Alguns “ismos” que distorcem o Evangelho – Tiago H. Souza

Ao longo dos séculos de existência da igreja; ela luta para se manter viva e pura. Sua mensagem já foi alvo de heresias como: o docetismo, o maniqueísmo, o deísmo, as vendas de indulgencias entre outros.

Hoje não é diferente, e como já diz o subtítulo do filme “Tropa de Elite 2”: “agora o inimigo é outro”. Digo outro não porque o inimigo e suas investidas são diferentes. Digo outro porque de tempos em tempos o mesmo inimigo se mostra com uma roupagem diferente moderna e com muitas facetas.

Estou falando da MENTIRA.

Em João 14, Cristo faz uma afirmação surpreendente “Eu sou a verdade”. Isso tem algumas implicações importantíssimas. Tudo o que vai além de Cristo e sua mensagem é Mentira. E todos os que não encontraram a Verdade (Cristo) estão enganados com suas pressuposições e vãs filosofias acerca de Deus. É impossível ter uma concepção da verdade sem antes tê-la conhecido. Por isso antes de tudo lhe encorajo a conhecer profundamente a pessoa e a obra de Cristo.

No livro “A Igreja no Século 21” Schaeffer diz: “Eis o grande desastre evangélico: a negligencia dos cristãos em defender a verdade como verdade.” Schaeffer está corretíssimo em sua afirmação. Se dormimos no ponto a mentira toma espaço, e a bagunça será generalizada. Se andarmos distraídos a geração futura terá grandes conseqüências; como nós estamos tendo hoje por erros cometidos gerações passadas. Por isso, encorajo você a ficar atento e a declarar guerra a todos os arquiinimigos da igreja.

Vamos ver alguns:

 O Neo-Pentecostalismo

O Neo-pentecostalismo é uma das heresias mais fáceis de identificar. Em um culto ou pregação você já consegue perceber a presença do neo-pentecostalismo que entrou no seio da comunidade sem receio ou timidez. Diferente dos pentecostais clássicos, os neo-pentecostais distorcem completamente as verdades da escritura dando uma nova roupagem daquilo que chamamos “benção de Deus”. Para os neo-pentecostais a verdadeira evidência de um cristão não está nos frutos que ele promove quando salvo e sim na condição financeira que irá adquirir pós conversão. Para o neo-pentecostal, Jesus Cristo nasceu, morreu e ressuscitou para lhe dar mais que uma “simples salvação”. No pensamento neo-pentecostal Cristo sofreu para você não sofrer, foi pobre para você ser rico, morreu para te dar autoridade e ressuscitou para você gozar de uma vida tranqüila, prospera e feliz. A ênfase em demônio é exageradamente ridícula, doença é sinal de pecado e a prosperidade é a chave hermenêutica da Bíblia

Alguns neo-pentecostais conhecidos:

– Keneth Hagin – Considerado o pai do neo-pentecostalismo. Seu livro mais famoso “O Nome de Jesus” distorce completamente as escrituras e coloca o homem como um semi-deus.

– Edir Macedo, Valdomiro Santiago – Estes colocaram o neo-pentecostalismo em um nível mais ridículo e bizarro. Tão podre quanto a venda de indulgencias do século XVI .

– Silas Malafaia – considero este o Judas Escariotes da igreja brasileira. Começou cedo a pregar sobre temas preciosos como salvação, pecado e a volta de Cristo. Hoje, muitos anos depois ele jogou estes temas na lata do lixo e agora propaga nada mais que vitória financeira (ele chegou ao cumulo de lançar uma bíblia comentando essa heresia), prosperidade física, felicidade a todo custo e fez alianças com os piores pregadores americanos nos últimos anos como Morris Cerullo e Mike Murdok.

 

O Liberalismo

O liberalismo é uma das formas mais sagas que uma heresia pode ser. Diferente do neo-pentecostalismo o liberalismo entrou devagar na igreja por muitos e muitos anos e hoje colhe seus frutos podres dentro do seio da comunhão. Após muitos anos plantando quase que imperceptível suas doutrinas hereges nas instituições de ensino seculares e religiosas, os liberais devem estar felizes pelo resultado. A maior parte dos seminários reconhecidos pelo MEC introduziu seu herege método histórico-crítico de interpretação da bíblia juntamente com todos os seus apetrechos pressupositais que o acompanham: dúvida quanto à inerrância das escrituras, negação do nascimento virginal de Cristo, incapacidade de ver os milagres como milagres e a total negação quanto a ressurreição plena e física de Cristo entre outros. Influenciado por teóricos da pós-modernidade o discurso liberal segue o mesmo método, perguntam sem responder, abrem um assunto sem nunca fechar, levam seus ouvintes a caminharem em círculos para não chegarem a lugar algum e se aventuram a pensar na impossibilidade do próprio conhecimento em si. O liberalismo teológico tende a interpretar a bíblia de forma empirista, onde nada do que não pode ser observado pode ter de fato algum crédito.  Essa dúvida quanto aos principais pontos da fé cristã levaram muitos ouvintes dos liberais a questionar a relevância da igreja e da palavra de Deus para os dias de hoje. Além de matar a fé do indivíduo, o liberalismo também mata e enterra igrejas inteiras. A decadência espiritual e eclesiástica da Europa é um exemplo do grande estrago que a heresia liberal pode fazer.  No auge de sua popularização, duas grandes obras cristãs ortodoxa lançaram uma bomba atômica no campo liberal. Em 1910 vários teólogos apologistas lançaram a obra “ Os fundamentos” e fizeram uma larga distribuição para minar o liberalismo teológico na América, e em 1919 o grande teólogo do século XX, Karl Barth publica “O Comentário da Carta aos Romanos” que fez um grande estrago entre o pensamento liberal. Mesmo diante de grandes obras publicadas, a fé cristã pura e simples ainda hoje é minada pelos resquícios do Liberalismo Teológico.

Alguns teólogos liberais

– Rudolf Butman: conhecido pelo seu programa de “desmitificação” do Novo Testamento, Butman chegou a afirmar que “a bíblia é semelhante a um mausoléu”

– David Strauss: Suas idéias estranhas acerca do Jesus Histórico se encontram no livro “Das Leben Jesu (A vida de Jesus). Seus sucessores, os chamados “neo-liberais” nem mesmo sabem em quem acreditam pois, acreditam em tudo e, portanto, não acreditam em nada.

 

O Universalismo

Parece-me que a expressão “tudo acaba em pizza” não está só relacionada com a impunidade dos políticos corruptos do Brasil. Muitos no meio evangélico pensam dessa maneira quanto à eternidade vindoura. O nome disso é Universalismo. O universalismo é a doutrina onde ensina que no final das contas todos os homens serão salvos pela infinita misericórdia de Deus. Assim, o universalismo implica a afirmação da salvação universal e a negação da punição eterna. Alguns universalistas chegam a afirmar a rejeição da divindade de Cristo. O Universalismo tem ganhado espaço entre alguns teólogos católicos e protestantes da ala liberal (já vimos esses caras antes!). Para quem achava que essa heresia estava tirando férias estão bem enganados. Há uma série de razões pela qual esta “doutrina” tem se instalado com grande veemência na igreja. Primeiro, estamos vivendo no período da hiper-valorização do ser (humanismo); segundo, o amor está relativizado, logo, o amor de Deus foi compreendido de maneira equivocada. Um exemplo do estrago universalista é o livro recém-publicado “Love Wins” de Rob Bell. Bell aborda possibilidade da salvação de todos os homens pelo infinito amor e graça de Deus que O faz impossibilitado de condenar alguém ao inferno por toda a eternidade. Não preciso nem dizer que o livro teve grande repercussão e vendeu milhões de exemplares. Isso é resultado que a doutrina se encaixou perfeitamente em nossa época. De fato termos como condenação, inferno e julgamento estão fora de moda e, é claro, o universalismo não perdeu tempo. De maneira geral o universalista é influenciado pelas emoções. É inconcebível para um universalista aceitar que um Deus de tanto amor condenar pecadores ao inferno. Este pensamento mostra que o universalista não interpreta as escrituras pela própria escritura. Suas emoções interpretam as escrituras, logo, as emoções e sua própria concepção do ser de Deus é a regra exegética para o universalista. De maneira geral os universalistas não conseguem responder perguntas crucias da fé cristã como: Porque Cristo teve que morrer? Fomos salvos do que, e para que? Por que pregar o evangelho?

Alguns universalistas conhecidos:

–  Rob Bell: Autor de “Love Wins”, publicado no Brasil como “O Amor Vence”.

– Willian Barclay: Teólogo escocês, famoso pela sua serie de comentários bíblicos. Barclay declarou em seu livro “A Spiritual Autobiagraphy” a negação da divindade de Cristo e a base “universal” de todas as religiões.

 

O Hiper-Calvinismo

O que você pensa sobre a afirmação “Jovem, sente-se. Se Deus quiser converter os pagãos, ele o fará sem sua ajuda ou a minha”. Foi exatamente isso que falaram para o jovem inglês Willian Carey quando este se propôs pregar aos pagãos indianos. Esta afirmação é tipicamente usada por um hiper-calvinista. O hiper-calvinismo é a crença que o Evangelho não se aplica a todos os homens e que somente os eleitos são dignos de ouvirem o evangelho. Por isso, é importante fazer diferença entre o Calvinismo e o hiper-calvinismo. O hiper calvinismo é uma deturpação dos cinco pontos calvinistas. Quando Carey (calvinista) se apresentou para os ministros ingleses e propôs a evangelização dos indianos, um hiper calvinista que estava presente logo interpretou seu trabalho como inútil para Deus, pois se Deus quiser salvar um eleito, ele o fará independente do esforço missionário. Este pensamento hiper-calvinista é causado pela enfatização da soberania de Deus em detrimento do amor de Deus por todos os homens.  Por incrível que pareça o hiper-calvinismo está mais presente dentro das igrejas históricas do que imaginamos. Uma conseqüência disso é ouvir ministros dizerem que o amor de Deus é restrito somente para os que crêem. De fato, o hiper-calvinismo vai além do calvinismo clássico e bíblico e deve ser categorizado como heresia. Assim como todas as outras heresias, o hiper-calvinismo contribui para o enfraquecimento da obra missionária e detém um pensamento confuso e errôneo sobre a soberania de Deus na salvação dos pecadores.

 

O tradicionalismo

Antes de falar sobre o que é o tradicionalismo quero falar sobre o que não é o tradicionalismo. O tradicionalismo não é a conservação das doutrinas da fé cristã. O tradicionalismo não é a conservação dos estatutos internos de uma denominação. O tradicionalismo não sistema de culto e nada tem haver com liturgia. Enfim, o tradicionalismo não é tradição. A conservação das doutrinas centrais da fé cristã e dos estatutos de uma denominação são bíblicas e saudáveis para toda a comunidade eclesiástica. O Tradicionalismo vai além. O tradicionalismo não consegue colocar a fé cristã em prática na vida da igreja fora das quatro paredes. É um evangelho engessado em sua estrutura denominacional de maneira que os olhos do tradicionalista são fechados para a contextualização do evangelho em sua própria cultura. Assim até mesmo para os que freqüentam uma igreja tradicionalista é difícil aplicar o evangelho na vida do ouvinte, pois, raramente tem alguma relevância ou aplicação para a vida diária fora dos moldes da estrutura da igreja local. Raramente há algum evangelismo por parte de um tradicionalista. Suas igrejas são povoadas por um pequeno número de cristãos que nasceram na denominação e por costume da família freqüenta o culto. Os tradicionalistas são mais preocupados com sua denominação, sua arquitetura e seu governo de igreja do que levar o evangelho para o homem pecador que está fora do sistema eclesiástico. O tradicionalista tende a pregar o evangelho sem utilizar qualquer forma de contextualização ou método contemporâneo para isso.  Não é possível pregar o evangelho de Cristo (relevante e atual) na vida de um pós-moderno nos moldes do tradicionalismo. A falta de relevância do “evangelho” pregado por um tradicionalista não faz sentido nem com o próprio Evangelho de Cristo, que sempre se importou em levar todo o conteúdo da mensagem de forma mais significativa e contextual sem comprometer o próprio conteúdo.

Por isso, pela própria responsabilidade em ter um evangelho simples e puro devemos combater essa forma de fundamentalismo. O tradicionalismo deve ser extirpado da comunidade evangélica para que o evangelho possa ser compreendido pelos que estão fora das quatro paredes.

 

E por fim…

Quero salientar que a bíblia nos chama a ser intolerantes quanto às mentiras que tentam minar o Evangelho: “Conjuro-te perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cerca-se-ão de mestres, segundo as próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos á VERDADE, entregando-se as fábulas.” O conselho de Paulo aqui não é outro se não conscientizar a comunidade a se resguardar de toda a heresia. É se armar com toda a verdade de Deus para a pregação do Evangelho. Por isso, conheça a verdade, pregue a verdade e defenda a verdade.

“A tolerância é a virtude do indivíduo sem convicções” G.K Chesterton

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