de correntes filosóficas e emaranhados pensamentos acerca do que é “divino” enfraquecendo varias igrejas e que ocasionou um esfriamento espiritual por partes de muita delas. Por outro lado, como que uma contraproposta um movimento chamado pietismo, que tem sua característica a libertação dogmática e fria da igreja começa a se levantar e ganhar espaço entre vários cristãos Luteranos da Europa.

O pietismo provavelmente foi o movimento mais notável de protesto conta o tom da fria intelectualidade que parecia dominar a vida religiosa. Este, por sua vez, se opôs ao dogmatismo que reinava entre os teólogos e pregadores e ao racionalismo dos filósofos. Ambos lhe pareciam constatar com a fé viva que é a essência do cristianismo. O pietismo se instalou dentro de varias comunidades luteranas trazendo um fervor espiritual para a igreja que até então estava sob domínio de influencias deístas e racionalistas.

O pietismo prestou uma enorme contribuição não somente aos alemães, mas para todo o mundo cristão. Ele substituiu as controvérsias religiosas e filosóficas pelo cuidado em relação ás almas. Transformou a pregação e a visita pastoral como objetivos centrais da comunidade eclesiástica. Contribuiu de uma forma tremenda na musica erudita, e talvez o mais importante de tudo isso, compreendeu a importância da espiritualidade dos leigos na comunidade reavivada.

Dando base a todos esses objetivos, estava o tema pietista dominante: regeneração. E ela não se referia somente as definições teológicas da palavra, mas a indispensável experiência dos cristãos ao receber de fato o novo nascimento. Eles acreditaram que com o renascimento espiritual se cumpria a grande Reforma protestante. Dessa forma, a doutrina cristã tornava-se realidade para os cristãos pietistas.

Um desses influenciados por essa movimento de renovo espiritual é um jovem de família nobre chamado Nicolau Von Zinzendorf, natural de Dresden na Saxonia.

Seu pai morreu pouco depois do seu nascimento e a mãe casou-se novamente, sendo o rapaz criado um tanto solitário e introspectivo por sua avó, a baronesa pietista Henrietta Catarina Von Gersdof. Desde bem jovem foi marcado pela característica que marcou sua vida religiosa, a forte devoção e paixão pessoal a Cristo.

Sua juventude teve importantes formações no Paedogogium de Francke, Halle. O rigor ali imperante não lhe agradava, mas aos poucos começou a apreciar a comunhão religiosa, até que em 1715 teve um encontro com a natureza salvadora do evangelho. Logo após sua conversão Zinzerdof foi enviado pela sua família para estudar funcionalismo publico ( Direito) em Wittenberg de 1716 a 1719. Embora encarregado no aprendizado das leis públicas e civis, Zinzendorf nunca abandonou seu zelo pietista.

O Início Da Comunidade Em Herrnhut

Enquanto isso, a velha igreja da Boemia passava por dias maus. Os descendentes diretos do grande pré-reformador John Russ, passavam por uma crise política e social. As conseqüências da Guerra dos Trinta Anos foram catastróficas para a igreja boemia, onde levou vários moravios de fala alemã a buscar um novo refugio para suas famílias. Vários deles migraram para a Saxônia.

Dono e herdeiro de varias terras, o então Conde Zinzendorf convida seus irmãos na fé morávianos para se refugiarem em suas terras na Saxônia. Seu convite caiu como uma providencia divina para famílias que estavam à espera de um verdadeiro milagre. Os morávianos não pensaram duas vezes e logo começou sua colônia em Berthelsdorf, a qual denominou Herrnhut (O Vigia do Senhor), local onde se reuniu grande numero de refugiados morávianos. O convite feito pelo generoso conde Zinzendorf se espalhava entre os morávios onde a cada dia o numero aumentava. Os morávianos almejavam uma cidade habitada apenas por cristãos, separada do mundo, uma verdadeira “comunhão dos santos”. Era um monasticismo livre e social, sem celibato. Mas como monasticismo, eles procuravam viver uma vida cristã sob condições peculiarmente favoráveis e distanciadas das piores tentações. Não demorou muito para Herrnhut tornar-se uma comunidade prospera e organizada.

 A partir de 1727, Zinzendorf tornou-se o guia espiritual de Herrnhut, e dez anos mais tarde recebeu ordenação formal na igreja moráviana reorganizada, ou Fraternidade Unida, como os crentes preferiam chamá-la. Os impulsos de Zinzendorf era fortemente a chama missionária. E em conseqüência disso, o movimento moráviano tornou-se a primeira força protestante em larga escala da historia.

O Reavivamento Do Dia 13 De Agosto

Os maravianos levavam uma vida espiritual um tanto normal e apática. Seu protestantismo enfraqueceu-se devido ao vários problemas ocorridos desde a Boemia. Vários círculos religiosos entraram em Herrnhut, onde levou a vida comunitária em risco.

Porém, cinco anos depois da chegada dos primeiros refugiados, toda a atmosfera de Herrnhut mudou. Um período de renovação espiritual começou a despertar o interesse da comunidade, onde seu ápice foi um culto no dia 13 de Agosto de 1727, onde Deus visitou a comunidade com poder, arrependimento e um forte zelo pelo evangelho e por missões. Os morávios foram transformados radicalmente. Suas discussões religiosas deram lugar para a unidade e dependência de Deus. Suas rixas doutrinariam foram deixadas de lado e uma forte ênfase em missões foi à principal característica da comunidade.  Apartir daquele dia, 13 de agosto de 1727, iniciou-se uma vigília de oração entre os morávios que continuou noite e dia, sete dias por semana, sem qualquer interrupção por mais de cem anos.

 A Igreja Começa A Se Mobilizar

 Embora despertados para as missões, o envolvimento direto nas missões estrangeiras não veio até alguns anos depois do grande despertamento espiritual. O conde Zinzendirf se achava presente á coroação do rei Cristiano VI da Dinamarca e, durante as festividade, foi apresentado como uma atração ao publico, alguns nativos escravos da Groenlândia. Zinzendorf ficou tão impressionado com os pedidos desses nativos para enviar missionários, que os convidou para visitar Herrnhut. Os nativos compartilharam suas dificuldades e fizeram um apelo para a comunidade a enviar missionários para trabalhar entre eles. Uma sensação ainda maior de urgência invadiu Herrnhut, onde todos se sensibilizaram para o evangelismo mundial.

No prazo de um ano os dois primeiros missionários morávios haviam sido nomeados para as ilhas Virgens ( Leonard Dober e David Nitsehmann) e, nas duas décadas seguintes que se seguiram, os morávios enviaram mais missionários do que todos os protestantes haviam enviado em dois séculos anteriores. Exemplo disso foi em 1735 onde um contingente apreciável, dirigido pelo morávio Gottlieb Spangenberg começou a trabalhar para alcançar as Índias Americanas na Geórgia.

O Encontro Com John Wesley

É nesse mesmo período e ocasião que o famoso pregador anglicano Jonh Wesley encontra com certo grupo de morávios em um navio com destino a Georgia. No diário de Wesley temos detalhes desse magnífico encontro e suas conseqüências transformadoras para a vida de John Wesley:

 Às sete horas fui procurar os morávios. Eu havia observado há muito a profunda seriedade do seu comportamento. Davam provas incessantes da sua verdadeira humildade em fazer aquelas tarefas servis para os demais passageiros que nenhum de nós suportaria; eles procuravam nos servir dessa forma e rejeitavam qualquer remuneração, dizendo que era bom para os seus corações orgulhosos e que o seu querido Salvador havia feito muito mais que isso por eles.

Cada dia que passava lhes dava oportunidade de demonstrar uma meiguice que nenhuma injúria poderia desafiar. Se alguém os empurrasse, batesse ou jogassem no chão, eles se levantavam e saíam; mas nunca se ouviu qualquer queixa ou resposta nas suas bocas. Agora se apresentaria uma oportunidade de ver se eles eram isentos do espírito de medo da mesma forma que o eram do espírito de orgulho, ira e vingança.

No meio do salmo com que iniciaram a sua reunião, o mar se ergueu, despedaçou a vela mestra, inundou o navio e as águas vieram jorrando sobre o convés como se um grande abismo estivesse nos engolindo. Irromperam-se terríveis gritos e uivos entre nós. Os morávios, porém continuavam a cantar tranqüilamente.

Perguntei para um deles depois: “Você não estava com medo? Ele respondeu: “Graças a Deus, não.” Perguntei ainda: “Mas não estavam amedrontadas as mulheres e crianças?”Ele respondeu brandamente: “Não, nossas mulheres e crianças não têm medo da morte.”

 Quando John Wesley voltou para Inglaterra escreveu sobre o impacto desse encontro em sua vida:

 “Eu fui à América para converter os índios; mas quem há de me converter? Quem é que me libertará deste coração mau de incredulidade? Tenho uma religião “de tempo bom”. Sei falar bem; sim, e tenho confiança em mim mesmo quando não há perigo ao meu lado; mas venha a morte me enfrentar e meu espírito já se perturba. Nem posso dizer: “O morrer é lucro!”

Em Londres o próprio Wesley procurou o conselho de um missionário morávio, Peter Bohler, e logo após converteu-se realmente. Em menos de três semanas ele estava viajando rumo a Saxônia para conhecer o Conde Zinzendorf e a comunidade Herrnhut.

A Obra Missionária Começa A Ganhar Mais Força

 Para essa obra de extensão na Geórgia, Nitschmann foi ordenado bispo, o primeiro da moderna sucessão moráviana, em 1735 por Jablonsky. As intenções dos morávianos de irem a qualquer lugar servindo a Cristo, logo deram nobre impulso missionário ao movimento moráviano o qual ele jamais perdeu. Até hoje organização alguma protestante tem estado tão alerta á obra missionária, e nenhuma é tão consagrada a ela em proporção de numero.

Embora Zinzendorf seja principalmente conhecido como estadista missionário, ele ajudou voluntariamente nas missões estrangeiras. Em 1738 alguns anos depois dos primeiros missionários terem seguido rumo ao Caribe, Zinzendorf acompanhou três novos recrutas que haviam sido nomeados para se juntar a seus colegas ali. Quando chegaram, eles se angustiaram ao encontrar os companheiros na prisão. Zinzendorf usou seu prestigio e autoridade para obter a liberdade deles. Durante essa visita o conde Zinzendorf dirigiu cultos diários para os africanos e reformou a estrutura organizacional e as designações territoriais para os missionários.

Ao fim de seu trabalho ali, deixando tudo solidavelmente estabelecido, Zinzendorf voltou á Europa; viajando novamente dois anos depois, dessa vez para as colônias americanas. Ali, prestou serviço estabelecendo estratégias ao lado dos irmãos morávios que trabalhavam entre os índios nativos. A permanência de Zinzerdof na America foi muito ativa. Esforçou-se em reunir as espalhadas forças alemãs da Pennsylvania numa unidade espiritual a ser reconhecida como “Igreja de Deus no Espírito”. Iniciou missões entre os índios; organizou sete ou oito congregações morávianas e estabeleceu escolas. Sob a superintendência de Peter Bohler foram criadas itinerancias.

Em janeiro de 1743 Zinzendorf embarcou para a Europa e em dezembro de 1744 encarregou Spangenberg como bispo de toda a obra na America.

È perceptível que Zinzerdof nunca de fato foi um missionário de campo. Seu papel dentro do movimento foi de um grande estadista, alias talvez um dos maiores na história do cristianismo. Como estadista “missionário” Zinzendorf passou mais de trinta anos como supervisor de uma grande rede mundial de missionários. Seus métodos eram simples e práticos. Os morávios não tinham uma formação teológica e tão poucos tinham dinheiro. Eram simples camponeses despertados para a evangelização. Eles sabiam falar de Cristo, e do que Ele tinha feito em suas vidas. E isso já era suficiente. Embora Zinzerdorf fosse um conde de notável nobreza, não há relatos que ele sustentava todos os enviados de Heernhut. O movimento missionário moráviano tinha como princípio e pratica o auto-sustento. Muitos deles eram encorajados a trabalhar junto aos prováveis convertidos dando testemunho de sua fé por palavras ou por exemplos de vida. Sua contextualização foi grande identificação clara com o povo. Sempre estava na mesma condição social de seus futuros convertidos. Muitos deles se venderam como escravos para evangelizar os escravos, tamanha a fé, devoção e a paixão por almas.  Algo que era perceptível no movimento moraviano era sua ênfase missionária em lugares longínquos e difícil acesso e trabalho. Seus esforços missionários eram sem duvida com muita paciência e devoção.

  Do ano de 1749 a 1755 Zinzendorf teve como alvo de sua atividade a Inglaterra. Seus bens haviam sido gastos com o movimento evangelístico e agora ele se encontrava quase um simples moraviano. O caráter de Zinzendorf, como o de todos nós, tinha luzes e sombras, altos e baixos. Zinzendorf era inclinado ao emocionalismo a religião sentimental. Alguns de seus hinos cheios de emoção expressa “ Jesus conduzirá mansamente, até que conquistemos nosso descanso”, estiveram presentes no louvor de muitas igrejas. Poucos homens mostraram tal intensidade de devoção a Jesus. Ele revelou toda o seu zelo por cristo em umas de suas declarações á congregação de Herrnhut: “Tenho uma única paixão: Ele, ninguém além dele.”

 Assim aquele simples “acampamento de refugiados” tendo um mobilizador apaixonado por almas e por Cristo, tornou-se uma coméia de atividade missionária. Missões foram iniciadas no Suriname, Guiana, Egito, África, Groelândia, Lapônia, Ceilão, Algéria e em vários outros lugares que infelizmente a historia não pode contar.

 As missões moravianas provam para nós que a igreja  visitada pelo zelo da palavra, oração, jejum, convicção de pecados e comunhão, irá presenciar uma grande manifestação de Deus que a capacita para a salvação dos povos.

Conclusão

 Ao observar a cativante historia das missões morávianas podemos notar seu zelo e devoção pessoal a Cristo. Ora, essa é chama das missões. Mais uma vez temos um forte exemplo que o combustível de missões é a devoção e a paixão pessoal a Cristo. Com isso temos pelo menos duas coisas a aprender.

 Primeiro, os métodos de sucesso vem se repetindo levando em conta o velho modelo bíblico encontrado em Atos dos Apóstolos. A igreja enviadora, os missionários enviados e causa em comum: os não alcançados. Não foi uma ou duas pessoas chamada por Deus. Foi a congregação Inteira afim de uma única causa.

Segundo, dependemos de uma visitação de Deus em nossas congregações para uma obra de cunho transcultural e mundial. Deus é o Senhor das missões, ele é o dono e a causa sustentadora das missões. Sem ele a igreja nada pode fazer.

Referencias

CAIRNS; EARLE E. O Cristianismo através dos séculos. São Paulo: Vida Nova,1984

GONZALEZ; JUSTO L. A era dos dogmas e das dúvidas. São Paulo: Vida Nova, 1984

Walker;W. A historia da igreja cristã. São Paulo: ASTE, 1967

SHELLEY;BRUCE L. Historia do cristianismo ao alcance de todos. São Paulo: Shedd Publicações,2004

TUCKER;RUTH A. Missões até os confins da terra. São Paulo: Shedd Publicações,2010

Breves Pensamentos #1 – Tiago Souza

Se de fato eu acredito na depravação total do homem, por que eu fico triste quando pessoas me criticam?
Eu não fui concebido em total depravação?

Negar a verdadeira condição humana do qual eu e toda a raça humana foi concebida é provar para mim mesmo o quanto eu sou pecador. E negar a minha soberba é afirmar que realmente sou: orgulhoso e soberbo.

Então, as críticas e as fofocas ao meu e ao seu respeito não chegam nem perto do que nós realmente somos.

Por isso o Evangelho é tão maravilhoso:
Podemos ser o maior pecador deste mundo e ser ao mesmo tempo DECLARADO JUSTO!

As 4 Possíveis e Principais Interpretações do “Milênio” de Apocalipse 20 – Tiago Souza

Introdução

Um dos assuntos mais debatidos na academia teológica é a questão do milênio. Quando falamos em assuntos polêmicos o milênio é tão controverso quanto à predestinação. Muitos cristãos nunca ouviram falar do assunto, mas tenho certeza que todos têm uma visão dos acontecimentos futuros da igreja independente de sabe distinguir uma da outra. Para melhor entender o assunto vamos explorar todas as vertentes do milênio, suas conseqüências e objeções para a igreja.

Primeiramente, temos que entender o que é o ‘Milênio”. Milênio significa “mil anos” (do lat. Millennium, “mil anos”). O termo vem do livro do Apocalispe 20: 4-5, onde se diz que “viveram e reinaram com Cristo durante mil anos”. No mesmo capitulo nos versos 2-3 também lemos que um anjo desceu dos céus, agarrou o diabo “ e o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o  e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos”. Que passagem deveras complicada!

Quando tratamos sobre o final dos tempos o debate é inevitável, uma vez que não temos uma clareza doutrinaria como outros assuntos da bíblia.

Haverá um milênio literal na Terra após o retorno de Cristo, conforme pregam os pré-milenistas? Ou o milênio é apenas uma representação da presente era da igreja como defendem os amilenistas? Ou ainda o milênio seguirá um desenrolar gradativo e progressivo após uma era de conquistas por parte da igreja, o qual instaurará o Reino de Deus no mundo conforme crêem os pós-milenaristas?

O presente estudo tem como objetivo estudar, analisar e dar algumas considerações quanto aos 4 possíveis e principais interpretações do Apocalipse 20.1-6.

A não ser que você sofra de escatolofobia, isto é medo de estudar as ultimas coisas, eu lhe convido para se aprofundar em um assunto tão interessante, velho, atual e relevante para nós, a Igreja do Cordeiro.

1°) O Pré-milenista (clássico ou histórico):

O prefixo já da a entender a relação do termo com o episódio. O retorno de Cristo acorrerá antes do milênio. Essa interpretação é a mais antiga da historia do cristianismo, alguns a defendem desde os primeiros séculos. O pré milenismo histórico acredita que a era que estamos vivendo atualmente (a era da igreja) continuara e prolongará até que, com a proximidade do fim, venha sobre a terra um período de grande tribulação e sofrimento. Então, depois desse período de tribulação e sofrimentos no final da era da igreja, Cristo voltará á terra para estabelecer um Reino milenar. Quando o acontecimento se concretizar, os cristãos que já morreram serão então ressuscitados, terão seu corpo reunido ao espírito, e esses crentes reinarão com Cristo sobre a terra por mil anos.

Os interpretes pré-milenistas discordam entre si em alguns pontos de como será o ocorrido. Alguns acreditam que os mil anos sejam literais enquanto outros acreditam que os mil anos seja um longo período simbólico e gradativo.

Seja literal ou simbólico, os pré-milenistas defendem que Cristo reinará fisicamente presente sobre a terra e dominará toda a terra com seu poder. Para aqueles que morreram em Cristo e para cristãos que estarão vivos no acontecimento, receberão o corpo glorificado da ressurreição e assim reinaram juntamente com Cristo na terra no período de mil anos. Para os que morreram sem Cristo estes aguardaram o juízo na segunda ressurreição, ou seja no dia do grande juízo.

Os pré-milenistas históricos defendem que ao termino dos mil anos satanás será solto para um breve momento de perseguição a igreja. Sem êxito na tribulação e na perseguição, Satanas então é derrotado por Cristo e lançado no fogo. Ao fim desse episódio os crentes entraram com Cristo em sua Glória para todo o sempre.

Alguns teólogos defensores do Pré-Milenismo

– Orígenes

– Tertuliano

-John Wesley

– Charles Spurgeon

– George Lad

Pré Milenismo e as Alianças

Os pré –Milenistas entendem que a promessa da aliança abrâmica, que dava aos descendentes de Abraão a terra desde o rio do Egito até o rio Eufrates, jamais foi cumprida, mas será totalmente realizada durante o reino milenar (Gn 15.18). As promessas da aliança davídica também requerem o estabelecimento do Reino milenar para que sejam cumpridas (2 Sm 7:12-16).

O pré-milenarismo e a bíblia

O pré-milenarismo tem grande respeito pelo que esta nas escrituras. Provavelmente, seria seguro afirmar que, quase sem exceção, os pré-milenaristas acreditam na inerrância da bíblia.

A historia do pré-milenismo clássico

A interpretação pré-milenista clássica foi defendida nos primeiros séculos da história da igreja. Ainda que os detalhes cronológicos não fossem tão claros, a visão pré-milenista teve grande aceitação no período dos pais da igreja. O historiador da igreja Philip schaff, resumiu isso da seguinte maneira: “ A questão mais intrigante da escatologia do período anteniceno é o quiliasmo proeminete, ou milenismo, crença no reino visivel de Cristo em glória na terra com os santos ressurretos durante mil anos, antes do julgamento e da ressurreição generalizada. Isso não foi, de fato, uma doutrina da igreja incorporada a nenhum credo ou forma de devoção, mas sim uma opinião de renomados professores grandemente aceita”. A esperança da volta de Cristo foi minada pelo união da Igreja e o estado sob o governo de Constantino. Anos depois Agostinho reinterpretaria o conceito e a duração do milênio como vamos ver logo adiante.

2°) O Pré-Milenismo Dispensacionalistas:

Os pré-milenistas dispensacionalistas tem sua origem no pré-dispensacionalismo histórico. Assim como os históricos, os dispensacionalistas acreditam também que o retorno de Cristo ocorrerá antes do milênio. Sua distinção é quanto ao momento da tribulação. Os pré-milenistas dispensacionalistas acreditam que o milênio é antes da grande tribulação (ou seja, pré-tribulacional). A visão dispensacionalista defende também um segundo retorno secreto de Cristo para reinar no milênio. Entre o primeiro retorno de Cristo e o segundo retorno há um período de 7 anos, onde exatamente nesse período irá se cumprir varias profecias inclusive o grande ajuntamento de judeus convertidos e sua evangelização em massa. Segundo esse ponto de vista, a era da igreja continuará até que, de repente, de maneira inesperada e secreta, Cristo chegará a meio caminho da terra e chamará para si os crentes: “… os mortos em Cristo ressuscitaram primeiro ; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares” (1Ts 4:16-17). Ao termino dos 7 anos Cristo voltará com os seus santos para reinar sobre a terra por mil anos. Depois desse período milenar haverá uma ultima rebelião que resultará na derrota final de Satanás e suas forças, e então virá à ressurreição dos incrédulos, o ultimo julgamento e do novo estado eterno sobre a terra.

A visão dispensacionalista do milênio não esta somente inserida no cumprimento das ultimas coisas. O pré-milenismo dispensacionalista não esta ligada somente com a escatologia. A visão pré-milenista dispensacionalista é somente uma conseqüência de todo uma hermenêutica bíblica e sobre os eventos nela registrados.

A historia do Pré-milenismo Dispensacionalista

A visão pré-milenista dispensacionalista iniciou com os estudos de John Nelson Darby (1800-1882) e ficou popularizado nos Estados Unidos no século XX com a “Bíblia Comentada de Scofield”. O dispensacionalismo delineado por Darby e apresentado por Scorfield entende que Deus opera na humanidade de diferentes dispensações. Podemos aqui salientar também a contribuição que o Seminário de Dallas teve como precursor da interpretação pré-mi

lenista dispensacionalista até os dias de hoje.

Teólogos que defendem o Pré-Milenismo Dispensacionalista

– Norman Gaisler

– Lewis Sperry Chafer

-Francis Schaeffer

-Charles C. Ryrie

– Carlos Oswaldo Pinto

– John MacArthur (Pré-dispensacionalista Progressivo)

3°) O Pós-milênismo:

O prefixo pós descreve o significado do termo em relação ao milênio: a volta de Cristo será depois do milênio. De acordo com os pós-milenistas, o avanço do evangelho e o crescimento da igreja se acentuarão de forma gradativa, de tal modo que umam proporção cada vez maior da população mundial se tornará cristã. Segundo Larine Boettner : Essa visão das ultimas coisas que temos do Reino de Deus esta sendo estendida pelo mundo por meio da pregação do evangelho e da obra redentora do Espírito Santo no coração das pessoas, de modo que o mundo todo acabará cristianizado e a volta de Cristo deverá ocorrer no final de um período de justiça e de paz normalmente chamado de “Milênio”… A segunda vinda de Cristo será seguida, imediatamente, pela ressurreição generalizada, o juízo geral e a introdução do céu e do inferno em sua plenitude.”

Uma característica central do pós-milenismo é o otimismo quanto as futuro de todas as coisas. O evangelho dará ao mundo uma transformação social,econômica e de bem estar espiritual na Terra que será resultado do avanço do evangelho desde a era apostólica. Os pós milenistas assim como todos os outros não acreditam que todos serão salvos nesse período. Entretanto o os princípios e valores cristãos serão prevalecentes na terra de modo que o pecado terá proporções mínimas. Sua duração será um longo período de tempo, mas não necessariamente mil anos. Provavelmente mais longo que mil anos literais.

Os pós-milenistas entendem também que Satanás ficará amarrado durante todo o tempo e sempre debaixo do controle de Deus. Mas ele será amarrado de uma maneira especial no inicio do milênio, de acordo com Apocalipse 20.

Muitas passagens os pós-milenistas usam como base. Muitos dos textos usados pelos pré-milenistas também são usados pelos pós-milenistas de forma que os estes acreditam no cumprimento antes da volta de Cristo. Os textos sãos: Salmos 2:8; 22:27;47;72; 86:9; Isaías 2:2-4; 11:6-9; Jeremias 31:34; Daniel 2:35,44 e Miqueias 4:1-4.

Teólogos que defendem o Pós-Milenismo

– Calvino ?

-Martin Bucer

-John Owen

-Matthew Henry

-Jonathan Edwards

– Loraine Boettner

– Iain Murray

– Kenneth Gentry

4°) O Amilênismo:

O amilenismo é a interpretação do milênio não literal antes da volta de Cristo. Os amilenistas acreditam que no final haverá um desenvolvimento paralelo tanto do bem quanto do mal, do Reino de deus e do que pertence a Satanás. A visão amilenista é a mais simples de todas as interpretações, pois descreve o milênio de Apocalipse 20.1-10 como sendo a “ Era da Igreja”. A era da Igreja (o milênio não literal) trata-se de uma era em que a influencia de satanás sobre as nações sofre grande redução de modo que o evangelho pode ser pregado por todo o mundo. Aqueles que Reinam com Cristo por mil anos são os cristãos que morreram e já estão reinando com Cristo no Céu. De acardo com essa posição a presente era da igreja continuará até o tempo da volta de Cristo e que quando este voltar, haverá ressurreição tanto de crentes como de incrédulos. Os crentes terão o corpo ressuscitado e unido a novamente com o espírito e entrarão assim no estado eterno do céu para sempre.

As divergências Amilenistas.

Entre os defensores do amilênismo clássico, existem duas visões acerca do milênio. A Primeira defende a possibilidade de ver, nesta era, o cumprimento das passagens que falam do milênio mediante a Igreja da Terra. A segunda defende que as passagens estão sendo cumpridas pelos santos no céu agora. As duas interpretações chagam na conclusão que não haverá um Reino terreno e futuro.

O amilenismo e as Alianças

Os amilenistas acreditam que as promessas que não foram cumpridas literalmente, foram ou serão cumpridas em Cristo ou na igreja. O amilênismo defende que muitas passagens eram de modo condicional. Assim muitos amilenistas crêem que os novos céus e a nova terra tem haver com a era da igreja sobre a terra.

O Amilenismo e a Igreja

A visão amilenista defende que na igreja se cumpre as promessas de Deus de maneira espiritual e serve como antítipo. A igreja então é um reino celestial espiritual que cumpre as promessas não literais do Antigo e novo testamento de forma que o novo céu e nova terra são consumadas durante a história.

A historia do Amilenismo

Entende-se que Agostinho (354-430) foi o primeiro a que deu um significado amilinista sobre o Milênio. Segundo Agostinho no livro “ Cidade de Deus”: “ durante os mil anos enquanto o diabo estiver amarrado, os santos tambem reinarão durante “mil anos” e, sem duvida os dois períodos são idênticos e significam o período entre a primeira e a segunda vinda”. Conservando a visão de Agostiana do Milênio os reformadores também aderiram ao amilenismo, mas diferente de Agostinho, Calvino e outros reformadores acreditavam na visão não literal do milênio. Em geral os credos reformados falam muito pouco sobre a questão do milênio, preferindo concentrar-se na ressurreição, no julgamento e na eternidade.

Alguns teólogos que defendem o Amilenismo:

– Agostinho

– Calvino?

– Louis Berkhof

-John Murray

– D.M. Lloyd Jones

– John Stott

-Robert B. Strimple

Conclusão

Obviamente é impossível fechar questão sobre determinada interpretação. A complexidade e a nuança do tema não nos permite excluir nenhuma das 4 principais e possíveis interpretações e logo  não nos deixa ameno da responsabilidade de compreensão do que a bíblia ensina. Embora busquemos uma possível solução para este “problema” devemos ter em mente que grandes teólogos e homens de Deus divergem em sua opinião ao longo da própria história da Igreja.

Por isso o tema tem sua importância didática. Aprendemos a nos importar mais com o assunto, pesquisar mais, ter a mente mais aberta para possíveis variações do tema e assim reconhecer que o assunto demanda de nós uma responsabilidade devocional e acadêmica do apocalipse.

João começa o Apocalipse afirmando: “Feliz é aquele que lê as palavras desta profecia e felizes aquele quês que ouvem e guardam o que nela está escrito” Se o tema nos levar a ler, meditar e guardar como preciosidade todas as promessas que estão no livro, então este estudo cumpriu o seu papel na edificação.

Deus abençoe

Tiago Souza

 

 

Bibliografia

Berkhof,Louis. Teologia Sistemática – Campinas: Luz Para o Caminho Publicações,1990

Ryrie,Charles C. Teologia Básica ao Alcance de Todos – São Paulo: Mundo Cristão, 2004

Grudem, Waine A. Teologia Sistemática – São Paulo: Vida Nova, 1999

Bock, Darrell L. O Milênio – São Paulo: Vida Acadêmica, 2005

Grenz, Stanley J. Dicionário de Teologia – São Paulo: Editora Vida, 2007

BÍBLIA SAGRADA NVI

Alguns “ismos” que distorcem o Evangelho – Tiago H. Souza

Ao longo dos séculos de existência da igreja; ela luta para se manter viva e pura. Sua mensagem já foi alvo de heresias como: o docetismo, o maniqueísmo, o deísmo, as vendas de indulgencias entre outros.

Hoje não é diferente, e como já diz o subtítulo do filme “Tropa de Elite 2”: “agora o inimigo é outro”. Digo outro não porque o inimigo e suas investidas são diferentes. Digo outro porque de tempos em tempos o mesmo inimigo se mostra com uma roupagem diferente moderna e com muitas facetas.

Estou falando da MENTIRA.

Em João 14, Cristo faz uma afirmação surpreendente “Eu sou a verdade”. Isso tem algumas implicações importantíssimas. Tudo o que vai além de Cristo e sua mensagem é Mentira. E todos os que não encontraram a Verdade (Cristo) estão enganados com suas pressuposições e vãs filosofias acerca de Deus. É impossível ter uma concepção da verdade sem antes tê-la conhecido. Por isso antes de tudo lhe encorajo a conhecer profundamente a pessoa e a obra de Cristo.

No livro “A Igreja no Século 21” Schaeffer diz: “Eis o grande desastre evangélico: a negligencia dos cristãos em defender a verdade como verdade.” Schaeffer está corretíssimo em sua afirmação. Se dormimos no ponto a mentira toma espaço, e a bagunça será generalizada. Se andarmos distraídos a geração futura terá grandes conseqüências; como nós estamos tendo hoje por erros cometidos gerações passadas. Por isso, encorajo você a ficar atento e a declarar guerra a todos os arquiinimigos da igreja.

Vamos ver alguns:

 O Neo-Pentecostalismo

O Neo-pentecostalismo é uma das heresias mais fáceis de identificar. Em um culto ou pregação você já consegue perceber a presença do neo-pentecostalismo que entrou no seio da comunidade sem receio ou timidez. Diferente dos pentecostais clássicos, os neo-pentecostais distorcem completamente as verdades da escritura dando uma nova roupagem daquilo que chamamos “benção de Deus”. Para os neo-pentecostais a verdadeira evidência de um cristão não está nos frutos que ele promove quando salvo e sim na condição financeira que irá adquirir pós conversão. Para o neo-pentecostal, Jesus Cristo nasceu, morreu e ressuscitou para lhe dar mais que uma “simples salvação”. No pensamento neo-pentecostal Cristo sofreu para você não sofrer, foi pobre para você ser rico, morreu para te dar autoridade e ressuscitou para você gozar de uma vida tranqüila, prospera e feliz. A ênfase em demônio é exageradamente ridícula, doença é sinal de pecado e a prosperidade é a chave hermenêutica da Bíblia

Alguns neo-pentecostais conhecidos:

– Keneth Hagin – Considerado o pai do neo-pentecostalismo. Seu livro mais famoso “O Nome de Jesus” distorce completamente as escrituras e coloca o homem como um semi-deus.

– Edir Macedo, Valdomiro Santiago – Estes colocaram o neo-pentecostalismo em um nível mais ridículo e bizarro. Tão podre quanto a venda de indulgencias do século XVI .

– Silas Malafaia – considero este o Judas Escariotes da igreja brasileira. Começou cedo a pregar sobre temas preciosos como salvação, pecado e a volta de Cristo. Hoje, muitos anos depois ele jogou estes temas na lata do lixo e agora propaga nada mais que vitória financeira (ele chegou ao cumulo de lançar uma bíblia comentando essa heresia), prosperidade física, felicidade a todo custo e fez alianças com os piores pregadores americanos nos últimos anos como Morris Cerullo e Mike Murdok.

 

O Liberalismo

O liberalismo é uma das formas mais sagas que uma heresia pode ser. Diferente do neo-pentecostalismo o liberalismo entrou devagar na igreja por muitos e muitos anos e hoje colhe seus frutos podres dentro do seio da comunhão. Após muitos anos plantando quase que imperceptível suas doutrinas hereges nas instituições de ensino seculares e religiosas, os liberais devem estar felizes pelo resultado. A maior parte dos seminários reconhecidos pelo MEC introduziu seu herege método histórico-crítico de interpretação da bíblia juntamente com todos os seus apetrechos pressupositais que o acompanham: dúvida quanto à inerrância das escrituras, negação do nascimento virginal de Cristo, incapacidade de ver os milagres como milagres e a total negação quanto a ressurreição plena e física de Cristo entre outros. Influenciado por teóricos da pós-modernidade o discurso liberal segue o mesmo método, perguntam sem responder, abrem um assunto sem nunca fechar, levam seus ouvintes a caminharem em círculos para não chegarem a lugar algum e se aventuram a pensar na impossibilidade do próprio conhecimento em si. O liberalismo teológico tende a interpretar a bíblia de forma empirista, onde nada do que não pode ser observado pode ter de fato algum crédito.  Essa dúvida quanto aos principais pontos da fé cristã levaram muitos ouvintes dos liberais a questionar a relevância da igreja e da palavra de Deus para os dias de hoje. Além de matar a fé do indivíduo, o liberalismo também mata e enterra igrejas inteiras. A decadência espiritual e eclesiástica da Europa é um exemplo do grande estrago que a heresia liberal pode fazer.  No auge de sua popularização, duas grandes obras cristãs ortodoxa lançaram uma bomba atômica no campo liberal. Em 1910 vários teólogos apologistas lançaram a obra “ Os fundamentos” e fizeram uma larga distribuição para minar o liberalismo teológico na América, e em 1919 o grande teólogo do século XX, Karl Barth publica “O Comentário da Carta aos Romanos” que fez um grande estrago entre o pensamento liberal. Mesmo diante de grandes obras publicadas, a fé cristã pura e simples ainda hoje é minada pelos resquícios do Liberalismo Teológico.

Alguns teólogos liberais

– Rudolf Butman: conhecido pelo seu programa de “desmitificação” do Novo Testamento, Butman chegou a afirmar que “a bíblia é semelhante a um mausoléu”

– David Strauss: Suas idéias estranhas acerca do Jesus Histórico se encontram no livro “Das Leben Jesu (A vida de Jesus). Seus sucessores, os chamados “neo-liberais” nem mesmo sabem em quem acreditam pois, acreditam em tudo e, portanto, não acreditam em nada.

 

O Universalismo

Parece-me que a expressão “tudo acaba em pizza” não está só relacionada com a impunidade dos políticos corruptos do Brasil. Muitos no meio evangélico pensam dessa maneira quanto à eternidade vindoura. O nome disso é Universalismo. O universalismo é a doutrina onde ensina que no final das contas todos os homens serão salvos pela infinita misericórdia de Deus. Assim, o universalismo implica a afirmação da salvação universal e a negação da punição eterna. Alguns universalistas chegam a afirmar a rejeição da divindade de Cristo. O Universalismo tem ganhado espaço entre alguns teólogos católicos e protestantes da ala liberal (já vimos esses caras antes!). Para quem achava que essa heresia estava tirando férias estão bem enganados. Há uma série de razões pela qual esta “doutrina” tem se instalado com grande veemência na igreja. Primeiro, estamos vivendo no período da hiper-valorização do ser (humanismo); segundo, o amor está relativizado, logo, o amor de Deus foi compreendido de maneira equivocada. Um exemplo do estrago universalista é o livro recém-publicado “Love Wins” de Rob Bell. Bell aborda possibilidade da salvação de todos os homens pelo infinito amor e graça de Deus que O faz impossibilitado de condenar alguém ao inferno por toda a eternidade. Não preciso nem dizer que o livro teve grande repercussão e vendeu milhões de exemplares. Isso é resultado que a doutrina se encaixou perfeitamente em nossa época. De fato termos como condenação, inferno e julgamento estão fora de moda e, é claro, o universalismo não perdeu tempo. De maneira geral o universalista é influenciado pelas emoções. É inconcebível para um universalista aceitar que um Deus de tanto amor condenar pecadores ao inferno. Este pensamento mostra que o universalista não interpreta as escrituras pela própria escritura. Suas emoções interpretam as escrituras, logo, as emoções e sua própria concepção do ser de Deus é a regra exegética para o universalista. De maneira geral os universalistas não conseguem responder perguntas crucias da fé cristã como: Porque Cristo teve que morrer? Fomos salvos do que, e para que? Por que pregar o evangelho?

Alguns universalistas conhecidos:

–  Rob Bell: Autor de “Love Wins”, publicado no Brasil como “O Amor Vence”.

– Willian Barclay: Teólogo escocês, famoso pela sua serie de comentários bíblicos. Barclay declarou em seu livro “A Spiritual Autobiagraphy” a negação da divindade de Cristo e a base “universal” de todas as religiões.

 

O Hiper-Calvinismo

O que você pensa sobre a afirmação “Jovem, sente-se. Se Deus quiser converter os pagãos, ele o fará sem sua ajuda ou a minha”. Foi exatamente isso que falaram para o jovem inglês Willian Carey quando este se propôs pregar aos pagãos indianos. Esta afirmação é tipicamente usada por um hiper-calvinista. O hiper-calvinismo é a crença que o Evangelho não se aplica a todos os homens e que somente os eleitos são dignos de ouvirem o evangelho. Por isso, é importante fazer diferença entre o Calvinismo e o hiper-calvinismo. O hiper calvinismo é uma deturpação dos cinco pontos calvinistas. Quando Carey (calvinista) se apresentou para os ministros ingleses e propôs a evangelização dos indianos, um hiper calvinista que estava presente logo interpretou seu trabalho como inútil para Deus, pois se Deus quiser salvar um eleito, ele o fará independente do esforço missionário. Este pensamento hiper-calvinista é causado pela enfatização da soberania de Deus em detrimento do amor de Deus por todos os homens.  Por incrível que pareça o hiper-calvinismo está mais presente dentro das igrejas históricas do que imaginamos. Uma conseqüência disso é ouvir ministros dizerem que o amor de Deus é restrito somente para os que crêem. De fato, o hiper-calvinismo vai além do calvinismo clássico e bíblico e deve ser categorizado como heresia. Assim como todas as outras heresias, o hiper-calvinismo contribui para o enfraquecimento da obra missionária e detém um pensamento confuso e errôneo sobre a soberania de Deus na salvação dos pecadores.

 

O tradicionalismo

Antes de falar sobre o que é o tradicionalismo quero falar sobre o que não é o tradicionalismo. O tradicionalismo não é a conservação das doutrinas da fé cristã. O tradicionalismo não é a conservação dos estatutos internos de uma denominação. O tradicionalismo não sistema de culto e nada tem haver com liturgia. Enfim, o tradicionalismo não é tradição. A conservação das doutrinas centrais da fé cristã e dos estatutos de uma denominação são bíblicas e saudáveis para toda a comunidade eclesiástica. O Tradicionalismo vai além. O tradicionalismo não consegue colocar a fé cristã em prática na vida da igreja fora das quatro paredes. É um evangelho engessado em sua estrutura denominacional de maneira que os olhos do tradicionalista são fechados para a contextualização do evangelho em sua própria cultura. Assim até mesmo para os que freqüentam uma igreja tradicionalista é difícil aplicar o evangelho na vida do ouvinte, pois, raramente tem alguma relevância ou aplicação para a vida diária fora dos moldes da estrutura da igreja local. Raramente há algum evangelismo por parte de um tradicionalista. Suas igrejas são povoadas por um pequeno número de cristãos que nasceram na denominação e por costume da família freqüenta o culto. Os tradicionalistas são mais preocupados com sua denominação, sua arquitetura e seu governo de igreja do que levar o evangelho para o homem pecador que está fora do sistema eclesiástico. O tradicionalista tende a pregar o evangelho sem utilizar qualquer forma de contextualização ou método contemporâneo para isso.  Não é possível pregar o evangelho de Cristo (relevante e atual) na vida de um pós-moderno nos moldes do tradicionalismo. A falta de relevância do “evangelho” pregado por um tradicionalista não faz sentido nem com o próprio Evangelho de Cristo, que sempre se importou em levar todo o conteúdo da mensagem de forma mais significativa e contextual sem comprometer o próprio conteúdo.

Por isso, pela própria responsabilidade em ter um evangelho simples e puro devemos combater essa forma de fundamentalismo. O tradicionalismo deve ser extirpado da comunidade evangélica para que o evangelho possa ser compreendido pelos que estão fora das quatro paredes.

 

E por fim…

Quero salientar que a bíblia nos chama a ser intolerantes quanto às mentiras que tentam minar o Evangelho: “Conjuro-te perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cerca-se-ão de mestres, segundo as próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos á VERDADE, entregando-se as fábulas.” O conselho de Paulo aqui não é outro se não conscientizar a comunidade a se resguardar de toda a heresia. É se armar com toda a verdade de Deus para a pregação do Evangelho. Por isso, conheça a verdade, pregue a verdade e defenda a verdade.

“A tolerância é a virtude do indivíduo sem convicções” G.K Chesterton

O Legado de Jonathan Edwards – Tiago Souza

Recentemente, o estudante Benjamim B. Warfield de Princeton encontrou, depois de muitas pesquisas, 1.394 descendentes conhecidos de Jonathan Edwards ( pai do grande avivamento americano). E nessa pesquisa podemos constatar o maravilhoso legado que Edwards deixou aos seus descendentes através de sua vida cristã.

Dos 1.394 descendentes de Edwards:

3 se tornaram presidentes de universidades,

3 senadores dos Estados Unidos
30 juizes
100 advogados
60 médicos
65 professores de universidades
75 oficiais de exército e marinha
100 pregadores e missionários
60 escritores de destaque
1 vice-presidente dos Estados Unidos
80 altos funcionários públicos
250 formados em universidades, entre eles governadores de Estados e diplomatas enviados a outros países.
Os descendentes de Jonathan Edwards não custaram ao Estado um dólar!
Por outro lado, Benjamim B. Warfield também pesquisou a vida de Max Jukes, um famoso ateu, contemporâneo a Jonathan Edwards, o qual freqüentemente atacava os discursos, a ideologia e as pregações de Edwards. Max Jukes, o ateu, viveu uma vida ímpia, casou-se com uma jovem ímpia, e também deixou um legado para seus descendentes, da descendência dessa união entre Jukes e sua esposa, pesquisada por Benjamim,
constatou-se que de todos seus descendentes encontrados:

310 morreram como indigentes.

150 foram criminosos, sendo 78 assassinos.

100 eram alcoólatras.

Mais da metade das mulheres, prostitutas.

Os 540 descendentes de Jukes custaram ao Estado 1.250.000 dólares.

“Bem-aventurado o homem que teme ao Senhor, que em seus mandamentos tem grande prazer… Sua descendência será poderosa na terra; a geração dos justos será abençoada”. (Salmos 112.1-2)

 

Jonathan Edwards (5 de outubro de 1703 – 22 de março de 1758) foi pregador congregacional, teólogo calvinista e missionário aos índios americanos, e é considerado um dos maiores filósofos norte-Americano.

O que eu penso sobre o homossexualismo? – Tiago Souza

O que eu penso sobre o homossexualismo?

Antes de dizer o que penso quero dizer o que a igreja brasileira pensa sobre a homossexualidade. Na verdade a igreja não pensa.  O que a igreja “pensa” é o que Silas Malafaia pensa. Por quê? Por que infelizmente Silas é um dos únicos que tem se posicionado na mídia dando sua opinião sobre o assunto. A igreja vê  Silas debater contra os defensores da homossexualidade dizendo que o homossexualismo é “comportamental” e sem pensar duas vezes tomam isso como verdade, pois, é o “homem de Deus” que esta falando.

A igreja não é levada a pensar biblicamente sobre o assunto, então ingerem o que outros estudaram. Esse é um erro grave. Então antes de tudo, até mesmo de discordar de mim, por favor, estude as escrituras e não dependa de ninguém para me dar suas respostas ok?

Agora o bicho vai pegar…

O homossexualismo não é comportamental. Ninguém nasce macho por excelência e diante de uma oportunidade é levado pelo comportamento. Se o homossexualismo não é comportamental então um tratamento em clinicas não terá grandes resultados.

O homossexualismo não é demônio. Mesmo podendo ter sim influencias de satanás, não vejo que satanás esta por trás de todo caso de homossexualismo. Se não é demônio, o homossexualismo não pode ser resolvido através de uma sessão de descarrego ou algo assim.

O homossexualismo não é doença. Ele não está no gene do homem ou da mulher. Você não pode tratar a homossexualidade na farmácia da esquina.

Então o que é o Homossexualismo?

Homossexualismo é pecado!

A bíblia diz o seguinte: “Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.. Salmos 51:5. O que isso quer dizer? Trocando em miúdos, mesmo você não sendo um homossexual você poderia ser. Por quê? Porque em pecado te concebeu a sua mãe. Temos o pecado herdado da nossa mãe e o pecado imputado de Adão. Isso quer dizer que você é em potencial: um psicopata, um assassino, um ladrão, um estuprador, um mentiroso, um arrogante e por fim você poderia ser um homossexual mesmo não o sendo. Você não é, mas poderia ser. Porque? Por causa da inclinação de cada um para cada pecado.

Deixa-me eu dar um exemplo:
Você é um cidadão comum. Trabalha, estuda comete alguns pecados aqui, outros ali. Mas você já parou para pensar que você poderia ser tão maléfico quanto Hitler? Você nasceu exatamente como ele, mas pela graça comum de Deus você não se tornou como ele. Você não é Hitler, mas poderia ser!

Voltando ao assunto…

Então o homossexualismo não é tão simples como um comportamento, doença ou demônio. O homossexualismo vai além de tudo isso e está arraigado na alma de alguns homens e mulheres que nascem com a pré-disposição para esse tipo de pecado, e com isso não estou falando que o problema é genético. Deus fez homem e fez mulher como já falei, mas isso não descarta minha tese que o problema é de nascimento. Pecadores geram pecadores, e isso é umas das maiores desgraças da vida.

Então o que é o homossexualismo? O homossexualismo é de cunho espiritual!

Não estamos (como igreja) entendendo como lidar com um homossexual. Colocamos o homossexual para ser curado, liberto e muitas vezes mentimos e o defraudamos com um “tapinha nas costas” dizendo que agora tudo mudou. Não é bem assim!

Vamos para a solução…

Se de fato o homossexualismo é problema de pecado, como eu penso, então devemos apelar para duas coisas: Conversão e santificação.
A conversão seguida de uma eterna santificação é a melhor solução para o homossexual. Como todos os outros tipos de pecado ( que não são maiores ou menores) o homossexualismo se vence dia após dia em oração, jejum e comunhão com a igreja.

Diante disso confesso que precisamos (como igreja) reavaliar como estamos lidando com esse caso que aumenta cada vez mais na sociedade. Devemos tratar pecado como pecado custe o que custar, mas entendendo que isto não esta relacionado somente com a “sem-vergonhice de alguém”, mas este inserido na alma do homem pecador, até que este encontre a Jesus Cristo.

Vamos para algumas perguntas:

Deus pode “curar” um homossexual?
– Sim Ele pode.

Deus pode NÃO “curar” um homossexual?
– Sim, Ele pode também.

Porque Deus NÃO curaria um homossexual?
– Por que Ele não deixaria de dar ao homossexual a oportunidade de Glorificar o Seu nome toda vez que ele vence o pecado do homossexualismo. Ou seja, toda vez que um pecador é agraciado por Deus para vencer qualquer tipo de pecado isso tem um efeito de glorificação a Deus.

Neste caso Deus abandonaria o homossexual arrependido?
– De maneira nenhuma. Deus dá ao homossexual a força para vencer o pecado. Deus dá ao homossexual a igreja para comunhão e Deus dá ao homossexual o livre acesso para orar, desabafar e pedir ajuda em momentos de crise.

Um homossexual pode ter tido um encontro com o evangelho?
– Sim.

Um homossexual que permanece na prática sexual da homossexualidade pode ter tido um encontro com o evangelho?
– Não

E por fim…
Encerro  o que penso sobre o assunto. Oremos para que o Senhor nos ajude a lidar, tratar e permanecer amigos de tantas pessoas que estão saindo do armário.

Em Cristo,
Tiago Souza

 

 

Exposição da Carta de Paulo aos Colossenses – Tiago Souza

A Epístola de Paulo aos Colossenses

Titulo:

Colossenses recebeu esse titulo por causa da cidade onde a igreja estava localizada e a carta endereçada.  A epístola deveria ser lida também na igreja vizinha de Laodicéia (4.16).

Autor e Data:

O apóstolo Paulo é identificado como o autor logo no inicio da carta ( 1:1; 23 – 4:18) como habitualmente faz em suas epístolas logo nas saudações. O testemunho de grandes homens de Deus da igreja primitiva como Irineu, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Origines e Eusébio, confirma ser genuína a afirmação de Paulo como autor da carta. Uma evidencia adicional da autoria de Paulo é fornecida pelos paralelos estreitos com o livro de Filemom, o qual é aceito universalmente como tendo escrito por Paulo. Ambas as cartas foram escritas quando Paulo se encontrava preso em Roma no ano de 60-62 (4:3,10,18; Fm 9-10,13,23); além disso, os nomes das mesmas pessoas (Timóteo, Aristarco, Arquipo, Marco, Epafras, Lucas, Onésimo e Demas) aparecem em ambas as epístolas, mostrando terem sido elas escritas pelo mesmo autor quase que ao mesmo tempo.

Pano de fundo:

Colossos era umas das cidades da Frigia, província romana da Ásia (hoje Turquia). Situada a 170 km a leste de Eféso, na região das sete igrejas do Apocalipse 1-3. A cidade situa-se ás margens do rio Lico, e era famosa por sua prosperidade no século 5° a.C quando o rei persa Xerxes marchou através da região. A lã preta e as tinturas eram pinturas importantes da região. Além disso, a cidade situava-se nas principais rotas comerciais norte-sul e leste-oeste. Nos dias de Paulo, no entanto, a principal estrada havia sido redirecionada para passar em Laodicéia, desde modo desviando-se de Colossos, o que levou o declínio dessa cidade e ao crescimento das cidades vizinhas de Laodicéia e Hierápolis .

Embora a população de Colossos fosse essencialmente de gentios, havia uma colônia judaica considerável que datava dos dias de Antíoco, o Grande(223-187 a.C) a população mista de judeus e gentios de Colossos manifestava-se tanto na composição da igreja quanto na heresia que a perturbava, a qual continha elementos do legalismo judaico e do misticismo pagão.

A igreja de colossos foi estabelecida durante os três anos de ministério de Paulo em Éfeso (At. 19). Seu fundador não foi Paulo, o qual nunca esteve lá (2.1), mas Epáfras (1.5-7), que aparentemente estabeleceu a igreja em colossos no seu retorno para a casa. Muito anos depois de a igreja de colossos ter sido fundada, essa não era identificada com nenhum sistema histórico particular. Ela continha elementos do que, mais tarde, ficou conhecido como gnosticismo que defendia a tese de que Deus é bom, mas a matéria é má; que Jesus Cristo foi simplesmente um de uma série de emanações descendentes de Deus e um ser inferior a Deus, e que era necessário um conhecimento secreto e mais levado do que a escritura para o esclarecimento e para a salvação. A heresia de colossos também adotou aspectos do legalismo judeu; por exemplo, a necessidade da circuncisão para a salvação, a observância dos rituais de cerimônia da lei do AT (as leis quanto aos alimentos, às festas e o sábado) e um rígido ascetismo. Ela também preconizava o culto aos anjos e a experiência mística. Epáfras ficou muito preocupado com essa heresia e fez uma longa viagem de Colossos a Roma (4.12-13), onde Paulo estava preso. Essa carta foi escrita da prisão de Roma (At 28.16-31), em alguma época entre 60-62 d.C,e portanto, é conhecida como a epístola da prisão (juntamente com Éfesios, Filipenses  e Filemon). Provavelmente, foi escrita quase ao mesmo tempo em que Éfesios e, a principio, foi enviada com essa epístola e com Filemon por Tíquico (Ef 6.21-22; Cl 4.7-8). Paulo escreve essa carta a fim de advertir os colossenses contra a heresia enfrentada por eles, e enviou a carta a eles por intermédio de Tiquico, o qual estava acompanhando Onésimo, o escravo fugitivo, de volta para o seu dono, Filemon, membro da igreja de Colossos (4.7-9)

Os perigos que assolavam a Igreja de Colossos

A fim de compreender a natureza dos perigos que rondavam essa igreja, é necessário conservar em mente que ela era formada inteiramente, ou quase inteiramente, de convertidos do mundo gentio (Cl1.21,22,27; 2.11-13; 3.5-7). Toda sorte de paganismo conhecido na época crescia na região. Eram adoradas ali divindades tais como: Cibeli Sabázio Frigiana, Mene, Isis e Serápis, Hélio e Selene, Demétrio e Artemis. Portanto, o mal básico que confrontava a jovem igreja era:

A leitura cuidadosa de colossenses 3.5-11 prova que esse perigo era crucial. Os membros da igreja colossense eram pelo menos a maioria, recém-convertidos da tenebrosa e grosseira sensualidade dos ímpios. Como tal, o perigo do relapso, na sua multiforme licenciosidade, era bastante real, e isso pelas seguintes razões:

1– Primeiramente, existiam os laços com o vil passado. O hábito é uma corda. A pessoa tece um fio todos os dias até que se torna impossível arrebentá-la.

2– em segundo lugar, circuncidava o mal. É difícil remar contra tal correnteza e se opor a opinião da maioria.

3– em terceiro lugar, havia a maré de paixão em cada coração ainda não consagrado completamente. Apesar de terem aceitado a Cristo, os colossenses não haviam se tornado “perfeitos” da noite para o dia.

4– E, finalmente, havia os engodos de Satanás, buscando, através de meios ultra-habilidosos, arrebatar as ovelhas da mão do Pastor (Jo 10.28).

Em face disso, podemos compreender a repetidas admoestação de Paulo a que os colossenses deveriam perseverar na sua nova fé, que não sem ás obras más, devendo “fazer morrer” tais coisas como: imoralidade, impureza, paixão,desejos malignos, avareza, ira, indignação, malignação, maledicência, linguagem obscena e mentiras (Cl 1.21-23; 2.6; 3.5-11).

O perigo de se aceitar a heresia colossense

Ora, o que a chamada “heresia colossense” tem a ver com tudo isso? Com certeza era exatamente o propósito dos mestres desses erros, mostrar aos colossenses como poderiam triunfar sobre os pecados mencionados, isto é, sobre a “ indulgencia da carne”. Era como se estivessem dizendo: “vocês estão engajados na tremenda batalha (porem, perdida) contra as tentações da sua natureza maligna? Nós podemos ajudá-los. A fé em Cristo, apesar de boa até certo ponto, não é suficiente, pois Cristo não é o Salvador completo”.

Há uma distinta possibilidade de que fizeste uso da palavra “plenitude”, como se dissessem: “Cristo não lhes dará plenitude de conhecimento, santidade, poder, alegria, etc. Portanto, para atingir tal plenitude, alem de crerem em Cristo, vocês devem seguir normas e regulamentos. Se fizerem isso, conquistaram e obterão maturidade a fim de ultimar a felicidade e a salvação”.

Que esse era realmente o caso está claro pelo fato de que Paulo, tendo resumido a “filosofia do vão engano” desses mercadores de mentiras com seus argumentos persuasivos sobre normas e regulamentos e sua fanfarronice a respeito de visões que tiveram, conclui sua crítica, dizendo: “Coisas desse tipo possuem certamente marcas de sabedoria…(mas) não tem valor algum, servindo apenas para indulgenciar a carne” (Cl 2.23). Em outras palavras, elas vão feri-los em vez de ajuda-los. Ele passa então a indicar uma maneira muito melhor – aliás, a única maneira- pela qual a carne possa ser ganha (Capítulos 3 e 4).

A “heresia colossense” era o segundo perigo somado ao primeiro, e até certo ponto um resultado deste, e pode ser caracterizada do seguinte modo:

  1. Falsa filosofia (Cl 2.8), que apesar de afirmar ter descoberto segredos e ter tido visões (2.18), negava a preeminência e a suficiência total de Cristo. Paulo afirma que a razão pela qual promove a grandeza de Cristo é porque existem aqueles que a negam e estão tentando iludir outros a igualmente negarem-na (2.2-4; 2.8-9; 2.16,17). A soberana majestade e a completa suficiência de Cristo como perfeito Salvador e Senhor é enfatizada em passagens como 1.13-20; 1.27,28; 2.2-4; 2.8,10; 2.16,17; 2.19; 3.1-4.
  2. Cerimonialismo judaico (Cl 2.11,16,17; 3.11), que acrescentava um significado especial ao ritual de circuncisão física, as regulamentações de alimentos e á observância de datas especiais pertinentes á economia da velha dispensação. Todas essas coisas, diz Paulo não mais que “sombras”. Perderam seu significado agora que o objeto que projeta a sombra, a saber, Cristo, já chegou (Cl 2.17).
  3. Asceticismo (Cl 2.20-23), que no seu impiedoso tratamento do corpo ia além do judaísmo. O apóstolo mostra sua insuficiência para a salvação plena.

Temas históricos e Teológicos:

A carta de Paulo aos Colossenses contém ensinamentos a respeito de diversas áreas essenciais da teologia, incluindo a divindade de Cristo (1.15-20; 2.2-10), a reconciliação (1.20-23), a redenção(1.13-14; 3.9-11), a eleição(3.12), o perdão(3.13) e a natureza da igreja (1.18,24-25; 2.19; 3.11-15). Também como observado acima, essa epistola refuta o ensino herege que ameaçava a igreja de colossos (cap.2).

Tiago Souza

Dificuldades de Interpretação:

Essas seitas que negavam a divindade de Cristo se valiam da descrição dele como “o primogênito de toda a criação” (1.15) como prova de ele era uma criatura. A afirmação de Paulo de que os cristãos serão “santos,inculpáveis e irrepreensíveis” se eles “permanecerem na fé” (1.22-23) havia levado alguns a ensinar que os cristãos podem perder a salvação. Outros afirmavam a existência do purgatório com base na afirmação de Paulo,… ”preencho o que resta das aflições de Cristo na minha carne…” (1.24), enquanto outros viam apoio para a regeneração batismal (2.12). A identidade da epistola “dos de Laodicéia” (4.16) também gerou grande discussão.

Esboço:

 

  1. I.                    Assuntos Pessoais (1.1-14)
    1. A saudação de Paulo (1.1-2)
    2. A ação de graças de Paulo (1.3-8)
    3. A oração de Paulo (1.9-14)
  1. II.                  Instruções Doutrinarias (1.15-2.23)
    1. Sobre a divindade de Cristo (1.15-23)
    2. Sobre o ministério de Paulo (1.24-2.7)
    3. Sobre a falsa filosofia (2.8-23)
  1. III.                Exortações Práticas (3.1- 4:18)
    1. A  conduta cristã (3.1-17)
    2. As famílias cristãs (3.18- 4.1)
    3. O modo cristão de falar (4.2-6)
    4. Os amigos dos cristãos (4.7-18)

Prefacio e saudação (1.1-2)

– Paulo da início a sua carta identificando seu apostolado, tema esse que era repudiado pelos judaizantes que estavam minando sua autoridade. Para Paulo o conhecimento de sua autoridade apostólica para os colossenses era de grande valor para a leitura e interpretação do restante da carta na igreja.

– Mesmo a igreja tendo varias falhas quanto a doutrina de Cristo Paulo os identifica como “santos e fieis em Cristo”. A santidade e a fidelidade da igreja eram em Cristo e não na sua própria natureza já que esta se desviou de varias doutrinas essenciais do evangelho.

 

Agradecimento pela fé, pelo amor, pela esperança e pelo Evangelho (1.3-8)

– é impressionante como Paulo sempre tem graças a dar a Deus pelas igrejas, até mesmo aquelas que tinham heresias, demonstrando assim seu amor e seu zelo quanto a igreja de Deus

– Paulo denota a tríade do evangelho: Fé, Amor e Esperança. Frutos visíveis daqueles que de fato são salvos.

– Esses frutos visíveis são resultados exclusivamente da pregação do evangelho.

– A pregação do evangelho foi tão bem clara e exposta por Epafras que eles “ouviram e entenderam” a Graça de Deus.

– Pelo fato de eles ouvirem e entenderem perfeitamente a mensagem do evangelho, Paulo chama o comunicador dessa mensagem (Epafras) de: amado conservo e fiel ministro de Cristo.

– Epafras, sendo o fundador da Igreja de colossos, relata o “amor no Espírito” que a igreja tinha.

Uma oração por entendimento espiritual e conduta piedosa (1.9-14)

– A oração de Paulo vai crescendo em solo de gratidão (“por esta razão”) e traça o desenvolvimento que se deve esperar na vida cristã, começando na infância espiritual e indo até a plena maturidade em Cristo.

– “conhecimento”, “sabedoria” e “entendimento” são palavras sinônimas que transmite a idéia do conhecimento que os salvos devem ter após ser convencido pela mensagem do evangelho. O conhecimento de Deus não pode acontecer aparte do crescimento espiritual (1Pe 2.2; 2Pe 3.18). Esse crescimento e conhecimento em Deus gera amor pela Palavra (Sl 119.97), uma obediência mais perfeita (1Jo 2.3-5), uma base doutrinaria consistente (1 Jo 2.12-14), uma fé crescente (2 Ts 1.3; 2Co 10.5) e um grande amor pelos outros (Fp 1.9)

– Esse conhecimento tinha o objetivo de levá-los a viver de modo digno do Senhor. A palavra “digno” (Aksios) tem a idéia de balança como que de um lado o peso de Cristo seja equivalente ao peso de nossa vida.

– Paulo lembra os colossenses da conversão e obra realizada por Cristo, o filho do amor de Deus.

– Note a palavra “império” em contraste com o “Reino”. Ele nos libertou de um cativeiro onde andávamos exilados e sem esperança para sermos seus súditos em seu Reino de Luz.

– “nos libertou” a palavra grega significa “atrair para si”, veja João 12:32

– Redenção: a palavra grega quer dizer libertar mediante o pagamento de um resgate e era usada para libertar os escravos da servidão. Aqui se refere a Cristo tendo libertado os colossenses da escravidão do pecado.

Jesus Cristo, o Senhor da Criação e da Reconciliação (1.15-23)

A Preeminência do filho

Os versos 15-20 formam uma unidade. Se não foi uma pérola literária composta pelo próprio apóstolo, era provavelmente um hino ou algum testemunho fixo da Igreja primitiva adotado por Paulo e reproduzido aqui sem mudança alguma, ou com alterações cabíveis ás necessidades da igreja de Colossos. A preeminência do Filho é demonstrada:

A. Na Criação (1.15-17)                

15. Que é a imagem do Deus

Invisível,

O Primogênito de toda a criação

16. Pois, por meio dele, foram

Criadas todas as coisas

Nos Céus e na Terra,

As visíveis e as invisíveis,

Sejam tronos ou domínios ou

Principados ou autoridades,

Todas as coisas foram criadas

Por meio dele e para Ele

17. e ele é antes de tudo,

E Nele tudo subsiste.

B. Na Redenção

18. E Ele é o cabeça do corpo,

A igreja;

Que é o principio, o primogênito dos mortos,

Que em todas as coisas Ele tenha a preeminência,

19. Pois Nele,Deus agradou-se em habitar toda a sua plenitude,

20. E por meio Dele reconciliar

consigo todas as coisas

Havendo feito a paz pelo seu

sangue da sua cruz,

Por meio dele, sejam as coisas da terra

Ou as coisas nos céus.

Note os seguintes pontos de correspondência entre A e B:

A                                B

(1)“Que é” no verso                                15                      18

(2)” O primogênito” no verso                15                      18

(3) “Pois, por meio dele” no verso       16                       19

(4)“ Nos céus e na terra” no verso        16                      20

– As mesmas expressões se acham não apenas em ambas as colunas, mas aparece na mesma seqüência. Existe um paralelismo definido de idéias e formas. A Glória de Cristo na Criação é balanceada por sua majestade na Redenção.

– a palavra grega para “imagem” é “eikón”, de onde deriva a palavra “ícone” “copia” ou “semelhança exata”. Aqui Jesus é apresentado por Paulo como aquele que é a imagem perfeita de Deus e subsiste na forma genuína de Deus (Fp 2.6; Jo1.14; 14.9), e tem sido assim desde a eternidade. Portanto Jesus Cristo é Deus em todos os sentidos.

– “o primogênito de toda a criação”. A idéia aqui é que Jesus Cristo tem a preeminência em todas as coisas sendo Ele o meio do qual essas coisas vieram a existir. Assim ele existe antes da criação, e é exaltado numa posição acima dela, pois sua natureza é eterna

– “O primogênito dentre os mortos”. Jesus foi o primeiro, na ordem cronológica, a ser ressuscitado dentre os mortos para nunca mais morrer. De todos aqueles que foram, ou que virão a ser ressuscitados de entre os mortos, e isso inclui todas as pessoas (Jo 5.28-29), Cristo é supremo (Fp 2.8-11).

– “Toda a plenitude”. Provavelmente um termo usado pelos adeptos da heresia colossense para se referir aos poderes e atributos divinos, os quais eles acreditavam terem sido divididos entre varias emanações. Paulo nega isso ao afirmar que a plenitude da divindade – todos os poderes e atributos divinos- não estavam espalhados entre as criaturas, mas habitava, por completo, em Cristo somente (2.9).

– “Havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz”. A habitação plena e corpórea da divindade teve um objetivo: Glorificar a Deus pela manifestação da graça em “reconciliar consigo mesmo todas as coisas” no ato da morte sacrificial de Jesus Cristo.

– Essa redenção de todas as coisas também alcançou espaço no coração dos colossenses mediante a pregação do Evangelho. Eles que eram em sua maioria gentios, estavam agora reconciliados mediante a morte de Cristo e não eram mais estranhos, inimigos e amantes das obras malignas.

– O Deus que salvou os colossenses é o Deus que guardará a salvação deles de forma santa, inculpável e irrepreensível até o fim.

– o versículo 23 parece dizer que a salvação esta nas mãos dos colossenses. Mas isso não passa de uma falácia. O que Paulo esta dizendo aqui é que Deus os guardará e os levará a lutar contra a apostasia e os ajudará a permanecer firmes na esperança do evangelho. É impossível alguém permanecer no evangelho sem que Deus interfira e o ajude.

– Paulo se vê como ministro desse evangelho (O evangelho da salvação e da reconciliação de todas as coisas). Ministro não é um titulo. Ministro não é um cargo alto e de evidencia na igreja. Ministro em grego (Diákonos) sugere uma função de serviço. Um ministro do Evangelho é alguém que conhece esse evangelho, tem sido salvo pelo Cristo do evangelho, e com alegria no coração tem proclamado esse evangelho a outros. Portanto serve a causa do evangelho (WILLIAM HENDRIKSEN).

A missão de Paulo e suas preocupações pastorais (1.24- 2.5)

– a palavra “agora” se refere provavelmente ao fato de que nesse exato momento Paulo não esta realizando viagens missionárias nem ministrando aos colossenses com a sua presença, como espera fazer mais tarde (Fm 22), mas esta suportando as muitas facetas do sofrimento e das agruras. Note o plural “meus sofrimentos” – pertinentes a sua atual prisão (Cl 4.10,18; Ef 3.1; 4.1; Fm 1.9,23).

– Em vez de reclamar ou até murmurar contra seu próprio ministério Paulo se “regozija”, pois essas provações não comprovam seu apostolado?

– Cumprimento á Palavra de Deus. Diz respeito á sincera devoção de Paulo em cumprir por completo, o ministério confiado a ele por Deus para pregar todo o designo de Deus aqueles a quem ele o havia enviado (At 20.27; 2Tm 4.7).

– O mistério que estava oculto nas palavras dos patriarcas, dos profetas e na lei, agora estava revelado aos que Deus escolhera.

– O mistério aqui tem a idéia da verdade escondida até então, porem revelada pela primeira vez aos santos no NT. Essa verdade inclui o mistério do Deus encarnado (2.2-3,9), a incredulidade de Israel (Rm 11.25), a unidade entre os judeus e gentios tornados um na igreja (Ef 3.3-6). Nessa passagem o mistério é revelado no vers. 27, o Cristo na vida da igreja é a esperança da Glória.

– Paulo inicia o capitulo dois lembrando os colossenses de seus sofrimentos e de suas lutas quanto ao manter viva a fé que leva os gentios ao pleno conhecimento e forte convicção acerca do mistério Deus.

– O mistério de Deus, Cristo, tem em sua natureza todas as riquezas do conhecimento e da sabedoria que outrora estavam ocultos. Ou seja, em Cristo temos a revelação bíblica. Cristo é a chave hermenêutica de toda a escritura. Ao dizer “todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” Paulo quer combater os falsos mestres e suas heresias que diziam haver um conhecimento transcendente ao alcance somente da elite espiritual. Num nítido contraste, Paulo declarou que toda a riqueza da verdade necessária para a salvação, santificação e glorificação é encontrada em Jesus Cristo, o qual é ele mesmo é Deus revelado (Jo 1.14; Rm 11.33-36; 1Co 1.24,30; Ef 1.8-9; 3.8-9).

O Remédio para o erro: Cristo em toda a sua plenitude (2.6-15)

– Paulo inicia essa seção com uma petição: “Andai Nele”. “Andai Nele” é um termo comum no NT e indica a conduta diária do Cristão (Cl 1.10; Rm 6.4; 1Co 7.17; 2Co 5.7; Gl 5.16; Fp 3.16-18; 1Ts 2.12; 2Ts 3.11; 1Jo 1.6-7). Andar em Cristo é viver uma vida que é modelada segundo a vida Dele e submeter diariamente ao seu Senhorio.

– Após dar o mandamento, a ordem imperativa “ Andai Nele” Paulo agora aponta como que eles podem ter a capacidade de cumprir esse mandamento: ser radicado, edificado e confirmado na fé. O sentido aqui é objetivo, referindo-se á verdade da doutrina cristã. A maturidade espiritual desenvolve-se a partir do fundamento bíblico como ensinada e registrada pelos apóstolos.

– O vers 8 denota a preocupação de Paulo com os falsos mestres e seus ataques contra a igreja de colossos. O “vos venha enredar” tem a idéia de roubo e furto. Os falsos mestres, quando bem- sucedidos em fazer as pessoas acreditarem em mentiras, roubam a verdade, a salvação e as bênçãos delas. Eles o roubam com “filosofias e vãs sutilezas” da “tradição dos homens” e “rudimentos do mundo”. (o legalismo evangélico e o liberalismo teológico de nossos dias)

– No vers. 9 Paulo fala sobre a pessoa de Cristo e sua natureza: “porquanto Nele habita toda a plenitude da Divindade”. Aqui ele defende a natureza divina de Cristo que estava sendo ameaçada pela heresia gnóstica que defendia a impossibilidade do Espírito (bom) habitar e assumir um corpo humano(mal). Paulo refuta esse falso ensino, salientando a realidade da encarnação de Cristo.

– Em Cristo (Deus e homem ao mesmo tempo) somos aperfeiçoados segundo a imputação da justiça divina que nos foi dada na morte de Cristo na cruz (2Co 5:21).

– “Circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é circuncisão de Cristo”.  A circuncisão simbolizava a necessidade do homem purificar o coração (Dt.10.16; 30.6; Jr 4.4) e era um símbolo exterior da purificação do pecado que vem pela fé em Deus. No momento da salvação, as pessoas passam por uma circuncisão espiritual mediante o despojamento da carne (Rm 6.6; 2Co5.17; Fp3.3; Tt3.5). Esse é o novo nascimento, a nova criação que acontece na conversão.

– Os colossenses estavam mortos em seus delitos e pecados até que Cristo deu vida a esses mortos, perdoando e cancelando o escrito de dívida que os acusava. Essas dívidas foram encravadas na cruz, assim como era feito com os criminosos que eram crucificados. O puritano Richard Baxter escreveu um belo livro chamado “A Morte da Morte na Morte de Cristo” que retrata exatamente isso.

– Cristo não só removeu a dívida, a pena e a acusação como também triunfou sobre os principados e potestades na Cruz. A idéia que Paulo usa aqui é de um general romano vitorioso desfilando seus inimigos derrotados pelas ruas de Roma. O famoso exegeta John Stott nos chama atenção para ver a Cruz não tão somente como um ato de desprezo, dor e sofrimento, mas como um ato de adoração e glorificação do próprio filho em agraciar pecadores com sua vida.

Libertação do Legalismo ( 2.16-23)

 Para entender melhor essa passagem leia o apêndice “Libertos da Falsa Liberdade” e veja como Paulo tratou esse mesmo assunto com a igreja dos Galátas.

– Em um parágrafo que alude ao ensino e aos lemas daquela filosofia, Paulo formula uma “carta de alforria cristã”. Uma teologia enganosa leva a práticas enganosas! Idéias equivocadas sobre a plenitude e a obra de Cristo (que o apóstolo corrige no vers. 8-15) correspondem a praticas equivocadas. As criticas de Paulo contra essas praticas errôneas e os próprios falsos mestres são bastante duras.

comida,bebida,festas,lua nova, sábados. Os Falsos mestres buscavam impor certas regras quanto a alimentação e o calendário judaico, provavelmente com base naquelas da lei mosaica (Lv.11). Por estarem debaixo da nova aliança, os colossenses (como todos os cristãos) não eram obrigados a seguir as restrições do AT (Mc 7.14-19; At 10.9-15; Rm 14.17; 1Co 8.8; 1Tm 4.1-5; Hb 9.9-10) e que os o NT ensina, de maneira clara, que os cristãos não precisam guardá-los.

– “Sombras das coisas”. Os aspectos cerimoniais da lei do AT eram meras sombras que apontavam para Cristo. Desde Cristo, a realidade veio, e as sombras não têm valor.

– “pretextando humildade”. Uma vez que os falsos mestres (judaizantes) se deleitavam na tentativa de cumprir a lei isso na verdade tinha a aparência de humildade, mas não passava de mero orgulho, que Deus odeia (Pv 6.16-17).

– Alem da observância da lei os colossenses também estavam sendo alvo da adoração aos anjos, uma heresia que perturbou a região ao redor de colossos por muitos séculos e mais do que isso, uma pratica explicitamente proibida na bíblia. Essa heresia era movida por visões e revelações que supostamente haviam recebido. Paulo é enfático aqui condenado toda fé baseada em experiências.

– Os vers.21-23 destacam a futilidade do ascetismo, que é a tentativa de alcançar a santidade mediante uma rigorosa negligencia de si mesmo (vers.23), da autonegação (vers.21) e até mesmo do castigo auto-infligindo. Uma vez que se concentra nas coisas que “com o uso se destroem”, o ascetismo não tem poder para restringir o pecado ou levar alguém a Deus. Com muita freqüência, os ascéticos buscam apenas fazer uma demonstração publica de sua suposta santidade (Mt 6.16-18).

A união com o Cristo Glorificado (3.1-4)

– “Portanto” pode ser traduzido como “uma vez que”, denotando o propósito posterior a conversão e a ressurreição em Cristo. Paulo tem em mente que, como pessoas que nasceram de novo e morreram para este mundo e tudo o que ele pode oferecer, elas possam agora viver diante de propostas superiores aos do mundo.

– “fostes ressuscitados”. Esse verbo, na verdade, significa “ser corressuscitado”. Por causa da união com Cristo, os cristãos participaram, espiritualmente, de sua morte e de sua ressurreição no momento em que se converteram e foram vivificados, e agora estão vivos nele de modo a compreender as verdades espirituais, a realidade, as bênçãos e a vontade soberana de Deus.

Os resultados da União com o Cristo glorificado (3.5-11)

– “Fazei pois, morrer” diz respeito ao esforço consciente para destruir o pecado remanescente em nossa carne. Aqueles que foram chamados a conversão, e que assim foram corressucitados com Cristo, tem o dever de fazer morrer a natureza terrena do qual é falha e pecaminosa. Paulo exorta os colossenses listando um serie de pecados relacionados com a natureza daqueles que são “os filhos da desobediência” para lembrá-los que tais atitudes não correspondem com aqueles que uma vez foram unidos na vida de Cristo.

– Alem dos cristãos descartar os hábitos antigos e pecaminosos eles também precisam realizar sua unidade em meios as diferenças, bem como destruir as antigas barreiras que separavam pessoas (Ef 2.11-16).

– Visto que não há diferenças entre raças e etnias Cristo, é auto-suficiente em tudo e em todos estabelecendo seu senhorio sobre todos os homens de igual modo.

As virtudes da união com o Cristo glorificado (3.12-17)

em vista do que Deus havia feito por meio de Jesus Cristo para o cristão, o ressuscitando junto a Ele, Paulo agora descreve o comportamento e a atitude que Deus espera em resposta a essa benção maravilhosa. A lista de atitudes do cristão para com o que ele foi chamado a ser é:

1-Eleitos de Deus: O cristão deve compreender humildemente que sua salvação procede unicamente da Graça Soberana de Deus em converter seu coração ao chamá-lo para ser parte da família de Deus (Jo 15:16; Rm 8:29; 9:14-23; Ef 1.4; 2Ts 2.13-14; 2Tm 1.8-9; 1Pe 1.1-2; Rm 11.4-5).

2- Santos e Amados – A eleição é a escolha de Deus em nos chamar para ser separado do mundo, o que nos torna santo(mediante a justificação) e amado por Deus.

3- Ternos afetos de misericórdia: Também pode ser traduzido por  “coração misericordioso”. É um hebraísmo que indica os órgãos internos do corpo humano quando utilizado, de modo figurado, para descrever o lugar de onde vêm as emoções.

4- Bondade– diz respeito à bondade para com os outros que permeia a pessoa por inteiro, suavizando os aspectos hostis.

5- Humildade– Esse é o antídoto perfeito para o egoísmo que envenena os relacionamentos humanos (Rm12.3,10; Fp2.3; Mt18.4; Jo 13.14-16; Tg 4.6,10)

6- Mansidão– Algumas vezes traduzido como “docilidade” é a disposição de sofrer injustiça e suportar insultos em vez de afligir esses tipos de sofrimentos.

7-Longanimidade – Traduzido também por “paciência”, o posto da ira súbita, do ressentimento ou da vingança. Ela suporta injustiça e as situações preocupantes com a esperança do alivio vindouro.

– Paulo sabe que todas essas virtudes depositadas nos cristãos são direcionadas e guiadas mediante o “amor”. Sem amor, que é o “vinculo da perfeição” para a unidade da igreja, é impossível viver tais virtudes dentro da comunidade. O amor sobrenatural derramado no coração dos cristãos é o adesivo da igreja (Rm 5.5; 1Ts 4.9).

– Paulo entende que o amor é o veiculo que leva a comunidade a unidade, e a unidade os leva a Deus. A pluralidade no Reino de Deus é uma das armas mais eficazes para destruir as diferenças e os preconceitos na igreja.

– “E que a paz de Cristo, para a qual vocês foram chamados em um corpo, governe o seu coração”. Essa paz é o estado de descanso e contentamento no coração daqueles que sabem que o seu Redentor vive. É a convicção de que os pecados do passado foram perdoados, que o presente esta sendo dirigido para o bem, e que o futuro não pode trazer separação entre Cristo e os seus. Acerca dessa paz, o apóstolo diz em Filipenses 4.7: “E a paz de Deus que excede todo o entendimento guarde o seu coração e seus pensamentos em Cristo Jesus”.

– Não teria os colossenses pensado que a paz seria um lugar inseguro e subjetivo? Realmente a paz pode ser algo muito relativo em meio a uma comunidade. Qualquer um pode simplesmente defender suas causas em cima de uma afirmação do tipo: “eu sinto paz em meu coração”. Para esse problema, o problema da subjetividade da paz em meio a muitos irmãos, Paulo da uma orientação importantíssima acerca de como “ a paz que vem de Cristo” deve proceder entre a unidade da Igreja:

“Que a palavra de Cristo habite ricamente entre vocês”. O objetivo, a revelação especial que procede de (e diz respeito a ) Cristo – “a palavra de Cristo” – deve governar cada pensamento, palavra e ação até mesmo os desejos e motivos ocultos de cada membro, e assim dominar       “ ricamente” entre todos. Isso acontecera se os crentes observarem a palavra (Mt 13.9), manejarem-na corretamente (2Tm 2.15), esconderam-na no seu coração (Sl 119.11) e apresentarem-na a outros como sendo, na verdade “a palavra da vida” (Fp 2.16)

– “E por meio de salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando a Deus em espírito agradecido, de todo o coração”. Paulo reconhece a natureza edificante da musica entoada na igreja. Para Paulo as artes devem glorificar a Deus e devem estar ajustados com as verdades das escrituras. A música deve honrar a Cristo, glorificar a Cristo, falar sobre Cristo e levar as pessoas a amarem a Cristo, pois é isso que as escrituras fazem.

– Assim Paulo conclui a seção sobre o fundamento da vida dos crentes “Em tudo o que vocês fizerem em palavra ou em ação, façam tudo no nome do Senhor Jesus, dando graças a Deus o Pai por intermédio Dele”. A resposta ,a tudo o que Cristo fez, é viver para a Glória de Deus em tudo e em todos os lugares. Para os cristãos tomar um suco de laranja deve glorificar tanto  a Deus quanto estar com as mãos levantadas em culto no domingo a noite.

A união com o Cristo Glorificado nas praticas sociais (3.18-4.1)

– A morte de Cristo também prove o antídoto real contra as tendências malignas da carne. Os colossenses, gentios, estavam mortos em delitos, pecados e na incircusição de sua carne. Mas eles creram no poder eficaz de Deus que ressuscitou Jesus dos mortos e foram batizados. Desta forma, eles se identificaram com a morte e ressurreição de Jesus. A Morte de Jesus pode ser comparada com a circuncisão, porque, á semelhança dessa, envolvia o despojamento literal da carne. De forma similar, os colossenses foram circuncidados, não em sentido literal, mas metaforicamente.

– Tudo isso implica também que os colossenses tinham uma nova identidade e que sua carne recebera um golpe mortal. Eles estão agora vivos em Cristo, para Deus. Por isso, eles devem fazer morrer o que pertence ao estilo de vida antigo e pecaminoso, e despir-se do velho homem com suas praticas. Eles devem agora revestir-se do novo homem que esta sendo renovado em comunhão com a imagem do seu criador (3:10).

– Paulo descreve o significado de viver á imagem daquele por meio de quem Deus realizou essa reconciliação, isto é, buscar a reconciliação e paz com os outros. Barreiras sociais entre pessoas se desfazem; as pessoas amam umas as outras; a igreja vive em paz concentrada na adoração agradável a Deus; e a vida domestica é vivida em comunhão harmônica.

A Comunhão harmônica vivida dentro do contexto familiar

A idéia desse código familiar antedata Aristóteles, não é uma invenção do evangelho, porem a ênfase e a comunhão recíproca que a carta de Colossenses trás é deferente de todo pensamento filosófico até então. Existem algumas diferenças entre o que os filósofos pensavam sobre código familiar e o que Paulo expressa na carta aos Colossenses.

1– O cristianismo proclamado por Paulo, e outros, oferecia a força para cumprir os mandamentos, sendo essa força a graça de Deus. Todas as outras filosofias morais são vagões sem locomotivas.

2– O cristianismo também oferece um propósito para essa ética familiar e social. Esse propósito não era simplesmente tratar de viver de acordo com a natureza, mas fazer tudo para a gloria de Deus.

3– O a ética familiar oferecida pelo cristianismo nos da um padrão. Esse padrão é a vida de renuncia, amor e humildade de Cristo em todas áreas. E esse padrão não é para um grupo isolado, todos os grupos sociais e familiares estão sujeitos a esse padrão.

Mulheres e seus maridos

Vers.18 –  Não esta implicando a inferioridade das mulheres em relação aio seu marido. O que Paulo esta descrevendo é a posição  e função de cada um dentro da comunhão. O Fato de ela ser submissa não esta relacionando que ela seja inferior, mas esta estabelecendo uma conduta onde a responsabilidade da mulher fica em ser submissa para não houver desarmonia em pensamentos entre ela e seu marido.

Essa submissão não é absoluta. Caso ele peça que ela faça algo contra as escrituras ela tem todo o direito de nesse caso  (iluminado pelas escrituras) em desobedecer seu marido ( Atos 5:29).

Vers. 19– De maneira recíproca o marido ama a sua esposa e não ríspido com ela. A ênfase aqui é o amor dele para com ela. Um amor que supera e esta acima de tudo, um amor cristão pleno.

Filhos e seus pais

Vers. 20 – O Que Paulo esta combatendo aqui é a desobediência  dos filhos porque isso é de acordo com Rm. 1:30, um dos vícios do paganismo. Esse vicio (a desobediência aos pais) é uma das marcas da crescente maldade dos últimos dias(2Tm 3:2).

A tradução mais correta da parte b do versículo 20 é “No Senhor”. A obediência aos mandamentos de Deus lhe é algo sempre agradável. “No Senhor”, isto é, em comunhão com ele e na dependência dele podemos ser feliz e ter prazer em obedecer nossos pais.

 

Escravos e seus senhores

Vers. 22: 4-1- Vemos uma ênfase maior na função dos escravos, provavelmente dentre os destinatários, havia mais escravos do que senhores.

O apelo paulino recaí sobre a integridade que os escravos devem ter em trabalhar para seus senhores, não para agradar a homens, mas com singeleza de coração, ou seja não impressionar seus senhores terrenos mas com retidão para com o Senhor. E Paulo ainda os anima e os garanti uma herança, algo que não era destinado a escravos. Por via de regra os escravos não tinham direito a herança, mas aqueles do qual Paulo esta se referindo herdam as bênçãos do seu Senhor, pois o seu Senhor é Cristo.

– O código do lar, na carta de Paulo, esta integrado ao tema da reconciliação social que permeia toda a seção de 3:5 a 4:1 e que é, por sua vez, o reflexo da reconciliação com Deus posta em operação no universo por meio da morte de Cristo. No lar cristão, e na igreja, a igualdade de todos fortalece a ordenação dos relacionamentos porque “Cristo é tudo e está em todos” (3:11).

A oração e a prudência (4.2-6)

Perseverai. A palavra grega que dizer “ ser corajosamente persistente” ou “ apegar-se e não desistir”, e aqui, diz respeito á oração persistente (At.1.14; Rm 12.12; Ef 6.18; 1 Ts 5.17)

Vigiando. Em seu sentido mais geral, significa estar alerta enquanto ora. Porém, Paulo tem em mente uma implicação mais ampla de estar alerta para as necessidades especificas sobre as quais orar, ao invés de ser algo vago e não focalizado.

Portai-vos com sabedoria… Aproveitai as oportunidades.  Paulo indica a necessidade de sabedoria quanto a evangelização. A sabedoria de Cristo pode dar a capacidade de aproveitar todas as oportunidades para falar de seu amor, até mesmo enquanto se está preso como Paulo.

–  Agradável…temperada com sal. Falar o que é espiritual, proveitoso, conveniente, resoluto, cortês, benévolo, confiável, amável e ponderado. Assim tal sabedoria nas palavras pode ser como o sal, que não somente dá  o sabor, mas evita a deterioração. O discurso do cristão deve se constituir não apenas numa benção para os outros, mas numa influencia purificadora em meio a uma sociedade corrupta e maldita.

 

Vidas sob o Senhorio de Cristo (4.7-18)

– Chegamos agora à ultima parte do nosso estudo de Colossenses. Paulo, no fim de sua epístola, faz várias referencias pessoais, transmite saudações e dá suas ultimas instruções. Porem o que basicamente devemos considerar, neste texto, são aquelas palavras ditas em testemunho de cristãos e seus companheiros, verificando se elas encontram eco em nossa vida.

Tíquico

Este companheiro de Paulo era dotado de preciosas qualidades. Era irmão amado, sem duvida por causa do seu interesse pelo apóstolo e por seus companheiros. Evidentemente foi o partados, junto com Onésimo, desta epistola e também das epistolas aos Efésios e a Filemom. Não podemos afirmar se tiquico se prontificou a fazer esse serviço por amor ao apóstolo ou porque viajaria para Éfeso e Colossos de qualquer forma. É suficiente lembrarmos quanto sacrifício exigia uma viagem de Roma até a Ásia. Tiquico foi também denominada fiel ministro, porque desempenhava o seu serviço ( em grego, diakonia) com fidelidade.

Comparemos com a descrição de Epafras em 1.17

Conservo vem da palavra grega “sundoulos” (escravo junto com), evidencia de que Paulo o reconhecia como colega sob jugo de Cristo no serviço de Deus.

Os versículos 7 e 8 mostram até que ponto a situação do primeiro século dependia de comunicações verbais. A comunicação por epistola era bastante rara e, por isso mesmo, usada apenas para transmitir uma mensagem de grande importância. As informações do dia-dia eram comunicadas oralmente. Atos 28 mostra que a vida de Paulo como preso, durante dois anos em que aguardava uma decisão de César, não era tão difícil. Por isso devia “alentar os corações” dos irmãos a quem se destinava esta epistola (vers.8), isto é consola-los.

Onésimo

Este filho espiritual de Paulo (Fm 10), dantes um escravo foragido, era agora um homem regenerado, tendo voltado para o seu antigo patrão, Filemom, membro da igreja de colossos. Aqui ele é denominado “fiel e amado”, sinal de sua alta posição que Cristo lhe dera (Tg 1.9). De acordo coma lei romana, filemom poderia aplicar a Onésimo a penalidade máxima, por ter fugido e roubado do seu dono. Mas Paulo não hesitou em mandá-los de volta, garantindo, com confiança: “Ele, antes, te foi inútil; atualmente, porem, é útil, a ti e a mim” (Fm 11).

Aristarco, Marcos e Jesus

Aristarco, membro da igreja de Tessalônica, fora um dos sete irmãos que acompanharam Paulo na viagem a Jerusalém, levando a coleta levantada na Grécia para os irmãos necessitados da Judéia (At 20.4). Pelo que tudo indica, não voltou mais á sua terra, tendo sido preso. Assim ficou prisioneiro (literalmente, “de guerra”) comigo, diz Paulo.

Marcos, autor do segundo evangelho, era o primo de Barnabé. Acompanhara Paulo e Barnabé na primeira viagem missionária até Perge, como catequista e ajudante dos missionários; mas tendo desanimado, tinha então voltado a Jerusalém (At 13.13). Paulo lembra os colossenses de que já receberam instruções a respeito desse irmão, que provavelmente ainda iria visitá-los. Mas agora toda a impaciência e rancor que Paulo sentira a respeito de Marcos já desapareceram , merecendo ele os elogios que Paulo mais tarde escreveu: …”traze-o, pois me é útil para o ministério” (2Tm 4.11).

Jesus justo, mais um “irmão da circuncisão” (judeu convertido) que, junto com Aristarco e Marcos, cooperava particulamente no ministério de Paulo. Atos 28.30,31 revelam que, durante o período em que escrevia esta epistola, Paulo gozava da liberdade de receber visitas, sem restrições, e também de pregar o reino de Deus.

Estes três um “lenitivo” para o velho apóstolo. Expressão no original indica que eles, numa ocasião especifica, agiram com Paulo de um modo confortador (paregoria, “lenitivo”, confortador).

Epafras

Epafras (veja 1.7) era outro membro da igreja colossense que não estava voltando para Ásia na ocasião; por isso Paulo inclui sua saudação. Suas qualidades eram notáveis. Paulo o chama literalmente de “escravos de Cristo Jesus”, indicando a sua dedicação e obediência a Cristo (Rm 1.1). Era também grande homem de oração: “se esforça continuamente por vós, nas orações. Já notamos a palavra esforço usada duas vezes para descrever as orações de Paulo em favor dos colossenses nessa conjuntura perigosa da sua vida eclesiástica (1.29; 2.1)

Epafras era um homem de fé e esperança. Não deixava de suplicar a Deus pelos crentes de colossos, pedindo que se mantivessem em pé, maduros (ou perfeitos) e plenamente convencidos da verdade do evangelho como  a plena vontade revelada de Deus. Que quer dizer tudo isso? Simplesmente que Epafras, fundador da igreja de colossos, não se conformava com a erosão da fé dos seus filhos espirituais. O amor de Deus no seu coração o levara a agonizar nas orações para que os colossenses não perdessem a tão grande salvação que o Senhor lhes outorgara.

Não devemos esquecer a relação entre a preocupação (literalmente, “luta”) e a oração (vers.13a). Quem não se envolve na vida dos outros, tal como os pais se preocupam pelos filhos, pouca ansiedade sentirá. Não era o caso de Epafras, nem de Paulo. As lutas para formar o corpo de Cristo nas três igrejas do vale do Lico forçosamente levaram epafras a se esforçar no oração, tal como o fizera na luta para ganhar e instruir os cristãos neófitos.

Lucas e Demas

O médico amado, autor do livro de Atos e do evangelho que tem o seu nome, era também companheiro de Paulo em Roma. Conforme Atos 27 fizeram juntos a viagem de Cesaréia a Roma, quando sofreram o naufrágio. É provável que Lucas tenha ido acompanhar Paulo em virtude da enfermidade mencionada em Gálatas 4.13,14 (Atos 16.10) e, portanto, na qualidade de profissional. Paulo o chama “amado”, assim como o fizera a Tíquico (4.7) e a Epafras (1.7); com isso talvez isso se refira a um serviço sacrificial desempenhado por ele em favor do apóstolo e sua missão.

Demas está incluído na lista de cooperadores (“sunergoi”, “colaborador”) junto com Marcos, Aristarco e Lucas, em Filemom 24. O titulo parece indicar que ele servia como evangelista. Infelizmente, em 2 Timóteo 4.10 são dadas, a seu respeito, informações bem diferentes, isto uns seis anos depois desta epístola: “Demas, tendo amado este século, me abandonou”. Deixando o ministério que exercera junto ao venerado apóstolo, foi buscar os valores efêmeros deste século! O mais triste ainda é que milhares de outros obreiros, desde Paulo até nossos dias, têm seguido os últimos passos de Demas! E é nosso dever interceder continuamente diante de Deus pelos que o servem em qualquer função, para que não permitam que o amor a este século substitua o amor de Deus.

Outras saudações e recomendações

Laodicéia (veja Ap. 3.14), Hierápolis e colossos eram cidades do vale do Lico e distavam poucos quilômetros uma da outra. Por isso, as saudações mandadas para colossos deveriam abranger também Laodicéia (vers.15). Particularmente, Paulo desejava saudar também os cristãos que se reuniam na casa de Ninfa (vers.15b).

Só bem mais tarde é que as igrejas construíram templos. Antes disso, reuniram-se nas casas mais espaçosas dos próprios irmãos (veja Rm 16.23). Mesmo que houvesse varias congregações numa mesma cidade (em Efeso, Antioquia da Síria ou em Roma), não se usava o plural para descrevê-las. Havia uma só igreja em cada localidade, sendo que todos os membros eram irmãos, uma só família cristã. Portanto, não se pode determinar se havia, em Colossos ou em Laodicéia, uma ou mais congregações. Todos os cristãos, de ambas as cidades, deveriam ouvir o conteúdo desta epistola (vers.16), bem como o de outra, enviada por Paulo aos laodicenses. Segundo estudiosos, esta ultima talvez tenha sido a Epistola aos Efésios. Colossenses era como o livro de Apocalipse, uma circular, escrita para ser lida e ouvida pelo maior numero de cristãos da Ásia, cuja capital era Éfeso. Portanto, era de se esperar que Paulo desejasse que também os laodicenses conhecessem o conteúdo da epistola.

Uma palavra de admoestação para Arquipo

O ultimo nome a ser citado é Arquipo (vers.17). Chamado por Paulo de “ companheiro de lutas” ou “soldado colega” (Fm 2), provavelmente era filho de Filemom e líder na igreja de Colossos. “Atenta para o ministério que recebeste no Senhor”. Esta exortação parece indicar que Arquipo bem pouco se preocupava com o falso ensino que vinha ameaçando a igreja. Paulo conseqüentemente, lhe chama a atenção para o lado episcopal (termo que vem do grego “epíscopos”, “olhar com cuidado especial”, “cuidar para não perder”) do trabalho de Deus (veja Atos 20.28-31). Quantas vezes os ataques perigosos do inimigo atingem as pessoas desprecavidas e os pastores nem se preocupavam! Paulo se preocupava; Epafras, também. Mas Arquipo mostrava-se indiferente. Pedro e os discípulos que acompanhavam Jesus até o Getsêmani manifestaram despreocupação frente a terrível ameaça de Satanás e se portaram mal na hora crítica. Que Deus nos de uma posição de liderança, possamos levar bem a sério a necessidade de ficarmos atentos para o ministério, para o cumprir!

Saudação final de Paulo

A epístola é assinada pelo próprio Paulo, o que confirma a sua autenticidade. Evidentemente, havia pessoas que chegavam ao cúmulo de assinar falsamente uma epístola com o nome de uma autoridade como Paulo, mandando-a a uma igreja a fim de enganá-la (veja 2TS2. 2). Este artifício os colossenses não precisavam temer, quanto a esta epístola.

O Apóstolo pede aos leitores que se lembrem da sua prisão (algemas). Ele parece estar impedido de receber qualquer auxilio que lhe poderiam prestar, preso que estava por causa de Jesus Cristo.

E Finalmente, a inspirada epístola é concluída com estas palavras simples e profundamente significativas: “a graça seja convosco”. Que esta mesma mensagem continue ecoando em nossos corações.

Deus abençoe,

Tiago Souza

Livros recomendados para o assunto:

SHEDD, Russel P. Epístolas da Prisão. São Paulo: Vida Nova,2005

Hendriksen, Willian. 1 e 2 Tessalonicenses, Colossenses e Filemon.São Paulo: Cultura Cristã, 2007

MacArthur,John. Bíblia de Estudo MacArthur. São Paulo: SBB, 2010

A Missiologia no Livro de Rute – Tiago H. Souza

Rute colhendo espigas no campo de Boaz, o resgatador.INTRODUÇÃO:

       – O livro de Rute tem seu destaque entre os livros do Antigo Testamento. Não é difícil explicar a atração exercida por esse breve livro.  A história contada no livro de Rute tem gerado varias opiniões entre os estudiosos. Alguns a vem como um simples romance, outros asseveram que de fato o evento aconteceu, mas todos concordam que Yahweh  intervém na história e surpreende a todos colocando uma moabita como descendente abraâmica. O autor dedicou  grande esforço para tornar seu livro em uma obra de arte,e é evidente que teve o propósito de que fosse aceito como histórico. É uma historia verdadeira, contada com beleza, seguindo o estilo das narrativas  patriarcais, em que aparecem alguns dos mesmos temas, como a fome, o exílio e a esterilidade, mediante o qual Yahweh se torna conhecido. Como que em uma novela, o livro de Rute apresenta um estilo altamente artístico em sua estrutura. Nessa historia, um enredo desenvolve-se em certo numero de episodio até atingir um desfecho e assim comunicar uma lição que os leitores devem interpretar.

            O livro de Rute nos relata o soberana intervenção de Deus sobre a história e sobre o tempo, demonstrando que suas promessas e bênçãos podem vir ao seu povo da maneira mais improvável. A fidelidade de Deus em Rute é vista quando este Deus faz de uma tragédia em Moabe uma benção para seu povo em Belém, incluindo uma pagã na linhagem direta do Rei Davi.

 

Titulo: 

– O nome “Rute” significa “amizade”, uma característica verdadeira daquela que deu o nome ao livro. É um dos seis livros históricos que levam o nome das principais figuras de ação e vida descritas neles (Josué, Rute,Samuel,Esdras,Neemias e Ester) É um dos dois livros bíblicos que levam o nome de uma mulher: Rute(a gentia que se casou com um rico judeu de linhagem real da promessa) e Ester (a judia que se casou com um rei gentio).

 

Autoria: 

– O livro não fornece nenhum indicio quanto á identidade do autor. A tradição judaica atribui a autoria do livro a Samuel, mas Samuel morreu antes de Davi se tornar Rei (1 Samuel 28:3). O mais provável é que o autor tenha sido um mestre-narrador, comissionado pela família real, para registrar a soberana intervenção de Deus na constituição da árvore genealógica real.

 

Data:

– Estudiosos da linha mais radical defendem uma data mais recente para o livro, argumentando que o uso de tradições deutoronomicas aponta para uma data posterior ao reinado de Josias (640-609 a.C). Outros poucos têm defendido a data do livro como próximo a era monárquica, o que é coerente com o conhecimento dos fatos relatados no livro e a ausência do nome de Salomão na genealogia.

 

 Contexto Histórico:

 O fato ocorrido no livro de Rute tem como pano de fundo o período dos juízes (1.1), um tempo de apostasia, desordem moral e social entre o povo. Em consonância com as maldições da aliança, uma terrível fome assolou a terra fazendo uma família efratita a peregrinarem em busca de pão chegando assim a uma terra chamada Moabe.

 

A Teologia de Rute: 

– A entrada de Rute na nação da aliança com todos os privilégios desta foi pronunciada pela posição dela como viúva estrangeira que, em uma época de necessidade desesperadora, foi salva de sua desesperança por um redentor que  pagou a hipoteca da propriedade da sogra dela, ao mesmo tempo, tomou a jovem como esposa. Não há dúvida de que Rute, apesar de sua etnia, serve como modelo de graça redentora de Deus. Desde o princípio, Deus tinha o propósito de produzir uma semente de Abraão que não só modelaria a natureza e o etos do Reino do Senhor, mas que também atrairia as nações da terra a o buscar e o encontrar, tornando-se, assim servos Dele.

A Missiológia de Rute:

Como em vários outros livros do Antigo Testamento, Rute quer evidenciar o chamado de Deus para outras nações. No caso de Rute, Moabe é representada por Rute que é inclusa em Israel por intermédio da sua lealdade a sua sogra Noemi e sua disposição em se casar com Boaz, cuja hombridade trouxe segurança para Noemi. A mensagem Missional tem como objetivo ligar Davi a aliança abraâmica via a moabita e pagã Rute, que por sua vez, tornar-se-ia bisavó de Davi e ancestral direta de Cristo. O livro é um tiro contra o atnocentrismo hebreu, destacando a soberania de Deus em causar fatos e até mesmo tragédias em prol de salvar seus escolhidos, que no caso de Rute, estava alem dos limites étnicos de Israel.

 

 Contribuições singulares de Rute: 

1-    A Missão das Mulheres:

Dois livros do antigo Testamento têm nome de mulher: Rute, no início da história de Israel em Canaã, e Ester, no término da história de Israel do antigo Testamento. Rute foi umas das mulheres mais preeminentes no período inicial dos juízes. Outras foram Débora, Jael ,  a filha de Jefté e a mãe de Sansão. No livro de Rute, a simpatia de Noemi em difíceis provações traz sua nora para o Deus de Israel. O amor de Rute transcende laços raciais, e as duas virtuosas mulheres cumprem a lei dos judeus. Assim fazendo, contribuem para o nascimento de Davi, o grande rei salmista. O autor achou o relato da vida de duas nobres mulheres merecia um lugar na história de Israel, juntamente com as historias de grandes homens Israelitas.

 

2-    Fé dos gentios no Antigo Testamento (1:6):

A declaração de fé realizada por Rute é um clássico do Antigo Testamento: “O teu povo é meu povo, o teu Deus é o meu Deus”. Embora não seja a primeira conversão de gentios registrada no antigo Testamento, a conversão de Rute é a mais detalhada e famosa. Apresenta também um contraste interessante com a conversão de sua segunda sogra, Raabe. Enquanto a de Raabe é apresentada como uma reação ao medo do julgamento que viria, a de Rute é uma reação ao amor (Josué 2:9-13; Rute 1:16). O Senhor usa tanto o amor como o medo para ativar a fé de gentios no Antigo Testamento.

 

3-    A Providencia em Meio a Tragédia de Uma Família:

Rute é o único livro da Bíblia que focaliza as provações e dificuldades de uma única família, em vez de uma tribo ou nação numa perspectiva maior. O livro trata de uma viúva de Israel, atingida pelo triplo infortúnio de haver perdido o esposo e os dois filhos, depois de a fome te-la forçado, a ela e à família, a sair de Belém. Como o livro de Ester, essa história demonstra como Deus age na infelicidade a fim de cuidar dos seus fiéis em tempos mais difíceis, e como Ele fez com aquelas provações contribuíssem para o nascimento de Davi e, mais tarde, para a vinda do Messias.

 

4-    A Relação dos Moabitas com Davi e o Messias (4:18-22):

Embora os moabitas fossem descendentes de Ló e sua filha (por incesto) e fossem, portanto, primo de Israel, foi-lhes negada entrada na congregação israelita “até a décima geração” em virtude de sua hostilidade para com os judeus quando eles saíram do Egito (Deuteronômio 23:3-6). Por que, então, Rute foi bem recebida por Israel dentro de duas ou três gerações? Evidentemente aquela lei aplicava-se aos homens moabitas e não às mulheres, de modo semelhante ao regulamento registrado em Deuteronômio 21:10-13 acerca da mulher moabita enfatiza que, embora a linhagem de Davi e do Messias fosse formada apenas de hebreus pelo lado paterno, ela inclui muitas mulheres gentias. Tamar e Raabe eram cananéias, Rute moabita e Naamá, mãe de Roboão, amonita. O Messias realmente veio de extensa gama de nacionalidades pela linhagem materna.

 

5-    Rute: Meditação de Israel para o Pentecoste:

Esse livro era lido anualmente pela nação, em público, quando se reuniam para a festa de verão do pentecoste. A colheita lembra-os da colheita anterior de cevada dada por Deus e da recompensa do culto de amor que ainda viria. Do mesmo modo que o Pentecoste comemorava a primeira safra, a leitura de Rute recordava  a colheita das primícias dos gentios.  Lembrando que o Pentecoste do Novo Testamento comemora as primícias da colheita divina na Igreja, sendo gentios muitos desses crentes.

6-    Cristologia em Rute:

Há duas referencias básicas a Cristo no livro de Rute, ambas relativas a Boaz:

a-    Deduz-se que Boaz seja um tipo de Cristo como um parente redentor, qualificado e disposto a redimir o seu povo. É esse um aspecto da obra de Cristo ilustrado aqui. A expressão “resgatar” é usada seis vezes em Rute. Como redentor do crente, Cristo torna-se o seu Redentor para pagar todas as dívidas, seu Defensor para defendê-lo de todos os adversários, seu Mediador para conseguir reconciliação, e seu Noivo para união e comunhão perpétua.

 b-    O nome de Boaz esta registrado em todas as genealogias de Jesus, mas somente em Mateus 1:5 Rute também é mencionada. Nesta genealogia Mateus menciona de propósito o nome de Rute e de três outras mulheres estrangeiras. O ponto cristológico parece ter o objetivo de enfatizar a ampla genealogia internacional do Messias que viria trazer salvação para todas as nações. Ele não veio como um simples “Salvador” local.

 

 

A Relação Missiológica entre Rute e Gálatas 3:8

– Paulo escreve a Carta aos Gálatas para contrapor-se aos falsos mestres judaizantes que estavam abalando a doutrina central do Novo Testamento da justificação pela fé, Ignorando o decreto expresso no concilio de Jerusalém (At.15:23-29). Eles espalhavam o perigoso ensino de que os gentios deveriam primeiro, torna-se prosélitos judeus e submeter-se a todas as leis mosaicas antes de poderem se tornar Cristãos. Chocado com a receptividade dos gálatas a essa heresia demoníaca, Paulo escreveu essa carta a fim de defender a justificação pela fé e advertir essas igrejas a respeito das terríveis conseqüências de abandonar a doutrina essencial do qual já vinha sendo revelada. Em meio a sua argumentação para refutar a heresia da salvação por obras, Paulo trás a perfeita interpretação da Palavra de Deus dada a Abraão em Genesis 12:3, iluminando assim os gálatas e os advertindo que a salvação é somente pela fé, ocasionando a salvação de todos os povos.

– Quando Gálatas 3:8 se refere “… prenunciou o evangelho a Abraão: Em ti serão abençoados todos os povos da terra”, Paulo tem em mente que: Abraão sendo o primeiro a depositar fé nessa promessa, ele se torna tanto o patriarca daqueles que haveriam de crer, quanto o patriarca genético de Cristo. Ou seja, o que Paulo esta afirmando é que qualquer gentio de qualquer período do tempo pode ser salvo porque tal salvação é obtida mediante a fé em Cristo que foi da linhagem direta de Abraão, o pai da fé.

 – A Palavra abençoados (eveylogeo) é um verbo indicativo (ele indica uma certeza) na voz passiva (sofre ação). Gramaticalmente podemos afirmar então que todos os povos da terra de fato serão o alvo da benção de Deus depositada em Abraão. Por isso o verbo esta no tempo futuro, pois Paulo esta usando a passagem do Antigo Testamento para confirmar que a benção da justificação pela fé seria pregada as nações após Deus ter abençoado a Abraão.

– No caso de Rute podemos observar sua entrada na aliança não tão somente via o casamento com Boaz, mas crendo no Deus de Israel como sendo o seu Deus (Rute 1:16) e tendo total devoção a Ele chamando-O de Senhor. Rute creu em Deus da mesma forma que Abraão creu e a justiça também foi lhe imputada pela fé. A justificação pela fé em Rute esta em harmonia com os decretos divinos estabelecidos em Genesis 12:3 que tem como alvo a salvação não de um povo, mas de todos os povos. A devoção e a demonstração de fé exercida por Noemi fez com que Rute cresse no Deus da sua sogra, crendo aceitou ser também parte do povo Dele.

– Rute é um exemplo da forma que Deus salva os gentios em toda história. A maneira é a mesma: justificação pela fé.

 

 Considerações Finais:

   – Fica evidente no livro de Rute o propósito de Deus em relação aos povos da terra. Deus quer que eles o conheçam que o busque e que se torne seu povo. Rute deixa clara a manifestação de Deus em salvar seus escolhidos que estão fora dos limites étnicos de Israel. Rute, o moabita é um exemplo da disposição e fé que os gentios devem ter em relação ao Deus que é Senhor de todos os povos, o Deus que merece ser louvado por todos os povos (Salmos 67:3).

  – Assim, devemos levar o conhecimento de Deus as nações e povos da terra, do qual são alvos do amor de Deus e da promessa feita a Abraão onde “ …em ti serão abençoadas todas as famílias da terra ”(Genesis 12:3).

– Rute nos faz saber que os gentios são tão preciosos para Deus que Ele mesmo fez questão de colocá-los na linhagem e genealogia direta de Davi (4:18) do qual foi ancestral direto do Messias, o salvador de todos os homens.

 

Tiago H. Souza

 

 

Livros consultados:

MERRILL, Eugene H. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Shedd Publicações, 2009

 PINTO, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e Desenvolvimento do Antigo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2006.

 ALLISEN, Stanley A. Conheça Melhor o Antigo Testamento. São Paulo: Vida, 1999. 

EVERY-CLAYTON, Joyce Elizabeth W. Rute. Curitiba e Belo Horizonte: Missão Editora e Encontrão Editora, 1993.

Predestinação, Uma ação de Deus que nos leva a Glorificar o Seu Nome – Tiago H. Souza

Predestinação, Uma ação de Deus que nos leva a Glorificar o Seu Nome.

  Uma breve análise de Romanos 9 – 11.

 

Definições:

 Predestinação: Predestinar é determinar previamente o destino. A palavra proorizõ significa “marcar com antecedência”. Biblicamente esta limitada ao povo eleito e assegura sua posição presente e futura.

Eleição: A eleição enfatiza a livre escolha de indivíduos para a salvação. Quando Paulo usa o verbo no original, ele o faz o na voz média, indicando que a escolha de Deus feita livremente é para seus próprios propósitos.

Introdução

Ao observar o livro de Romanos rapidamente nos apaixonamos por ele. Suas colocações sobre o pecado, o homem e a intervenção divina são colocadas de uma forma tão maravilhosa que temos a impressão de que estamos sentados em uma sala de aula enquanto Paulo nos da aquela saborosa aula de sistemática.

Paulo nos apresenta temas como:

– O Evangelho como justiça (1.1-17)

– Ira sobre todo o que peca (1.18-3.20)

– A justiça salvífica de Deus para todo o que crê (3.21-4.25)

– A vida dos justificados mediante a fé (5.1-8.39)

– Deus decide quem integra seu povo (9.1-11.36)

– As implicações do evangelho para a igreja de Roma (12.1-15.13).

É no livro de Romanos que esta, provavelmente, o mais forte texto sobre predestinação e soberania de Deus de toda a bíblia. O texto se encontra entre os versos 9.1 ao 11.36 e tem feito muitos teólogos a gastarem horas e horas no estudo dessa passagem que, admito, não é fácil sua interpretação.

Predestinação tem causado rixas, rachas e discussões há séculos. Talvez nenhum outro tema dentro da linha protestante é tão discutido quanto a predestinação. Dentro de seminários e conferencias que participei esse é o assunto mais assíduo e comentado dentre os estudantes e professores. Mas, embora o assunto seja controverso, podemos descartá-lo e considerá-lo não bíblico? Será que podemos arrancar a expressão da nossa bíblia ou trocá-la por outra menos conflitante? Com toda certeza não. Pois foi através da predestinação que Deus conduziu o seu povo para adoração.

 

 

A exposição de Paulo sobre a soberania de Deus em Rejeitar Israel (9:1-5)

 

O que estava acontecendo com Israel?

 

– Paulo derrama sua alma nesses primeiros versículos, ele sabe do peso em tratar esse assunto com os romanos acerca de seu próprio povo (judeus).

– Ele absorveu o espírito de auto-sacrificio de seu Senhor, mas sabia que nada poderia lhe separar do amor de Cristo. Por isso ele usa uma expressão hipotética de que ele preferia ser considerado “anátema” , algo impossível para aqueles que de fato estão em Cristo.

– Ele lista 9 itens exclusivos de Israel para lembrar o tanto que Deus se manifestou entre eles:

1- são israelita

2– sua é a adoção

3– a glória

4– as alianças

5– a legislação

6– o culto

7– as promessas

8 – seus são os pais (Abraão, Isaque e Jacó)

9– procede deles a natureza humana de Cristo.

– O que Paulo fala nesses versículos é: “entristece-me profundamente saber, que Deus ricamente os abençoou com inúmeras vantagens, e ainda vocês, oh Israel, tem fracassado em corresponder a Ele.”

– Como essa reação negativa pode ser explicada? O que será do povo de Deus? Deus rejeitou totalmente a Israel?

  

 

  O Israel dentro do Israel 9:6-13

– Paulo agora começa a tratar mais afundo sobre a soberana escolha de Deus dentro da nação. É de suma importância para Paulo destacar a soberania de Deus e a infidelidade do povo como causa de sua rejeição.

– Ele começa sua argumentação no vers.6 dizendo que “nem todos de Israel são, de fato, Israelitas.” Aqui Paulo vai ao âmago do assunto. Ele não faz rodeios para amenizar a mensagem. Ele abriu o assunto destacando a identidade e linhagem espiritual de Abraão.

– Os Filhos da carne de Abraão (sua linhagem sanguínea) obviamente têm Abraão como ancestral, mas não como pai, pois Abraão só pode ser pai daqueles que são seus filhos na promessa e o texto diz que nem todoso são.

– Começando com o primeiro filho da promessa, Isaque, Paulo traça o primeiro herdeiro da promessa da salvação e, obviamente ao fazer isso, denota a rejeição de Ismael.

– Da mesma forma, Paulo acentua a escolha de Deus a Jacó e a rejeição a Esaú expondo que a eleição é dada para aqueles que foram predestinados para a promessa excluindo assim toda possibilidade dessa escolha divina estar focada nas obras, pois o texto enfatiza que os meninos não eram nascidos e nem tinham ainda praticado o mal.

– A idéia aqui é expor a soberana escolha de Deus na eleição antes mesmo da vida humana cometer algum delito. Isso nos leva a uma conclusão lógica que não podemos ser eleitos pela obediência ou reprovados por nossa impiedade já que, por exemplo, postura ímpia em Jacó não faltou, mas somos eleitos para a obediência.

Segue uma ilustração da idéia de Paulo:Ilustração da ideia de Paulo

A liberdade de Deus em Sua escolha (9:14-23)

 

– Conta-se que ao ser indagado pela doutrina da eleição, Martinho Lutero simplesmente respondeu: Deixe Deus ser Deus! É exatamente isso que os versículos 14 ao 23 está falando. A livre escolha de Deus não O rebaixa, ou O faz injusto. A livre escolha de Deus na eleição de indivíduos revela a sua natureza: Ele é Deus. Ele faz o que quer, quando quer e com quem deseja. Ele é a única pessoa livre para isso.  A.W. Tozer falando sobre a Soberania de Deus diz: “ a soberania de Deus exige que Ele seja totalmente livre para fazer aquilo que lhe apraz em qualquer lugar ou qualquer tempo e desempenhar o Seu propósito eterno em cada detalhe, sem a mínima interferência. Se fosse menos que livre seria menos que soberano.”

–  Deus revela seu poder na eleição dizendo:  “Terei misericórdia de quem Eu quiser ter misericórdia”. Essa afirmação destaca a autoridade de sua vontade. Essa autoridade humilha os homens, fere seu orgulho e o faz reconhecer que a salvação provem unicamente da parte de Deus mediante a sua soberana vontade.

– Deus não é injusto, pois ele não fere os direitos do homem. Uma vez que todos os homens estavam condenados  e mereciam ao inferno (Romanos 3:23) , inclusive os eleitos, não há injustiça de Deus em eleger alguns para a salvação. A eleição esta no âmbito da glorificação de Deus. O individuo eleito é somente um sujeito beneficiado de uma ação que vem de Deus para o próprio Deus. Somos eleitos para adorar aquele que nos elegeu.

– Ele não só elege quem o quer, mas também endurece o coração daqueles do qual não foram eleitos, para que de toda maneira não venham a conhecê-lo. Essa ação de Deus mostra ainda mais a incapacidade do homem (não eleito) de chegar a salvação por méritos próprios quando este se encontra fora da vontade  para a eleição e agora ainda mais com o coração endurecido pelo próprio Deus.

– Paulo também ressalta o pequinês do homem quando este questiona a Deus por suas escolhas. E para mostrar o quão débil o homem é em discutir a eleição com Deus, Paulo apela na comparação do homem (criatura) com o próprio Deus (criador).

– Os vers. 22 e 23 nos expõe a ira de Deus na condenação dos não eleitos em contraste com sua misericórdia na eleição. Ao fazer isso, Paulo chega a conclusão que a graça pode ser manifestada, visível e anunciada quando Deus a derrama em homens que outrora estava condenado a perdição. Ao agraciar o homem com a eleição Deus é glorificado, pois parte Dele o desejo de salvar os homens. Glórias a Deus por isso!

 

 

Deus chama um novo povo! (9:24-29)

 

– Ainda que gramaticalmente os vers. 24 esteja ligado ao 22 e 23, Paulo retorna ao tema da seção: O chamado soberano de Deus!

– Paulo usa as profecias de Oseías e Isaías para defender seus argumentos dos versículos anteriores e preparar os leitores para sua próxima explanação.

– A salvação dos gentios no vers.24 esta ligado com a demonstração de Deus em dar a conhecer a homens a riqueza de sua glória, a salvação.

– Ao demonstrar essa salvação a gentios, Deus mostra que Ele tem um “povo fora do povo”, ou seja, Ele tem seus eleitos fora da nação de Israel.

– Ao revelar sua salvação fora dos limites étnicos de Israel, Deus demonstra com as palavras proféticas de Isaias que somente o remanescente da nação de Israel é que será salvo.

 

 

Justificação pela fé, uma centralidade para a Glória de Deus (9:30-10:21)

 

– Paulo agora apresenta argumentos sobre o estado corrompido de Israel que é a causa (dentro do chamado soberano de Deus) para a inclusão de gentios na linhagem espiritual de Abraão.

– A causa da inclusão de gentios é somente uma: A justificação pela fé!

– A justificação pela fé também é a causa da rejeição de Israel, pois os judeus se tornaram culpados ao tentar acertar seus relacionamentos e situação com Deus com base nas obras, fundamentando a sua esperança de salvação unicamente na lei, do qual eles não conseguiam cumprir.

– Logo, os filhos da promessa são feitos mediante a justificação pela fé, abrindo assim a possibilidade dos gentios se tornarem filhos de Abraão.

 

O Paradoxo da Salvação (9:6-29 – 10:9-13)

– A incredulidade da maioria dos contemporâneos judeus de Paulo se deve tanto a aleição soberana de Deus (9:6-29) quanto a sua recusa em crerem Cristo. Aeleição divina incondicional e a responsabilidade humana se encontram lado a lado, e não se deve de maneira nenhuma, admitir que uma elimine a outra. J.I Parker em seu livro “A evangelização e a Soberania de Deus” aponta esse paradoxo como um “antinômio”, duas verdades que aparentemente são contraditórias, mas que em um plano eterno se encaixam perfeitamente. Uma ilustração usada para isso é as duas linhas do trilho do trem que andam separados uma da outra mas no horizonte distante  aparentam se encontrar e uma linha só.

 

Israel é indesculpável diante de Deus (10:16-21)

 – Paulo nessa seção usa as palavras de Moisés e Isaias para lembrá-los de um fato: Israel já ouvira sobre as promessas de Deus em incluir os gentios como seu povo. E conclui a seção lembrando que Israel (nação) tem tido revelações de Deus, mas este por sua vez se tornou um povo rebelde e contradizente.

 

O Remanescente de Israel (11:1-10)

 – Paulo ressalta que embora muitos da nação de Israel ficaram com um coração endurecido e rebelde contra Deus, há ainda um remanescente dentro da nação (os filhos da promessa) do qual o próprio Paulo faz parte como um eleito.

– Ao manter firme o remascente fiel (que foram também justificados pela fé) Deus cala a boca da nação os impossibilitando de dizer que Deus os abandonou.

– Paulo faz menção as palavras de Isaias comparando o remanescente com os 7 mil homens que não se corromperam a idolatria(1 Reis 19:18). Essa argumentação afirma ainda mais a soberana escolha de Deus em preservar um remanescente em toda a historia de Israel, colocando em descrédito a idéia de que a nação inteira pudesse ser salva por serem tão somente descendentes de Abraão.

 

O Ramos Enxertados 11:11-24

– Nessa seção Paulo aborda a salvação e permanência dos gentios na eleição. Para Paulo os gentios fazem parte de um plano perfeito de Deus onde Israel se torna culpado por rejeitar a Deus concedendo assim salvação para todos os povos.

– Paulo chama os gentios de ramos enxertados, ou seja, eles foram chamados em segundo estante, mediante a rejeição de Israel para ser colocados também como filhos da promessa feita a Abraão.

– Paulo expõe a glória da salvação dos gentios com base na reconciliação deixada pela rejeição de Israel. De fato, se Israel foi instrumento de Deus para reconciliação do mundo, maior ainda será a salvação dos gentios “trazendo vida dentro os mortos”(11:15).

– Paulo admoesta os gentios trazendo luz a rejeição dos ramos naturais (Israel). Paulo quer com isso exortar os gentios e desafiá-los a ficar firmes em seu chamado, lembrando sempre que Deus não poupou os ramos naturais e nem irá poupá-los caso se rebelem contra Deus. Caso isso acontecesse provaria para o próprio rebelado que ele próprio não foi chamado à eleição.

 

O que será da nação de Israel? (11:25:32)

– Os versículos 25 e 26 do cap.11 é uma das passagens mais difíceis de interpretação de toda a seção. Até aqui, Paulo menciona: a escolha soberana de Deus, a rejeição de Israel, a culpa da nação em se rebelar contra Deus e os ramos enxertados na linhagem da promessa.

Agora Paulo volta sua atenção para os propósitos de Deus em relação a salvação de Israel, salvação essa prometida no vers. 26.

– Vários teólogos tem tido sua visão acerca do texto, vejamos duas dessas interpretações:

1João Calvino no seu “Comentário do Livro de Romanos” entende que o “todo Israel” é a soma dos salvos da antiga aliança (remanescentes) com os ramos enxertados (gentios eleitos) destacando assim todo o povo de Deus.

2John Stott no seu comentário “A Mensagem do Livro de Romanos” defende Israel como a nação étnica somente, entendendo que Deus um dia voltará a salvar a nação por meio de alguns representantes eleitos.

 

Minha consideração acerca da passagem:

– Paulo afirma que se Deus pode escolher de forma soberana, e, surpreendente, um grande numero de gentios para integrar seu povo, ele também pode reverter posteriormente essa situação e voltar a escolher um grande numero de judeus. Portanto o “todo Israel” pode estar ligado com certo numero de representantes de todo o povo. Concordo nesse ponto com John Stott quando diz: “… por todo o livro de Romanos, no entanto, “Israel” significa o Israel étnico ou nacional, em contraposição as nações gentílicas. E é este obviamente o significado no versículo 25. Portanto a palavra dificilmente poderia assumir um significado diferente logo no versículo seguinte.

– É exegeticamente impossível dar a Israel neste versículo qualquer outra conotação senão aquela que vem sendo conferida ao termo no decorrer de todo o capítulo. Seria muito confuso para igreja de Roma interpretar a carta de Paulo, quando este muda o significado das palavras de um versículo par outro. Então concluímos que para Paulo o “todo Israel” esta se referindo a nação de Israel por meio de seus representantes que serão eleitos. Provavelmente um grande número de judeus que se converteram assumindo o papel dos remanescentes do vers. 5.

 

Os Propósitos Soberanos de Deus (11:33-36)

Paulo conclui sua análise do passado, presente e futuro de Israel com um hino de louvor a Deus, cujos caminhos estão além do seu entendimento. Ao encerrar com a glorificação a Deus por seu rico conhecimento e graça, Paulo deixa transparecer que nem ele mesmo entendia todos os propósitos de Deus.

– Paulo exalta a pessoa de Deus como Aquele que controla todas as coisas segundo a sua boa vontade.

– A sabedoria e o conhecimento de Deus referem-se particumente a revelação de seus propósitos em Cristo, autor e consumador da fé de todos que são salvos.

– O propósito revelado na pessoa de Cristo da a Paulo a certeza da perfeita demonstração de amor de Deus em relação aos seus eleitos. Foi a glorificação de Deus por meio da morte de Cristo que concede salvação aos homens, sendo o próprio Paulo um deles.

– Assim Paulo conclui que Deus é a fonte (pois Dele), o sustentador (por Ele) e o objetivo (para Ele) de tudo.

–  Com esse hino de glorificação a Deus, Paulo nos ensina a descansar e confiar em Deus e em seus eternos propósitos. A predestinação e a pré-ordenação de Deus fazem com que nada fuja de seu total controle.

– Assim, caí por terra também a idéia proposta pelo Teísmo Aberto, a crença em um deus auto-limitado e não onisciente que abriu mão de sua soberania para se relacionar com os homens. Os propagadores do Teísmo Aberto (Clark Pinnock, Richard Rice, John Sanders, Willian Hasker, David Basinger e atualmente no Brasil Ricardo Gondin) tenta demonstrar pela primeira vez historia do cristianismo um argumento “racional” fundamentando no sentido que o Deus da bíblia está conosco no tempo e não conhece o futuro em detalhe absoluto. Diante do texto de Romanos 9-11 é visível que o Teísmo Aberto é mais um emaranhado de pensamento humano para adequar os eventos do mundo dentro de uma perspectiva mais confortável e menos conflitante entre o homem e um “deus bonzinho”.

– Para Paulo a seção do cap.9-11 é indubitavelmente os capítulos da soberania de Deus, onde Ele controla tudo e a todos do qual ninguém, nem judeus ou gentios, se quer podem fugir de sua soberana escolha. Para Paulo, Deus é quem manda, Deus é sua própria lei. E é ele quem dita às regras jogo.

– Diante de tal revelação e diante de um Deus Sábio, Poderoso e Soberano na salvação a nossa resposta só pode ser uma “A Ele a Glória para sempre Amem”. (11:36)

 

 

Considerações finais:

– É notável que o Deus da bíblia é diferente do deu da cristandade moderna! O conceito de deidade que predomina hoje em dia, mesmo entre os que professam crer nas escrituras, é uma deplorável caricatura, uma burlesca imitação da verdade. O deus que é pregado nos púlpitos  do século XXI é um ser enfraquecido e incapaz, que não infunde respeito a qualquer pessoa que realmente pensa.

Diferente dessa percepção errônea da deidade, o Calvinismo ( que para mim é o próprio evangelho) trata o ser de Deus como Ele deve ser. A soberania de Deus destacada no Calvinismo é absoluta, infinita e irresistível. Quando o Calvinismo diz que Deus é de fato soberano ele assevera o Seu direito de governar o universo, criado para a sua própria Glória. O Calvinismo afirma que o direito de Deus é semelhante ao direito do oleiro sobre o barro, ou seja, moldá-lo em qualquer forma que deseje, produzindo, da mesma forma, uma vaso para honra e outro para desonra.

A soberania de Deus na perspectiva calvinista caracteriza todo o ser de Deus, não esquecendo nenhum de seus atributos. Ele é soberano em todos os seus atributos e em toda a historia.

 

Tiago H. Souza 03/03/2012

 

Livros Consultados:

Stott, John. A Mensagem do livro de Romanos. São Paulo: ABU, 2009.

Hendriksen,Willian. Comentário do Novo Testamento: Romanos. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.

Bruce, F.F. Introdução e Comentário do livro de Romanos. São Paulo: Vida Nova.

Magalhões, Francisco Mario Lima. O Sentido de “Todo Israel” em Romanos 11:26 Segundo Calvino. Fides Reformata XI N°2, 2006

Thielman, Frank. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Shedd Publicações, 2007.

Tozer, A. W. Mais Perto de Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 1980.