Uma breve análise de Mateus 28:19 – por Tiago H. Souza

Analise de Mateus 28:19

Talvez nenhuma outra passagem bíblica isolada da bíblia seja mais amplamente usada para desafiar os cristãos a serem fieis á sua tarefa primaria do que Mateus 28:16-20. Apesar disto, os pregadores quase nunca gastam tempo para fazer exegese da passagem e compará-la com passagens paralelas. Como resultado, a essência e o método da real missão tem se perdido a uma diversidade de pensamentos acerca desse mandamento.

Para o texto de Mateus 28:16:20 os teólogos tem 4 possíveis interpretações:

1-      Forte ênfase no particípio “IDE”.

– Essa interpretação da uma conotação exagerada em cruzar fronteiras, minimizando o “fazer discípulos”.

 

2-       Forte ênfase no imperativo “FAZER DISCÍPULOS”.

– Essa interpretação sugere a idéia do “fazer discípulos” como proposta principal do texto. Alguns chegam a afirmar que o “ide” não é tão importante, podendo ser descartado do mandamento.

 

3-      Subordinação do “IDE” ao FAZER DISCÍPULOS”.

– Essa terceira interpretação sugere que ao “fazer discípulos” o “ide” praticamente esta sendo cumprido, pois o imperativo esta sendo obedecido de qualquer maneira.

 

4–  “Indo” e “Fazendo Discípulos” – A quarta interpretação sugere que o particípio “ide” pode ter um tom imperativo junto ao “fazer discípulos”, dando uma conotação também de ordem ,urgência e propósito para algo.

Gramaticalmente a palavra “ide” ( poreythentes) é um particípio no original e não um imperativo. Provavelmente deva ser traduzida “indo” ou “enquanto ides”. Mas este fato não deve deixar que a força da palavra seja embotada. A mesma construção é achada em atos 16:9 :” Passa e (ou, passando) ajuda-nos. Obviamente, se Paulo não “passar” para lá, não poderá “ajudar”! E se nós não “vamos” não podemos cumprir nossa missão. Por outro lado, a ênfase não somente recai sobre o “ir”, mas, sobre a razão para ir.

O “fazer discípulos” (Matheteysate) é o único imperativo e a atividade central indicada na grande comissão. O verbo “Matheteysate” é empregado para dar luz á razão do “ir” (poreythentes). Não há como desassociar um verbo do outro, pois os dois se completam apesar de o imperativo ser “fazer discípulos” o “ir” não pode ser esquecido ou negligenciado, pois, a vontade de Deus é que o evangelho chegue em “todas as nações”.

Ora, há possibilidade de todas as nações ouvirem o evangelho se todas as igrejas somente discipular seus amigos e familiares? Não. Não há possibilidade de a grande comissão ser cumprida dessa forma porque muitas culturas e povos ainda estariam isolados pelo preconceito racial e cultural do homem. Então, a ênfase também recai sobre o ir, porque é ele que conduz o imperativo “fazer discípulos” no propósito de alcançar todas as nações.

Por essa razão defendo a quarta posição “INDO” E “FAZENDO DISCIPULOS” que defende o particípio “ir” com um tom imperativo, pois prepara o verbo principal “fazer discípulos” em sua melhor definição.

Nas palavras de Cleon Rogers:

                                  “   O particípio não deve ser enfraquecido como uma opção secundária que não é tão importante. O aspecto de aoristo torna o mandamento definido e urgente. Não é “caso você esteja indo” ou “onde quer que você esteja”, mas sim “vá e faça algo”. Isto não deve ser tomado exclusivamente no sentido de ir a um país estrangeiro. A ênfase é na natureza universal da tarefa – uma atividade global que envolve tanto o país natal quanto os países estrangeiros.”

            A tarefa missionária segundo a quarta posição é “fazer discípulos de todas as nações”. É a posição mais coerente com a lógica e com a teologia bíblica de missões encontradas também no Antigo testamento como em Genesis 12:3.

É interessante notar também algo muito significativo em relação a Mateus, o autor do evangelho. Mateus freqüentemente coloca um particípio aoristo antes do aoristo do verbo principal. Logo após ele postula que o particípio adquiriu também uma força imperativa, como vários verbos no Antigo Testamento. Isso acorre para dar certa urgência ao verbo principal, que no caso da passagem é o “fazer discípulos”. Ou seja, a interpretação“INDO E FAZENDO DISCÍPULOS” sugere que a igreja cruze fronteiras para cumprir a grande ordem de fazer discípulos em prol que todas as nações venham conhecer a Deus.

Temo que por conta de um “pequeno grande erro” a igreja se desvie daquilo para do qual ela foi chamada. Se isso acontencer as conseqüências serão serias para aqueles que já conhecem o evangelho e para aqueles que não o conhecem.

Não foi fácil para o Kalley, para o Simonton e nem para Gunnar Vingren e Daniel Berg cumprir a grande comissão sobre o olhar da quarta posição “indo e fazendo discípulos”. A diferença entre eles e nós é uma distancia de percepção quanto a urgência do texto. Por conta da obediência correta do mandamento do texto na vida desses missionários, é que hoje escrevo esse artigo.

 

Esse texto é basiado no artigo de Carl J. Bosma para a Fides Reformata XIV n°1 (2009)

 

 

postado por Tiago H. Souza

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s