A Justa Justiça do Cordeiro (Apocalipse 16) – Tiago Souza

Introdução: Estamos na passagem mais dolorosa e perturbadora de todo o Apocalipse. Alias, estamos nos últimos momentos e nos últimos segundos da misericórdia de Deus, que vem atuando desde Gn 3. A procura de Deus em resgatar o homem de seu pecado, do qual vemos desde Gn 3, está nos seus últimos momentos que precedem o juízo final. Os flagelos que Deus envia através das taças são a justa justiça de Deus para aqueles que estão debaixo do selo da besta.

Enquanto as trombetas são um anuncio para o arrependimento, as taças são a total cólera de Deus derramada sobre os rebeldes. Enquanto as trombetas são uma advertência, as taças são uma consumação da ira final de Deus. Enquanto as trombetas atingem primeiramente o ambiente onde vive o homem, as taças atingem desde o inicio os homens. Nas trombetas vemos tribulações parciais com o objetivo de trazer arrependimento aos impenitentes. Nas taças vemos que esta oportunidade já se esgotou. Enquanto nas trombetas a ira vinha misturada de misericórdia, nas taças não há mistura alguma a não ser a mistura da justiça de Deus com a sua ira implacável. Quem se recusa a ser admoestado pelas trombetas são ceifados e destruídos pelas taças.

É bom lembrar que este princípio, de Deus em demostrar a sua ira com calamidades desastres e destruições são notoriamente repetidas em toda a escritura ( diluvio, Sodoma, Egito no mar vermelho, Jerusalém, juízo final). Isso nos faz ter a certeza de quanto é perturbador o nosso pecado e a nossa rebeldia para com Deus.

Vers. 1-2 (A terra é atingida pela ira de Deus)

– “Então ouvi uma voz”. A voz de Deus. Ele é o único que tem autoridade para realizar esses eventos catastróficos.

– Os adoradores da besta são atingidos de “feridas malignas e dolorosas”. Aqui Temos a primeira taça derramada exclusivamente e diretamente aquele que causou todo esse transtorno, o homem. O tormento virá sobre as cabeças daqueles que são selados pela besta, portanto, não haverá mais crentes mornos, carnais ou nominais. Ou você é selado por Deus e é livrado dessa ira, ou você é selado pela besta e experimentará o juízo de Deus.

Vers.3 – (O mar é atingido pela ira de Deus)

– A maior fonte de vida do planeta é atingida pela ira de Deus. Aqui vemos a destruição completa e certa do homem. Os oceanos irão coagular como sangue e todos os animais do mar irão morrer. Esse quadro assim como outros, não podem ser levados literalmente. Na verdade o homem já tem visto o mar coagular  (desastres petrolíferos), e se transformar em sangue ( nos últimos cem anos, 4 milhões de pessoas já morreram em tsunamis). Aqui temos um quadro pintado de forma drástica e patética descrevendo eventos que já estamos vendo nos noticiários.

Vers.4-7 (Os rios são atingidos pela ira de Deus)

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– Assim como na praga do Egito, Deus agora toca com a sua ira nos rios do planeta. Os rios também se transformaram em sangue. O homem aqui se torna totalmente vulnerável as condições catastróficas do seu planeta o qual ele tanto prejudicou. As fontes, os rios, os armazenamentos de aguas serão infrutíferos e sem vida. O momento que o homem se vê sem agua para beber, para tomar banho, para limpar as sua feridas malignas que foram derramadas na primeira taça temos a fala  de um anjo exaltando e glorificando o Deus de toda a justiça. Como que numa pausa em um momento tão dolorido e dramático para o homem, se houve um anjo exaltar e dizer: DEUS É JUSTO!

Vers.8-9 (O Sol é atingido pela ira de Deus)

– Os mesmos pecadores que não se arrependeram quando o sol se escureceu são agora punidos pelo Senhor através dos raios solares. No escurecimento do sol eles até podiam ignora-lo quanto ao calor eles não podem fazer nada a não ser senti-lo queimar em sua pele.

– Nesse momento eles reconhecem a presença de Deus e sua justa ira sobre suas cabeças, mas blasfemam e o amaldiçoam com suas bocas.

– Em todas as escrituras vamos ver dois tipos de atitudes para com o sofrimento. Ou o homem usa a sua boca para blasfemar contra Deus, ou ele usa seu joelhos para se dobrar e glorificar a Deus.

– eles não se arrependem. Um sinal do endurecimento de coração causado pela besta e pelo sofrimento.

Vers.10-11 (O trono da besta é atingido pela ira)

– Deus aqui ele derrama a sua ira no trono da besta e no sistema do qual ela governa que fará uma completa desordem no sistema humano e trará ainda mais caos para esse momento tão doloroso da humanidade. O trono da besta é o maior golpe de Satanás e é sobre essa estrutura que Satanás controla toda a sociedade humana. De alguma forma, o homem também é atingido por essa ira trazendo tanta agonia que este começa a morder a própria língua.

– Aqui temos um quadro da depravação total e radical do homem. O homem é mau. Seus ouvidos e sua boca conspiram contra Deus e diante de tanta dor e sofrimento eles ainda blasfemam contra Deus. A língua estará mordida e ferida, mas mesmo assim o homem cria um jeito de blasfemar contra Deus.

– Eles ainda não se arrependem.

Vers.12-16 (O rio Eufrates é atingido pela ira de Deus)

– Os versos 12 nos dizem que a taça é derramada no rio Eufrates. O Eufrates secará e abrirá caminho para a invasão do inimigo. Os poderosos e governantes da terra serão manipulados por sinais e milagres de demônios para lutar contra a igreja e contra o Senhor. O palco dessa batalha é uma planície muito conhecida na bíblia: o Armagedom. Palco de batalhas e livramentos de Deus como no caso de Baraque e os Israelitas (juízes 4:15), o livramento e a vitória de Gideão sobre os midianitas ( Juízes 7) , e foi o lugar da morte do reprovável rei Saul (1 Samuel 31:8).

– Nesse momento, quando a igreja estará rodeada de inimigos , armas e canhões, Cristo aparecerá e trará vitória ao seu povo. De que forma? Livrando-os da completa aniquilação e arrebatando a Igreja gloriosa no ápice da tribulação. A igreja começa e tem origem com grande tribulação (primeiro século) e é arrebatada na grande tribulação (ultimo século).

– “Cristo virá como um ladrão”. Ele virá como um ladrão para nós, a igreja? Não! Nós já estamos esperando o Jesus triunfante. Para nós a sua vinda não será como um ladrão, mas sim como um convidado. Para aqueles que foram marcados com o sinal da besta, sim, Cristo virá como um ladrão. Sua vinda será inesperada para eles, não para nós que já estamos esperando a sua volta triunfal.

Vers.17-21 (O ar é atingido pela ira de Deus)

– O derramamento da sétima e ultima taça remove o tempo e a historia e os substitui pela eternidade. A partir dessa taça o tempo não existe mais. A parir dessa taça a história fecha as suas cortinas e a eternidade agora se apresenta para todos os homens. Enquanto a sexta taça traz a destruição total a sétima taça traz o extinção total de todas as coisas.

-Um grande terremoto não deixou nenhuma montanha de pé. Os altos edifícios agora se resumem ao um monte de pó. Do santuário a voz de Deus é ecoada no universo dizendo “está consumado”. “Está feito”. Já conhecemos esta fala. Já conhecemos estas palavras. “Está consumado”, foi o ultimo brado de Jesus na Cruz quando seus algozes o crucificaram. Ali ,naquele momento de dor e solidão, sentindo em seu corpo todo o cálice da ira divina em propiciação dos pecados dos homens que Cristo reivindica para si uma autoridade de juiz sobre uma causa. No caso da cruz, Cristo bradava “tetelestai” “está consumado”, “está feito”, “eu entrego a minha vida por vos. Vocês não a tomam de mim, mas eu a entrego por vos”. Em apocalipse 16:17 esta fala vem da boca de Deus, o Pai, que brada: “ está consumado”, “está feito”. “Sou eu, o Senhor, quem entrego a vos, a minha ira. Sou eu, o soberano Senhor, que tenho autoridade de fazer o que quero, e o que faço é justo e perfeito”.

– O texto de apocalipse 16 se encerra dizendo que mesmo assim, os homens com seus corações rebeldes e perversos, que experimentaram tanta dor e sofrimento, ainda não cansam de blasfemar contra Deus.

Conclusão

Por que Deus faz isso? Por que Ele se mostra tão vingativo nesses 21 versículos? Por que a suas taças são tão terríveis?

1° Deus não é neutro. Ele deve derramar as taças por que isso é justo. Desde a queda o homem não faz outra coisa a não ser pecar contra um Deus que é puro, justo, perfeito e bom. Deus derrama a sua ira sobre os homens porque não há outro meio mais justo para Deus demonstrar sua santa ira.

2° Deus almeja uma reconciliação.. O juízo de Deus vem acompanhado de oportunidades para o homem se arrepender. Por tanto, além de nos revelar um Deus irado e justo, Apocalipse 16 nos mostra um Deus preocupado coma reconciliação do homem caído.

3° Os homens não se arrependem. Embora as taças sejam acompanhadas de oportunidades para o homem se arrepender, este prefere blasfemar e amaldiçoar a Deus. Seu coração é inclinado para pecar somente.

4° Por que os homens merecem. O homem merece ser julgado por tanta maldade, por tanto pecado cometido. Além de ser pecador, o homem marcado pele besta no capitulo 16 é permanentemente impenitente. Ele não se arrepende, e assim é altamente merecedor da ira divina.

O que nós, a igreja, podemos fazer?

1° certifique-se que você foi marcado e selado pelo Espirito Santo. Certifique-se que você é salvo (Romanos 8:16).

2° Espere de maneira jubilosa a vinda do Senhor. Passamos por tantas lutas, passamos por tantas mini tribulações que às vezes nossa alegria em Cristo é enfraquecida. Lute pela sua alegria em meio ao caos e espere confiadamente com alegria de alma a vinda triunfante do Senhor.

3° Evangeliza e coloque seu coração a disposição das missões. Precisamos evangelizar e anunciar ao homem caído que a ira e o dia do juízo divino estão próximos.

4° Tenha o mesmo espírito de oração do apóstolo João. Com ele ore: “Maranata, ora volta Senhor Jesus (Apc 22:20)

 

O video desse estudo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=QOlcV3OOxyo

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Raízes da Adoração – Matt Chandler

Matt Chandler

Matt Chandler

Deus, somente Deus, é supremo. O Deus sobre o qual você encosta a face se estende a fins invisíveis e insondáveis. John Piper colocou desta maneira: “Quanto mais para cima você for nos pensamentos revelados de Deus, mais claro você enxergará o alvo de Deus ao criar o mundo, como sendo demonstrar o valor de sua própria glória”. Piper acrescenta ainda: “Este alvo nada mais é que a infinda e sempre crescente alegria do seu povo nessa glória”.10 Vemos isso também na Confissão de fé de Westminster: “O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”.

 Chamamos tal gozo de “adoração”. Quando tal adoração for a atribuição de máximo valor a alguma pessoa ou coisa que não seja o único Deus trino do Universo, é idolatria. A raiz da adoração cristã, portanto, é reconhecer, submeter-se e ter prazer na supremacia da glória de Deus. Em todas as coisas.

Isso quer dizer, por exemplo, que Deus nos dá o dom do sexo, e é uma boa dádiva, mas não o dá para que nossa alegria se complete no próprio ato do sexo. Ele o deu para que sejamos sobrepujados pela bondade de Deus em nos dar tão excelente dádiva. A sexualidade não é um fim em si mesmo, nem um meio para a nossa glória. Foi-nos dada para que pudéssemos adorar a Deus. Semelhantemente, Deus nos deu os alimentos e o vinho não para que pudéssemos nos embriagar e enfastiar, nem para que não tivéssemos prazer neles, mas para que pudéssemos saborear um bocado de boa comida ou sorver um excelente vinho e, por meio deles, ter prazer em Deus. 1Timóteo 4.4 nos diz: “Pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável”. A adoração, quando vista dessa forma, é maior e mais abrangente do que apenas cantar alguns hinos no culto da igreja umas duas vezes por semana. É o modo de vida daqueles que estão apaixonados e encantados pela glória de Deus. Adoramos a Deus quando, ao compartilhar das suas boas dádivas, algo acontece nos recônditos mais profundos da alma, proibindo que a glória termine no dom em si ou em nosso prazer dele, mas corra mais fundo, estendendo àquele que tudo nos deu.

Sem um entendimento de Deus e sem adorá-lo dessa forma, tudo se torna superficial. Tudo – desde o jantar até o sexo, do casamento até aos filhos, do trabalho até às artes e a literatura – tudo fica superficial e trivial. Mas quando se compreende a força motriz por trás de todas as coisas, de repente há uma quantia eterna de alegria à nossa disposição, porque tudo que fazemos é iluminado e animado pela infinda glória do Deus eterno.

Você não precisa ser um profissional religioso para ver evidência dessa verdade. Se eu não fosse pastor que recebe pagamento para dizer essas coisas, mas apenas um estudante da humanidade, não poderia argumentar contra o fato de que todos nós fomos instalados, feitos, para a adoração. Não creio que seria difícil discutir que nossa adoração acaba sendo vaga e superficial.

Está sendo travada uma guerra, e boa parte do mundo se encontra em uma incrível confusão de pobreza, fome, inquietação cívica e violência. No entanto, se ligar a TV no noticiário, é mais provável que você escute falar das atividades diárias de estrelas populares e atores, ou quanto dinheiro ganha um atleta e quem ele namora no momento, do que qualquer coisa significativa. Com certeza, qualquer pessoa vê que nosso “interruptor de adoração” está sempre ligado, sintonizado a difusoras ridiculamente finitas. Homens adultos pintam o corpo e surfam número incalculável de sites da rede para seguir um time esportivo – emoção significativa derramada sobre as habilidades físicas infantis de um jogo. Vá a qualquer concerto e verá pessoas erguer espontaneamente as mãos, batendo palmas, fechando os olhos, sendo tocados espiritualmente pela música. As pessoas pescam ou fazem caminhadas para estar sintonizadas à natureza. Colocamos pôsteres em nossas paredes, adesivos em nossos carros, tatuagens sobre nossa pele, e drogas em nosso sistema. Fazemos todas essas coisas e outras semelhantes, derramando-nos automaticamente e com grande naturalidade, naquilo que está decadente. Queremos adorar alguma coisa. A adoração é uma reação nata. Fomos feitos pelo próprio Deus para sermos adoradores.

Trecho do livro “O Evangelho Explícito”, de Matt Chandler e Jared Wilson (Editora Fiel)

 

Unidade da igreja: Até onde devemos ir com a nossa comunhão? – Tiago Souza

Em um mundo onde cada vez mais o homem se isola e se enclausura em seus guetos existenciais, a unidade da igreja se faz bem vindo. Bem vindo para exercer o papel de Reino de Deus levando a mensagem do evangelho para o homem em seu caos. Esta situação tem se agravado nos últimos anos pela propaganda pós-moderna de individualização do homem. A pós-modernidade tem sido fiel a sua proposta para o homem atual. Nele a pós-modernidade o faz refém de si mesmo e o afoga em seus prazeres hedônicos e narcisistas destruindo qualquer esperança de comunidade.

O homem, bem como disse Deus, não é bom que viva só (Genesis 2:18). Deus o fez para a comunidade, e fez a comunidade para o homem. Por isso a unidade da igreja se faz bem vindo a nossa pequinesa realidade eclesiástica. Somos o que somos para o outro e vice-versa. Por isso a necessidade de se andar em comunidade.

O unidade do corpo de Cristo propõem para nós o resgate dessa “humanidade” perdida no tempo. A faceta teológica da unidade nos impele para a observação bíblica do assunto bem como o levantamento de discussões que nos levem, pelo vinculo do amor, á comunhão proposta pelo tema. A unidade da igreja deve estar longe de ser simplesmente um assunto discutido nas cátedras teológicas. Ele deve ser levado para a vida diária do cristão, e sua práxis deve ultrapassar os limites denominacionais. O olhar teológico deste assunto deve, a meu ver, estar em concordância e vivencia com inúmeros exemplos bíblicos de unidade em meio à diversidade como: as doze tribos de Israel; a santa trindade e a dicotômica constituição humana.

O olhar bíblico do assunto, seja ele negativo ou positivo, terá consequências não só para a igreja, mas para toda a sociedade. Por isso a necessidade de se construir uma cosmovisão teológica da unidade embasado no mesmo amor que Jesus tinha para pessoas tão diferentes dele.Image

Não devemos ter isso como uma longínqua utopia, mas devemos ter sim como uma realidade presente e palpável. Para isso, a comunhão e o interesse comum devem estar ajustados bem como a bandeira da VERDADE evangélica e universal. O evangelho jamais deve ser negociado ou desassociado das verdades centrais do cristianismo histórico.

Essas verdades é que devem ser o ÁRBITRO para a comunhão ou não. Portanto, a base da unidade não deve está na comunhão, mas na verdade. A verdade é que traz a comunhão e não o contrário. Por isso a unidade da igreja proposta por muitos teólogos tem como base a verdade apostólica pregada nas narrativas e ordenanças bíblicas. São elas que precedem todo e qualquer dialogo para um fim especifico. Assim, a verdade bíblica pode servir para a comunhão ou para excomunhão.

A VERDADE bíblica é a regente de toda a unidade e comunhão. Eu sou um com aqueles que procedem do mesmo credo que eu. Podemos discordar de assuntos periféricos, mas nunca podemos discordar de assuntos centrais e universais da fé cristã.

É exatamente essa proposta homogênea que tem como base a harmônica pessoa de Jesus Cristo. É ele que deve ser o regente de toda comunhão, diálogo e compreensão. É por meio da pessoa de Jesus Cristo que nos aproximamos daqueles que são diferentes de nós. O “eixo gravitacional” deve ser a vida e a obra de Jesus, pois, segundo a narrativa bíblica, foi ele o único personagem que andou com publicanos (Lucas 5:27), tinha amigos leprosos (Mateus 8:2), hospedou-se na casas de fariseus (Lucas 7:36) e conversou com samaritanos (João 4:7). Ele é nosso maior exemplo de dialogo inter-racial, intersocial e interdenominacional. Foi ele mesmo que superou todas as barreiras impostas pela cultura e quebrou todo o muro que dividia uma simples conversa entre um povo e outro povo.

Toda a pluralidade deve estar respaldada pela vinculo do amor de Jesus, é nele que a unidade da igreja se concentra com toda a sua diversidade teológica. A harmonia proposta pela comunhão deve estar respaldada pelas verdades bíblicas e doutrinárias encontradas na pessoa de Jesus Cristo bem como todo o seu exemplo de amizade e compreensão do outro.

“Sola Fide” X Lei – Como entender a a Justificação bem como nossa responsabilidade quanto a Lei do Senhor – Tiago Souza

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O coração do evangelho está na doutrina da justificação pela graça somente. Dentre todos os presentes de Deus ao homem nenhum se compara a obra da justificação em Cristo. Se assim for, como fica a lei? Seria ela abolida ou desprezada pelos escritos do novo testamento? Paulo em Romanos 10:4 diz “o fim da lei é Cristo para a justiça de todo aquele que Nele crê”.

Sabemos que Paulo está se referindo a Cristo, mas que lei é essa? E que fim é esse? Para Paulo a justiça de Deus estava na lei (torá) e não na forma que esta lei estava sendo cumprida.

Nos versos 2 e 3 de Romanos 10, Paulo exorta a igreja de Roma a não depositar a sua fé de  forma ignorante em uma justiça mal compreendida pelo seu povo, os judeus, que inclusive mataram Jesus Cristo achando que ele estava ferindo a lei.

Portanto, a má compreensão dessa lei e a má compreensão da forma que ela deve ser cumprida fazem com que o povo seja alheio e ignorante quanto à graça redentiva de Jesus. Ou seja, o problema não está na lei, mas, está no homem. Essa é a tese do capitulo 1 e 2 de Romanos. Em Cristo fomos chamados para a liberdade (Gl 5). Liberdade da falsa liberdade que a nossa ignorância sobre a justiça de Deus, nos coloca. É um erro gravíssimo achar que a Lei não deva ser cumprida.

E é um erro gravíssimo achar que o homem consegue cumpri-la. Sabemos, de acordo com Paulo e com muitos outros profetas que tal homem não existe. Portanto, se a lei deve ser cumprida e o homem é incapaz de cumpri-la a única forma de sermos salvos é mediante a fé em Jesus, o Deus-homem que cumpriu toda a Lei. Nele não só deixamos de ser ignorantes, mas somos feitos “justiça de Deus” (1Co 5:21), não mediante a lei, mas mediante ao Cristo da lei.

Assim, fomos feitos também “ministros de uma nova aliança”(2Co 3:6) ,pois, não estamos mais debaixo de um julgo enganador que outrora nos condenava por tentar cumprir a lei por méritos próprios, mas debaixo da graça de Cristo que nos socorreu quando andávamos errantes por não cumprir a lei. A nova aliança em Cristo faz com que a pessoa que não cumpriu a lei descanse na vida de Cristo, pois, Cristo cumpriu a toda a lei. Tais pessoas, judeus ou gentios, que foram alcançados pela graça de Cristo podem cumprir a lei na prática do amor e gratidão a Deus sabendo que por mais que sua vida esteja guardada na vida de Cristo ela dará conta de seus atos no juízo vindouro (2Co 5:10).

Assim o evangelho penetrado no coração do homem por meio da dádiva do Espírito faz com que ele cumpra a lei mosaica na pratica do amor, que também é um sinal da autenticidade da sua salvação.

É importante também salientar que Paulo lutou incansavelmente e constantemente contra os argumentos dos judaizantes que saiam de forma itinerante pregando um falso evangelho que minava a sua autoridade apostólica. Portanto, concluo que “a letra mata” todos aqueles que depositam a sua fé na tentativa de auto-salvação mediante o cumprimento da lei, e o “espirito vivifica” todos aqueles que depositam a sua fé no Cristo de Deus, aquele que cumpriu toda a lei de Deus.

De que forma eu posso invocar o nome do Senhor sem que isso seja pecado?-Uma análise do terceiro mandamento.- Tiago Souza

De que forma eu posso invocar o nome do Senhor sem que isso seja pecado? – Uma análise do terceiro mandamento.

Não tomarás o Nome do teu Deus em vão, pois o Senhor não deixará impune quem tomar o seu nome em vão (Ex 20.7).

De acordo com o terceiro mandamento, é extremamente pecaminoso usar o nome de Deus em qualquer ocasião e de qualquer maneira. Isso com certeza nos deixa com a pulga “atrás da orelha” por muitos motivos óbvios:  Será que estamos sendo fiel a este mandamento?

A bíblia nos dá milhares de exemplos de homens e mulheres que usarão o nome do Senhor em diversas ocasiões. Somente o nome  de Iavé (YHWH) é mencionado mais de cinco mil vezes no Antigo Testamento. Como então pode ser pecado usar este nome? De que maneira o uso deste nome por nossos lábios pode se transformar pecado em nosso coração?

De acordo com o “MSN Notícias” a palavra mais usada na entrega do “Oscar 2013” foi a palavra “Deus”.  Pergunto: Será que todos estavam com seus corações voltados em profunda gratidão para com Criador? Os poucos que levantaram a estatueta de ouro e pronunciaram o nome do Senhor diante de aplausos fizeram tal menção por ação de graças? Com toda a certeza não! Muitos daqueles que usaram o nome de Deus fizeram por puro praxe, rotina e até mesmo ironicamente.

É comum andar pelas ruas e ver dezenas de carros com versículos adesivados. A maioria destes voltado para uma mensagem de consolo e encorajamento. Muitos desses versículos são usados fora do contexto das escrituras com o intuito de ostentação.  Alguns arriscam colocando ditados populares e jargões evangélicos da moda como “ foi Deus que me deu” e “quando Deus quer é assim”. E é interessante notar que normalmente se vê este adesivo em carros do ano, carros caros e luxuosos. Dificilmente você irá encontrar um Fiat 147 com um adesivo “foi Deus que me deu”. Interessante não? Para estes a palavra do Senhor é direta neste ponto: “…pois Deus o Senhor não deixará impune quem tomar o seu Nome em vão”.boca-fechada

Diante dessa “promessa ameaçadora” da parte de Deus, como podemos usar o seu Nome do Senhor sem de algum modo rebaixar o valor desse nome?

Em uma certa ocasião descrita em Mt 5:33-37 Jesus repreende alguns fariseus que estavam levando o terceiro mandamento de forma legalista. Esses “doutores da lei” estavam fazendo juramentos e como “avalista” dessas promessas estes fariseus juravam por coisas criadas no céu, na terra e alguns ainda o faziam por sua própria cabeça. O texto não nos informa que eles juraram pelo nome do Senhor, mas juravam por outras coisas de forma torpe e vã somente. Para Jesus então, o pecado não está no uso do nome, mas na intenção e na maneira de como este Nome é usado. No caso dos fariseus, eles simplesmente trocaram os fatores. Não juravam pelo Criador, mas juravam pela criação do Criador, ou seja, estavam jurando fazendo menção diretamente de seus atributos.

Ao contrario disso, na oração mais conhecida da bíblia, o próprio Jesus faz menção ao nome do Senhor e nos ensina a como usá-lo (Mt 6:9). Diante dos discípulos Jesus ensina a profundidade do zelo que estes devem ter para com o nome do Senhor: “Santificado seja o teu Nome”.

Assim, temos a proposta para o uso exclusivo deste nome: A adoração.

O nome deve ser usado por nós, seus filhos, para adoração. Deus definitivamente não quer que seu Nome seja mais um nome ou palavra levada pelo Vento, mas que o usamos com a total percepção possível que tal Nome é o nome daquele que é Soberano e Poderoso sobre todas as coisas.

Arthur W. Pink, grande expositor bíblico do século 20 cita no seu livro “Os Dez Mandamentos” três razões para Deus considerar um gravíssimo pecado quando tomamos o seu precioso nome. Para Pink tomamos o nome de Deus em vão quando:

1-      Usamos sem a devida consideração e reverencia.

Ao pensar que os serafins escondem os seus rostos diante da Glória e Majestade de Deus, não deveríamos nós ter no mínimo um considerar solene sobre o uso de seu nome? De fato, este nome não deve ser jogado de lá para cá em línguas soltas. Deus é zeloso para o seu nome e irá se vingar terrivelmente daqueles que ousarem pronunciar seu nome de qualquer maneira.

2-    Empregamos hipocritamente.

Israel foi culpado por este pecado. Em Isaías 48.1 o profeta diz: “ Ouvi isto , casa de Jacó, que vos chamais do nome de Israel, e saístes das águas de Júda, que jurais pelo nome do Senhor, e fazeis menção do Deus de Israel, mas não em verdade nem em justiça”. Israel usava o nome do Senhor, mas não usava em justiça e em verdade. Faziam menção do seu precioso nome, mas não lhe obedeciam. Assim nossa oração sem a devida prática pode nos levar a cometer este pecado contra Deus.

3-    Juramos com leviandade e sem devida reverencia.

Quando alguém usa o nome do Senhor para se promover, ou sustentar algo que não sabe se é verdade, ou sabe com certeza que não é, cometemos um tipo de pecado ainda pior. Este pecado é cometido quando alguém invoca o nome do Senhor para sustentar uma mentira. Deste modo, o pecado é duas vezes pior. Ela invoca o nome de Deu em vão, e O invoca para praticar uma mentira.

Concluo refletindo nas duas únicas ocasiões que podemos chamar e invocar o nome do Senhor:

 1-      Para a Glória de Deus. Não só podemos, mas devemos invocar o nome do Senhor para a sua Glória. Isso pode ser feito em orações, canções, poemas, estudos devocionais e etc. Todo bom uso do Nome do Senhor resultará na glorificação do seu Nome .

 

2-      Para a edificação dos outros. Outra maneira de fazer um bom uso do Nome do Senhor é usando-o para a edificação dos outros. Seja com uma palavra, uma aula na EBD, ou oração, o bom uso do nome na vida do próximo também faz com que o uso do Nome seja de maneira digna e reverente.

Portanto, devemos ter o máximo de cautela para o uso do Nome do Senhor. A depreciação deste Nome e o uso de forma vulgar e irreverente pode causar consequências eternas, pois Implícito ao mandamento está a promessa que aquele o qual nos referimos pelo Nome “não tomará como inocente” aquele que usar tal nome de forma indevida.

Assim, devemos invocar o nome de Cristo, seu perdão e amor, para nos ajudar até mesmo pedir socorro de forma conveniente e digna por Aquilo que Ele É.

Em Cristo, o detentor do Nome sobre todo nome,

Tiago Souza

Bibliografia

Pink, Arthur Walki gton. Os Dez Mandamentos. Brasília,DF: Publicações Monergismo, 2009

Pallister,Alan. Ética Cristã Hoje. São Paulo,SP: Shedd Publicações, 2005

A Preciosa Trindade Santa: Uma pequena análise do que diz a “Confissão de Fé de Westminster”- Tiago H. Souza

A doutrina da trindade é a essência de todo o evangelho. Meditar sobre ela é pisar em terra santa.  A.W  Tozer diz que estudar a trindade é andar com os pensamentos no jardim do Éden. Até a nossa salvação depende exclusivamente dessa doutrina. Agostinho, um grande teólogo e defensor acido dessa doutrina disse certa vez que “tentar explicar a trindade é perder a cabeça, tentar nega-la é perder a alma”. Grandes discussões foram vista nos primeiros anos da igreja. Concílios, reuniões, tratados foram feitas nos primeiros séculos da era cristã para debater e esclarecer esta doutrina. Hoje lidamos com o assunto como algo fechado e já resolvido. Católicos e protestantes se unem nesse ponto para defender essa doutrina tão importante das escrituras.

A pergunta é: Lidamos honestamente com o assunto? Temos a mesma convicção da doutrina que os apóstolos tinham? As respostas serão variadas. Por isso a necessidade de se voltar aos antigos credos apostólicos e entender por quais caminhos devemos caminhar nessa jornada cheia de mistérios chamada trindade.

Para esclarecer esta questão é que recorremos a um dos maiores tratados da igreja protestante: A Confissão de Fé de Westminter(CFW)

A CFW começa o assunto da Trindade explorando a unidade da Divindade.

Meu estudo sobre a  trindade será divido em duas seções.

Podemos chamar essa primeira seção de : O que é Deus? O que é a Deidade?

O que diz a CFW:

1- Unidade Trina.

Há um só Deus vivo e verdadeiro1, o qual é infinito em seu ser e

perfeições. Ele é um Espírito puríssimo, invisível, sem corpo, membros e paixões;

é imutável, imenso, eterno, incompreensível, onipotente, onisciente,

santíssimo, completamente livre e absoluto, fazendo tudo para a sua própria

glória e segundo o conselho da sua própria vontade, que é reta e imutável. É

cheio de amor, é gracioso, misericordioso, longânimo, muito bondoso e verdadeiro

remunerador dos que o buscam e, contudo, justíssimo e terrível em seus juízos,

pois odeia todo o pecado; de modo algum terá por inocente o culpado.

 

A um só Deus: A confissão é crucial nesse ponto. Não somos idólatras, não somos politeístas. Não acreditamos em 3 deuses. Acreditamos em um só Deus. Esse Deus não está morto, Ele se comunica com nós, ele é transcendente e imanente ( está sobre a sua criação e está presente na sua criação), ele é uno,l ele é um. É vivo e também é verdadeiro. Deus é a própria personificação da verdade. Verdade é tudo aquilo que Deus é.

Infinito em seu ser e perfeições: Esse único Deus verdadeiro também é infinito em si mesmo. Não há como medir a Deus. Ele é eternamente eterno na sua existência. Não teve princípios de dias e não terá fim de existência segundo o autor de Hebreus 7:3. Infinito em perfeições é a característica obvia do ser que é verdadeiro. Ora se Deus fosse falso não poderia ser perfeito. Como ele é verdadeiro em todos os sentidos dessa palavra, é inerente ao ser de Deus a sua completa perfeição, logo Deus detém os seus atributos em grau máximo, pois ele é perfeito!

Ele também é Espirito puríssimo, invisível, sem corpo, membros e paixões: O que seria Deus é espirito? Podemos ter em algumas definições, quero deixar somente uma para nós: Deus é espirito porque ele não está limitado as dimensões físicas, ele rompe toda os limites de espaço, não está restrito em uma forma corpórea. Sem forma corpórea obviamente não terá membros e nem é movidos por paixões e emoções.

Deus é perfeito em seus atributos. Deus é o único ser que o atributo equivale a essência. Por isso ele é essencialmente imutável, eterno, incompreensível, onipotente, onisciente, santíssimo, completamente livre e absoluto, pois ele é Deus.

Faz tudo para a sua Glória e segundo o seu conselho da sua própria vontade, que é reta e imutável.  Sendo Deus tão perfeito em si mesmo, ele faz com que todas coisas possam convergir para a sua própria Glória. Aqui os atributos de Deus se completam novamente. Sendo Deus reto em seus atos é inevitável que ele faça tudo para a sua glória, pois sendo Deus ele merece toda a glória possível.

Vamos dar mais um passo e entrar na definição da trindade propriamente dito.

Chamarei essa segunda seção de: o que é Trindade?

O que diz a CFW:

II.3 – Na unidade da Divindade há três pessoas de uma mesma substância, poder e

eternidade – Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo. O Pai não é de

ninguém – não é nem gerado, nem procedente; o Filho é eternamente gerado do

Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho.

 

A doutrina da trindade é uma doutrina cujo objetivo é afirmar a unidade de Deus subsistente em 3 pessoas distintas. A Trindade é uma explicação ao fato de que este único Deus, apesar de sua unidade, se relaciona entre si como Pai, Filho e Espirito Santo.

Devemos então, a partir deste ponto fazer uma separação obvia entre o cristianismo e as demais religiões. Por ser o cristianismo uma religião monoteísta, ele não está disposto a abrir mão da unidade de Deus, pois é um fato, do contrário, o cristianismo seria mais uma religião politeísta ou idólatra.

Na unidade da Divindade há três pessoas de uma mesma substância, poder e eternidade. A definição da CFW começa com um tom de complexidade: “ na unidade da divindade há três pessoas”. Não estamos dispostos a abrir mão do “Shema” do antigo testamento descrito em Deuteronômio 6 “ Ouça, oh Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Deus é uno. Mas respaldado na mesma escritura que nos revela o “Shema”, temos o conhecimento de outras pessoas da deidade. A mesma escritura que nos revela o “Shema” também nos revela a deidade do filho (Jo 1.1, Mt 9:4,28:18, Mc 2:1-12, Cl 1:17), e a deidade do Espirito (At. 5:3,4, 1Co 2:10, 6:19, Jo 3:5,6,8). Assim, o pai não é o filho, o filho não é o Espirito, e o Espirito não é o Pai. Cada pessoa da deidade tem seu papel, tem sua característica e nenhum é distinto de poder e autoridade dos outros.  Assim temos 3 pessoas distintas compartilhando da mesma unidade divina, ou como a própria CFW diz “ substancia, poder e eternidade. Quando falo pessoa não me refiro ao conceito moderno de “individualização”, mas ao “persona” da cultura e a tradição cristã que remete a ideia de “personalidade” e “atributos relacionais”.

O Pai não é de ninguém- não é nem gerado e nem procedente. A CFW diz que Deus é auto-existente em si mesmo. É o criador não criado. É a causa não causada. Não há ascendente e nem descendente.  Não há nada e ninguém acima dele e para que lhe determine seus atos e exerça juízo sobre seus feitos.

O filho é eternamente gerado do Pai. Primeiro quero destacar o que o filho não é. O filho não é um produto da mente criativa de Deus. O filho não foi criado por Deus. O filho não é fruto de um sistema reprodutivo do Pai. Então o que é o Filho? Podemos aceitar algumas verdades, mesmo sendo elas um tanto complexas. O filho sempre existiu com o Pai, desde que Pai é, o filho também é. O filho é co-eterno com o Pai, por isso o termo empregado pelo CFW de filho gerado “do” Pai, e não “pelo” Pai. Podemos testificar a eternidade do filho em Jo 1.1 e Cl 1:17.

o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho. As escrituras também relatam sobre a atividade divina do Espirito Santo. Ele é chamado de Deus em Atos 5:3,4 e possui atributos que somente Deus possui, como a onisciência (1Co 2:10) e onipresença (1Co 6:19), e regenera as pessoas (Jo 3:5,6 e 8). Todos esses atributos e atividades são exclusivamente de Deus, só ele pode fazer tais coisas. O Espirito Santo pode-se dizer que é a atividade missionária atuante da divindade em conformidade com o Pai e o Filho.

trindade

Para concluir, medite comigo em 1°Pedro 1:1-2

A fé para os leitores de Pedro consiste num relacionamento com as três pessoas da Trindade. O Pai faz deles os seus eleitos enquanto o Espírito os separa, santifica para que eles possam viver para a obediência de Cristo.

Quando nos debruçamos para estudar essa passagem podemos observar algumas verdades importantíssimas sobre a Trindade:

1-      O plano da salvação não se limita ao amor eletivo do Pai. Ela inclui a obra do Espirito Santo em convencer o homem e a persuadi-lo a voltar-se para Cristo.

2-      O plano da salvação não se limita a persuasão do Espirito. Como vimos anteriormente não há como o Espirito trabalhar isoladamente já que este é procedente do Pai e trabalha conforme a sua soberana eleição.

3-      O plano da salvação não se limita no sacrifício de Cristo. Cristo morreu para os eleitos do Pai que foram convencidos pelo Espirito. Se não fosse assim a morte de Cristo por mais gloriosa que esta seja não teria sentido algum.

Assim, concluo dizendo que seria um absurdo se a Trindade não fosse real e verdadeira. Ela é necessária para tanto para a as pessoas da trindade se relacionarem entre si, quanto para nós que fomos alcançados pelo evangelho. Evangelho este que nos revela o amante (Deus), o amado (Filho) e o amor( Espírito Santo).

Deus nos abençoe.

Para ter acesso a CFW acesse : http://www.ebenezer.org.br/Download/Onezio/ConfissaoFeWestminster.pdf

Bibliografia:

Ryrie, Charles. Teologia para Todos. Mundo Cristão

Hodge. A.A. Confissão de Fé de Westminster Comentada.

Wiesbi, Warren. Comentário Bíblico Expositivo.

Berkhoff, Louis. Teologia Sistemática. Cultura Cristã

A Mensagem do Profeta Malaquias: O Perigo da Frieza Espiritual – Tiago Souza

A Mensagem do Profeta Malaquias: O Perigo da Frieza Espiritual

Certa vez perguntaram a um pregador “qual a diferença entre o pecado dos santos e o pecado dos ímpios”? Ao que o pregador respondeu: há toda diferença. Os pecados dos santos são piores!!!

São piores porque lhes falta muitas vezes a percepção de que isto é uma afronta ao Deus que lhe concedeu toda a graça. É pior porque ao contrario dos ímpios e dos incrédulos os santos experimentam e conheceram o Deus de toda Glória. É diferente porque mesmo sendo salvo, o santo dará conta de suas atitudes e de seus atos para com Deus.

E é exatamente nessas horas que Deus entra com providencia em nossa vida, nos direcionando para não pecar mais, pois os nossos pecados cometidos contra Deus, são piores do que os pecados dos ímpios. Por isso  Devemos ver este livro como um ato de providencia de Deus em exortar o seu povo para que algo pior não venha acontecer.

Pois bem…

Malaquias significa “meu o mensageiro”. Um titulo bem sugestivo para o livro, pois sabemos somente sobre a mensagem e não sobre o mensageiro em si, que foi usado por Deus para escrever o ultimo livro do Antigo Testamento. A mensagem do mensageiro Malaquias vem em um tom de sentença de Deus para o povo rebelde de Israel. A palavra descrita como sentença, no original hebraico tem mais a ideia de peso. E por que o Senhor se dirigiu desta forma ao povo? Ao longo da mensagem de Malaquias pode se observar que o povo, mais uma vez, abandonou o amor a Deus e voltou-se para as praticas pagãs e colocou a adoração a Deus em ultimo plano. Assim, a adoração ao nome do Senhor foi colocada de lado diante da incredulidade e desobediência do povo. Para entender melhor a situação do povo nos dias de Malaquias, por favor, volte comigo um pouquinho antes do livro ser escrito, volte comigo para o ano de 538 A.C.

Em 538 A.C, Ciro publicou um decreto que permitia os judeus voltar a Jerusalém depois de anos de cativeiro e reconstruir o templo para a adoração a Deus. Cerca de 50 mil judeus aceitaram o desafio e voltaram para Jerusalém.  Nesse período Deus levanta Ageu, Esdras e Zacarias para profetizar e encorajar o povo a reconstruir o templo. Alguns anos se passam e Neemias torna-se governador. Neemias passa a observar que já no seu tempo as coisas começaram a ficar um tanto estranhas entre o povo de Deus. O mesmo povo que outrora era estrangeiro, cativo e sofria em terras estranhas e que recebeu favor e misericórdia de Deus , quando a graça divina tocou o coração de Ciro, agora começa a blasfemar ao Senhor em sua própria terra desfrutando das bênçãos do Senhor em sua própria terra. Isso deixa Neemias revoltado ao ponto de tomar algumas medidas drásticas em Jerusalém. É possível que o profeta Malaquias tenha sido chamado nesse tempo de Neemias para expor os pecados do povo, repreende-lo e fazê-lo voltar á adoração ao Senhor. As condições descritas no livro de Neemias são bem semelhantes às condições descritas nas profecias de Malaquias.

Podemos identificar que este tempo foi de grande declínio espiritual, de grande frieza espiritual e de grande cinismo do povo de Deus e por fim, um tempo de grande necessidade de ouvir uma exortação da parte de Deus.

coração de gelo

E que pecados rondavam o coração do povo de Deus?

Ao longo dos meus estudos no livro de Malaquias pude observar 5 pecados gravíssimos contra Deus:

 

1° rejeitaram o amor de Deus e o trataram de forma cínica e arrogante (1:2-5)

Não é atoa que Malaquias identifica este pecado como o primeiro dentre muitos. A rejeição ao amor de Deus vai desencadear outros tipos de pecados que vai dilacerar a alma e fazê-la cada vez mais cega e surda para ter uma percepção clara do amor de Deus. Quanto mais você rejeita o amor de Deus, mais difícil será você não rejeitá-lo, pois menos perceptível você será para ouvi-lo. É quase idêntico a aquela lei da física do radio ligado. Quanto mais eu me distancio do radio, menos eu poderei ouvi-lo. Assim a rejeição ao amor, a rejeição ao dar a devida resposta ao amor divino provavelmente é a mãe de todos os pecados.

E como isso penetra no coração e na mente do homem?

Quando o nosso coração tem amores rivais. Quando o nosso coração tem outros amantes. E qual era o amor rival do coração do povo de Deus? Provavelmente o seu bem-estar! O povo de Deus viveu o seu “american dream” quando voltaram da babilônias cem anos antes. O “sonho americano” do povo de Deus estava começando a se realizar, eles estavam voltando pra casa, a esperança de uma vida prospera e tranquila estava tomando um lugar no coração deles que não deveria tomar. Observe comigo que a adoração devida ao nome do Senhor e a devida resposta ao amor de Deus não era mais o centro da vida do povo. E isto aconteceu por que outras coisas tomaram o lugar no centro da vida de Israel naquele momento. E tudo me leva a pensar que a prosperidade, a esperança de uma vida bacana, o sonho de uma vida feliz e tranqüila longe do cativeiro tomou o lugar de Deus. E este é o perigo da prosperidade, este é o perigo quando Deus nos abençoa, quando a benção toma o lugar de Deus na nossa  vida e se torna um amor rival.  Deixe de lado os amores rivais. Volte-se para Deus, o mesmo Deus que amou o povo, como descrito nos primeiros versos do livro é o mesmo Deus que te ajuda que te ama e lhe faz abandonar estes amores rivais.

 

 

2° recusaram dar a Deus a devida honra ( 1:6-2:9)

Ora se o povo deixou de lado a resposta devida ao amor de Deus, isso os levou também a rejeitar a devida honra a Deus. Uma vez que eu rejeito o amor de Deus no meu coração, internamente, eu tenho que colocar isto para fora. Eu tenho que me expressar de alguma maneira. A expressão da desonra do povo de Deus estava no fato de oferecer sacrifícios imperfeitos a Deus. O chefe de família deveria pegar o seu próprio novilho e levar ao sacerdote para que este pudesse oferecer em holocausto para a adoração ao Senhor. No passar dos anos eles negligenciaram essa prática ao oferecer novilhos doentes, cegos e coxos. Sua atitude para com Deus era refletida na adoração que eles davam ao Senhor, ou seja, sua adoração estava doente! A vida com Deus para o povo virou rotina. Virou um verdadeiro tédio. Uma obrigação religiosa e nada mais. A adoração virou uma atitude sem paixão. Esse tipo de cristianismo é sem cor. Sem aventura. Sem sorrisos. A primeira atitude de homem que tem seu coração tapado para o amor de Deus é desonrá-lo na adoração. Quando o esfriamento penetra no coração pode ter certeza que isto terá ações exteriores e visíveis. A falta de zelo na adoração do povo era visível, ninguém compra de um cambista um novilho cego e machucado de forma invisível. A adoração seja ela falsa ou verdadeira é visível por todos. Dificilmente alguém seco, frio consegue se passar por um homem espiritual. Pode rodopiar, pular, marchar e até subir ao púlpito para pregar. Se o coração for uma pedra de gelo, uma sala vazia provavelmente todos saberão disso!

 

3° desprezarão a fidelidade de Deus (2:10-16)

O vers. 11 do cap. 2 diz “uma coisa repugnante foi cometida em Israel e Jerusalém, Judá desonrou o santuário de Deus”. Enquanto o Salmista cantava no salmo 84 “como é agradável o lugar da tua habitação, a minha alma anela e até desfalece pelos seus átrios”, o povo de Israel pós-exílio babilônico cantava “como é desprezível estar nos átrios do Senhor”!

O profeta chega a uma conclusão obvia: Que coisa repugnante! Quando um crente quebra as alianças com Deus e volta o seu coração para a prática do pecado, o que será das alianças feitas com outros irmãos? O que será da aliança feita com a sua esposa, ou seu esposo, se as alianças feitas com Deus foram quebradas? O que pode sustentar a aliança de um matrimônio, quando as alianças com o Amado foram quebradas? Que coisa repugnante é quebrar a aliança com Deus. A infidelidade com Deus causa no coração do povo, uma ferida que se não for tratada será a causa de outras infidelidades. Provavelmente essa é a causa do que Paulo fala em Efésios 5:1 “sejam imitadores de Deus”. Deus não quebra as suas alianças. Deus é fiel as suas alianças, por isso ao imita-lo, o homem permanece fiel as suas alianças, pois Deus é fiel as alianças Dele. Quebrar as alianças com Deus trará conseqüências na sua vida diária. Se você for solteiro, a infidelidade ao Senhor será um beijo convidativo a outros tipos de pecados sexuais inclusive pecados de ordem moral. Para os casados a infidelidade a Deus é a causa principal do divorcio. Só no Brasil mais de 45,6% dos casamentos chegam ao fim. Só no ano 2011, 350 mil casais quebraram as suas alianças matrimoniais. Pergunto: qual a causa disso? O povo anda distante de Deus. Cresce o numero de evangélicos, mas são evangélicos que não permanecem fieis a sua aliança com Deus. E isto terá consequências sociais gravíssimas tais como o divorcio. Isso é tudo é conseqüência direta do afastamento de Deus e sua infidelidade para com ele.

 

4° Chegaram ao cumulo de redefinir a justiça de Deus (2:17)

A cegueira espiritual do povo era tamanha que eles pediam justiça a Deus, pois estavam cegos e não percebiam que a própria justiça de Deus estava atuando na comunidade para quebrantar os seus corações. Deus conhece o nosso coração, conhece nossas intenções, ele esquadrinha a nossa alma, pedir justiça á ele pode ser algo arriscado. Pede-se justiça ao Senhor em dois casos, e os dois casos identificam exatamente como está o nosso coração: 1° pedimos justiça a Deus por que estamos preocupados com o seu Nome e sua reputação entre as nações. Pedimos justiça a Deus porque estamos preocupados com o nosso nome e a nossa reputação. Se algo foge do nosso controle, como fugiu do povo de Israel quando o povo começou a passar por uma instabilidade financeira, apelamos para a justiça de Deus. Mas a grande pergunta é? Você está pronto pra Ele fazer justiça em sua vida? Você tem mesmo coragem de pedir a Deus que derrame sobre a sua vida o que é justo sobre você? Era justo o povo pedir justiça? Deus estava usando de misericórdia para com o povo, mas eles, de forma cega e inconsequente, estavam pedindo a ira de Deus sobre suas próprias cabeças e não sabiam.

 

5° Estavam roubando de Deus (3:7-12)

Quando vemos o povo dialogar com Deus podemos até pensar que eles eram “santinhos”. Questionaram, colocaram em descredito a palavra do Senhor, reivindicando sua justiça. Ao analisar o texto de Malaquias cap. 3 temos um retrato de como estava as atitudes morais e éticas do povo: Estavam roubando de Deus em seus dízimos e ofertas!

Pense comigo por instante. O dizimo e as ofertas eram necessários para a manutenção de teocracia, usados para sustentar os levitas, realizar as festas nacionais e religiosas e atender as necessidades dos pobres. Quando Malaquias da a exortação sobre o roubo dos dízimos e ofertas, o profeta está lembrando-os que ao fazer isso o povo estava roubando de sí-mesmo também. Este é o ponto chave para os dízimos e ofertas. Damos a Deus o que lhe é de direito, mas somos nós mesmos que somos beneficiados com isso! Ao roubar de Deus o povo estava pecando contra si mesmo, uma terrível consequência da cegueira espiritual que estava instaurada no meio do povo.

Que desastre o povo se encontra. É lastimável ver a condição humana quando este se encontra distante de Deus. Podemos pintar um quadro que retrata a condição que o povo se encontrava. O povo se encontrava cego, surdo, sujo podre. De suas bocas só saiam palavras arrogantes, cínicas e com tom de ironia.

 

Conclusão

Para concluir quero leva-los a conhecer um pouco mais do nosso Deus misericordioso. O Deus que se revela com misericórdia abundante, que se revela com uma graça poderosa que se rebaixa e nos socorre!

 

Para dar uma resposta definitiva e final ao povo corrupto. Deus promete:

O seu mensageiro da aliança, o Santo remédio para os corações vacilantes (3-4)

Aqui está umas das mais claras referencias da vinda de Cristo no antigo Testamento. O mensageiro da Aliança, ou o “Anjo da Aliança” como algumas traduções interpretam esse texto, fala exclusivamente da vinda de Jesus Cristo a terra. É autoexplicativa a narrativa de Malaquias porque que o anjo da aliança virá: O pecado estava instaurado no coração do povo! Deus não pode ser neutro nessas horas. Deus não age como o povo! Ele não está cego. Ele não está surdo. Ele não está aparte do que está acontecendo com o seu povo. Ele deve agir com justiça. O peso da sua palavra deve ser também vista em ações, pois um dos seus atributos é JUSTIÇA e JUSTIÇA PLENA.  Entender a justa condenação dos homens é entender a gravidade do pecado para com Deus. Deus não é brasileiro. Ele não trabalha com jeitinhos, ele não trabalha com favoritismo. Ele trabalha com JUSTIÇA!

E é com essa justa justiça que Malaquias descreve o anjo da Aliança. Ele virá para purificar os pecados do povo.

Cristo é retratado como dois agentes de purificação: O fogo  que queima a escória, a escória do pecado e o sabão que lava toda a iniquidade. Todos os homens devem passar por esta limpeza. Todo homem deve passar pelo crivo da justiça do Mensageiro da Aliança.

Hoje 2.400 anos depois das profecias de Malaquias, sabemos que o Mensageiro da Aliança já veio, nasceu, cresceu. Nunca cometeu um pecado. Como uma garça andou em meio á lama e nunca sujou as suas vestes brancas. Comeu com pecadores. Andou com prostitutas. Visitava publicanos. Sua vida foi envolvida de alegria. De beleza e ternura. Sua morte foi envolvida de terror, angustia e solidão.

Toda a vida de Cristo, tanto a sua morte quanto a sua vida foi em prol da profecia de Malaquias: A purificação dos pecados daqueles que são seus.

Os seus muitas vezes se encontram distantes, caídos, desanimados e em completo estado de escória. Mas aqueles que são seus jamais passaram despercebidos pelo fogo que queima, pelo sabão que lava. A palavra para o povo de Israel era uma palavra de Peso. E por que ela vem com este peso? Por que nós somos seus! Ela vem com peso em nossas vidas para nos fazer refletir o real estado do nosso coração.

Mas este é o Deus que nos ama. Sua palavra tem peso sim, mas no final ela nos faz tão leve como uma pena levada pelo vento. Se Deus tratou dessa forma com Israel e trata da mesma forma com nós é porque ele os amava. Ele quer lavar você com o seu santo sabão e queimar toda a escória do pecado para a glória do seu Santo Nome.

Para terminar:

A última palavra, da ultima frase do ultimo livro do Antigo Testamento: MALDIÇÃO.

E esta é a condição que se encontra aqueles que rejeitarem passar pela purificação do Mensageiro da Aliança.

Termino meu estudo perguntando: Você esta sobre benção ou maldição? Você esta sendo fiel ou infiel a Deus? Você passou pelo fogo que queima toda a escória da iniquidade? Você teve seus pecados lavados pelo sabão do Senhor? A resposta dessa pergunta você não pode dar em palavras, assim como o povo também não pode. Você deve responder a essas perguntas na prática da adoração ao Senhor.

Que o Senhor nos abençoe.

 

Por Tiago Souza

 

Bibliografia:

Wiersbe, Warren W. Comentário Expositivo: Novo Testamento: volume II- Santo André, SP: 2006

Merril Eugene. Teologia do Antigo Testamento – São Paulo,SP: Shedd Publicações

O que eu penso sobre a Arte? Tiago Souza

A arte foi criada pelo grande Artista do universo que expressou sua glória na criação e na arquitetura do universo sem mesmo pregar o seu nome com um mega-fone na mão gritando palavras, mas sim pelo fato de criar somente!
A arte foi dada ao homem para glorificar a Deus e expressar o quanto nossa arte é pequena diante da arte do grande Artista. Nossa arte não tem efeitos salvificos, assim como a arte do universo feito pelo grande Artista, Deus.arte_3

A arte expressa a capacidade do homem, feito a imagem e semelhança do próprio Evangelho (Cristo), de fazer o que seu criador faz: ARTE.
Assim, a arte por si só glorifica a Deus não na sua totalidade e mensagem, mas na sua existência, mesmo que esta seja corrompida.
Existe um linha tênue entre arte em sí e o conteúdo dessa arte. Não posso simplesmente negligenciar o dom dos instrumentistas, pintores, poetase atores por mais que estejam em rebelião contra Deus. Então quando vejo um quadro, assisto um filme, aprecio uma dramaturgia estou vendo o dom da pessoa (imagem e semelhança de Deus, ou o pequeno resquício do restou) em prática na criação.

O EVANGELHO, que redimi o artista, tem o efeito de levar o artista ao entendimento que não tão somente sua arte expressa a Glória de Deus, mas que o seu propósito também é este! A morte de Cristo, segundo colossenses 1:15-20, tem o propósito de convergir em Cristo todas as coisas! Todas as moléculas, todos os prótons, todas as expressões artísticas, todos os povos, tudo e todos!

A arte não precisa de justificativa por que ela é simplesmente arte. Música é música. O ré maior sempre foi o ré maior antes e depois da conversão do artista. Agora, o artista não! Sua perspectiva do “ré maior mudou quando este soube que o ré maior foi feito para glorificar a Deus! Isso cabe em todas as expressões artísticas, seja elas musicais, arquitetônicas ou plásticas! E termino citando nosso amigo Apóstolo Tiago 1:17: “Toda a boa dádiva e todo o DOM perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.”

Que nossa arte, seja ela qual for, leve as pessoas ao Evangelho.
Que nossa arte seja para a arte do Artista que arquitetou toda a arte para Ele mesmo!

Tiago Souza

A Mensagem Central do Novo Testamento – Tiago Souza

A Mensagem Central do Novo Testamento

O Novo Testamento revela-nos alguns desdobramentos interessantes e complexos. A variedade de cenas contidas no Novo Testamento se repete página a página deixando-nos cada vez mais entusiasmados para ler e entender as verdades divinas contidas nessa compilação de vinte e sete pequenos livros.

Os quatro primeiros livros do Novo Testamento, chamados de “Evangelhos” começam e terminam narrando os fatos e acontecimentos que cercaram a vida terrena de Cristo. Cada um dos Evangelhos faz sua própria narrativa segundo sua perspectiva do fato. Assim, os quatro evangelhos se completam entre si em detalhes descritivos acerca daquele o qual os Evangelhos chamam de “Filho de Deus”, Jesus Cristo. Seguido disso, temos uma narrativa histórica muito interessante chamado “Atos dos Apóstolos” que revela os acontecimentos depois da ascensão de Cristo ao Céu, bem como o início do ministério do Espírito Santo na vida de doze seguidores de Cristo. Sucedendo essa narrativa histórica temos o que chamamos de “Epístolas”, onde estão contidas disciplinas, exortações e direções que os cristãos devem ter em sua vida cristã prática. E por fim, o Novo Testamento se encerra com um o livro apocalíptico de João. Neste último livro temos a revelação dos últimos acontecimentos bem como o início do estado eterno da igreja de Cristo. Juntos, os vinte e sete livros tecem um retrato acerca do Deus homem. Nele estavam combinadas a perfeita humanidade e divindade, fazendo Dele o único sacrifício pelos pecados do mundo, bem como digno Senhor daqueles que crêem.

A singularidade e a harmonia que estes livros formam ao redor da pessoa e da obra de Cristo inevitavelmente nos revelam qual a mensagem central do novo testamento: Jesus Cristo. Portanto, outra mensagem que não seja a mensagem de centralidade de Cristo deve ser descartada do novo testamento, pois, Dele por ele e para Ele são todas as coisas (Romanos 11:36)soldiers of the cross

Porque Cristo é a Mensagem central do Novo Testamento?

Cristo é a mensagem central do novo testamento porque Ele é o cumprimento das promessas de Deus contidas no antigo Testamento. Nele estão os mistérios, agora já revelados, do Antigo Testamento. Assim, ao lermos o Novo Testamento somos surpreendidos com a clarificação de Cristo em relação às alianças de Deus, principalmente às alianças de Deus com o seu povo, do qual Deus o fez imagem e semelhança de Cristo (Colossenses 3:10)

Embora Cristo não tenha vindo para si mesmo e sim para o seu povo, ele ainda continua a ser superior ao seu povo, pois o seu povo vê em Cristo o seu objeto de adoração pelo fato de ter Cristo morrido e ressuscitado pelo seu povo. Em relação ao Espírito Santo, seria biblicamente confuso dizer que Cristo é superior, maior ou mais elevado que Espírito Santo. Mas isso não me impede de afirmar que Cristo tem uma significância maior quando comparado com Espírito Santo, pois este trabalha para revelar a Cristo (João 15:28). Assim a mensagem do Novo Testamento continua a ser Cristo, embora a própria mensagem seja totalmente inspirada pela pessoa do Espírito.

A mensagem Central do Novo Testamento, bem como a do Antigo Testamento é Cristo Jesus. Um exemplo disso é observar Gênesis e Colossenses à luz da criação intermediada por Cristo. Em Gênesis somos informados que Deus criou. Em Colossenses somos informados que Deus criou em Cristo. Assim, o Antigo e Novo Testamento se encaixa em perfeita harmonia em relação aos acontecimentos, culminando na glorificação de Cristo, a quem Deus o fez Senhor (Atos 2:36).

A centralidade de Cristo na mensagem do Novo Testamento é tão visível quanto o sol ao meio dia, que brilha iluminando e dando significado a tudo em nossa volta. Não é de se admirar que a mensagem acerca de Cristo seja chamada de “boas noticias”.  Qualquer outra mensagem que não esteja interligada com Cristo, a centralidade da mensagem, sempre será um assunto periférico e descentralizado de toda a sagrada escritura, Antigo e Novo Testamento.

Tiago Henrique Souza